Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008
Os fins não justificam os meios

Vital Moreira considera “despropositadas e contraditórias as críticas às recentes operações policiais”, argumentando que “quem critica a falta de vigilância policial não pode depois criticar as demonstrações de acção policial...”. Dando de barato que, por aquilo que tenho visto e lido, as críticas ao aparato policial que tem varrido os bairros sociais não estão a ser feitas por quem reclama maior policiamento e “vende” a ideia de que estamos em Joanesburgo, não deixa de ser curioso ver Vital Moreira render-se à tese de que os fins justificam os meios.

Há sempre uma ameaça que merece que, em nome da eficácia das forças policiais ou do controlo do Estado, abdiquemos dos nossos direitos. Se é normal que a PSP se concentre, o melhor que pode e sabe, no combate à criminalidade, menos certo é considerar que a importância dessa tarefa a exime do escrutínio público dos seus actos e da leitura que a população deles faz. Porque é disso mesmo que se trata. O cerco dos bairros sociais tem muito pouco a ver com a “prevenção criminal” de que fala a PSP, e mais com a necessidade de combater o “sentimento de insegurança” que assalta os portugueses (como o próprio Vital Moreira reconhece). 

Não é aceitável suspender a presunção de inocência de todos os moradores de um bairro pelo simples facto de que, vivendo num bairro social, encaixam na percepção pública sobre a origem da criminalidade e marginalidade. Mas foi isso que aconteceu. Para sossegar a consciência de quem está a ver o noticiário da noite, milhares de pessoas têm sido impedidas de entrar ou sair do seu bairro, são revistadas, interrogadas, casas são reviradas do avesso e temos helicópteros a rasar os tectos ia a madrugada bem alta. Bairros inteiros foram conotados, perante o país, como sendo os responsáveis pelo crime violento que tem assaltados as televisões nos últimos dias. A PSP diz que escolhe os locais das suas acções com “base cientifica”. Estranha ciência que começa e acaba nos bairros sociais, onde as pessoas não têm acesso privilegiado à comunicação social, a advogados ou aos meios de defesa que abundam em qualquer condomínio ou bairro da classe média.

Mas, no que é que tem dado esta ímpar mobilização dos recursos do Estado e a convocação científica da polícia? De acordo com os números fornecidos pela própria PSP, a mobilização de mais de 1100 agentes, durante vários dias na zona de Lisboa e Porto,  conduziu à apreensão de 8 armas e fogo e 3 armas brancas... Ou seja, tem apanhado pilha galinhas. Isso e imigrantes ilegais, como se pode ouvir em cada peça televisiva. A pintura está feita. A PSP está onde é preciso, a tratar do pessoal dos bairros, e a metê-los na ordem. Pouco importa que a tal “prevenção criminal” seja uma piada e as mega-operações um fiasco. A realidade passa na TV, tudo o resto é paisagem ou ruído.

Grande parte dos homicídios em Portugal são rurais e têm origem em pequenas desavenças sobre a propriedade da terra. Por que razão não vai a GNR cercar as aldeias onde a posse de uma arma é a regra e não a excepção? Ou, o que é que a que tem impedido de vir ao meu bairro ou ao de Vital Moreira? A razão é simples. Não é essa a percepção pública que existe sobre a criminalidade. Se não é essa a ideia que a população faz do crime não é essa a preocupação da PSP. É preciso sossegar as almas.

Diz Vital Moreira que  não tem sentido criticar a PSP “com base nos seus escassos resultados”. Desculpe? Desde quando é que a utilização dos recursos e meios do Estado não devem ser escrutinados e criticados pela sua falta de produtividade? Mais a mais quando, em nome da propaganda do músculo policial, se faz tábua rasa do direito das pessoas e dos bairros à sua imagem e não se hesita em estigmatizar bairros inteiros. As imagens que passam na televisão não são neutras. Têm uma carga simbólica que não deve ser menosprezada, a começar por Vital Moreira.


