Quarta-feira, 16 de Julho de 2008
Ataque à ATTAC

Pouco tempo depois da ATTAC de Lausana ter tornado público que estava a organizar um livro sobre as práticas comerciais da Nestlé, o gigante da industria alimentar pagou 65 milhões de euros à Securitas para que esta empresa infiltrasse uma ex-agente policial nesta ONG. Perante o destaque que a imprensa suíça tem dado ao Nestlegate, que sempre foi do conhecimento das autoridades policiais, o governo suíço já encomendou uma investigação independente. Uma coisa é certa. Quem paga 65 milhões de euros e viola a lei para espiar um livro sobre as suas práticas comerciais, deve ter mesmo muita coisa para esconder...



publicado por Pedro Sales às 12:45
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Domingo, 11 de Maio de 2008
e agora, tutuuu tututuuu tututuum?

e mais Ban via Deus.

 

Caciques locais, claques, testas de ferro, bandoleiros e consulados honorários. Figuras do associativismo desportibo, do poder local democrático, das SADs e do Natal dos Hospitais. Histórias de ascenção no aparelho PSD, nas revistas cor de rosa, do rock, do euro 2004, da pop, do apito dourado e da TV. Sou só eu a pensar que está por escrever uma boa biografia do clã Loureiro?



publicado por Vasco Carvalho às 02:18
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Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
O democrata
"O livro de António José Saraiva é portanto mais um livro para ler atentamente e queimar. Nada mais". Quem o disse? O democrata José Pacheco Pereira, em 1973, numa recensão sobre "Maio e a Crise da Civilização Burguesa. Segundo a edição de hoje da Visão, parece que Pacheco Pereira dá a entender que se tratava de uma metáfora. Claro. Uma metáfora com história.


publicado por Pedro Sales às 12:15
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008
Bem-vindos ao século XIX
“Um trabalhador que esteja cansado física ou psicologicamente – porque está mais velho, porque tem problemas familiares, porque trabalhar naquela empresa não era exactamente o que pretendia ou porque se desinteressou do trabalho – deve poder ser despedido por justa causa”. Gregório Rocha, membro da direcção da CIP.


publicado por Pedro Sales às 11:38
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
Invertebrado
Quem ainda tinha dúvidas sobre a natureza da clique Xanana Gusmão- Ramos Horta, deve tê-las dissipado totalmente com a presença do primeiro no funeral do ditador responsável pela morte de 200 mil timorenses e com as declarações do pateta alegre que se tornou famoso pelo seu lacinho. O porta-voz do Governo de Timor-Leste garante que Xanana Gusmão foi ao funeral do ex-presidente "como expressão de reconhecimento e gratidão do povo de Timor-Leste a Suharto por aquilo que fez de positivo no país durante os 24 anos de ocupação indonésia". As palavras são tão chocantes e ignóbeis que tornam difícil qualquer reacção que não seja temer pela sua sanidade mental. Mas há muito que Xanana passou a fronteira da falta de vergonha e dignidade. Era uma questão de tempo para que o seu carácter ficasse à vista de todos. Não precisava era de ser de uma forma tão crua e despudorada.

publicado por Pedro Sales às 22:39
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008
O bom
As notícias que dão conta da desumanidade das juntas médicas são manifestamente exageradas. Ontem mesmo, em carta enviada ao Público, Paulo Teixeira Pinto indica que passou “à situação de reforma em função de relatório de junta médica”. Certamente ainda mal refeito da forma como foi corrido do BCP e da Opus Dei, este banqueiro de 46 anos foi considerado inapto para o trabalho, apesar de já ter arranjado um cargo numa consultora financeira.

PS: Teixeira Pinto nega ter recebido 1o milhões de euros de "indemnização pela rescisão do contrato” com o BCP, garantindo que apenas recebeu a “remuneração total referente ao exercício de 2007”: 9.732 milhões de euros em "compensações" e "remunerações variáveis". Nada como ser preciso nestas coisas. E pedir ao Estado, através da tão vilipendiada Segurança Social, que lhe conforte as agruras da vida.

publicado por Pedro Sales às 23:42
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Domingo, 13 de Janeiro de 2008
Não há almoços grátis (II)
Uma conhecida anedota soviética contava que, quando Gorbachev convidou Reagan para visitar o seu país, o recebeu com a mais faustosa recepção vista em Moscovo. Impressionado com o luxo e hospitalidade, Reagan perguntou onde tinham os soviéticos ido buscar tanto dinheiro, ao que Gorbachev apontou para a janela e perguntou ao presidente dos EUA se estava a ver o opulência da ponte que se encontrava à sua frente. “Não, não estou a ver ponte nenhuma”, respondeu um estupefacto Reagan. “Pois, aí está, gastámos o dinheiro na sua visita”.

