Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
E nunca mais digam mal do choque tecnológico

José Sócrates regressou de férias para anunciar o “compromisso” da PT em criar 1200 postos de trabalho, para o ano que vem, num gigantesco campo de trabalhos forçados "call center" em Santo Tirso. “Postos de trabalho qualificados”, sublinha. Os trabalhadores são qualificados, o trabalho é que é desqualificante e degradante. Os “call center” não são a imagem de modernidade apresentada por José Sócrates, são o dia-a-dia da geração dos 500 euros: trabalho semi-escravo, pago a 2,5 euros à hora, que faz tábua rasa das qualificações de milhares de jovens, com horários e condições de trabalho completamente absurdas. É o salve-se quem puder com vista para o cubículo da frente e do lado. José Sócrates está contente. Encontrou a razão de ser do choque tecnológico. Pôr meio país a atender o outro.


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publicado por Pedro Sales às 18:31
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Quinta-feira, 31 de Julho de 2008
Publicidade enganosa

Primeiro foram as notícias que davam conta de uma nova fábrica da Intel em Portugal. Um sucesso, garantia-se, que já tinha 4 milhões de encomendas ainda antes de ser instalada a primeira pedra. Um investimento que iria criar 1000 postos de trabalho qualificados, na zona de Matosinhos, graças à diligência do Governo. A apresentação foi ontem. Com pompa e circunstância a imprensa andou dois dias a anunciar o “primeiro portátil português”. O Magalhães é um computador inspirado no navegador, diziam ontem as televisões em coro. Para dar credibilidade à coisa, o mais famoso relações públicas nacional e o presidente da Intel subiram ontem ao palco do Pavilhão Atlântico para a "apresentação mundial" deste computador de baixo custo.

 

Um único problema. Não só o computador não tem nada de novo como a única coisa portuguesa é a localização da fábrica e o capital investido.  A "novidade mundial" ontem apresentada, já tinha sido anunciada a 3 de Abril - no Intel Developer Forum, em Shangai - e foi analisada pela imprensa internacional vai agora fazer quatro meses. O tempo que tem a segunda geração do Classmate PC da Intel, que é o verdadeiro nome do Magalhães. De resto, o primeiro computador mundial para as crianças dos 6 aos 11 anos, características que foram etiquetadas pela imprensa lusa por ser resistente ao choque e ter um teclado resistente à agua, já está à venda na Índia e Inglaterra. No primeiro país com o nome de MiLeap X, no segundo como o JumpPC. O “nosso” Magalhães é isso mesmo, uma versão produzida  em Portugal sob  licença da Intel, uma história bem distinta da  habilmente "vendida" pelo governo para criar mais um caso de sucesso do Portugal tecnológico.

 

Fábrica da Intel nem vê-la e os tão falados 1000 novos postos de trabalho ainda menos, tudo se ficando por uma extensão da actual capacidade de produção da fábrica da JP Sá Couto. Serão 80 novos empregos, 250 se conseguirem exportar para os Palops. Os tais 4 milhões, que já estavam assegurados, lembram-se? Só que as 4 milhões encomendas não passam de wishful thinking do nosso primeiro. E muito pouco credível. Em todos os países onde o computador está à venda é produzido através de licenças com empresas locais. Como explicou o presidente da Intel, a empresa continua à procura de parceiros locais para ganhar quota de mercado com o Classmate PC, não o Magalhães.

 

A guerra de Intel é outra, como se pode perceber no relato que um dos mais reputados sites tecnológicos - a Arstechnica, do grupo editorial da New Yorker - faz da apresentação da Intel e do governo português: espetar o derradeiro prego no caixão do One Laptop for Child, o projecto de Nicholas Negroponte e do MIT para destinar um computador a cada criança dos países do terceiro mundo. É essa a importância estratégica para a Intel. O resto é fogo de vista para português ver.
 

PS: Não tenho nada contra a iniciativa em si, parecendo-me meritório um projecto para garantir um contacto precoce de milhares de alunos com a informática. Mas isso não quer dizer que aceite gato por lebre. Não seria nada mau sinal se a imprensa nacional, que andou a vender uma história ficcionada, também cumprisse o seu papel. 



publicado por Pedro Sales às 09:07
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008
Crise? Eu não tenho nada a ver com isso.

foto de Tiago Petinga

Os biocombustíveis forçaram os preços dos alimentos a aumentar 75 por cento desde 2002, segundo um relatório confidencial do Banco Mundial, que os responsabiliza pela crise alimentar. O jornal britânico “The Guardian” publica hoje excertos do relatório.