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publicado por Pedro Sales às 16:43
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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
para acabar de vez com a tanga do turismo olímpico

A propósito dos posts que eu e o maradona fomos escrevendo sobre os críticos da prestação portuguesa nos Jogos Olímpicos, O Rodrigo Moita de Deus diz que, de repente, “todos se lembraram de dizer mal do futebol”, esse nicho de qualidade e excelência que rompeu com a mediania desportiva nacional. Comecemos pelo óbvio. Faz tanto sentido dizer que alguém que assina como maradona "anda a dizer mal do futebol", como classificar de anti-comunista o tonto que acaba de chamar José Estaline ao filho. Pela parte que me toca, e enquanto o Hugo Viana se mantiver longe de Alvalade, também nada me move contra o futebol (estando até a mentalizar-me para resistir aos 238 trocadilhos idiotas que a imprensa vai inventar com o nome do novo avançado do Porto).*

 

Até concordo com quase tudo o que diz o Rodrigo (**), a começar pela natural constatação de que o futebol é o ultimo a poder ser culpado pelo desinteresse generalizado que os portugueses nutrem pelas restantes modalidades, mas a verdade é que o seu post nada nos diz sobre o clima mental que se instalou no país enquanto o Nélson Évora não saltou 17 metros e 67.


Vale a pena recapitular. Partindo de uma representação nacional que em nada se distinguiu pela negativa das anteriores, a imprensa começou a dar como certo que os atletas nacionais não tinham "brio", "honra" e "ética". Depois já não eram os resultados, eram as desculpas. Pouco interessava que as "desculpas" até nem se tenham destacado face à das restantes delegações. O veredicto estava traçado. Foram fazer turismo olímpico, ainda por cima à custa dos nossos impostos, começaram a escrever uma dúzia de colunistas, apenas interessados nos resultados de Pequim para confirmar que o nacional porreirismo é um fado nacional que nos condena como povo. Foi o que fizeram, só para dar dois exemplos mais recentes, o Henrique Raposo e o Alberto Gonçalves. Este último, capaz de pérolas  retóricas como “correr e saltar são exercícios de que qualquer bruto é capaz”, encontra a justificação suprema para a pequenez dos portugueses nas declarações de Gustavo Lima – que, em três olimpíadas, teve num 6.º lugar o seu pior resultado – e numa atleta que “ficou em 46.º lugar (entre 50)”. Ora, até mesmo o Alberto Gonçalves tem condições para perceber que essas 50 foram as que obtiveram os mínimos olímpicos - um rigoroso critério de selecção da elite mundial. Não é “46.º lugar (entre 50)”. É a 46.ª melhor do mundo na sua actividade.

 

Mas, que é isso, para o prolixo colunista? Como todos sabemos ninguém pára o Gonçalves. Ele são as palestras em Yale, Cambridge, Harvard e as constantes edições na Oxford University Press. Com tanto trabalho, de um dos 46 mais conceituados sociólogos do mundo, quem é que pode levar a mal que ele - e aos outros que se lhe juntaram na desbunda - ande para aí a criticar a preguiça nacional?

 

*. Hulk.

**. as restantes objecções ao texto do Rodrigo encontram a resposta nesta fotografia que o maradona colocou no seu blogue. Mas também podíamos falar no ABC, um clube que, num país sem tradição em andebol, conseguiu ir a 2 finais europeias de clubes.


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publicado por Pedro Sales às 17:23
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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008
Ainda o código deontológico dos ladrões

A Helena Matos, em resposta e este meu post, acusa-me de má fé. Parece que, estando eu entretido “com a vontade de fazer gracinha com o código deontológico dos assaltantes”, não percebi que “roubar é crime”. Confesso que fico baralhado, porque julgava ter ficado perceptível que a gracinha partia exactamente do pressuposto que eu sabia que a Helena Matos - como eu ou qualquer outra pessoa - sabe que “roubar é crime”. Logo uma atitude irresponsável. Ora, entre perder tempo a apelar ao sentido de responsabilidade de quem manifestamente não a tem ou às forças de segurança de um Estado de direito, eu prefiro concentrar-me na segunda hipótese. Porque espero que, em democracia, o escrutínio das acções de um organismo público surta efeito sobre os seus excessos. É por isso que não faz sentido colocar polícias e ladrões no mesmo plano.

 

Concentrar-mo-nos na evidente irresponsabilidade de levar uma criança para o local de um delito afasta-nos do essencial: sendo certo que roubar é crime, não deve condenar ninguém à morte. Quer se trate de uma criança de 13 anos ou do ladrão, maior de idade e vacinado. Por isso, e atendendo ao elevado número de tiros que em vez dos pneus encontram um corpo humano, é que a Inspecção Geral da Administração Interna emitiu um anota para que as forças policiais só usem as armas de fogo durante uma perseguição policial para se defender ou defender a vida de terceiros.

