Quarta-feira, 28 de Maio de 2008
O segredo mais mal guardado do mundo

De acordo com o ex-secretário de Estado de Imprensa da Casa Branca, "Bush recorreu à propaganda e à manipulação para vender a guerra do Iraque". No Verão de 2002, os assessores de Bush começaram uma campanha cuidadosamente orquestrada para vender agressivamente a guerra, recorrendo à manipulação das fontes em proveito da versão defendida pelo presidente dos EUA, escreve Scott McClellan, que reconhece ter prestado informações falsas ao corpo de imprensa da Casa Branca.


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publicado por Pedro Sales às 18:21
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Quarta-feira, 7 de Maio de 2008
erva afegã vs. NATO

Canadian troops fighting Taliban militants in Afghanistan have stumbled across an unexpected and potent enemy — almost impenetrable forests of 10-foot-tall marijuana plants. (ou Slate)


Parece que não há maneira de queimar as florestas de erva afegã. E assim, a NATO vê falhar a sua estratégia habitual de terra queimada- balkans, anyone? Parece que só lá vai com Napalm.

Única resposta lógica a isto: criminalizar a NATO e legalizar a erva.

publicado por Vasco Carvalho às 05:23
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Terça-feira, 25 de Março de 2008
Olha, olha os anti-americanos já chegaram à televisão nos States

O Daniel Oliveira responde
, ponto por ponto, ao artigo em que Pacheco Pereira se queixa de mais uma perseguição sofrida pela sua pessoa. Depois dos falsos blogues pornográficos, apenas criados para o destituírem do lugar cimeiro que merece na bloga lusa, Pacheco Pereiro é agora importunado pelo “delito de opinião [que] é ter estado a favor da invasão do Iraque e é particularmente agravado nos casos raríssimos em que se continua a estar a favor, esses então de reincidência patológica que justificam prisão e banimento.”

Pacheco Pereira recorre à preguiça intelectual que já conhecíamos do tempo da guerra, reduzindo todas as críticas ao falhanço da estratégia da administração Bush como um sintoma do anti-americanismo militante próprio do Bloco, "muitas vezes secundado pela voz de Mário Soares". Como se percebe, só mesmo um anti-americano primário é que não percebe a genialidade de uma estratégia que considera o Irão como parte do “eixo do mal”, lançando-se numa guerra para destituir o único regime com força para limitar a sua influência como potência regional. Mas não, Pacheco Pereira sabia que a guerra fazia sentido e que nunca foi por causa das armas de destruição em massa, nem da ligação de Saddam com a Al-Quaeda. Era tudo uma questão geopolítica para levar a estabilidade à região. Para além de estar na cara que essa estratégia foi mais um "sucesso" do legado de Bush, Pacheco Pereira oferece-nos uma exemplar confissão sobre o carácter instrumental da verdade e confiança assumem na sua visão da política, Não há dúvida, as lições do passado são mesmo as mais difícies de esquecer.

publicado por Pedro Sales às 20:06
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Sexta-feira, 21 de Março de 2008
Reescrever a história

Na impossibilidade de defenderem o desastre em que se tornou o atoleiro iraquiano, os defensores da guerra continuam os seus exercícios imaginários. O último é a tentativa de reescrever a história. Diz o Paulo Tunhas que, à data, tudo apontava para a "racionalidade" da intervenção militar: “Saddam e as suas múltiplas guerras, as informações dos serviços secretos – não só americanos e ingleses, mas também franceses e alemães”. Ora, como todos estamos lembrados, a Alemanha e França foram justamente dois dos países que sempre defenderam na ONU a continuação das inspecções. Que o tenham feito, como o Paulo Tunhas sugere, contra as indicações dos seus serviços secretos, teria sido notícia em todo o mundo. Onde é que Paulo Tunhas descobriu essa monumental “cacha” que mais ninguém conhece?  Agradecíamos que a partilhasse connosco.

publicado por Pedro Sales às 16:42
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Quarta-feira, 19 de Março de 2008
F for fake (2)

PBS: Buying the war 1 de 5
(aqui para partes 2, 3, 4 e 5)

5 anos de desinformação.

