Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008
The disposable heroes of hypocrisy

Para não variar, é de Jon Stewart que vem a melhor resposta ao “caso” Sarah Palin e à histeria mediática causada pelos seus defensores, alguns dos quais descobriram, pela primeira vez na vida, termos como machismo ou sexismo. Absolutamente imperdível.



publicado por Pedro Sales às 14:35
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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Não disse, mas podia ter dito



publicado por Pedro Sales às 02:21
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Quinta-feira, 31 de Julho de 2008
Publicidade enganosa

Primeiro foram as notícias que davam conta de uma nova fábrica da Intel em Portugal. Um sucesso, garantia-se, que já tinha 4 milhões de encomendas ainda antes de ser instalada a primeira pedra. Um investimento que iria criar 1000 postos de trabalho qualificados, na zona de Matosinhos, graças à diligência do Governo. A apresentação foi ontem. Com pompa e circunstância a imprensa andou dois dias a anunciar o “primeiro portátil português”. O Magalhães é um computador inspirado no navegador, diziam ontem as televisões em coro. Para dar credibilidade à coisa, o mais famoso relações públicas nacional e o presidente da Intel subiram ontem ao palco do Pavilhão Atlântico para a "apresentação mundial" deste computador de baixo custo.

 

Um único problema. Não só o computador não tem nada de novo como a única coisa portuguesa é a localização da fábrica e o capital investido.  A "novidade mundial" ontem apresentada, já tinha sido anunciada a 3 de Abril - no Intel Developer Forum, em Shangai - e foi analisada pela imprensa internacional vai agora fazer quatro meses. O tempo que tem a segunda geração do Classmate PC da Intel, que é o verdadeiro nome do Magalhães. De resto, o primeiro computador mundial para as crianças dos 6 aos 11 anos, características que foram etiquetadas pela imprensa lusa por ser resistente ao choque e ter um teclado resistente à agua, já está à venda na Índia e Inglaterra. No primeiro país com o nome de MiLeap X, no segundo como o JumpPC. O “nosso” Magalhães é isso mesmo, uma versão produzida  em Portugal sob  licença da Intel, uma história bem distinta da  habilmente "vendida" pelo governo para criar mais um caso de sucesso do Portugal tecnológico.

 

Fábrica da Intel nem vê-la e os tão falados 1000 novos postos de trabalho ainda menos, tudo se ficando por uma extensão da actual capacidade de produção da fábrica da JP Sá Couto. Serão 80 novos empregos, 250 se conseguirem exportar para os Palops. Os tais 4 milhões, que já estavam assegurados, lembram-se? Só que as 4 milhões encomendas não passam de wishful thinking do nosso primeiro. E muito pouco credível. Em todos os países onde o computador está à venda é produzido através de licenças com empresas locais. Como explicou o presidente da Intel, a empresa continua à procura de parceiros locais para ganhar quota de mercado com o Classmate PC, não o Magalhães.

 

A guerra de Intel é outra, como se pode perceber no relato que um dos mais reputados sites tecnológicos - a Arstechnica, do grupo editorial da New Yorker - faz da apresentação da Intel e do governo português: espetar o derradeiro prego no caixão do One Laptop for Child, o projecto de Nicholas Negroponte e do MIT para destinar um computador a cada criança dos países do terceiro mundo. É essa a importância estratégica para a Intel. O resto é fogo de vista para português ver.
 

PS: Não tenho nada contra a iniciativa em si, parecendo-me meritório um projecto para garantir um contacto precoce de milhares de alunos com a informática. Mas isso não quer dizer que aceite gato por lebre. Não seria nada mau sinal se a imprensa nacional, que andou a vender uma história ficcionada, também cumprisse o seu papel. 



publicado por Pedro Sales às 09:07
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008
Aprendizes de feiticeiro

A Sedes organizou um encontro para debater o seu “documento” sobre o estado do país. Durante o debate, os oradores criticaram que todos os governos se tenham mostrado mais preocupados “com o noticiário das 8h do que com o país daqui a 20 anos”. Está certo. A mesma organização que publicou um documento sobre o estado do país nas vésperas do Estado da Nação, depois de ter negociado a sua publicação com alguma imprensa, que a manteve embargada até poucos minutos dos tais noticiários das 8 horas, vem agora denunciar a politica espectáculo e a cedência às lógicas comunicacionais. Há coisas fantásticas, não há?



publicado por Pedro Sales às 18:36
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Quinta-feira, 3 de Julho de 2008
Devo ser eu que sou esquisito...

