Terça-feira, 29 de Julho de 2008
Um investimento PINtástico

Fotografia do local retirada do blogue A defesa de Faro

Segundo a edição de ontem do jornal Público(sem link), investidores russos usaram três empresas off-shore para adquirir, por 50 milhões de euros, 529 hectares no Parque Natural da Ria Formosa, numa zona onde não se pode construir qualquer projecto turístico ou imobiliário. José Apolinário, presidente da câmara de Faro (PS), fornece-nos a chave para o enigmático investimento, admitindo que “possa vir a surgir naquela zona um projecto PIN, que permita ultrapassar as actuais restrições à construção”.


Depois do governo, pela primeira vez liderado por um ex-responsável pela pasta do Ambiente, ter aprovado mais de 30 projectos PIN em zonas protegidas, a legislação de defesa do património ambiental é uma brincadeira que já ninguém leva a sério. Nem mesmo os investidores russos que não hesitam em gastar 50 milhões num terreno que, em condições normais, não permite nenhuma rentabilidade económica. Até ao dia, claro, em que o Governo reconheça o “interesse nacional” dos campos de golfe, hotéis e apartamentos do costume e junte mais um terreno à continuada privatização dos melhores recursos naturais do país. Quando nada mais restar que uma imensa mancha de betão pontuada por baldios, pode ser que alguém acorde. Mais não seja a União Europeia.



publicado por Pedro Sales às 16:05
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Sábado, 28 de Junho de 2008
Com o dinheiro dos outros também eu faço excelentes negócios

O Gabriel Silva chama a atenção para o pungente apelo de João Pereira Coutinho para que o governo subsidie, com um cêntimo por litro, a criação de um ‘cluster’ do biodiesel em Portugal. O desconsolo de Pereira Coutinho é elucidativo. É que o Governo já apoia a produção de biodiesel e não é com um cêntimo por litro, mas com a isenção fiscal de 28 cêntimos por cada litro. Para a produção de gasolina “verde” o negocio é ainda mais ruinoso. São 40 cêntimos por cada litro que voam dos bolsos dos contribuintes. Pelos vistos, não chega. Se, com o petróleo nos 141 dólares, o negócio não é lucrativo, parece-me que mais valia pararmos de subsidiar um modelo falido e que, pelo meio, tem ajudado a fazer disparar o preço dos bens alimentares. Como cidadãos poupávamos no supermercado, e, como contribuintes, no Orçamento de Estado.


O mais curioso nesta história é que a Junta de Freguesia da Ericeira, que não pediu apoio financeiro a ninguém para pôr a sua frota de carros a andar com óleos alimentares reciclados (este sim, um modelo ambientalmente correcto), tem um processo de penhora no valor de 7000 euros, porque o Ministério das Finanças reclama o ISP que a Junta poupou com a sua capacidade de iniciativa. Moral da história. Para se fazer negócio em Portugal nada como pedir subsídios ao Estado. Não interessa que o modelo de negocio seja uma desgraça. Isso é um pormenor irrelevante.



publicado por Pedro Sales às 16:33
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Terça-feira, 6 de Maio de 2008
Pin e Pon

Bruxelas processa Portugal por desrespeito ambiental em complexos na Comporta e Alcácer do Sal. A Comissão Europeia abriu hoje um processo de infracção contra Portugal por falta de medidas de protecção ambiental na aprovação de três complexos turísticos aprovados em áreas protegidas dos concelhos de Grândola e Alcácer do Sal. O facilitismo simplex dos PIN e PIN+, o expediente encontrado pelo Governo para contornar a legislação de protecção ambiental, começa a chamar a atenção da União Europeia. Más notícias para um governo que licenciou dezenas de projectos em áreas protegidas, principalmente no litoral alentejano.

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publicado por Pedro Sales às 18:01
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Verde é a cor do dinheiro

A junta de freguesia da Ericeira foi multada em sete mil euros utilizar óleos reciclados para mover os carros do lixo, em vez de comprar combustíveis fósseis, pelo que o Estado se considera lesado. O presidente da junta, citado pela TSF, já garantiu que não vai pagar a multa.