 

A propósito desta notícia, vale a pena lembrar as recentes declarações do primeiro-ministro: “O senhor deputado definiu uma nova linha: contra os biocombustíveis. Eles serão a desgraça e a origem da fome no mundo. Está enganado, senhor deputado. É uma grande precipitação ligar estas duas coisas. José Sócrates, em resposta a Francisco Louçã, 11 de Abril de 2008.

 

O Governo, disse o primeiro-ministro na RTP, venceu a crise interna, mas não tem nada a ver com a crise internacional causada pelo aumento do preço dos juros, petróleo e bens alimentares. Estranho. Da última vez que reparei Portugal ainda fazia parte da União Europeia, só por acaso uma das maiores promotoras mundiais da utilização dos biocombustíveis, e o Governo Sócrates até antecipou a absurda meta europeia em 10 anos. A culpa é toda dos especuladores, está visto.



publicado por Pedro Sales às 16:13
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Domingo, 29 de Junho de 2008
O "Público" não errou, ou o spinning do governo em acção

“Segundo a notícia, apenas Espanha, Grécia, Hungria, Chipre e Bélgica declararam firme oposição à directiva, no sentido de que não venha a ser aprovada pelo PE. Perante o silêncio do governo, fica a ideia de que uma boa dose de europeísmo crítico só faria bem ao PS.” André Freire, Público, 23/6/2008

Depois de ter recebido um email do assessor de imprensa do Ministério do Trabalho, no qual este garante que “Portugal se posicionou contra esta proposta de directiva (exactamente a mesma posição adoptada pelo Governo,  espanhol)”, André Freire corrige, no Ladrões de Bicicletas, o sentido do seu artigo. Um único problema. Ao contrário do mail do prestável assessor, que segue o governo e joga com as palavras para esconder a ambiguidade da posição do Ministério do Trabalho, Portugal não votou contra e não seguiu a posição do Governo Espanhol.


O título do comunicado do Conselho de Ministros é sugestivo: “Portugal não votou favoravelmente directiva da UE sobre tempo de trabalho”. Alguém acredita que, se tivesse votado desfavoravelmente, como assegura o assessor do MST, era este o título do comunicado e não, como é normal, um mais enfático “Portugal votou contra directiva da UE sobre tempo de trabalho”? Portugal não votou favoravelmente, é verdade, mas isso é bem diferente de dizer que se “posicionou contra“. Pior, ao contrário da Espanha, Grécia, Hungria, Chipre e Bélgica, que tornaram pública a sua oposição, e garantiram que tudo iriam tentar para que a directiva fosse alterada em favor dos trabalhadores no Parlamento Europeu, o governo do PS permaneceu silencioso e nunca desfez a ambiguidade da sua não posição.


Diz André Freire, cuja honestidade é de saudar, que foi induzido em erro pela notícia do Público, de onde tirou a informação e pelo facto desta nunca ter sido desmentida. É verdade, a notícia nunca foi desmentida, e por uma razão que o prestável assessor muito bem sabe: o Governo não pode desmentir as suas próprias afirmações e as notícias de todas as agências noticiosas internacionais.


Este post do André Freire, relatando o processo pela qual - agora sim - foi induzido em erro, é um típico exemplo de como funciona o spinning dos assessores do governo Sócrates. Jogando com a ambiguidade das palavras, preferem fazer-nos passar por estúpidos. Portugal não apoiou, mas também não se opôs. Preferiu assobiar para o lado. Baixinho e calado. A mais estúpida das posições. Para não comprometer a imagem de bom aluno…ou a carreira que tanto  parece preocupar José Sócrates. 



publicado por Pedro Sales às 12:44
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2008
Prometemos acabar com os privilégios, as injustiças são noutra repartição

José Sócrates defendeu o aumento da idade da reforma e do número de anos de descontos com a necessidade de equiparar os regimes e acabar com os privilégios dos funcionários públicos. Ontem, o Partido Socialista chumbou um projecto do BE para atribuir a pensão de reforma por inteiro a todos aqueles que, tendo 40 anos de descontos, ainda não atingiram os 65 anos de idade. Uma proposta que pretendia defender todos aqueles que, tendo começado a trabalhar com 12 ou 13 anos, vêm as suas pensões penalizadas depois de uma vida de trabalho. Quando a proposta foi apresentada, Fernando Madrinha escreveu um artigo de opinião no Expresso dizendo que o "o país não tem moral para recusar a reforma a quem trabalha e desconta há mais de 40 anos". Estava certo. Não contava era com o PS.