 

Quanto à acusação de má fé. É certo que a Helena Matos não disse que «é legitimo utilizar uma arma de fogo para parar um assalto que não coloca ninguém em risco». Mas não é menos certo que foi a Helena Matos quem, no preciso momento em que começaram a surgir declarações nos blogues e na imprensa a questionar a actuação da GNR, sentiu a necessidade de lembrar a responsabilidade dos ladrões no sucedido. É tudo uma questão de prioridades. Fazendo minhas as suas palavras: “Quando de todo em todo é impossível ignorar o crime, passa-se para a outra fase ou seja faz-se o que fez” a Helena Matos. Mesmo sabendo que apelar ao sentido de responsabilidade de delinquentes é uma discussão condenada ao insucesso.



publicado por Pedro Sales às 16:25
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2008
E os resultados?

Em resposta a um post de Paulo Gorjão no seu mais recente blogue, Eduardo Pitta elenca uma longa lista de medidas do Governo para justificar a sua convicção que este executivo fez “mais do que fizeram todos os governos desde 1974". Citando essas medidas, com um "variado grau estruturante", Eduardo Pitta aproveita para “lançar uma questão: “sem maioria absoluta, qual destas medidas teria sido aprovada?”.


A associação da maioria absoluta à eficácia governativa é uma das questões mais sobrevalorizadas no debate político nacional, como o próprio post de Eduardo Pitta acaba implicitamente por reconhecer. É que, ao olhar para as propostas aprovadas pelo Governo,  a questão que me parece relevante  avaliar é outra. Apesar da maioria absoluta, e do Governo Sócrates ter conseguido cumprir todas as iniciativas a que se propôs, porque é que o país continuou, durante todos os 4 anos da legislatura, a divergir economicamente da média europeia e os portugueses a perder poder de compra? A maioria absoluta não é um fim em si mesmo. Tem que ter resultados. E esses...


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publicado por Pedro Sales às 13:34
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Sábado, 14 de Junho de 2008
Zero de Conduta ano II

O Zero de Conduta fez ontem um ano. Num sintomático sinal do estado em que se encontra o blogue, só hoje demos por isso. Durante este primeiro ano estivemos em duas plataformas distintas, escrevendo quase 1000 posts (foram 975) que originaram 3422 comentários. No primeiro ano o blogue foi visitado por 244 mil internautas, uma média de 668 leitores diários. A todos os que teimam em passar por cá, concordando ou não com o que aqui se vai escrevendo, a gerência da chafarica agradece a frequência e infinita benevolência.



publicado por Pedro Sales às 14:43
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008
Egoísmo geracional

No Canhoto, Rui Penas Pires defende que, em nome d”as pressões para prosseguir na via da redução do défice”, os custos de financiamento do ensino superior deveriam ser integralmente suportados pelos estudantes, pagando-os de forma diferida depois da sua entrada no mercado de trabalho. Como "a exclusividade do financiamento estatal é, também, a alternativa do aumento, e significativo, dos impostos", Rui Pena Pires termina exigindo alternativas de financiamento a todos quantos discordam da sua proposta.

 

Em primeiro lugar, fica-se sem saber de que país é que Rui Pena Pires está a falar. Não pode ser de Portugal, porque, por cá, vivemos no segundo país da Europa dos 15 onde o Estado menos investe por aluno, o que não o demove de cobrar das propinas mais caras em termos absolutos. De resto, e citando a OCDE, o investimento  público no ensino superior tem vindo a diminuir desde que as propinas aumentaram, apesar do número de alunos ter aumentado 46% no mesmo período. Perante este cenário, fica-se sem perceber qual a razão que impele Rui Penas Pires para a descoberta de alternativas de financiamento.


Mas, discutamos o empréstimo. Voltando novamente aos números da OCDE, cada estudante custa qualquer coisa como 5 mil euros por ano. Mesmo num curso de 3 anos, e com as demais despesas associadas à frequência universitária, estamos a falar do quê? De um empréstimo à volta dos 30 mil euros? Se reparamos que metade da população paga cerca de 100 mil euros pela casa que leva 35 anos para pagar, dá para perceber a dimensão do fardo financeiro que este modelo de financiamento significaria para quem tenta iniciar a sua vida activa e da insuportável selectividade social que acarreta.