..mas não deixa de ser estranho que, numa entrevista com mais de uma hora, a palavra desemprego, não por acaso a maior preocupação dos portugueses em quase todos os estudos de opinião, não tenha sido pronunciada uma única vez.



publicado por Pedro Sales às 23:06
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2008
careca, dente amarelado, olheiras de três dias... são comunas de certeza

Com a luta de audiências ao rubro no mercado de cabo norte-americano, a Fox desce a níveis impensáveis e retoca as imagens de jornalistas menos simpáticos com a causa Murdoch. (aqui para Media Matters)



publicado por Vasco Carvalho às 21:04
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Domingo, 29 de Junho de 2008
O "Público" não errou, ou o spinning do governo em acção

“Segundo a notícia, apenas Espanha, Grécia, Hungria, Chipre e Bélgica declararam firme oposição à directiva, no sentido de que não venha a ser aprovada pelo PE. Perante o silêncio do governo, fica a ideia de que uma boa dose de europeísmo crítico só faria bem ao PS.” André Freire, Público, 23/6/2008

Depois de ter recebido um email do assessor de imprensa do Ministério do Trabalho, no qual este garante que “Portugal se posicionou contra esta proposta de directiva (exactamente a mesma posição adoptada pelo Governo,  espanhol)”, André Freire corrige, no Ladrões de Bicicletas, o sentido do seu artigo. Um único problema. Ao contrário do mail do prestável assessor, que segue o governo e joga com as palavras para esconder a ambiguidade da posição do Ministério do Trabalho, Portugal não votou contra e não seguiu a posição do Governo Espanhol.


O título do comunicado do Conselho de Ministros é sugestivo: “Portugal não votou favoravelmente directiva da UE sobre tempo de trabalho”. Alguém acredita que, se tivesse votado desfavoravelmente, como assegura o assessor do MST, era este o título do comunicado e não, como é normal, um mais enfático “Portugal votou contra directiva da UE sobre tempo de trabalho”? Portugal não votou favoravelmente, é verdade, mas isso é bem diferente de dizer que se “posicionou contra“. Pior, ao contrário da Espanha, Grécia, Hungria, Chipre e Bélgica, que tornaram pública a sua oposição, e garantiram que tudo iriam tentar para que a directiva fosse alterada em favor dos trabalhadores no Parlamento Europeu, o governo do PS permaneceu silencioso e nunca desfez a ambiguidade da sua não posição.


Diz André Freire, cuja honestidade é de saudar, que foi induzido em erro pela notícia do Público, de onde tirou a informação e pelo facto desta nunca ter sido desmentida. É verdade, a notícia nunca foi desmentida, e por uma razão que o prestável assessor muito bem sabe: o Governo não pode desmentir as suas próprias afirmações e as notícias de todas as agências noticiosas internacionais.


Este post do André Freire, relatando o processo pela qual - agora sim - foi induzido em erro, é um típico exemplo de como funciona o spinning dos assessores do governo Sócrates. Jogando com a ambiguidade das palavras, preferem fazer-nos passar por estúpidos. Portugal não apoiou, mas também não se opôs. Preferiu assobiar para o lado. Baixinho e calado. A mais estúpida das posições. Para não comprometer a imagem de bom aluno…ou a carreira que tanto  parece preocupar José Sócrates. 



publicado por Pedro Sales às 12:44
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008
Mr Rogeiro goes to Guantanamo

Nuno Rogeiro foi a Guantanamo e levou uma câmara da SIC com ele (o resultado pode ser visto aqui). Segundo este repórter acidental, “viemos ver o que é que se passa, exactamente, com os detidos da guerra contra o terrorismo”. Ver, ver, não vimos nada. Como a própria SIC confirma, todo o material foi vistoriado e censurado pelas forças armadas norte-americanas. O que vimos e ouvimos não passa de um mau remake da história da Carochinha, desta vez adaptada a um campo de concentração assepticamente transformado numa prisão como as outras. Tortura, detenção sem culpa formada durante anos e julgamentos à margem da lei?  Sim, no início pode ter havido um “tratamento cruel”, mas as coisas têm melhorado. Agora até já há umas setas viradas para Meca e os presos podem jogar basquetebol e rezar em conjunto.