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publicado por Pedro Sales às 08:51
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008
Sol na eira e chuva e nabal

O Governo português adoptou uma nova e original estratégia. Não se opõe às directivas mais polémicas da União Europeia, como a do retorno dos imigrantes ilegais ou a das 65 horas semanais de trabalho, mas diz que não as irá aplicar em Portugal. Alguém já devia ter explicado duas coisas ao nosso diligente Governo. As directivas comunitárias, depois de aprovadas, são transpostas para a legislação nacional. O Governo até pode passar ao lado das medidas e prazos mais polémicos, como agora garante, mas quem é que nos assegura que será essa a posição do executivo seguinte ao encontrar a porta aberta? É quase certo que Portugal não conseguiria travar estas directivas, mas uma maior firmeza nas convicções, alinhando com os  países que se opuseram à alteração do horário de trabalho, não teria ficado nada mal. Assim, parece que há um discurso para consumo interno e uma preocupação internacional em não manchar a imagem de bom aluno. Ou a carreira de José Sócrates, para usar a expressão do próprio.


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publicado por Pedro Sales às 22:54
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008
Que fiz eu para merecer isto?


Ontem, no Parlamento, José Sócrates voltou a insistir na tónica reiterada nas últimas semanas. O governo, pelo que fez, não merecia estar a sofrer os reflexos da crise financeira internacional, aumento dos combustíveis e dos bens alimentares. Durante três anos o Governo conduziu uma politica pró-cíclica, assente na forte diminuição do investimento público, acreditando que mais tarde ou mais cedo a economia entraria nos eixos. Agora, que a recessão está à porta e torna irrelevantes os investimentos guardados para o ano eleitoral, José Sócrates sente-se injustiçado porque descobriu que o mercado é amoral. “É a vida”, como diria outro primeiro-ministro socialista.



publicado por Pedro Sales às 17:34
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
Novas oportunidades para a precariedade

Não há como olhar para a notícia do Expresso, indicando que há salários em atraso e centenas de formadores a falsos recibos verdes no programa Novas Oportunidades, sem colocar em causa o anunciado empenho do Governo em combater a precariedade laboral. A ministra da Educação diz que "só agora há condições para acabar com esta situação, que foi herdada do passado". Extraordinário. Mais de três anos depois de ter tomado posse, o Governo ainda justifica o injustificável com o passado, mesmo quando o problema acontece num programa de formação lançado por este governo. As novas leis laborais prometem...



publicado por Pedro Sales às 11:05
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008
A queda

Enquanto a oposição foi alertando o primeiro-ministro para o irrealismo das previsões económicas para 2008, José Sócrates foi respondendo que o seu governo tinha dotado a economia dos mecanismos necessários para resistir aos efeitos da crise internacional. Hoje, anunciando a revisão em trambolhão do crescimento de 2,2% para 1,5%, Teixeira dos Santos responsabilizou, veja-se lá, a crise internacional. Este resultado é a falência da política económica do governo. Porque os tais mecanismos que garantiam a vitalidade da economia eram conversa e porque, como se pode ver, a queda do crescimento económico não teve paralelo numa Zona Euro que até superou as expectativas de crescimento. 



publicado por Pedro Sales às 17:45
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Verde é a cor do dinheiro

A junta de freguesia da Ericeira foi multada em sete mil euros utilizar óleos reciclados para mover os carros do lixo, em vez de comprar combustíveis fósseis, pelo que o Estado se considera lesado. O presidente da junta, citado pela TSF, já garantiu que não vai pagar a multa.