O acordo do Estado com a Lusoponte é semelhante. Quando visitamos a Expo e olhamos para o Tejo só vislumbramos uma ponte onde os portugueses vão pagar três ou quatro. Que o Governo venha agora tentar sossegar os contribuintes, dizendo que a esmagadora maioria do investimento no aeroporto e TGV serão efectuados por consórcios privados seguindo um modelo semelhante ao seguido na ponte Vasco da Gama (Build, Operate Transfer) deveria ser suficiente para os portugueses começarem a remexer na carteira.

A ponte Vasco da Gama custou 897 milhões de euros, a maioria dos quais suportados por capitais privados. Em contrapartida, a Lusoponte recebeu mais de 550 milhões de subsídios do Estado (fonte, Público de ontem). Ficou com a exclusividade da concessão das pontes no Tejo a sul de Vila Franca de Xira, o prazo de concessão foi dilatado de 28 para 35 anos, e, cereja em cima do bolo, foi-lhe entregue a super lucrativa ponte 25 de Abril - na qual não gastou 1 cêntimo.

O Tribunal de Contas arrassou o acordo, valendo a pena lembrar esta passagem: "Considerando apenas o envolvimento financeiro do Estado concedente, designadamente a sua comparticipação inicial, as compensações directas e as perdas de receita de IVA e do Fee da manutenção da Ponte 25 de abril, os montantes envolvidos deverem ascender, a preços correntes, a cerca de 217 milhões de contos. Neste contexto, afigura-se bem longe de constituir qualquer ficção sustentar a ideia de que o Estado concedente tem sido o mais importante e decisivo financiador da concessão, sem a explorar. (página 84 do relatório). E isto foi em 2001...

Como se não fosse suficiente, o Estado prepara-se para renegociar novamente o contrato, atribuindo à Lusoponte a concessão da travessia entre Chelas e Barreiro. O mesmo traçado que, vai para quinze anos, merecia um largo consenso técnico mas que foi chumbado pelo então ministro das Obras Públicas: "Construir uma ponte entre Chelas e o Barreiro é trazer mais confusão para o centro de Lisboa", dizia então Ferreira do Amaral. Agora, o mesmo Ferreira do Amaral, que era contra a ligação Chelas-Barreiro, prepara-se para exigir do Estado o cumprimento do ruinoso acordo que assinou, acrescentando mais um episódio à história de sucesso do consórcio mais sortudo (e com melhores contactos) de Portugal.

Parece que os financiadores do estudo da CIP dizem ter medo das represálias do Estado. O único nome que se conhece é o da Lusoponte. Pobres e mal agradecidos, é o que é. Vivem à custa dos dinheiros públicos que, depois, passam a vida a vilipendiar. O empreendorismo nacional é assim. São todos liberais quando peregrinam até ao Convento do Beato, mas, quando fazem negócios, só se lembram do liberalismo depois do Estado lhes garantir o monopólio e assumir os riscos. O Governo fala agora em 16 000 milhões de euros em obras públicas nos próximos anos. Vai ser um festim. Pago por todos nós. Três ou quatro vezes, que é como se faz negócios no nosso país com o dinheiro dos outros.

publicado por Pedro Sales às 18:04
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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007
Os eufemismos dos carrascos

Os EUA não recorrem à tortura, garantiu Bush há uns meses. De lá para cá o assunto tornou-se um dos temas da campanha presidencial americana, como o Filipe já aqui chamou a atenção, sucedendo-se as evidências do recurso a métodos ilegais para extrair informação. Mas Bush lá tinha as suas razões. Os EUA não torturam porque, na nova terminologia das suas agências, nada é tortura. O Guardian fez um levantamento dos termos utilizados pelos serviços secretos dos EUA para inventarem nomes mais "suaves" para designar aquilo que toda a gente chama pelo seu nome: tortura. "Gestão do sono" é um dos melhores.

Em cima, vídeo da campanha da Amnistia Internacional contra a tortura nos EUA: Unsubscribe.

publicado por Pedro Sales às 20:43
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007
Olha para mim a mandar uma granda tanga a todos vós (II)
Esteve quase para não acontecer. O homem conteve-se quase até ao fim. Mas, já passava da 1 da manhã, quando Sérgio Sousa Pinto se virou para Pacheco Pereira e Miguel Portas acusando-os de, sendo contra a ratificação do Tratado de Lisboa, serem a favor do isolamento de Portugal e da saída da União Europeia. "É disso que se trata", rematou. Aqui chegados, estamos no nível zero da seriedade intelectual, assistindo, com uma clareza cristalina à chantagem argumentativa usada vezes sem conta por Bruxelas e as suas elites sobre todos os que se atrevem a ter outras ideias sobre o processo de construção europeia. De "impasse institucional" em "impasse institucional", só há um caminho, dizem-nos. Não admite desvios e tolera mal as interrupções. É inelutável, inquestionável. Depois do chumbo do Tratado Constitucional, lá temos o mesmo conteúdo, redigido de forma esdrúxula, para evitar nova consulta popular.