Tanta condescendência tinha que dar em bandalheira, nesta “prisão” onde um assessor garante que “as regras de disciplina são mais rígidas para os soldados do que para os detidos” e a psiquiatra confirma que os presos ouvem vozes. Resultado da tortura, pensamos. Nada disso. Faz parte dos hábitos da cultura, "associada à maioria dos detidos", “ouvir génios”. Desta vez, infelizmente, parece que não conseguiram escutar o bom do Rogeiro. É pena. Sempre dava para desanuviar o ambiente enquanto esperavam pela jogatana da tarde.



publicado por Pedro Sales às 14:03
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Sexta-feira, 30 de Maio de 2008
Este blogue avisa que só traficamos armas ao sábado e domingo

A reportagem ontem transmitida pela SIC sobre "os perigos da internet" é um dos momentos televisivos mais hilariantes dos últimos tempos. Para quem não viu - erro que rapidamente deve corrigir aqui, via 5 Dias -, Moita Flores faz o favor de alertar os portugueses, nos tons apocalípticos de quem comenta a internet com a mesma seriedade com que "analisa" o desaparecimento de uma menina inglesa, que os blogues são o espaço onde  se trafica armas, organizam terroristas e se organiza o branqueamento de capitais...


Depois de desfilar mais um sem número de lugares comuns, como o de uma disparatada noção de invasão da privacidade e de uma leitura mais que enviesada do caso Cicarelli, o jornalista que introduz a peça avisa-nos que um computador portátil é tudo quanto precisamos para começarmos a contar mentiras ao mundo todo. Ora, ora. Nem é preciso tanto. Basta esperar um minutinho e continuar ligado na SIC. Como o sentido da reportagem, e do debate que se lhe seguiu, é que um dos principais “perigos da internet” é o vazio legal que permite a impunidade da calúnia, a SIC garante que António Baldino Caldeira, o autor do blogue Portugal Profundo, nunca chegou a ser julgado por ter posto em causa as credenciais académicas do primeiro-ministro que elegeu como um “alvo".


Se o jornalista tivesse feito o seu trabalho, e não andasse à procura de casos que confirmassem a sua tese a martelo, teria percebido que António Baldino Caldeira “nunca chegou a ser julgado” porque a procuradora do MP resolveu arquivar a acusação feita por José Sócrates, entendendo que não havia «indícios de crime» nos dois textos publicados por António Caldeira. É verdade que o jornalista apresenta a reportagem com um portátil na mão. Se calhar até é capaz de ter alguma razão...



publicado por Pedro Sales às 20:35
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Terça-feira, 27 de Maio de 2008
As verdades feitas escondem sempre velhas mentiras

A Entidade Reguladora da Comunicação Social apresentou ontem o seu relatório relativo a 2007, incluindo desta vez a análise à programação e informação de todos os canais televisivos, público e privados. Os dados relativos à informação são muito curiosos, permitindo desmentir uma série de velhas verdades feitas;

 

1. Ao contrário do que afirmava o PSD há uns meses, e de Pacheco Pereira que apenas encontra os "momentos Chávez" na RTP, a presença do Governo nos outros canais em nada se distingue da que acontece no canal público. De resto, até é na SIC que o Governo e PS encontram mais tempo de antena, ou não tenha sido esta a estação escolhida por José Sócrates para conceder as suas duas últimas entrevistas televisivas.

 

2. Há muito tempo que a famosa conversa sobre o Bloco ser levado ao colo pelos jornalistas não tem nada a ver com a realidade. Com votações similares ao PP e PCP, o Bloco tem cinco vezes menos notícias que o PP na SIC, quatro na RTP, e três na TVI. Mesmo o PCP, sempre pronto para reclamar da sua discriminação em relação ao "mediático" Bloco, aparece mais três vezes em todos os canais.