"There wasn't any reporting in the rest of the press corps, there was stenography. The administration would make an assertion, people would make an assertion, people would write it down as if it were true, and put it in the newspaper or on television." (Huffington)

publicado por Vasco Carvalho às 23:25
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Domingo, 16 de Março de 2008
F for fake

O dia da vergonha tem cinco anos.


publicado por Pedro Sales às 23:29
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Sábado, 15 de Março de 2008
Soldado de Inverno


Remake do Winter Soldier Investigation de 1972, agora organizado pelos Veteranos do Iraque contra a Guerra (http://ivaw.org/wintersoldier). A seguir em directo a partir de aqui, até amanhã.
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publicado por Filipe Calvão às 17:04
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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007
A guerra do Iraque explicada em 3 segundos
via Andrew Sullinvan

publicado por Pedro Sales às 19:23
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007
Dejà vu
Dois dias depois de ser conhecido um relatório das 16 agências de informação dos EUA indicando que o Irão não tem capacidade para desenvolver uma arma nuclear e que suspendeu, desde 2003, o programa para a obter, George Bush apareceu em público para reafirmar que o Irão permanece uma ameaça. Este relatório, que foi mantido secreto durante mais de um ano por pressão da sua administração, não impediu Bush e a sua equipa de ter passado os últimos meses a acusar o Irão de pretender desencadear a III Guerra Mundial. Compreende-se. Se a mentira funcionou no Iraque, porque razão não havia de funcionar com o Irão? No fundo, Bush é como Pacheco Pereira. Também é da “escola” que se recusa a dar o “braço a torcer”. É a guerra, é a guerra.
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publicado por Pedro Sales às 18:34
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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007
Guerra ao retardador
Já se sabia que 1 em cada 4 dos sem-abrigo nos EUA são veteranos de guerra. Agora, uma reportagem da CBS revelou que 120 ex-soldados americanos suicidam-se todas as semanas, uma taxa duas vezes superior às pessoas que não cumpriram serviço militar em tempo de guerra. Só em 2005, foram 6556 ex-soldados. São os custos esquecidos de todas as guerras.
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publicado por Pedro Sales às 17:26
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
Diários de Bagdade: Blackwater

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Ahmed Abdullah continua a emitir de Bagdade:
"what is this, what is happening, is everyone killing us now? The Americans, the terrorists, the militias, the death squads and now even the people who call themselves security companies."
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publicado por Vasco Carvalho às 06:35
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All alone in the Green Zone


A perspectiva de 50 vagas por preencher na missão diplomática em Bagdad está a deixar nervosa a normalmente pouco visível classe diplomática americana. Queixam-se de "sentença de morte" e de que certamente não foi para a única mobilização forçada desde o Vietname que assinaram.

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publicado por Vasco Carvalho às 05:17
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
Punição colectiva
O ministro da Defesa israelita decretou o corte de electricidade aos habitantes da faixa de Gaza, sempre que um ataque de rockets atinja Israel. Para o governo israelita, se há um míssil é porque ninguém fez nada para o parar. Se ninguém fez nada, são todos culpados. Tire-se-lhes a luz, que, às escuras, não conseguem encontrar o Katiuska. Uma medida desumana, contraproducente. Pensava-se que as punições colectivas de um povo fossem coisa do passado. Mas não. Atingindo indiscriminadamente mais de 1,5 milhões de pessoas, Israel dá mais um passo para tornar todos os palestinianos em seguidores do Hamas que dizem combater.
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publicado por Pedro Sales às 14:34
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007
A guerra do Iraque numa fotografia
Na edição de hoje do New York Times.
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publicado por Pedro Sales às 13:18
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Terça-feira, 2 de Outubro de 2007
Outra vez a mesma história
Seymour Hersh analisa, na última edição da New Yorker, os planos de Bush para o Irão e a forma como a sua administração está a reutilizar as mesmas tácticas utilizadas para justificar a guerra no Iraque. Há uns anos era preciso atacar o Iraque por causa das suas ligações à Al-Qaeda, agora é preciso atacar o Irão por causa da sua intromissão no Iraque.

