Domingo, 13 de Julho de 2008
Nos bastidores da exploração

Imigrantes a dormir em cavalariças, trabalhando 12 horas por dia a 4,48 libras por hora e com 30 minutos de descanso para uma sanduíche mal-amanhada. Este é o outro lado da realidade por detrás de um dos mais conhecidos festivais de rock da Europa. É assim que começa uma excelente reportagem de Miguel Portas sobre a miserável exploração de trabalhadores portugueses nos bastidores esquecidos de um festival de Verão na Irlanda. A reportagem de Miguel Portas pode ser encontrada no seu blogue, a peça da RTP pode ser vista aqui.


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publicado por Pedro Sales às 22:46
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Terça-feira, 1 de Julho de 2008
Três começa a ser uma tendência

Depois do “não” dos irlandeses ao Tratado de Lisboa, e da recusa do parlamento checo em ratificá-lo, agora é a vez do presidente polaco dizer que não assina o documento, entendendo que ele está agora "sem substância" depois da recusa dos eleitores irlandeses em ratificá-lo. E agora? Também vão chantagear polacos e checos com a ameaça do ostracismo político, ou será que  os líderes europeus já se aperceberam que a legitimidade do Tratado está decididamente comprometida e apenas espera que alguém o declare morto?


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publicado por Pedro Sales às 12:38
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008
A Europa está em crise (II)

O Parlamento Europeu aprovou hoje a directiva do retorno, também conhecida como a directiva da vergonha. É um nome mais correcto para um documento que permitirá a detenção, por um período que pode chegar aos 18 meses, dos imigrantes ilegais e das crianças que não se encontrem acompanhadas. Em tempos de crise a direita reage como sempre faz quando quer manter o apoio popular, mostrando-se forte com os mais fracos dos mais fracos. O apoio de grande parte da bancada socialista ainda é mais vergonhoso.


Os imigrantes representam menos de 5% do total de cidadãos residentes em Portugal. Contribuem para a segurança social e para a riqueza do país, ocupando grande parte dos trabalhos que mais ninguém aceita. Num país crescentemente envelhecido, o futuro de Portugal passará pela forma como souber integrar a riqueza da diversidade dos seus conhecimentos, nunca pela diabolização dos imigrantes. Mas não deixa de ser sintomático encontrar Paulo Portas, que vem exigido medidas quase diárias do Estado para reverter o declínio da taxa de natalidade, assumir-se como o principal defensor desta directiva. No fundo bate certo. Grande parte do discurso sobre a tragédia que é a diminuição da taxa de natalidade, apenas pretende esconder a rejeição sistemática da imigração. Paulo Portas aí está para o provar.


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publicado por Pedro Sales às 10:58
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2008
A Europa está em crise

Mas não tem nada a ver com o “não” irlandês. A Europa está em crise quando aprova directivas para aumentar o horário de trabalho até às 65 horas por semana ou para deter os imigrantes ilegais por um período máximo de 18 meses.



publicado por Pedro Sales às 19:16
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A chantagem segue dentro de momentos

 

Durão Barroso sempre disse que não existia “plano B” para o caso do Tratado Europeu ser rejeitado pelos irlandeses. Tinha razão. Para entrar em vigor, o documento tinha que ser ratificado por todos os países. Não acontecendo, o Tratado está política e juridicamente moribundo.

 

Os defensores do Tratado dizem agora que não é aceitável que poucos milhões de irlandeses decidam o futuro de um continente. O argumento é curioso, porque omite que os irlandeses foram os únicos a votar porque assim foi decidido pelos líderes europeus com medo de uma rejeição popular do Tratado. Os irlandeses votaram e, fazendo-o, fizeram-no em nome de todos quantos foram impedidos de se expressar.

 

Mas Durão Barroso já se apressou a corrigir as suas declarações iniciais. O processo de ratificação é para continuar, disse hoje, esperando que  a  chantagem e coacção façam os irlandeses “entrar nos eixos”. Mas essa é a pior opção, própria apenas de quem não percebeu nada do que se tem passado. O predomínio da eficácia em detrimento da participação democrática, apenas tem servido para cavar um crescente abismo entre os cidadãos europeus e os seus governantes. Não é possível mais Europa sem os europeus. Será que  custa assim tanto a perceber?