Lê-se e não se acredita. Em vez de apoiar, ou pelo menos deixar em paz, quem não precisou de ficar à espera dos subsídios estatais para aplicar uma medida ambientalmente correcta, o Governo multa quem está a usar combustíveis verdadeiramente ecológicos (óleos reciclados). Tudo isto para respeitar uma quota, financiada pelos nossos impostos, com o embuste dos agrocombustíveis que estão a roubar espaço agrícola a outras produções alimentares e a contribuir para a crise alimentar que está à porta. O verde tem muitas tonalidades. Mas a cor do dinheiro dos impostos continua a ser a mais apelativa.


publicado por Pedro Sales às 13:36
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Quinta-feira, 3 de Abril de 2008
Mariano "Al-Sahhaf" Gago
O ministro da Ciência e Ensino Superior está convencido de que quase não há licenciados desempregados em Portugal, mas não especificou se o trabalho que encontram em qualificado ou se tem relação com a área em que tiveram formação superior. Por "quase não há", entenda-se uma taxa de desemprego de 8,1%, ou 63 mil pessoas, segundo os últimos números do INE. Imagine-se se houvesse...


publicado por Pedro Sales às 17:28
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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008
Apanha-se mais depressa um ministro do que um coxo

"Eu gostaria de referir que aos bancos aplica-se a mesma taxa que se aplica às outras empresas (...) Mas eu gostaria, somente, de dizer o seguinte: o ano passado, em 2007, o IRC pago aumentou mais de 31%. E grande parte deste aumento tem a ver com o IRC pago pelo sector financeiro". Teixeira dos Santos, em entrevista ao DN/TSF no domingo.

A taxa de IRC efectivamente paga pela banca rondou os 13,63%, relacionando o valor dos impostos sobre os lucros (correntes e diferidos) com o resultado apurado antes de impostos. Em 2006, esta taxa tinha sido de 19,42%. As empresas em geral são taxadas em 27% (já incluindo derrama). DIário de Notícias, ontem.

publicado por Pedro Sales às 17:27
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Quarta-feira, 26 de Março de 2008
Depois da boa experiência dos ginásios...

O governo tentou hoje limpar o pecado original da sua governação: o dia em rasgou o compromisso eleitoral de não mexer nos impostos e aumentou o IVA. Infelizmente, tudo aponta para a inconsequência de uma medida que não serve para redimir, nem pela metade, o dia em que Sócrates aumentou o IVA. Nem tudo o que sobe desce, como os portugueses já perceberam com os ginásios que, vendo o IVA descer de 21 para 5%, mantiveram os preços inalterados. No dia 1 de Julho, poderemos comparar os preços. Vai uma aposta?
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publicado por Pedro Sales às 17:50
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Quarta-feira, 12 de Março de 2008
Como passa senhor contente, como está senhor feliz...

“Quando se fazem balanços é, certamente, para realçar aquilo que se fez bem. E, foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal", considerou Vitalino Canas, porta-voz do PS.

publicado por Pedro Sales às 18:49
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Domingo, 9 de Março de 2008
Confiança

Fotografia de André Beja
José Sócrates mudou de ministro da Saúde, reconhecendo que “era a única forma de "restaurar a relação de confiança entre cidadãos e o Serviço Nacional de Saúde”. Quando mais de metade dos professores se manifestam contra a política educativa, a frase ganha uma redobrada actualidade e fica uma pergunta muito simples. Que condições de trabalho, e de implementar as suas decisões nas escolas, tem uma responsável política que conta com a aberta hostilidade de uma classe profissional em peso?
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publicado por Pedro Sales às 22:50
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008
Mais papistas que o Papa

Mais do que um sinal da claustrofobia democrática e do autoritarismo do Governo, episódios lamentáveis como os que ontem se passaram com a visita da polícia a algumas escolas na véspera da manifestação, ou o da directora de uma escola de Leiria que considera normal que as criticas à política educativa interfiram na avaliação dos docentes, provam como o que não falta por aí são zelosos funcionários dispostos a serem mais papista do que o Papa. É claro que a anormal sucessão de casos semelhantes tem muito a ver com o clima proporcionado pelo Governo, legitimando ou fechando os olhos a este tipo de atitudes, mas esta indiferença generalizada com as liberdades individuais é bem mais grave que o autismo de um Governo fechado sobre si próprio. Melhor ou pior, este combate-se politicamente, já a primeira parece estar entranhada nas consciências de quem executa acriticamente a burocracia sem pensar nas consequências cívicas do frete.


publicado por Pedro Sales às 16:02
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Quarta-feira, 5 de Março de 2008
Matemática técnica

2+2=27

“O Primeiro-Ministro José Sócrates anunciou o aumento do complemento solidário para idosos de 323,5 para 400 euros”, debate no Parlamento a 30 Janeiro de 2008, no portal do Governo.