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publicado por Pedro Sales às 18:44
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2007
A "benção da liberdade"
Apesar de todos os esforços e protestos do governo Iraquiano, os mercenários da Blackwater vão permanecer neste país e já retomaram mesmo as suas operações. Ao abrigo de uma lei aprovada pelo antigo administrador americano no Iraque, Paul Bremer, o Governo iraquiano não tem jurisdição sobre os actos destas companhias de mercenários. São inimputáveis por todas as mortes e crimes cometidos, tornando o Iraque numa versão moderna do velho oeste norte-americano.

A democratização do Médio Oriente começa em Bagdad e vai até Riade, assegurava há uns anos José Manuel Fernandes, quando ainda lhe escorria uma “lágrima furtiva” ao ver os soldados americanos entrarem em Bagdad para fazerem um novo “25 de Abril”. Era este o nível do debate há 4 anos, quando a imprensa estava ocupada por artigos a defender a ocupação do Iraque para garantir a a democracia, a liberdade e a soberania ao povo iraquiano. Embrenhados na sua retórica, esqueceram-se foi de nos explicar que a soberania nacional e o estado de direito têm limites muito precisos, só se aplicando quando não põem em causa os interesses e negócios da administração Bush.

Faz hoje uma semana que George Bush agradeceu a José Sócrates a sua contribuição, e o apoio do povo português, para que o povo iraquiano descobrisse a "benção da liberdade". Talvez por estar pouco à vontade com o inglês técnico, o primeiro-ministro não reagiu à forma como Bush o vinculou a uma estratégia pela qual já ninguém quer dar a cara.
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publicado por Pedro Sales às 08:04
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2007
Pistoleiros
O Governo iraquiano vai expulsar do país os mercenários da Blackwater, retirando a licença à maior empresa de "segurança privada" a actuar no país. Estas empresas desempenham, desde o início, uma parte fulcral na ocupação militar do país, calculando-se que existam 30 a 50 mil mercenários a soldo das autoridades norte-americanas. De acordo com o partido democrata, quase metade do dinheiro gasto pelos EUA no esforço militar no Iraque vai para estas empresas, apesar de ninguém saber quais são as suas operações, métodos ou objectivos.

Apesar do segredo ser a alma do negócio, os constantes abusos chamaram a atenção internacional perante estes mercenários que não respondem perante os tribunais nem cumprem qualquer tipo de convenção internacional. O New York Times chama mesmo a atenção para que, de acordo com a lei em vigor, o governo iraquiano não tem capacidade para julgar os crimes cometidos por estes mercenários no seu país.

Ficam aqui dois vídeos sobre o modus operandi destas empresas. O primeiro, que originou uma investigação das autoridades dos EUA, revela a forma muito peculiar como estes senhores se divertem nos tempos livres. O segundo é uma reportagem da Nation sobre a Blackwater.



Ontem, George Bush agradeceu o apoio português nas intervenções militares no Iraque e Afeganistão.

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publicado por Pedro Sales às 13:50
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007
Os anti-americanos do “mas” já chegaram à América
Enquanto dezenas de milhar de portugueses invadiam as ruas a protestar contra a guerra, e as sondagens indicavam uma oposição de 80% à invasão do Iraque, a imprensa enchia as páginas com editoriais e colunas de opinião que não escondiam uma “lágrima furtiva” com o “25 de Abril” de Bagdad. Foi curta a emoção, sendo curioso reparar como mudaram de opinião, ou passam ao lado do assunto, os mais encarniçados guerreiros de sofá da nossa imprensa.