Nesse sentido, só por despautério é que se pode comparar o fundamentalismo liberal  desta proposta com o modelo público de financiamento da segurança social e a defesa de mecanismos de “solidariedade entre gerações de trabalhadores”, como defende Rui Pena Pires. Pelo contrário, o que este argumento revela, mesmo que isso escape ao seu proponente, é um indisfarçável egoísmo geracional. Rui Pena Pires, que pertence a uma geração em que o ensino superior era quase gratuito, mas estava reservado a uma ínfima elite que assim garantia sem dificuldades o acesso aos empregos mais bem remunerados, entende que a presente geração, que entrou na universidade para se ver atirada para empregos para de 500 euros, tem que pagar a factura integral dos seus estudos. Onde é que está a solidariedade em endividar os jovens licenciados num país em que 50 mil se encontram no desemprego, e onde outros 43 mil só encontram trabalhos desqualificados, arriscando-se a fazer parte da primeira geração do pós-guerra que vai viver pior do que os seus pais?

Não pode deixar de ser significativo que, como lembra o João Rodrigues, seja num blogue que tem vindo a defender a “actualização" da social-democracia que possamos encontrar propostas a defender a destruição dos ténues mecanismos de democratização e justiça social presentes na nossa sociedade. Para isso, sempre prefiro o discurso dos liberais. As propostas são as mesmas e estes, verdade seja dita, sempre têm a vantagem de dizer ao que vêm sem recorrerem a subterfúgios para insinuarem que o fazem para preservar o Estado social.



publicado por Pedro Sales às 22:59
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Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
O alarmismo, a doença infantil do sensionalismo
O João Gomes, na Câmara de Comuns, diz que eu não entendo o problema da violência, principalmente na juventude, considerando que a minha posição é um reflexo natural do “esquerdismo”, essa “doença primária”. Talvez valha a pena recordar ao João que o post em causa, sobre o alarmismo mediático a partir da agressão de um cidadão a dois policias à porta da esquadra de Beja, foi escrito dois dias depois de todos os canais noticiosos apresentarem insistentemente este caso como um sinal do aumento da violência e da necessidade de reforçar o número de agentes policiais. Sejamos sérios. Se dois polícias não são capazes de pôr na ordem uma pessoa desarmada, o que é que isso tem a ver com a necessidade de mais agentes? E quantos é que são necessários para responder a um desordeiro? Era esse o sentido do post. A forma como, depois da overdose comunicacional por causa da insubordinação de uma aluna, as televisões continuam a agarrar até à exaustão num caso que está longe de poder suportar qualquer tipo de análise de conjunto e montam uma vozearia que impede qualquer reflexão.

De resto, eu não desvalorizo a questão da insegurança, nem “olho com naturalidade” para o sucedido na esquadra de Moscavide - assunto sobre o qual nem me referi. A invasão da esquadra, essa sim, levanta questões que importa perceber. Por que é que uma esquadra com 48 polícias, divididos por três turnos, apenas tinha 5 de serviço às 17 horas? Mesmo entendendo que existem baixas e férias, 48 a dividir por 3 dá 16. Onde é que pára [o resto d]a polícia? Que modelo organizacional é que permite esta aparente anormalidade? Quanto ao resto, num país que tem dos menores índices de criminalidade violenta do mundo e uma elevadíssima média de polícias por habitante, quando é que chegamos ao número correcto de agentes? Ou temos que responder a cada safanão sencionalista, qual Pavlov, com a cassete da necessidade de contratar mais efectivos para as forças policiais, independentemente dos números da criminalidade e de agentes no activo? Só assim é que deixamos de ser um doentio esquerdista?


publicado por Pedro Sales às 18:40
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008
A chantagem do voto útil, reloaded
De todos os argumentos a favor de uma solução estável e credível para o  PSD, o mais espantoso vem de Vital Moreira: “se se tornar antecipadamente certa uma folgada vitória do PS em 2009, por incapacidade do PSD, quem vai ganhar com isso são os PCP e o BE, com eleitores de esquerda desobrigados de contribuir para a derrota da direita”. Extraordinário. A melhor maneira do PS conseguir a maioria absoluta é garantir os votos dos eleitores de esquerda que não pretendem votar no partido de José Sócrates, assegurando que o PSD vai a votos com força suficiente para manter o suspense eleitoral e perpetuar a chantagem do voto útil.