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publicado por Pedro Sales às 17:27
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Porque hoje somos todos irlandeses

...e todos os dias são bons dias para se ouvir os The Pogues.


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publicado por Pedro Sales às 16:53
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Estes irlandeses são uns ingratos...

...e votaram "não", mesmo sabendo como o sucesso do Tratado era importante para a carreira de José Sócrates. É o que dá fazer perguntas ao povo numa sexta-feira 13.



publicado por Pedro Sales às 13:11
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Terça-feira, 10 de Junho de 2008
Isto deve querer dizer qualquer coisa

A dois dias do referendo ao Tratado de Lisboa, o “não” continua subir em todas as sondagens e pode mesmo ganhar a consulta popular na Irlanda. Como já tinha acontecido com a rejeição do Tratado Constitucional em França e na Holanda, o “não” cresce sempre à medida que o debate sobre o futuro da construção europeia vai crescendo de intensidade.

 

Não deve haver hoje matéria política, como o futuro da Europa, que evidencie uma maior ruptura entre as posições dos representantes políticos com a dos eleitores que os elegeram. Na Irlanda, apenas o Sinn Fein (um partido com 8%) apela ao voto “Não”. O mesmo tinha acontecido em França e na Holanda, onde a esmagadora maioria dos deputados defendia o “Sim” que acabou chumbado nas urnas. 

Notícias como esta, sobre um comboio exclusivo para os deputados europeus fazerem a ligação entre Bruxelas e Estrasburgo, também devem ajudar a explicar alguma coisa (via Origem das Espécies).


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publicado por Pedro Sales às 11:24
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2008
Menomale che Silvio c'è
Hino Pdl via Random Blog

Berluscão ganha. O reformismo envergonhado de uma certa esquerda moderna perde. Menomale che Silvio c'è.
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publicado por Vasco Carvalho às 22:02
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Domingo, 13 de Abril de 2008
democracia em baixa resolução
Bye Bye Berlusconi ou mais um prego no caixão para a democracia no velho continente? Beppe Grillo acompanha as eleições italianas.

publicado por Vasco Carvalho às 04:05
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
Double standards
A declaração unilateral da independência do Kosovo, fomentada pelos EUA e Alemanha, é a perversa legitimação da limpeza étnica que se seguiu à entrada das forças da Nato, com a debandada de 200 mil não albaneses da região. O Kosovo não é um Estado, é um protectorado sem viabilidade económica criado com o único intuito de conter a influência russa no leste europeu. Com a particularidade de ser governado de mãos dadas com as máfias que controlam o tráfico de armas, droga e seres humanos. E agora, que a secessão étnica foi aceite como motivação independentista, e que a "independência" vai ser suportada pelos cofres europeus, com que motivo é que se pode recusar idêntico tratamento às minorias húngaras na Sérvia e Roménia, já para não falar nos bascos, irlandeses, corsos, ou nos...

publicado por Pedro Sales às 11:43
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2008
O Tratado de Lisboa morreu aqui

O que aconteceu hoje no Kosovo, onde uma Europa dividida e sem voz própria foi incapaz se assumir como protagonista num conflito que tem lugar às suas portas, é a prova definitiva de que o famoso "impasse" da União não é institucional. Com Tratado ou sem ele, o problema será sempre o mesmo. Em todos as questões determinantes sobre o seu futuro, a Europa não tem voz a não ser quando alinha pela dos EUA. A União só serve para abrir os cordões à bolsa, mesmo quando são os EUA (e a Alemanha, neste caso) que se põem a inventar perigosas engenharias políticas na região mais instável do continente europeu. Já era assim antes do Tratado e será assim depois do Tratado. O resto é show off.