Sucede que, como explicou a edição de ontem do Jornal de Negócios, só foi possível ao primeiro-ministro anunciar um aumento para 400 euros porque o governo alterou a metodologia de cálculo, passando a dividir o valor anual do complemento por 12 mensalidades - em vez das 14  até aí em vigor. Se não misturasse propositadamente metodologias distintas na mesma frase, o acréscimo seria bem diferente: de 323 para 342 euros, ou 377,5 para 400 (se continuasse a valer a divisão por 12 meses). Não dava tanto efeito, mas era honesto. Assim, é uma chico-espertice só possível porque o primeiro-ministro sabe que, anunciando medidas de que mais ninguém conhece os valores, estudos ou impacto financeiro, abrirá os noticiários televisivos anunciando que é com “medidas concretas que atingimos o objectivo de combater a pobreza”. Depois, quando a oposição ou a imprensa descobre o truque aritmético, já é tarde e não passa de uma nota de rodapé. 
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publicado por Pedro Sales às 15:51
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a tirania do flowchart

Organigrama da Avaliação de Professores de acordo com a Decreto Regulamentar nº 2/2008, clique para aumentar
(via Geração Rasca,mais detalhe aqui)

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publicado por Vasco Carvalho às 04:53
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Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
A verdadeira notícia...
...da sondagem efectuada pela Universidade Católica não é que o PS não garante a maioria absoluta, mas que, em 1247 inquiridos, não tenha sido possível encontrar alguém que considerasse "muito bom" o "desempenho geral do Governo".
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publicado por Pedro Sales às 15:40
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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
Governar pelo (mau) exemplo

A CP vai encerrar os 3 infantários que disponibiliza para os filhos dos seus funcionários. Diz a empresa que pretende, com esta medida, promover a “justiça social”, uma vez que as famílias das 97 crianças nestas creches são injustamente beneficiadas face aos 720 funcionários que não têm os filhos nos infantários da CP. Assim, em vez de construir mais creches, corta-se com os “privilégios” pela raiz. (a carta enviada pela CP pode ser consultada aqui).

Talvez valha a pena recordar que a CP é uma empresa pública, tutelada por um Governo que passa a vida a anunciar medidas para promover o aumento da taxa de natalidade, entre elas a construção de infantários. Foi esse, aliás, o tema escolhido por José Sócrates na sua mais recente deslocação ao Parlamento, onde anunciou 100 milhões de euros para a construção de novas creches. No Orçamento de Estado, uma das medidas mais promovidas pelo PS foi um plano de incentivos fiscais para as empresas privadas que construam infantários para os filhos dos seus funcionários. Mas isso é a propaganda. Depois, quando as câmaras das televisões se desligam, as empresas tuteladas pelo executivo enviam cartas para os seus funcionários a dizer que vão fechar as creches onde andam os seus filhos, chamando-lhes ainda a atenção para a “desigualdade” social que esses infantários representavam.
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publicado por Pedro Sales às 14:28
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
Lógica da batata

Realizou-se na semana passada o VI Congresso Nacional do Milho, ficando acordado no encontro a produção de mais 200 mil toneladas deste cereal para garantir a quota nacional de 10% de agrocombustíveis até 2010. Segundo o presidente da associação promotora do encontro, Luís Vasconcelos e Sousa, a crescente utilização do milho e sorgo na produção de agrocombustíveis “nunca irá pôr em causa a produção destes cereais para fins alimentares”. Tudo bem, não fosse o problema que se coloca não ser a escassez de cereais mas o seu preço. O pão aumentou 30% este ano, e é provável que ainda aumente mais 15%. O leite vai pelos 15%, enquanto a maioria dos bens alimentares se fica pelos 5 a 10%.