A piada é que, dizendo defender um PSD credível, Vital Moreira mais não faz do que reduzir esse partido ao papel de lebre para atrair os votos que o PS necessita para repetir a maioria absoluta. Esta significativa demonstração de confiança nas capacidades na governação de José Sócrates - que precisa de uma espécie de palhaço bem comportado no papel de líder do maior partido da oposição para estancar o crescimento eleitoral do PCP e Bloco -, apresenta um pequeno problema. Não só o PSD não coloca alguma espécie de medo, como é muito duvidoso que os eleitores que queiram derrotar a direita se refugiem no partido liderado por José Sócrates.
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publicado por Pedro Sales às 18:04
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
talkin' bombs at sunset

O último encontro oficial da era Bush-Putin, em Soschi na Rússia. (via Casa Branca, aqui)

Os cavalos de guerra cansados (são as palavras de Bush), acordaram, cordialmente, em discordar sobre o posicionamento de sistemas de defesa anti-míssil e o avanço a leste da NATO (aqui para NPR, aqui para ChinaView). Depois foram dançar.

O que é preocupante nisto tudo é que não consigo deixar de pensar numa estátua gigante de Alberto João Jardim,a dominar o  horizonte da imagem, perfil recortado pelos raios de sol (DN via 31 da Armada).

E é uma pena já não poder falar disso lá no tasco.

publicado por Vasco Carvalho às 06:26
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Terça-feira, 8 de Abril de 2008
Reflexo condicionado
O Henrique Raposo tem publicado uma série de posts sobre os “perigos do etanol”, denunciando as suas consequências ambientais, económicas e sociais. “Os ambientalistas ficaram encantados com o etanol. Era a salvação do planeta. Gasolina limpa que ia salvar os ursos polares. Mas, como sempre, os ambientalistas esqueceram as pessoas, esses seres chatos que complicam a fórmula para a salvação do Planeta”.

Como é óbvio, a “descomplicação” defendida pelo Henrique Raposo tem um problema. É que, ao contrário do que pretende fazer crer, o crescente recurso ao etanol não decorre de nenhuma motivação ambiental, mas geopolítica. Três quartos das reservas de petróleo ficam na zona mais instável do planeta, razão pela qual os EUA e União Europeia querem reduzir a dependência energética dos combustíveis fósseis. O Brasil, o outro grande defensor dos agrocombustíveis, pretende fazer negócio numa área em que detém uma considerável matéria prima e domina o know-how.

De resto, e esse é o principal problema da tese, os principais ecologistas e os seus movimentos, como a Greenpeace, sempre criticaram a utilização de produtos agrícolas para encher o tanque de combustível dos carros. É verdade que os ambientalistas querem “salvar as foquinhas e os ursinhos”, para utilizar a acintosa ironia do Henrique Raposo, mas não deixa de ser apressado retirar daí a ilação de que se estão "a lixar" para os indianos. Os reflexos condicionados têm destas coisas. Mesmo quando se tem razão, tentamos sempre ver moinhos de vento nos sítios do costume.

PS: Sobre este mesmo tema, no Zero de Conduta: Verde menos verde não há.
 
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publicado por Pedro Sales às 22:05
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Sexta-feira, 4 de Abril de 2008
A não perder

Constança ou a "separação radical", Fernanda Câncio, no Diário de Notícias.


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publicado por Pedro Sales às 20:41
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Segunda-feira, 24 de Março de 2008
Boas notícias
As notícias do PÚBLICO na Internet passam a ter ligação directa para os blogues que as comentam, através de uma nova ferramenta que hoje entra em funcionamento. O objectivo desta medida é ajudar “na difusão das conversas que se geram na blogosfera sobre as notícias, tranformando os níveis de participação no próprio site”, explica um comunicado da empresa.