 

3. O impacto da comunicação social (mesmo da televisão) na construção de uma percepção pública sobre os partidos é sobremaneira exagerado. Pegue-se no exemplo do Bloco que, com uma cobertura noticia ínfima em relação ao PP, continua a crescer nas sondagens, onde aparece invariavelmente com o dobro das intenções de voto do PP.



publicado por Pedro Sales às 19:03
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
"Geração rasca", take 184

Pegando no estudo que citou no seu discurso no 25 de Abril, o Presidente da República dedicou o dia de hoje a discutir o alheamento dos jovens da política. Reduzindo a política ao sistema partidário e à confiança na eficácia do sistema eleitoral, a leitura transviada e manifestamente apressada que Cavaco Silva fez do inquérito levou a imprensa e comentadores darem como certo o excepcional alheamento dos jovens. Mas essa é uma leitura simplista e que não encontra correspondência nos dados do inquérito. O problema da participação não é dos jovens. É de toda a população. De resto, os baixíssimos níveis de participação são um dos indicadores mais estáveis e constantes em todos os grupos etários.

Os jovens parecem encontrar uma reduzida eficácia no voto. Isso é verdade e até compreensível, pelas razões aqui levantadas pelo Daniel Oliveira. Mas convém não esquecer que, apesar de serem quem menos oportunidades teve para participar em qualquer actividade política, “os índices de participação social dos jovens são mais elevados” e demonstram-se mais confiantes na melhoria do funcionamento da democracia. Vale a pena destacar mais duas citações do estudo:

Da mesma forma, o recurso a modalidades de participação “não convencionais” − colaborar com organizações ou associações, chamar a atenção dos meios de comunicação ou participar em manifestações, inclusivamente ilegais − tende a ser visto mais eficaz pelos jovens do que pelos mais velhos. Contudo, o mesmo padrão não se detecta no que respeita a outras modalidades de política dita “convencional” − colaborar com partidos ou contactar políticos − onde também são os mais jovens que, tendencialmente, atribuem mais eficácia a essas acções. Por outras palavras, à excepção do voto, os jovens tendem a ver todas as formas de participação política como mais eficazes do que a restante população activa. (p.30)

Os jovens com menos de 18 anos mostram-se também particularmente indisponíveis, em comparação com o resto da população, para, futuramente, assistirem a comícios partidários e outras manifestações, assim como a estabelecer contactos com políticos ou funcionários. Mesmo assim, é interessante notar como, apesar do baixo nível de integração política e económica deste contingente, a sua indisponibilidade para participar é, em quase todos os casos, igual ou inferior ao escalão etário dos mais velhos. (p. 33)


PS: A exclusão pela presidência dos jovens do Bloco de Esquerda da reunião de hoje resume, de forma exemplar, a forma redutora como Cavaco Silva entende a participação política e democrática. Num encontro marcado para discutir as formas de participação política dos jovens, o Presidente da República entendeu por conveniente definir à partida quais são as formas de organização aceitáveis e as que são dispensáveis. Sintomático.



publicado por Pedro Sales às 23:31
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“Todo um programa”

Pacheco Pereira entende que os grandes planos da cara de Manuela Ferreira Leite, na entrevista de Judite de Sousa, rrepresentam “todo um programa” sobre a parcialidade jornalística. O objectivo? Mostrar “uma mulher velha e cansada, com rugas, com o tempo na cara”. Só que, como se pode ver numa breve busca no Youtube, escapou a Pacheco Pereira a verdadeira dimensão da perfídia do realizador da RTP para perceber que o mesmo já tinha sido feito a Simone de Oliveira ou a Marinho Pinto - só para dar dois exemplos. O programa, que está longe de ser perfeito, anuncia na sua página que "os rostos da notícia estão na “Grande Entrevista" da RTP." O artigo de Pacheco Pereira é todo um programa, sim, mas sobre a forma enviesada como o próprio encara a imprensa e gere a sua intervenção pública e política. Quando não se vitimiza a si próprio, pela perseguição que a esquerda lhe faz pelo seu alinhamento com a guerra no Iraque ou pelos “falsos blogues pornográficos” que teimam em aparecer para retirar o Abrupto da liderança dos blogues nacionais, está a tentar a mesma táctica com aqueles que defende. Só um problema. A fragilidade da candidatura de Manuela Ferreira Leite é a candidata. Pela sua desastrada passagem pelo Governo e pela absoluta falta de tacto político, como se pode ver pelo autêntico disparate que têm sido as escassas oportunidades em que diz qualquer coisa.