Portugal não é um caso isolado. A pressão inflacionista nos bens alimentares é mundial e tem o dedo nada escondido da corrida ao “petróleo verde” - cujos efeitos nefastos estão longe de se ficar pela carteira. Curiosamente, enquanto o ministro da Agricultura diz estar “preocupado” com aumento dos bens alimentares, o Governo garante generosos milhões de euros em benefícios fiscais para desviar terrenos agrícolas para produzir combustíveis que vão tornar a comida ainda mais cara. Pagamos duas vezes. Nos subsídios e no supermercado. O Governo parece encontrar alguma lógica nisto. Por mim, só encontro a da batata.

publicado por Pedro Sales às 18:15
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Identificação visual
Numa demonstração de certeira pontaria, das várias centenas de professores que se manifestaram no Porto, a policia pediu a identificação aos três que prestaram declarações à televisão. Para a próxima já sabem. Manifestações sem autorização ainda vá que não vá, que o governo é magnânimo e deixa passar, mas deixem-se lá é dessas manias de falar mal do Governo para as câmaras...

publicado por Pedro Sales às 13:15
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008
Um "mal estar difuso"

Há 10 anos que os funcionários da função pública perdem poder de compra. O ano passado, o salário médio líquido dos trabalhadores por conta de outrem passou de 719 para 720 euros. As pensões dos mais pobres dos pobres, 1,6 milhões de portugueses que recebem menos do que o salário nacional, tiveram um “aumento” abaixo da inflação. Conhecedor destes números, Teixeira dos Santos foi ontem ao Parlamento recusar uma correcção salarial a meio do ano se, como é quase certo, a inflação ficar acima da calculada pelo Governo nas negociações dos aumentos salariais e de pensões. O que devia ser uma questão de boa fé, num país em que os governo se "enganam" sistematicamente na taxa de inflação, foi tornado pelo ministro das Finanças no risco risco de uma “espiral inflacionista penalizadora da generalidade dos portugueses”.

As declarações de Teixeira dos Santos resumem o actual momento do Governo. O discurso pode ser cada vez mais optimista, mas continua-se sem perceber para que foram os sacrifícios, e tantos anos a apertar o cinto em nome da estabilidade financeira, se, três dias depois do primeiro-ministro ir à SIC garantir que “temos as contas públicas em ordem”, se continua a defender a perda do poder de compra dos trabalhadores. A questão já nem é saber se seremos apanhados por todos os países de Leste, é quando? Depois admiram-se de estudos, como o da Sedes, alertarem para a existência de “um mal estar difuso”, que “alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional”. A sorte de Sócrates é o PSD que tem. O azar da democracia é que o aumento da abstenção e a crise de confiança na palavra dos políticos vai ser um dos legados fundamentais do governo de José Sócrates.

publicado por Pedro Sales às 10:57
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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008
Português técnico

A mesma imprensa e colunistas que dedicaram dezenas de horas e páginas de jornal a discutir a entrada do Governo de José Sócrates em campanha eleitoral, discute agora o tabu da sua recandidatura sem se deter 3 segundos na contradição. Será que alguém acha que o homem está em campanha para entregar o cargo a Vitalino Canas? Sejamos sérios, o tabuzinho da recandidatura tem menos densidade intelectual que um episódio dos Morangos com Açúcar. É um "não tema", e só mereceu todo este destaque porque a entrevista de José Sócrates foi a irrelevância política da semana. Sem novidades, e sem uma justificação convincente para o que fez nos últimos 3 anos, limitou-se a debitar a matéria dada nos últimos debates no Parlamento.  Convenceu os convencidos.

publicado por Pedro Sales às 08:38
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008
Meter água

Choveram 65 mm por metro quadrado em Lisboa. Pouco mais de metade do que aconteceu nas cheias de há 40 anos, mas mesmo assim o suficiente para lançar o caos na capital e arredores. Acessos bloqueados, ruas inundadas, falhas de luz e gás. Fiel aos velhos valores nacionais, o ministro do ambiente resolveu sacudir a água do capote. Diz que a culpa é das câmaras, e até tem razão, porque o tratamento de esgotos é uma brincadeira. Mas daí até dizer que o país não tem um problema de ordenamento do território, vai a distância que separa a desresponsabilização individual do disparate sem sentido. Será que Nunes Correia é a única pessoa que ainda não se apercebeu que a desproporção entre as chuvas e o seu efeito, começa precisamente no desordenamento territorial? Em Portugal constrói-se onde se quer e apetece. Em leito de cheia, alterando a linha de água e impermeabilizando todos os solos. Se dá para injectar betão é porque se pode construir. Depois logo se vê. Uma irresponsabilidade que está longe de ser exclusiva das autarquias, mais a mais quando é este mesmo Governo que se preparar para construir a plataforma logística bem no meio do leito de cheias do Tejo. O ministro acha que não há um problema de Ordenamento? Claro que não. E este mês tem 31 dias.