A imprensa tradicional tem sido lenta a aproveitar as potencialidades da blogosfera, olhando-a normalmente com um misto de desconfiança e sobranceria. Até por isso, a nova funcionalidade hoje posta em funcionamento pelo Público é uma excelente notícia. Mesmo com as colunas de opinião a continuarem reservadas a assinantes e as notícias que se evaporam da net sem deixar rasto, é justo reconhecer que, juntamente com o Sol, o Público é o jornal que tem olhado de uma forma mais séria para a blogosfera e outras formas de comunicação, como o twitter.

Para se ter uma ideia da importância dos novos meios e da sua relação com as políticas editoriais da imprensa tradicional, talvez valha a pena lembrar que o  New York Times teve o seu acesso na net condicionado durante dois anos ao pagamento de uma assinatura. Desistiu há poucos meses, com uma alteração radical de política que levou o centenário jornal a disponibilizar na net todos os seus arquivos, de 1851 até aos nossos dias. A razão? Nas pesquisas efectuadas através do Google, os principais blogues e a wikipedia apareciam sistematicamente à frente do NY Times. Sem links perdem-se visitantes e sem estes não há receitas publicitárias e capacidade para “fazer” opinião. Com o crescente número de pessoas que pesquisam notícias e opinião na net, a imprensa tradicional não pode continuar a ignorar a blogosfera ou outros meios de sociabilização em linha. Com o passo hoje dado, o Público provou ter a capacidade para andar um passo à frente da sua concorrência.
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publicado por Pedro Sales às 22:21
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008
ler os blogues

A PJ prepara-se para a mais monumental barraca da sua história. Prepara-se para envergonhar de forma clamorosa todo o país, ao ter de reconhecer que fez cair sobre dois inocentes a suspeita mundial de que teriam matado a sua filha. Nas guerras internas que caracterizam a nossa justiça, será uma machadada sem precedentes na Polícia Judiciária. É injusto que por os suspeitos e a vítima serem estrangeiros isto tenha maiores repercussões? É. Mas é um facto indiscutível. O Daniel Oliveira diz tudo o que há a dizer sobre "barraca internacional" que tem sido a investigação do caso Maddie. Vale a pena ler.


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publicado por Pedro Sales às 14:00
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008
Anyone but Bush
(Dados até 2006. Informação mais detalhada no Wall Street Journal)
A verdade é que para demasiada gente, não importa quem vai entrar na Casa Branca. O que importa é quem vai sair: Bush. (...)Tal como aconteceu com Bill Clinton em 2000, não há neste momento quem não tenha queixas contra Bush.

A tese de Rui Ramos é simples. Todas as eleições nos EUA são um plebiscito ao presidente cessante. O que está a acontecer com Bush este ano não tem nada a ver com a natureza das suas políticas, mas sim com a forma como a política norte-americana está estruturada. É sempre assim, e já o mesmo tinha acontecido anteriormente com Clinton. Nada mais falso. Como se pode ver no gráfico acima, que agrega as taxas de popularidade de todos os presidentes norte-americanos desde o pós-guerra, Clinton foi o único que abandonou o cargo com uma taxa de aprovação superior à do dia que tomou posse. Desde que a Gallup faz estes estudos, aliás, ninguém abandonou o cargo com um popularidade tão elevada. Mas Rui Ramos recorre a outra analogia para defender Bush. Só podemos analisar o seu legado daqui a umas décadas, pois o que agora se diz de Bush já antes se dizia de Reagan, a quem foram precisos 20 anos para "toda a gente reconhecer virtudes a um outro “cowboy estúpido”, cuja presidência aliás também terminou de rastos". Não sei, novamente, onde é que Rui Ramos foi arranjar estes dados, mas está outra vez errado. Reagan acabou a sua presidência com índices de popularidade próximos dos 60%, sendo mesmo o presidente republicano mais popular das últimas seis décadas, enquanto Bush anda pelos vinte e pouco por cento (abaixo de Nixon quando este foi destituído).