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publicado por Pedro Sales às 23:10
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008
Manda quem pode, obedece quem deve
Um dos argumentos mais usados pelos defensores da ratificação parlamentar é que o Tratado de Lisboa e as questões europeias são demasiado complexas para permitir uma consulta popular esclarecida e esclarecedora. O João Villalobos foi um dos últimos a juntar-se ao clube, galhardamente fundado por Vital Moreira, e pergunta ”quantos dos nossos leitores conhecem as implicações que terá a nova Directiva de Crédito ao Consumo, para mencionar só um exemplo?” Poucos, certamente. Mas, como leitor do Corta-Fitas, aproveito para responder ao João com outra pergunta. Quantos portugueses é que conseguem perceber as diferentes propostas apresentadas nas eleições legislativas sobre a sustentabilidade da segurança social, regimes fiscais especiais, a Lei da Segurança Interna, Código Processo Penal ou mesmo as consequências do processo de Bolonha? E, de resto, só vota quem conhece e leu os programas apresentados pelos diversos partidos?

Se as sociedades actuais são complexas e alicerçadas num sem número de tratados, leis, normas e regulamentos de que, na sua esmagadora maioria, os cidadãos alegremente desconhecem o significado, o que fazer? Regressamos ao voto censitário, ou entregamos o nosso futuro apenas a quem conhece os meandros de Bruxelas e trata por tu os governantes e corpo diplomático? Podemos continuar nesse caminho, e confiar na apatia dos cidadãos que vão "vivendo a sua vida e perguntando se há palitos", continuando a fugir a sete pés do escrutínio popular da construção europeia. "A Europa dos cidadãos tem medo dos cidadãos", dizia alguém no Blafémias, num feliz resumo de como os 27 governos europeus têm lidado com a ratificação do Tratado. A tendência, aliás, é para que esse medo e seja crescente, pois não é possível continuar a esconder a Europa dos europeus e continuar à espera que decisões destas não deixem nódoa. Basta ver o que se passou em Portugal. Na tomada de posse do Governo, José Sócrates defendia o referendo invocando que “devemos confiar na capacidade política dos portugueses”. Agora, pouco mais de dois anos passados, invoca a “ética da responsabilidade” para esconder o Tratado do voto popular. Uma formulação simpática para dizer que somos todos responsáveis pelo futuro do Tratado e que, como não é certo que holandeses, franceses ou ingleses o aprovem, o melhor mesmo é deixarmos a consulta referendária na gaveta para não darmos ideias a ninguém. Referendo, está visto, “jamé”.

publicado por Pedro Sales às 18:15
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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007
Para memória futura
José Sócrates promete, na tomada de posse do Governo, realizar um referendo sobre o Tratado Constitucional Europeu.

publicado por Pedro Sales às 14:26
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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007
Eurocrata para principiantes
O Miguel Portas, no seu blogue, está a descodificar o Tratado de Lisboa numa interessante sequência de posts (I), (II), (III) e (IV)


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publicado por Pedro Sales às 18:24
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007
A soberania que conta
Uma grande parte da oposição ao Tratado Europeu é soberanista. Mas não é de soberania que temos abdicado. É da soberania da democracia. O conjunto das decisões políticas que não são sujeitas ao contraditório democrático e ao escrutínio e ratificação popular não pára de crescer. Da economia à agricultura, das pescas à política comercial. O parlamento europeu, que é a única instância para a qual votamos, é uma antecâmara de coisa nenhuma. Nada do que ali se decide é importante, nada do que é decisivo passa por ali. Mas não se pense que é um exclusivo da euroburocracia. O próprio Tratado, cuja ratificação referendária era um consenso nacional há pouco mais de um ano, prepara-se para entrar em vigor com o voto de pouco mais de 200 portugueses. Estarmos mais perto do centro de decisão não quer dizer, necessariamente, que façamos parte dele. Lá, como cá, o que está em causa é a democracia. Que seja decidido em Lisboa, Bruxelas ou Estocolmo é-me indiferente.