PS: Algo me diz que, na primeira vez em que apareceu como protagonista, Nunes Correia traçou o seu destino político. Das câmaras afectadas pelas cheias, a única que não lhe respondeu directamente foi a de Lisboa. António Costa, que é o número dois do PS,  tem outros canais para fazer sentir o seu descontentamento. Quando é que é a próxima remodelação?

publicado por Pedro Sales às 23:00
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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008
Ruído
O mesmo Governo que garantia não existir nenhum problema com a política da Saúde, e que tudo se resumia a um problema de comunicação, mudou de ministro. O discurso agora é que não fecham mais urgências sem alternativas. O contrário do que fez Correia de Campos. Mesmo assim, o Governo diz que a política se mantém.Incoerência? Recuo? Nada disso. Não perceberam? Deve ser mais um problema de comunicação.
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publicado por Pedro Sales às 22:15
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
Sim, é isso mesmo que se costuma dizer quando o Governo cede à oposição.
O porta-voz do PS, Vitalino Canas, diz que o governo sai reforçado com a remodelação ministerial.

publicado por Pedro Sales às 17:59
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Alguém se enganou no número de telefone
Há dois António Pinto Ribeiro. Um, é o ex-programador da Culturgest e um dos princiais especialistas em política da cultura. O outro é advogado, especializado na defesa dos direitos humanos. O Governo nomeou António Pinto Ribeiro para ministro da cultura. O advogado.

publicado por Pedro Sales às 16:32
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Os amigos são para as ocasiões
O mesmo Governo que reintroduziu os benefícios fiscais para os PPR, reduziu o remuneração dos certificados de aforro pela segunda vez no espaço de 18 meses. Uma medida que prejudica 700 mil portugueses, essencialmente idosos e com pequenas poupanças, que compraram os certificados confiando na palavra do Governo e se vêm agora, de um dia para o outro, com um produto que perde 10% de rendimento a médio prazo. Será normal que uma parte significativa dos pequenos aforradores emigrem para os fundos da banca, que se vê agora com produtos similares e melhor remuneração do que as novas taxas dos certificados de aforro, mas onde vão deparar com um sem número de produtos financeiros com um risco muito mais elevado. Como estamos a falar de pessoas com um escasso conhecimento dos produtos financeiros existentes, e os funcionários das agências bancárias têm metas a apresentar, será muito provável que alguns dos reformados acabem por investir as suas poupanças num “fundo fantástico na Papua Nova Guiné”. Uma sondagem do Eurostat, hoje citada no Diário Económico, diz que “só 10% dos portugueses estão optimistas com a economia”. Bate certo. Devem ser os accionistas da banca.

publicado por Pedro Sales às 10:16
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
Um Governo de palavra
Um ano antes de expulsar os imigrantes marroquinos, o Governo alterou a lei da imigração. Vale a pena ler a exposição de motivos da Proposta de Lei n.º 93/X:

"(...) Por fim, reforça-se a luta contra a imigração ilegal, através da adopção das seguintes medidas: (...) Prevê-se a concessão de autorização de residência a vítimas de tráfico de pessoas e de acções de auxílio à imigração ilegal que colaborem com a justiça. Este regime é essencial à perseguição das redes de tráfico de pessoas, sem contudo adoptar uma concepção utilitarista, na medida em que em primeira linha visa a protecção do estrangeiro enquanto vítima de um crime grave de violação de Direitos Humanos. Todo o regime de concessão de autorização de residência a vítimas de tráfico de pessoas assenta no reconhecimento de que tal prática deve ser entendida enquanto atentado inaceitável aos direitos humanos, colocando a vítima no âmbito de uma protecção muito específica por parte do Estado. Tal contribuirá em grande medida para tornar menos atractivo o território nacional enquanto país de destino de pessoas traficadas e, espera-se, para diminuir, em Portugal, o número de pessoas traficadas, em especial de mulheres." (via Aldeia Blogal)

Começa a ser congénito: não cumpre as promessas e não liga às leis que apresenta.


publicado por Pedro Sales às 10:25
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