O 11 de Setembro é o dia que lhes resta para ajustarem contas com o seu passado, sem os “adversativos” que tanto irritam Ferreira Fernandes. O colunista, que escreve diariamente na esquina direita do DN, está muito irritado porque “para alguns foi 11 de Setembro mas”. Não que Ferreira Fernandes tenha alguma coisa contra o mas e o uso de adversativos, não gosta é que alguém os utilize quando ele não concorda. Veja-se o que escrevia FF nos dias seguintes à eleição de Zapatero. “A discussão que vai para aí sobre se Aznar mentiu ou não! Um primeiro-ministro a escamotear dados para ganhar eleições é assunto importante quase sempre. Mas não neste caso.” Pois...

A mentira interessa pouco a Ferreira Fernandes, seja em Madrid ou em Washington, com paragem nos Açores. O exercício é conhecido. Quem critica a política da administração Bush, e a forma como conduziu a guerra ao terror depois do 11 de Setembro, é anti-americano. São "os que não contam". Só há um problema nesta lógica. É que os EUA estão cheios de anti-americanos. Tantos, que até levam os seus "mas" para os programas nas maiores estações televisivas. Aqui fica um exemplo, da emissão especial da MSNBC no 11 de Setembro.




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publicado por Pedro Sales às 18:17
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
O 12 de Setembro
Não há nada mais violentamente inaceitável do que a instrumentalização política da emoção e vulnerabilidade das massas. É o caldo mais certo para a manipulação. Cerceia a democracia, que se baseia na liberdade de discordar, tornando o unanimismo o único estado de alma aceitável. Coloca quem o questiona em anti-patriota ou, pior, no idiota útil que cumpre os desígnios do inimigo. Com a barbaridade sem nome dos ataques terroristas do 11 de Setembro, George Bush dispôs da solidariedade e do apoio raramente desfrutados por um seu antecessor. Os americanos estavam dispostos a segui-lo. O resto do mundo, preparado para apoiar uma administração norte-americana, como poucas vezes aconteceu no passado.

(gráfico: Wall Street Journal)

Tudo isso foi desbaratado pelo que veio a seguir, sempre com o ataque às torres gémeas como caução moral. O Pactriot Act e a limitação das liberdades civis. A vigilância electrónica de jornalistas e opositores. A admissão e banalização da utilização da tortura. A ausência de leis e direitos em Guantanamo. A violação da separação de poderes, base do Estado de direito, alterando a legislação a cada entrave dos tribunais aos desmandos da administração. O ajuste de contas com o passado e a ocupação do Iraque, em nome de uma gigantesca mentira. Os sucessivos erros e a ausência de um pingo de inteligência na gestão do período pós Saddam. O atoleiro em que se tornou o Iraque, palco da violência sectária e, agora sim, entregue aos fanáticos da Al Quaeda.

De um e do outro lado do Atlântico usou-se e abusou-se da (real) ameaça terrorista para criar as raízes de um estado policial cada vez mais presente, e em que os mais básicos direitos foram sendo postos em causa em nome da luta contra o terrorismo. É a essa luz que deve ser julgada a mais recente proposta da Comissão Europeia, que pretende banir da net palavras como genocídio ou terrorismo. É sempre em nome dos melhores princípios que começamos a vacilar na protecção contra o abuso e a aceitar o autoritarismo. Bush, ou alguém por ele, foi o principal arquitecto desta campanha. Foi ela que permitiu a um pequeno grupo ganhar milhões, aumentando quase sem limites o orçamento militar e os contratos sem controlo no Iraque.

Tudo isso deveria bastar para alguma discrição na celebração do 11 de Setembro. Fazer como fizeram ontem os americanos. Mas nada disso é suficiente para a nossa armada de corajosos guerreiros de sofá e para a direita radical. Depois de uma série de posts disparatados, estão muitos indignados porque o Daniel Oliveira escolheu o 11 de Setembro para criticar o Bush. É mais uma prova da superioridade moral da esquerda, dizem. “Claro que DO sabia de fonte segura que não existiam armas de destruição maciça. Claro que DO sabia que não existiam ligações entre Saddam e a al-Qaeda”. É o dono da verdade, rematam.