publicado por Pedro Sales às 09:43
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Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007
E quem não salta não é português
Depois de incontáveis horas de directos televisivos, ficámos a saber o nome e os anos de serviço da guarda-freio da Carris que conduziu o eléctrico que transportou os chefes de Estado. Também nos informaram que, como é costume, Sarkozy contornou ao protocolo e que a ministra dos estrangeiros austríaca é mais alta do que Sócrates, “que até não é um homem pequeno”. Horas e horas de cobertura noticiosa sobre um tratado e conhecermos tudo à excepção do tratado. Não é de agora. Nunca houve cobertura jornalística sobre os assuntos europeus no nosso país. O que existe é a leitura acrítica das posições defendidas pelo Governo em exercício de funções, assumidas como comentário e análise jornalística. É uma visão ideia completamente disfuncional sobre os interesses do país.

O Miguel Vale de Almeida fez um curioso exercício e comparou a cobertura que a imprensa portuguesa e internacional fez da Cimeira Europa/África. O estrondoso sucesso entre portas é substituído pelas críticas à ausência de resultados práticos e ao insucesso das parcerias económicas. A União Europeia, e os temas internacionais, são analisados pela imprensa nacional com o mesmo distanciamento e espírito objectivo com que são feitos os comentários televisivos dos jogos da selecção nacional de futebol. Não deixa de ser irónico que seja precisamente num processo de integração à escala europeia que mais se faça sentir o sentimento patrioteiro comunicacional.

Compreende-se, por isso, a agressividade com que parte dos comentadores começam a reagir ao que, há bem pouco tempo, era um consenso nacional que juntava todos os partidos: a existência de um referendo para ratificar o Tratado. Como diz hoje Paulo Baldaia, num editorial no Jornal de Notícias (sem link), não pode haver referendo porque pode dar-se o caso do povo ir às "urnas cuspir na mão que lhe deu de comer" e colocar "todos os outros 26 países a marcar passo". A conclusão é lapidar. Votar "não" é colocar Portugal fora da União e fora da Europa. O volte face está consumado. Já não existe referendo ao Tratado. Existe um referendo à Europa. É a chantagem máxima, para a política mínima.
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publicado por Pedro Sales às 20:36
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Barrasshole dixit

"EU is empire".
Felizmente o centro já não impõe um diktat, só um traktat.

publicado por Vasco Carvalho às 16:27
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
mão suja, pena sabuja
Uma Europa com um líder que não foi eleito e uma constituição imposta sem votos usou a sua agenda democratizadora como cortina de fumo. Os soundbytes de Kadhafi e Mugabe -sempre à procura de um palco - fizeram o resto e proporcionaram a jornalistas, bloggers e activistas uma cobertura fácil da cimeira.

Neo-colonialismo versus dívidas do colonialismo, democratas versus ditadores, esqueletos no armário versus realpolitik. Histórias de fácil digestão que asseguraram, de uma maneira ou outra, a mensagem oficial de Lisboa: os direitos humanos no centro da nova parceria, abria o Público de ontem (p.2, sem link), assegurando que "Sócrates vence aposta da Presidência Portuguesa". Happy ending portanto apesar de todas as nuvens negras no horizonte do grande timoneiro. Ou não?

Tal como boa parte da imprensa mundial (basta googlar) e Ricardo Paes Mamede (aqui) e Pedro Sales (mesmo aqui) notam, em jogo nesta cimeira estavam os Acordos de Parceria Económica - leia-se, a liberalização de comércio e investimento entre os dois continentes - que vem substituir os acordos de Lomé e Cotonou. A sacrossanta governância foi apenas uma cortina de fumo que serviu para esconder o objectivo económico falhado.

E falhou devido à postura arrogante da Comissão Europeia. Falhou quando Peter Mandelson - outro grande democrata não eleito - ameaçou os países africanos com a subida unilateral de tarifas por parte da UE, falhou quando Barrasshole repetiu a mesma ameaça este fim de semana e já tinha falhado quando outro grande-democrata-comissário-não-eleito, Louis Michel teve de avisar:

"In the words of the EU's development commissioner, Louis Michel, Europeans must now clearly understand that Africa is no longer Europe's private hunting ground. " (aqui para BBC).