PS: Já que se fala na Grande Entrevista, de Judite de Sousa, talvez valha a pena lembrar que cinco dos últimos sete entrevistados são do PSD. Os outros não são políticos. Como esta semana deverá caber a sorte a Pedro Passos Coelho, de há dois meses a esta parte que o principal programa de entrevistas da estação pública está tornado numa espécie de “Povo Livre” televisivo.



publicado por Pedro Sales às 13:02
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Domingo, 11 de Maio de 2008
lies, damned lies

Inflação...

 

                                                                       ... e desemprego

 

"The corruption has tainted the very measures that most shape public perception of the economy—the monthly Consumer Price Index (CPI), which serves as the chief bellwether of inflation; the quarterly Gross Domestic Product (GDP), which tracks the U.S. economy's overall growth; and the monthly unemployment figure, which for the general public is perhaps the most vivid indicator of economic health or infirmity" (aqui para Why the economy is worse than we think, Kevin Phillips, Harper's)



publicado por Vasco Carvalho às 01:17
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Sexta-feira, 2 de Maio de 2008
Alguém falou em cartel?

“Desde o final de Janeiro de 2008 até ontem, o preço da gasolina de 95 octanas, em Portugal subiu 13,2 por cento e o do gasóleo 6 por cento, enquanto o do petróleo tipo Brent, que serve de referência para a Europa, subiu 16  por cento”. De acordo com esta informação, publicada ontem na secção de economia do Público, o jornal fez uma chamada de capa desvalorizando o recente aumento da gasolina e dizendo que os “combustíveis sobem menos do que o petróleo”.

Sucede que, como o jornal deveria saber, se não é possível fazer uma transposição directa entre o preço de qualquer matéria prima e o  do seu produto final, muito menos é possível essa leitura num mercado em que a carga fiscal representa mais de 60% do seu preço final. Depois, há ainda que contar com o preço da transformação do produto, transporte e distribuição, custos de operação e taxa de lucro da petrolífera e revendedor. Curiosamente, nem o facto de, no mesmo perídodo temporal, o dólar se ter desvalorizado 7% face ao euro é referido pelo jornal, ignorando assim a vantagem que é comprar em dólares para depois vender em euros...

Em todo o caso, não é preciso ser-se um brilhante economista para perceber que o aumento de 16% do crude não pode ser responsabilizado por um aumento da gasolina superior a 3 a 5 %. Mas esta aumentou 13%, uma média bem superior à dos restantes países europeus. O aumento do crude tem servido de pretexto para o aumento sem precedentes da gasolina e para as empresas petrolíferas registarem lucros recorde, mas é uma desculpa que tem as pernas curtas. Curiosamente, ninguém parece encontrar os responsáveis pela liberalização deste mercado e que nos garantiam, há apenas quatro anos, que a concorrência ia tornar a gasolina mais barata. Aonde é que andam escondidos, agora que a concertação de preços em prejuízo dos consumidores se começa a tornar cada vez mais evidente?


publicado por Pedro Sales às 15:58
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Terça-feira, 29 de Abril de 2008
O Youtube, não se esqueçam de procurar no Youtube
Um puto de 18 anos, com pinta de Bruce Lee e notório mau humor, mandou dois polícias para o hospital a toques de pontapé, e foi o suficiente para montar o cenário para mais uma overdose comunicacional sobre o aumento da insegurança e a necessidade de mais efectivos policiais. Alguma alminha caridosa faça o favor de colocar este vídeo no Youtube que é para termos a certeza de que temos o próximo mês por conta da crise de autoridade das polícias. Assim, em seco, é mais difícil manter o sensacionalismo.


publicado por Pedro Sales às 19:42
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
Já que fala nisso
Cavaco Silva foi hoje ao Parlamento criticar a qualidade da democracia e o alheamento dos jovens pela política, resultando na "indiferença que muitos jovens têm pelo futuro do seu País”. Curioso. Da última vez que reparei, o Presidente da República tinha acabado de chegar da Madeira, onde elogiou o trabalho de Alberto João Jardim, e era contra a realização do referendo ao Tratado de Lisboa, questionando o conhecimento de causa dos cidadãos para decidir o seu futuro.


publicado por Pedro Sales às 13:40
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Sexta-feira, 4 de Abril de 2008
É preciso topete