Como se a questão fosse que os opositores da guerra nunca tenham conseguido provar antes da guerra as suas dúvidas e não, como é obvio, que a administração Bush tenha começado uma guerra sem ter essas mesmas certezas. Mesmo para rescrever a história deve haver limites para a falta de pudor e de descaramento.
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publicado por Pedro Sales às 10:13
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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007
Não acertam uma
Porque amanhã é 11 de Setembro de 2007 e Bin Laden continua a mandar cassetes de vídeo à malta. Porque hoje, véspera da efeméride macabra, é de novo o dia-D-do-Iraque com o generalíssimo Petraeus a jurar pelo seu manual de contra-insurgência, pela Bíblia e pela Constituição -é tudo o mesmo por estes dias- que "está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira". Porque Portugal, muito por culpa das inenarráveis personagens que tinha no governo da altura, também é responsável pela actual situação no Iraque. Porque Durão Barroso foi e será apenas um Barrasshole. Porque Sampaio errou. Porque Paulo Portas não acerta uma.

Por tudo isso, aqui fica a nossa posição enquanto nação em 10 de Junho de 2003, quando Pablo Doors atingia o seu nirvana, recebendo Rumsfeld em Lisboa.

Portas: [In Portuguese.] The only thing that the international community knows is that Saddam Hussein lied to the United Nations and to civilized countries for a decade. I would like to call attention to the fact that the weapons of mass destruction are not an assertion, they are a real problem. For ten years Iraq deceived the United Nations, first hiding them, then showing incomplete lists, then saying they had destroyed them, then moving them to systematically evade the international rules for containing this weaponry. Iraq is a country the size of France. A weapon of mass destruction might be the size of this podium. Finding something the size of this podium in a country the size of France is not something you can do in either a day or a month. But obviously Iraq today is no longer the threat to either the region or to the world that it was when Saddam Hussein was in power.

Negociar uma chefia da NATO, a base dos Azores, polícia para o Iraque, contratos para os Tugas, Donald para cá, piada para lá, Paulo Portas estava enebriado pelo poder; tinha finalmente chegado o seu momento, finalmente o seu pódio. É que as armas de destruição maciça podiam ter sido do tamanho do seu pódio, do seu ódio. Mas não foi assim.
Quatro anos depois Portugal continua a tentar esquecer esta nódoa, admitindo envergonhadamente o seu papel de escala autorizada numa rede internacional de rapto e tortura. Ninguém acertou uma e os Iraquianos que se lixem. Está tudo bem assim. Deixo-vos com a despedida do nosso Pablito ao Donald. Mais um erro para a história.

Portas: [In Portuguese.] Ladies and gentlemen, I'm going to say farewell to Secretary Rumsfeld.

[In English.] I'll just tell you one thing, Donald. You said in Washington that we have two things in common. You were elected to Congress with 30 years old; I was, too. You were Secretary of Defense with 40 years old, the first time; I was, too. But there's a third thing in common: after Iraq, we're still in job. (Laughter.)

Rumsfeld: Very good, very good!

Tão felizes que nós fomos.

PS: Verdade seja feita, Rumsfeld é amigo. Pablo Doors ganhou o "Distinguished Public Service Award" do Departamento de Defesa Americano, em Maio de 2005: " for his leadership and service as Portugal's minister of defense". Ah, e parece que agora tem "large experience and contacts with the major global defence industries (HDZ, EADS, Embraer, Lockeed Martin, Boeing, L3, Allenia, Agusta Westland, Steyer, Mowag, Patria, HK, Colt, Elbit, etc)". Vá lá, ao menos alguém saiu com o CV enriquecido.


publicado por Vasco Carvalho às 01:26
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007
"Outposts and peace don't mix"
Aside from the legal problem, the expansion of the settlements, particularly the outposts, clearly contradicts the prime minister's talk of peace. What significance could there possibly be to negotiations with the Palestinians on an agreement of principles for ending the occupation if the government is at once holding negotiations with the settlers on legalizing outposts in the very heart of the West Bank?