Compreende-se o embaraço dos guerreiros de sofá que apoiaram Bush na mentira do Iraque, e em sucessivos abusos em nome da "guerra ao terror", com a rejeição popular sem precedentes de que goza o "seu" homem. De resto, a forma como Rui Ramos recorre à mistificação mais absurda - ignorando ou "esquecendo" todos os dados conhecidos - é bem reveladora da forma como, contra todas as evidências, continuam agarrados à defesa acrítica do homem que um dia aterrou nas Lajes para abraçar Durão e envolver meio mundo numa mentira sem nome.

publicado por Pedro Sales às 23:29
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008
Ler os blogues
A Sara Figueiredo e a Andreia Brites andam às voltas com os livros e a literatura no espaço acolhedor do Cadeirão Voltaire. Vale a pena também passar pelo blogue do Sérgio Lavos, leitura regular na faculdade, agora reencontrado em alguns dos melhores auto-retratos da blogosfera portuguesa.
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publicado por Pedro Sales às 13:33
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Sábado, 5 de Janeiro de 2008
As terras geladas de Anadia
O 31 da Armada e o maradona envolveram-se numa polémica a propósito do encerramento dos centros de saúde. Diz o Pedro Marques Lopes que conduz à desertificação do interior e que “sem a ocupação do território a soberania sobre este deixa de ter significado prático”, responde o maradona que “a soberania exerce-se não com pessoas mas com a aplicação das leis”. É uma boa resposta, infelizmente posta em causa pelo encerramento de tribunais e postos de GNR no interior, mas o argumento definitivo ainda estava para aparecer. Diz o maradona que, se no Canadá e na Suécia é possível fazermos milhares de quilómetros só encontrando renas* pelo caminho e sem vislumbrar vivalma e centro de saúde que se preze, porque razão não podemos fazer o mesmo no nosso país? Como é um rapaz modesto ficou-se por aqui. É pena. Podia ter lembrado ao Pedro Marques Lopes o exemplo do Brasil. Alguém imagina os quilómetros que uma pessoa tem que percorrer na Amazónia para encontrar um tribunal, posto de polícia ou centro de saúde? E na Austrália, meus amigos, a mesma coisa. É possível andar-se dias só a ver kangurus ou cobras do deserto. Se funciona com esses países, porque não podemos nós encerrar centros de atendimento que se limitam a ter 40 mil consultas por ano? O Presidente da República é que tem razão. As populações não entendem a política da saúde. Tivesse o ministro o brilho retórico do maradona e estava a questão resolvida.

* Esperamos que, depois de fechados os centros de saúde, escolas, tribunais, estações de correio, ramais da CP e postos da GNR, o Governo providencie uma renas como na Suécia. Já que o interior do país pode ser encarado como uma reserva natural, sempre era bom termos uns animais engraçados para mostrarmos aos nossos filhos nas férias.

publicado por Pedro Sales às 15:30
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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007
E queríamos agradecer à família, amigos e a todos os que tornaram possível esta distinção
O Zero de Conduta foi nomeado para melhor blogue português e melhor blogue de política e sociedade no MBP07, uma iniciativa organizada pelo 2.0 Webmania. Aos incautos que votaram em nós, os mais sinceros agradecimentos.

publicado por Pedro Sales às 20:31
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007
o outro debate político
E se para além do debate entre esquerda e direita, que tanto procura dividir a nação blogoesférica em duas metades, estiver em curso um outro debate entre esquerda e esquerda?


publicado por José Neves às 23:59
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Sábado, 1 de Dezembro de 2007
Para as cinco pessoas que ainda não leram...
...este post do Daniel Oliveira é de leitura obrigatória.
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publicado por Pedro Sales às 16:41
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
uma imensa hipérbole
Links na blogosfera, por Matthew Hurst, Discover Magazine


publicado por Vasco Carvalho às 18:47
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Arrastão
O arrastão nunca existiu. O arrastão foi uma encenação bem montada para nos entreter. O Arrastão tem, desde hoje, uma nova morada.
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publicado por Pedro Sales às 17:32
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007
Vamos ajudar o Pacheco
Foi nos últimos minutos do dia, é certo, mas nem por isso estamos menos empenhados no dia de Acção Global pelo Abrupto do que o madrugador Daniel Oliveira. Saber que há falsos blogues pornográficos que falseiam os rankings da blogosfera só para ficarem à frente do Pacheco Pereira é daquelas coisa que indispõe qualquer um. Apesar do orgulho com que linkamos para o rei da bloga lusa, há uma coisa que não compreendemos e que, esperamos, não passe de um lamentável mal entendido. Já lá vai quase uma semana e Pacheco Pereira ainda não nos indicou os endereços dos falsos blogues pornográficos. Bem vistas as coisas, a única coisa que ainda nos leva ao Abrupto.
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publicado por Pedro Sales às 23:02
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
Acção Global pelo Abrupto
Pacheco Pereira está indignado. Parece que há «falsos blogues pornográficos» (ainda se fossem verdadeiros) que aparecem à frente do Abrupto em rankings falsificados, e que se montou uma cabala para «evitar que o Abrupto apareça sempre nos primeiros lugares». Pior,é «prática deliberada de muitos blogues» «fazerem ligações a tudo menos ao Abrupto». Cientes da enorme injustiça e clima de perseguição, o Arrastão e o Zero de Conduta avançam com uma campanha na Blogosfera. No dia 23 de Novembro vamos todos linkar para Pacheco Pereira. Vamos todos ajudar o Abrupto. Associa-te a esta campanha.