Mesmo quando apresenta iniciativas que se saúdam, o PSD não acerta uma. Agora, a propósito da cobrança de 576 euros de custas judiciais às pessoas que pretendam iniciar um processo de adopção, anunciou uma medida legislativa para revogar essa decisão. O problema é que o Decreto-Lei que querem modificar resulta de uma autorização legislativa apresentada pelo Governo, e aprovada com os votos favoráveis dos deputados do PSD, onde a a adopção não consta dos motivos de isenção do pagamento de custas judiciais, ao contrário do que decretava o DL 324/2003 que revoga. A desorientação e oportunismo político do PSD não parecem ter limites.


publicado por Pedro Sales às 15:18
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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008
Apanha-se mais depressa um ministro do que um coxo

"Eu gostaria de referir que aos bancos aplica-se a mesma taxa que se aplica às outras empresas (...) Mas eu gostaria, somente, de dizer o seguinte: o ano passado, em 2007, o IRC pago aumentou mais de 31%. E grande parte deste aumento tem a ver com o IRC pago pelo sector financeiro". Teixeira dos Santos, em entrevista ao DN/TSF no domingo.

A taxa de IRC efectivamente paga pela banca rondou os 13,63%, relacionando o valor dos impostos sobre os lucros (correntes e diferidos) com o resultado apurado antes de impostos. Em 2006, esta taxa tinha sido de 19,42%. As empresas em geral são taxadas em 27% (já incluindo derrama). DIário de Notícias, ontem.

publicado por Pedro Sales às 17:27
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Quarta-feira, 19 de Março de 2008
F for fake (2)

PBS: Buying the war 1 de 5
(aqui para partes 2, 3, 4 e 5)

5 anos de desinformação.

"There wasn't any reporting in the rest of the press corps, there was stenography. The administration would make an assertion, people would make an assertion, people would write it down as if it were true, and put it in the newspaper or on television." (Huffington)

publicado por Vasco Carvalho às 23:25
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Domingo, 16 de Março de 2008
F for fake

O dia da vergonha tem cinco anos.


publicado por Pedro Sales às 23:29
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Sábado, 15 de Março de 2008
Para quê e para quem?

Há várias décadas que a zona ribeirinha da capital é uma coutada privada do Porto de Lisboa, desprovendo a cidade de mecanismos públicos para o ordenamento e gestão desta zona nobre. É por isso difícil de compreender o veto político do Presidente da República à transferência para a autarquia da gestão da zona ribeirinha, uma das raras matérias que garantia o consenso de todas as forças partidárias.

E é ainda mais estranho porque, numa atitude inédita, o Presidente não explicita os motivos que o levaram a devolver o diploma para o Governo. O incómodo com a decisão é tão óbvio que lançou os conselheiros de Cavaco Silva num jogo de palavras de mais que questionável honestidade intelectual. Tentando negar o óbvio - a existência de um veto político -, Belém garante que se limitou a devolver o diploma. Só que, como os conselheiros do PR muito bem sabem, uma e outra coisa querem dizer o mesmo.

Fica por saber o que é que leva Cavaco Silva a pretender manter uma parte da capital nas mãos da administração do Porto de Lisboa, ainda por cima sem o explicar e sem coragem para assumir o peso político da sua decisão.


publicado por Pedro Sales às 18:19
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Sexta-feira, 14 de Março de 2008
O que anima Menezes
Numa entrevista cujo único fim aparente parece ter sido possibilitar a reacção dos seus críticos internos por mais uma boa semana, Luis Filipe Menezes perdeu metade da entrevista com Judite de Sousa a apresentar resultados de sondagens para justificar o seu trabalho à frente do partido e a convicção íntima de que será o futuro primeiro-ministro. O mínimo que se pode dizer é que a escolha foi bastante selectiva. Ignorando as da Universidade Católica, que indicam uma descida de 3 pontos desde que assumiu a liderança do PSD, Menezes fez várias referências à ultima sondagem do Correio da Manhã. Curiosamente, e porque a sondagem é de terça-feira, estava convencido de que os resultados não eram bem aqueles que Menezes estava a interpretar. Assim é, de facto. A sondagem que tanto alento dá ao autarca de Gaia é a mesma em cujo título se pode ler que "sem concorrência para chefiar Governo, eleitores preferem Sócrates a Menezes". O homem contenta-se com pouco, o que é que se há de fazer. 