Nevertheless, overall responsibility for the failure to implement the decision to evacuate the outposts rests with Prime Minister Ehud Olmert and the government as a whole. Every day the outposts remain in place is another day in which every member of the government is abusing his office.
Editorial do Haaretz, 27 de Agosto 2007

O que está escrito neste editorial deveria ser uma evidência, mas confesso que gostava de ver os adjectivos e rótulos que seriam lançados sobre quem, na nossa imprensa ou blogosfera, tivesse o mediano bom senso de escrever o que um dos mais prestigiados e influentes jornais israelitas assume no seu espaço mais nobre.

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publicado por Pedro Sales às 23:22
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007
Uma comparação que deve ter sossegado os americanos...




George Bush é um homem desesperado. Ontem, falando numa convenção de veteranos de guerra no estrangeiro, comparou a guerra no Iraque com o Vietname, uma analogia que recusou durante vários anos. Para Bush, a retirada das tropas terias as mesmas consequências desastrosas que o fim da presença militar americana no Vietname. Vale a pena ver a excelente cobertura que a MSNBC fez destas polémicas declarações.

O discurso, integral, de George Bush pode ser lido aqui.

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publicado por Pedro Sales às 15:28
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The war as we saw it
Marine Wedding, Nina Berman, série Purple Hearts

A poucas semanas de ter de prestar contas sobre a situação desastrosa no Iraque, a campanha de contra-informação da administração Bush intensifica-se. Por isso mesmo, vale a pena ler the war as we saw it, o testemunho de seis sargentos do exército, recentemente publicado nas páginas de opinião do NYTimes.
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publicado por Vasco Carvalho às 02:24
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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007
Escumalha
O soldado Americano que denunciou os abusos cometidos em Abu Ghraib, descobriu, da pior forma, o que é ser um homem perseguido quando o seu anonimato foi denunciado publicamente por Donald Rumsfeld. Uma notícia impressionante, não tanto pela lógica de grupo que preside a estas perseguições primárias, mas pelo facto (revelador) de ser o próprio secretário de Estado da Defesa da Administração Bush que violou o compromisso de anonimato assumidos pelas forças armadas norte-americanas, denunciando um soldado exemplar, e a sua família, à irracionalidade da turbe. Uma única palavra define Bush e a gente que o acompanha: escumalha.
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publicado por Pedro Sales às 17:50
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Terça-feira, 31 de Julho de 2007
Diários de Bagdade
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Bagdade chega-nos todos os dias, em segmentos editados, censurados e enviesados. O Iraque da televisão é um imenso jogo de guerra, um camuflado de chefias militares americanas entrecortado por caciques que nos falam em Inglês ou em Àrabe.
Lá muito ao longe, entre a poeira das bombas e dos humvees distinguem-se sombras, gente que chora e que sobrevive no caos. Ahmed Abdullah é, por enquanto, um desses sobreviventes. Era escultor em Bagdade. Agora mantém um diário audio.
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publicado por Vasco Carvalho às 21:00
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Render da guarda
Ao fim de 38 anos, o exército britânico termina hoje, à meia-noite, a maior operação militar ininterrupta da sua história. O actual contingente, 5600 soldados, permanecerá na Irlanda do Norte mas passará a responsabilidade pela segurança para as autoridades policiais. Os últimos 10 anos foram marcado por avanços e recuos nas conversações de paz entretanto iniciadas, mas, aqui chegados, é justo realçar dois nomes: Tony Blair e Gerry Adams. O primeiro porque, se não se tivesse envolvido até ao pescoço na mentira da guerra do Iraque e rebaixado ao papel de papagaio europeu de Bush, seria este o seu legado para a história. Gerry Adams porque cedo percebeu que a resolução do conflito teria que ser política e, principalmente, porque disso conseguiu convencer o IRA. O dia de hoje não acaba com as razões do conflito, mas marca um virar de página indispensável para que a política, e apenas ela, continue o seu trabalho.