Da perspectiva de Bruxelas, a cimeira esteve sob o espectro da ameaça Chinesa na sua zona de caça, mas nenhum jornalista pareceu ter presente que seria importante entrevistar o observador Chinês na conferência. Ficaram-se pelo aplauso aos direitos humanos estarem no centro: não se sabe bem no centro do quê, mas no centro de qualquer das maneiras. E nem aí notaram a contradição de a Líbia ter assinado um acordo com a Secil - com o aceno mafioso de Kadhafi e do Governo Português- quando a tinta ainda não tinha secado nos dignos acordos de Lisboa.

Nada mudou no velho continente: a superioridade moral, a mão suja e a pena sabuja.



publicado por Vasco Carvalho às 22:39
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
Euro Trash
Quem não aceitar o Tratado de Lisboa leva com Polónio 210.



publicado por Vasco Carvalho às 17:21
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
A "seriedade democrática" da mentira
Vital Moreira, continuando a sua já longa sequência de entradas contra o referendo ao Tratado Reformador, utiliza um novo e derradeiro argumento. É uma questão de "seriedade democrática". E eu que, na minha ingenuidade, pensava que o primeiro princípio da tal seriedade democrática era o cumprimento do programa e das promessas eleitorais. Todos os partidos parlamentares defenderem no seu programa o referendo ao Tratado Constitucional. O mesmo acontecia no programa de Governo – que até o defendia para "reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia"

Por muitas diferenças que encontre entre os dois tratados, o que conta é que, até há poucos dias, não era essa a posição do primeiro-ministro. Na entrevista que concedeu à Sic nos últimos dias de Julho, José Sócrates disse que os dois tratados "são quase iguais". De resto, como já aqui lembrei, o primeiro-ministro continuava a defender o referendo há menos de seis meses...muito depois do Tratado Constitucional estar morto e enterrado. Agora, como já aconteceu com o PSD e PP, parece defender uma ratificação parlamentar e não ver nisso nenhum problema de "legitimação democrática".

A política nacional já pouco se distingue do futebol, mas Vital Moreira quer dar o último passo e legitimar intelectualmente a táctica de Pimenta Machado: "No futebol, o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira". O povo pode não perceber o Tratado, como entende Vital Moreira, mas percebe bem quando está a ser enganado. Haja seriedade democrática.

publicado por Pedro Sales às 09:29
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007
Porreiro, pá (já não temos que aturar os polacos e metemos o referendo na gaveta)


publicado por Pedro Sales às 20:17
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Sábado, 13 de Outubro de 2007
no banquete das grandes fortunas


nós estamos na sopa dos pobres. O disquinho vermelho é a fortuna de Belmiro de Azevedo, o #407 da lista dos mil milhionários do mundo. É a única fortuna "portuguesa" do lote, com 2.3 mil milhões de dólares. Vista desta forma, a acumulação de riqueza ganha contornos interessantes: os discos mais anafados na Europa continuam a ser no eixo UK-França-Alemanha (bom, mais a Suiça, pois, e a Espanha com o Señor Ortega), mas a torre mais alta está na Rússia (e para perceber isto precisaríamos da dimensão histórica que a lista não tem). E em baixo, big-fat-Bull Gates a vermelho. Mais ao centro, no Nebraska, está o disco de Warren Buffett. Quando fez a doação à Fundação Bill & Melinda Gates, em 2006, a fortuna de Buffett 'valia' 31 mil milhões de dólares; agora está calculada nos 52. De tanto inchar, qualquer dia isto rebenta tudo.

(lista da Forbes aqui)

publicado por Filipe Calvão às 01:17
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Domingo, 23 de Setembro de 2007
when the circus came to town

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Entronização dos Ministros da Agricultura da União Europeia, Porto, Reunião Informal de Ministros da Agricultura, Setembro de 2007.