publicado por Pedro Sales às 08:40
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O que anima Menezes
Numa entrevista cujo único fim aparente parece ter sido possibilitar a reacção dos seus críticos internos por mais uma boa semana, Luis Filipe Menezes perdeu metade da entrevista com Judite de Sousa a apresentar resultados de sondagens para justificar o seu trabalho à frente do partido e a convicção íntima de que será o futuro primeiro-ministro. O mínimo que se pode dizer é que a escolha foi bastante selectiva. Ignorando as da Universidade Católica, que indicam uma descida de 3 pontos desde que assumiu a liderança do PSD, Menezes fez várias referências à ultima sondagem do Correio da Manhã. Curiosamente, e porque a sondagem é de terça-feira, estava convencido de que os resultados não eram bem aqueles que Menezes estava a interpretar. Assim é, de facto. A sondagem que tanto alento dá ao autarca de Gaia é a mesma em cujo título se pode ler que "sem concorrência para chefiar Governo, eleitores preferem Sócrates a Menezes". O homem contenta-se com pouco, o que é que se há de fazer. 

publicado por Pedro Sales às 08:40
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008
É só dar tempo ao tempo.
Já está a tomar forma o coro de vozes a defender nos jornais e na televisão a decisão governamental de não referendar o tratado de Lisboa, apesar de ser uma promessa que consta no programa de Governo e ter sido a posição assumida pelo actual primeiro-ministro na campanha eleitoral. Cá estaremos para ver quantos dias vão passar até que, a propósito de um qualquer episódio, as mesmas autorizadas vozes apareçam nos jornais e na televisão a referir o crescente afastamento entre a população e o sistema político, a falta de confiança nos partidos ou a reduzida participação eleitoral. Como se sabe o incumprimento de promessas não tem nada a ver com o descrédito da política e é um produto do acaso.

publicado por Pedro Sales às 04:08
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Sábado, 5 de Janeiro de 2008
Faltam onze meses para o Governo decidir quem é que fica com o novo canal televisivo
Fazendo uma festa com essa extraordinária proeza, o Governo garante que o aumento das pensões permite a manutenção do poder de compra a 1,6 milhões de reformados que vivem com menos de 400 euros por mês. Mais papista que o Papa, o Jornal de Notícias diz que "0 poder de compra perdido durante 2007 será, assim, compensado para 2,4 milhões de reformados".

publicado por Pedro Sales às 14:16
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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007
Spin para principiantes
Fazendo eco de um comunicado do Ministério do Ensino Superior, a quase totalidade dos jornais diz hoje que os “empréstimos da banca abrangem já 800 alunos”. “Já” é mesmo a palavra chave. Em Agosto, com a habitual pompa mediática, primeiro-ministro e ministro anunciaram um programa de empréstimos sem fiador para os alunos do ensino superior, anunciando que o programa deveria beneficiar 30 mil estudantes. Agora, que começam a surgir as críticas dos bancos, o governo congratula-se com a adesão de 800 estudantes, quase 40 vezes menos do que as metas apresentadas. “Já” dizem os jornais, referindo-se a um programa que, dois meses depois de terem começado as aulas, chega a menos de 0,3% do universo a que se destina.

É a isto que se chama uma gestão comunicacional perfeita. O primeiro-ministro anuncia a proposta com as televisões e rádio atrás. Um mês depois, quando a medida entra em vigor, os jornais fazem um dossier . Depois, perante o evidente desinteresse e confusão entre os destinatários, a avaliação do seu impacto vem numa nota de rodapé , e, mesmo essa, com o “dedo” do governo. “Já” são 800 em 350 000. Boa sorte. Tem tudo para ser um sucesso.

publicado por Pedro Sales às 18:39
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Sábado, 15 de Dezembro de 2007
Jornalismo de referência?











às vezes gostava de não ter de verificar a notícia duas vezes com a imprensa estrangeira. de vez em quando não me importava de confiar no que vem escrito. uma vez por outra gostava de ter a oportunidade de ler factos sem pensar em motivos ulteriores. para poder tirar as minhas próprias conclusões; manhosas, é certo, mas minhas. não era preciso ser sempre, só assim de vez em quando.