Um bom pretexto para ver, ou rever, Sunday Bloody Sunday, um filme de 2002, que ganhou os Urso de Prata em Berlim e o prémio do público em Sundance. Filmado como um documentário, segue as últimas horas que antecederam a carnificina que empresta o título ao filme. Comprometido politicamente, o filme não tem a pretensão de ser neutro mas foge aos clichés habituais nos “filmes políticos”. Os seus personagens têm dimensão psicológica, principalmente o líder nacionalista e pacifista que lidera o protesto, Ivan Cooper. As suas hesitações e angústias mostram como o mundo não é a preto e branco, mesmo quando a policia dispara sobre manifestantes pacíficos.

Cronologia do conflito, no Guardian.
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publicado por Pedro Sales às 14:16
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Domingo, 22 de Julho de 2007
os novos amigos de Bush

"O nosso país segue uma nova estratégia no Iraque e peço-vos que lhe dêem uma oportunidade para funcionar", disse George Bush no último Estado da União. Afinal, é a estratégia mais velha da política externa norte-americana. Financiando os velhos inimigos sunitas, a administração Bush tem apoiado as suas milícias para estas combaterem a Al Quaeda. O problema é que, com o dinheiro e armamento, estes rapazes colocam cada vez mais problemas ao governo xiita, de inspiração iraniana, mas apoiado pelos EUA.

Depois dos EUA terem armado os taliban para combater a presença soviética no Afeganistão e apoiado Sadam contra o Irão, era suposto que a administração Bush aprendesse com os erros e percebesse que, amigos destes, serão os próximos a meter-lhes uma bomba no quintal mal tenham a oportunidade e vontade. Mas, isso é daqui a uns anos e o horizonte de Bush, Rumsfeld e companhia mede-se cada vez em dias.
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publicado por Pedro Sales às 18:42
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2007
Com amigos destes...
Quase metade dos estrangeiros detidos em prisões geridas pelos EUA no Iraque são cidadãos sauditas. 45% dos estrangeiros responsáveis pelos ataques e atentados às tropas americanas e a civis iraquianos são sauditas. Metade dos combatentes sauditas actualmente no Iraque são bombistas suicidas, a percentagem mais elevada de todas as nacionalidades presentes no atoleiro iraquiano. Nos últimos seis meses, esses ataques mataram ou feriram 4000 iraquianos. Os números foram avançados, esta semana, pelo Los Angeles Times. Para quem não se lembra, 19 dos autores do 11 de Setembro eram cidadãos do grande amigo saudita e Bush continua a acusar a Síria e o Irão de promoverem o terrorismo.

p.s: Esta entrada foi corrigida. As alterações estão a bold, mas, no essencial, o sentido do post mantém-se inalterado: uma parte muito significativa dos responsáveis pela violência sectária que grassa no Iraque são cidadãos sauditas.
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publicado por Pedro Sales às 22:45
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Terça-feira, 17 de Julho de 2007
Guerra SMS no PSD
Segundo o DN de hoje, a guerra fraticida no PSD entrou no Século XXI. Depois do visionário Santana Lopes ter vendido toques polifónicos de "Paz, Pão, Povo e Liberdade" por 2 Euros, é agora a vez de Marques Mendes e Luís Filipe Menezes se defrontarem via mensagens escritas.

Fontes fidedignas fizeram chegar ao Zero de Conduta uma amostra do ambiente frenético que se vive na Social Democracia Portuguesa.


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publicado por Vasco Carvalho às 07:04
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Domingo, 15 de Julho de 2007
E tudo começou com uma mentira
Pretendendo conhecer como é que a guerra tem afectado o dia-a-dia dos civis iraquianos, uma equipa de repórteres da “Nation” passou os últimos meses a entrevistar 50 veteranos das tropas americanas. O resultado é um dossier impressionante. Relatos de guerra na primeira pessoa, a desumanização do “outro” só possível quando se encaram todos os civis como potenciais agressores. Absolutamente a não perder. As histórias que raramente lemos, e muito menos vemos, sobre a brutalidade de uma ocupação que começou em nome de uma mentira.
Fotogaleria no Guardian.
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publicado por Pedro Sales às 00:32
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