Lê-se e não se acredita. Em vez de apoiar, ou pelo menos deixar em paz, quem não precisou de ficar à espera dos subsídios estatais para aplicar uma medida ambientalmente correcta, o Governo multa quem está a usar combustíveis verdadeiramente ecológicos (óleos reciclados). Tudo isto para respeitar uma quota, financiada pelos nossos impostos, com o embuste dos agrocombustíveis que estão a roubar espaço agrícola a outras produções alimentares e a contribuir para a crise alimentar que está à porta. O verde tem muitas tonalidades. Mas a cor do dinheiro dos impostos continua a ser a mais apelativa.


publicado por Pedro Sales às 13:36
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Terça-feira, 15 de Abril de 2008
Um bom conselho

No último debate parlamentar, José Sócrates aconselhou “mais leituras” a Francisco Louçã quando este criticou o impacto dos agrocombustíveis no aumento do preço dos alimentos. Segundo o primeiro-ministro, como a maioria combustíveis “verdes” nacionais estão a ser produzidos a partir de oleaginosas cultivadas em Moçambique não têm qualquer influência no aumento dos preços dos alimentos. Este argumento é um disparate, e nem é preciso ler muito para o perceber.

Os preços dos bens alimentares não são fixados em Portugal. Importamos mais de 70% do que comemos. Cereais, arroz e outros produtos são comprados nos mercados internacionais de referência, onde os preços não param de aumentar. Mesmo não sendo óleos alimentares, as áreas cultivadas em Moçambique para encher os tanque de gasolina dos carros de Lisboa ou Porto não nasceram do nada. Ou levaram ao abandono de áreas dedicadas à produção agrícola, conduzindo à escassez de bens alimentares que é uma das razões da escalada dos preços, ou foram conquistados às florestas tropicais, sem as quais teremos mais Co2 no planeta. Em todo o caso, os compromissos assinados por Portugal na UE serão sempre uma tragédia. O primeiro-ministro devia seguir o seu próprio conselho e ler um bocadinho mais. A começar pelas declarações da porta-voz do Progama Alimentar das Nações Unidas que, citada ontem pelo Público, lembra que "muitos agricultores estão a arrancar as suas culturas e a substituí-las, por exemplo, por milho por causa da especulação do mercado de biocombustíveis."



publicado por Pedro Sales às 19:46
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008
Tudo perigosos radicais
Respondendo a Francisco Louçã, José Sócrates reduziu a crítica aos agrocombustíveis como fazendo parte da agenda dos movimentos ecologistas mais radicais. Estranha escolha de palavras, no dia seguinte ao Banco Mundial, FMI, o primeiro-ministro inglês e a Agência Europeia para o Ambiente responsabilizarem a adopção dos agrocombustíveis pela escalada dos preços dos bens alimentares. O curioso é que o fez recomendando "mais leitura" ao interpelante... Desta é que nem o Henrique Raposo se lembraria.


publicado por Pedro Sales às 13:13
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2008
Os custos escondidos dos combustíveis "verdes"

O conselho científico da Agência Europeia para o Ambiente defendeu hoje que a União Europeia suspenda a meta dos dez por cento dos biocombustíveis utilizados nos transportes, até 2020, considerando que “o solo arável necessário para a União Europeia conseguir cumprir a meta dos dez por cento excede a área disponível” e  conduzirá à “destruição acelerada das florestas tropicais”. Uma boa notícia, sendo agora necessário avisar o governo português para parar de “torrar” dinheiro a financiar este logro ambiental que é um dos principais responsáveis pela hiperinflação dos produtos alimentares.

Faz agora duas semanas que, numa iniciativa que passou quase despercebida, o governo isentou sete empresas do pagamento de mais de 280 milhões de euros em ISP, para a produção de 1032 milhões de biodiesel entre 2008 e 2010. Se repararmos que o concurso para a produção de gasolina “verde” ainda não teve lugar - e que o governo subsidia este combustível em 400 euros por cada mil litros, contra os 280 do biodiesel -, talvez dê para perceber a dimensão dos custos envolvidos no financiamento desta insensatez.