publicado por Pedro Sales às 22:52
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Domingo, 18 de Novembro de 2007
Atenção, ele é que é o Perouuuzidente da Juncta
O Abrupto “incomoda muita gente”, diz Pacheco Pereira, alertando-nos para os “truques do ofício” utilizados “para arranjar listagens com critérios "subjectivos" que forneçam rankings diferentes”, “na maioria dos casos com o evidente objectivo de evitar que o Abrupto apareça sempre nos primeiros lugares”. É uma vergonha e uma falta de respeito a todos os títulos censurável. Vamos lá a ver se nos entendemos de uma vez por todas. Se o Al Gore inventou a internet, o Pacheco Pereira inventou a blogosfera em Portugal.

O lugar de Pacheco Pereira é sempre o primeiro. Assim é há quatro anos, lembra-nos. Depois de ter sido perseguido por impiedosos hackers, agora é a blogofera que o não entende. Os outros blogues não linkam para o abrupto, garante Pacheco. Mas, mesmo assim, a prova provada de que o Abrupto é o primeiro, e que é vítima de uma conspiração para o retirar do lugar que é seu e só seu, é que o nome de Pacheco Pereira aparece mais vezes nos motores de busca do que o próprio blogue. Escrevendo o prolixo autor na Sábado, Público e tendo um programa na Sic Notícias é, de facto, muito estranho que assim seja. Como todos sabemos, a janela para o mundo com poemas matinais que dá pelo nome de Abrupto, é um blogue perseguido. Marginal, quase. Não aparece constantemente nos jornais, televisões e rádios. Não, nada disso. Pacheco é um proscrito. Ele, pelo menos, parece acreditar nisso. É melhor dar-lhe razão. Não se vá ele embora com a bola e acabe a brincadeira mais cedo.

publicado por Pedro Sales às 23:14
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
Socorro, entrei na cadeia
Como a Fernanda, também eu odeio estas cadeias que parecem animar metade da blogosfera cá do burgo. A última passa por escolher a quinta linha da página 161 de um livro. Assim, respondendo ao simpático repto da Fernanda, o mais ao calhas que se encontrou foi os “Jogos da noite”, de Stig Dagerman. É um pequeno conto, cujo tema até parece ser cada vez mais actual, “Deus visita Newton”;

“A casa de Newton em Londres prepara-se, sem que ninguém o saiba, para receber a estranha visita”.

Assim, passo a bola ao Daniel (tem que ser, calha a todos), à Sara (pode ser BD), ao António Figueira (também ele do 5 dias), à Shyznogud (que me convidou para uma destas cadeias sem que eu tivesse reparado em tempo útil) e ao Pedro Correia (não vale escolher um guia de viagens, ok?).
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publicado por Pedro Sales às 16:04
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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007
Leitura recomendada
A ditadura publicitária pode ser obscena. José Mário Silva, n' A Invenção de Morel. (via corta-fitas)

Na República dos Jornalistas?
Daniel Oliveira, no Arrastão.

a horripilante e mentirosa campanha jacobina. Fernanda Câncio, no 5 dias.

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publicado por Pedro Sales às 23:51
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Domingo, 5 de Agosto de 2007
Sem Muros
Miguel Portas chegou à blogosfera. Sem Muros é o nome de um blogue que se concentra essencialmente na actualidade internacional. Vale a pena espreitar, mais não seja para seguir o interessante diálogo que Miguel Portas está a travar com os seus leitores a propósito do acordo entre o Bloco e o PS na Câmara de Lisboa. Um exemplo a seguir por outros políticos no activo?
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publicado por Pedro Sales às 18:22
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