Jornalismo de referência? Dommage, não temos.

publicado por Vasco Carvalho às 07:43
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
mão suja, pena sabuja
Uma Europa com um líder que não foi eleito e uma constituição imposta sem votos usou a sua agenda democratizadora como cortina de fumo. Os soundbytes de Kadhafi e Mugabe -sempre à procura de um palco - fizeram o resto e proporcionaram a jornalistas, bloggers e activistas uma cobertura fácil da cimeira.

Neo-colonialismo versus dívidas do colonialismo, democratas versus ditadores, esqueletos no armário versus realpolitik. Histórias de fácil digestão que asseguraram, de uma maneira ou outra, a mensagem oficial de Lisboa: os direitos humanos no centro da nova parceria, abria o Público de ontem (p.2, sem link), assegurando que "Sócrates vence aposta da Presidência Portuguesa". Happy ending portanto apesar de todas as nuvens negras no horizonte do grande timoneiro. Ou não?

Tal como boa parte da imprensa mundial (basta googlar) e Ricardo Paes Mamede (aqui) e Pedro Sales (mesmo aqui) notam, em jogo nesta cimeira estavam os Acordos de Parceria Económica - leia-se, a liberalização de comércio e investimento entre os dois continentes - que vem substituir os acordos de Lomé e Cotonou. A sacrossanta governância foi apenas uma cortina de fumo que serviu para esconder o objectivo económico falhado.

E falhou devido à postura arrogante da Comissão Europeia. Falhou quando Peter Mandelson - outro grande democrata não eleito - ameaçou os países africanos com a subida unilateral de tarifas por parte da UE, falhou quando Barrasshole repetiu a mesma ameaça este fim de semana e já tinha falhado quando outro grande-democrata-comissário-não-eleito, Louis Michel teve de avisar:

"In the words of the EU's development commissioner, Louis Michel, Europeans must now clearly understand that Africa is no longer Europe's private hunting ground. " (aqui para BBC).

Da perspectiva de Bruxelas, a cimeira esteve sob o espectro da ameaça Chinesa na sua zona de caça, mas nenhum jornalista pareceu ter presente que seria importante entrevistar o observador Chinês na conferência. Ficaram-se pelo aplauso aos direitos humanos estarem no centro: não se sabe bem no centro do quê, mas no centro de qualquer das maneiras. E nem aí notaram a contradição de a Líbia ter assinado um acordo com a Secil - com o aceno mafioso de Kadhafi e do Governo Português- quando a tinta ainda não tinha secado nos dignos acordos de Lisboa.

Nada mudou no velho continente: a superioridade moral, a mão suja e a pena sabuja.



publicado por Vasco Carvalho às 22:39
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007
O Murdoch de Penafiel
PS: A ver também o trabalho de André Levy no Jangada de Pedra (saravá Samir!).

publicado por Vasco Carvalho às 08:07
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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007
Dúvidas

Publicidade para o Renault Dauphine, anos 60, Brasil

Há só uma dúvida que me fica na cabeça. Quem estará a mentir: a publicidade brasileira dos anos 60, anunciando 16 quilómetros por litro ou a indústria automóvel actual, anunciando um admirável mundo novo no que diz respeito ao consumo de combustíveis? É que o Toyota Prius, referência global da solução eco-consciente para o novo milénio, faz uns estrondosos 17,5 km por litro.

Mesmo admitindo a falsidade de publicidade com 40 anos, o facto é que as estatísticas para os EUA mostram bem que de 1980 ao Prius não há um corte radical, mas uma lenta evolução: um automóvel novo nos EUA fazia em média 10 km/litro em 1980, 11 km/litro em 1990 e perto de 13 km/litro em 2000.

Ao mesmo tempo, e por estes dias, na Shell eco-marathon(sic) correm protótipos que chegam aos 3000 km por litro, ordens de magnitude de diferença. É certo que do protótipo à comercialização vai um grande passo, mas já podíamos começar a pôr os travões (metáfora rasteira, eu sei) ao imenso spin verde que envolve os actuais modelos comerciais 'amigos do ambiente'. Servirá para vender jornais da especialidade, preencher o vazio na televisão ou mesmo para massajar o ego do suposto consumidor consciente. Mas não venham com a conversa da 'nova mentalidade eco-responsável para um novo milénio'. É que com amigos como estes...

publicado por Vasco Carvalho às 06:13
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