Em tempos supostamente menos democráticos, os senhores e o seu séquito passavam todo o ano a cavalo, de lugarejo em lugarejo, demonstrando o seu poder e recolhendo as suas rendas. Juntavam-se regularmente na corte, numa qualquer capital de província, onde reviam as velhas amizades guerreiras e decidiam os destinos da suja populaça.

Certo dia este périplo acaba, uma família ganha ascendência, o poder central fortalece-se e o rei, resplandecente, reina absoluto. Até o Pat Buchanan sabia que assim seria a história. Só falta dizerem ao povão. Por decreto claro está, que isto da ralé pronunciar-se sobre quem manda é coisa que já passou de moda.


publicado por Vasco Carvalho às 23:13
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007
A contaminação
Os referendos sobre questões europeias, pela sua complexidade, acabam invariavelmente por ser contaminados e importunados por discussões sobre questões nacionais, declarou ontem Luís Filipe Menezes, para justificar a sua oposição a um referendo sobre o Tratado Europeu. É uma posição insustentável, que inacreditavelmente tem os seus seguidores, e guiada apenas pela necessidade de se demarcar, em tudo o que mexe, das propostas e compromissos de Marques Mendes.

Actualmente, calcula-se que entre 70 a 80 por cento da legislação nacional seja a transposição, directa ou indirecta, de directivas comunitárias. A política monetária é europeia. A política agrícola está subordinada, em larga medida, a quotas e objectivos traçados em Bruxelas. Não sei como é que Menezes entende que se pode discutir a Europa sem discutir Portugal, e discutir os problemas nacionais sem discutir a Europa. O resultado é uma discussão puramente semântica e vazia de conteúdo. Reconheça-se, em todo o caso, que nesse campo Luís Filipe Menezes é um mestre. Tem sido essa a equação que lhe tem permitido manter-se há décadas no palco da politica nacional.

publicado por Pedro Sales às 09:38
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Sábado, 15 de Setembro de 2007
Euro Trash Friday


publicado por Vasco Carvalho às 00:32
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Segunda-feira, 9 de Julho de 2007
Por uma Europa sem cidadãos
A entrevista de António Guterres ao “Diga lá Excelência”, publicada na edição de hoje do Público, é um dos melhores exemplos de como grande parte da elite política vê a construção europeia. Existe um caminho, que já foi traçado e acordado em Bruxelas, e todos os obstáculos que se colocam a esse caminho podem paralisar a Europa.

O pior é quando esses obstáculos são os cidadãos e a sua teimosa vontade não coincide com a dos eurocratas. Aí, só resta uma solução. A “Europa tem de encontrar outras formas de expressão da opinião pública” que não passem por um referendo que se “transforma inevitavelmente, no plano político, numa espécie de roleta russa”. Desde que o pessoal não vá a votos, tudo bem. Deixem lá a opinião pública “encontrar outras formas de expressão”, como enviar uns sms e fazer umas chamadas de valor acrescentado. É mais moderno, entretém o pessoal e não paralisa a Europa.

A argumentação teórica é mais sofisticada, mas António Guterres não está assim tão longe do ministro Jaime Silva que, ao primeiro cidadão que encontra a protestar contra os acordos europeus, vira-lhe as costas e diz-lhe para este pedir para Portugal sair da União. Bonito, bonito era uma Europa só com eurocratas e sem a roleta russa da democracia...

publicado por Pedro Sales às 09:57
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2007
Depois de estar assinado e em vigor, toda a gente vai poder dizer o que pensa.
José Sócrates acabou de defender, no Parlamento, que “o nosso objectivo é claro: não perder a dinâmica do acordo alcançado em Bruxelas e aprovar o mais depressa possível um novo Tratado para a União Europeia”.

Uma coisa muito importante, está bom de ver, mas que o primeiro-ministro considera que não dá para referendar antes de estar assinado. Como está, e apesar de já toda a gente o conhecer, não dá, não vá o pessoal lembrar-se de lixar a “dinâmica de Bruxelas”.

publicado por Pedro Sales às 16:54
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