Como explica lapidarmente Martins da Cruz, para justificar a sua oposição a um referendo do qual foi dos primeiros defensores, o que a França e Holanda nos vieram provar é que isto dos referendos sabe-se como é que começa mas nunca se imagina como é que pode acabar. É esse o problema. A intelegentsia europeia só tolera um resultado. O "Sim" ,e nada menos do que isso. Quem questiona, como, por azar, aconteceu no Prós e Contras de ontem, é porque quer ver Portugal fora da União. É como diz o Zé Neves aqui em baixo. "Por ora basta dizer que isto é tudo uma granda tanga".

publicado por Pedro Sales às 10:45
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Olha para mim a mandar uma granda tanga a todos vós
Contra a necessidade de um referendo, Sérgio Sousa Pinto disse há pouco na tv que "é o parlamento que define a democracia". O parlamento, note-se, é aquela assembleia cuja maior representação partidária assinou um contrato eleitoral com os ignaros eleitores no qual estava escrito que um futuro tratado seria referendado pelos ignaros eleitores. Eu pessoalmente nem me importo que me aldrabem assim, sem mais, à grande e à francesa. (Para dizer a verdade, isso sempre me poupava o trabalho de estar a pensar se votaria SIM se votaria NÃO). O que me preocupa mesmo é que com "representantes democratas" à altura do Sérgio, qualquer aspiração a um debate crítico mais aprofundado sobre a ideia de democracia representativa cai logo por terra. Por ora basta dizer que isto é tudo uma granda tanga.

publicado por José Neves às 00:30
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Nacionalismo Oval
Depois de mais um sorteio para mais uma a fase de apuramento para mais uma grande competição internacional, logo surgiram vozes - o televisivo Rui Santos, por exemplo - a reclamarem a criação de duas divisões europeias que separassem o "trigo" do "joio", a fim de assim se evitar que as selecções de maior nomeada tivessem que realizar jogos cansativos que só servirão para cumprir calendário. Assim, a selecção de Portugal não deveria ter que jogar com os seleccionados da Albânia e de Malta.
Não vou discutir os méritos e os deméritos destas propostas. Mas vale assinalar que elas acompanham uma certa "sensibilidade geopolítica", sensibilidade que se mostra cada vez mais irritada com toda a conflituosidade política associada aos nacionalismos de leste e que começa agora a deixar para trás a euforia celebratória que antes brindara o estilhaçamento nacionalista da URSS e da Jugoslávia. (O mesmo, embora com contornos diferentes, sucede a respeito de Timor). Resta saber se estas propostas que defendem uma competição a "duas velocidades" têm cabimento no quadro das actuais tendências da economia mundial do futebol profissional, tendências marcadas pela lógica de expansão capitalista do jogo.
Acrescento, no entanto, um argumento que os patriotas lusitanos podem brandir a favor das "duas velocidades" e da tese da separação do "trigo" do "joio": é que assim sempre evitavam os empates entre o trigo e o joio, como aquele 1-1 obtido por Portugal na Arménia. Por outro lado, convém não menosprezarmos as vantagens das teses das "duas velocidades": seguindo estas teses, teríamos sido poupados, por exemplo, aos inúmeros elogios feitos à selecção portuguesa de rugby no recente mundial da modalidade.
Ressalvo, por fim, que nada me move contra o rugby. Pelo contrário. É porque a modalidade me interessa que ademais critico a onda nacionalista que sobre ela se abateu no Verão passado. Isto porque quer-me parecer que a forma como alguns jogadores e muitos propagandistas e marketeiros do rugby comentaram a performance da selecção portuguesa se limitou a reproduzir os estereótipos mais simplistas que pairam sobre uma modalidade complexa: a ênfase colocada em virtudes como a "honra", a "coragem" e a "bravura", cristalizadas no episódio da berraria do hino nacional, acabou por reduzir, uma e outra vez, a complexidade de um jogo inteligente à imagem primária da força bruta.
O cunho aristocrata da modalidade - sublinhado aqui e ali nos elogios ao amadorismo de grande parte dos jogadores - parece aliás dar-se bem com estas virtudes guerreiras. Assim é em Portugal mas também noutras paragens: pelas ruas de Buenos Aires, podia-se ver recentemente um outdoor da VolksWagen (que julgo também ter apoiado a selecção de rugby portuguesa) no qual se legendava a equipa de rugby argentina com um slogan que, mais coisa menos coisa, rezava assim: "animais que se comportam como cavalheiros".


publicado por José Neves às 18:29
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