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publicado por Pedro Sales às 20:36
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Terça-feira, 8 de Abril de 2008
Reflexo condicionado
O Henrique Raposo tem publicado uma série de posts sobre os “perigos do etanol”, denunciando as suas consequências ambientais, económicas e sociais. “Os ambientalistas ficaram encantados com o etanol. Era a salvação do planeta. Gasolina limpa que ia salvar os ursos polares. Mas, como sempre, os ambientalistas esqueceram as pessoas, esses seres chatos que complicam a fórmula para a salvação do Planeta”.

Como é óbvio, a “descomplicação” defendida pelo Henrique Raposo tem um problema. É que, ao contrário do que pretende fazer crer, o crescente recurso ao etanol não decorre de nenhuma motivação ambiental, mas geopolítica. Três quartos das reservas de petróleo ficam na zona mais instável do planeta, razão pela qual os EUA e União Europeia querem reduzir a dependência energética dos combustíveis fósseis. O Brasil, o outro grande defensor dos agrocombustíveis, pretende fazer negócio numa área em que detém uma considerável matéria prima e domina o know-how.

De resto, e esse é o principal problema da tese, os principais ecologistas e os seus movimentos, como a Greenpeace, sempre criticaram a utilização de produtos agrícolas para encher o tanque de combustível dos carros. É verdade que os ambientalistas querem “salvar as foquinhas e os ursinhos”, para utilizar a acintosa ironia do Henrique Raposo, mas não deixa de ser apressado retirar daí a ilação de que se estão "a lixar" para os indianos. Os reflexos condicionados têm destas coisas. Mesmo quando se tem razão, tentamos sempre ver moinhos de vento nos sítios do costume.

PS: Sobre este mesmo tema, no Zero de Conduta: Verde menos verde não há.
 
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publicado por Pedro Sales às 22:05
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
Lógica da batata

Realizou-se na semana passada o VI Congresso Nacional do Milho, ficando acordado no encontro a produção de mais 200 mil toneladas deste cereal para garantir a quota nacional de 10% de agrocombustíveis até 2010. Segundo o presidente da associação promotora do encontro, Luís Vasconcelos e Sousa, a crescente utilização do milho e sorgo na produção de agrocombustíveis “nunca irá pôr em causa a produção destes cereais para fins alimentares”. Tudo bem, não fosse o problema que se coloca não ser a escassez de cereais mas o seu preço. O pão aumentou 30% este ano, e é provável que ainda aumente mais 15%. O leite vai pelos 15%, enquanto a maioria dos bens alimentares se fica pelos 5 a 10%.

Portugal não é um caso isolado. A pressão inflacionista nos bens alimentares é mundial e tem o dedo nada escondido da corrida ao “petróleo verde” - cujos efeitos nefastos estão longe de se ficar pela carteira. Curiosamente, enquanto o ministro da Agricultura diz estar “preocupado” com aumento dos bens alimentares, o Governo garante generosos milhões de euros em benefícios fiscais para desviar terrenos agrícolas para produzir combustíveis que vão tornar a comida ainda mais cara. Pagamos duas vezes. Nos subsídios e no supermercado. O Governo parece encontrar alguma lógica nisto. Por mim, só encontro a da batata.

publicado por Pedro Sales às 18:15
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008
Meter água

Choveram 65 mm por metro quadrado em Lisboa. Pouco mais de metade do que aconteceu nas cheias de há 40 anos, mas mesmo assim o suficiente para lançar o caos na capital e arredores. Acessos bloqueados, ruas inundadas, falhas de luz e gás. Fiel aos velhos valores nacionais, o ministro do ambiente resolveu sacudir a água do capote. Diz que a culpa é das câmaras, e até tem razão, porque o tratamento de esgotos é uma brincadeira. Mas daí até dizer que o país não tem um problema de ordenamento do território, vai a distância que separa a desresponsabilização individual do disparate sem sentido. Será que Nunes Correia é a única pessoa que ainda não se apercebeu que a desproporção entre as chuvas e o seu efeito, começa precisamente no desordenamento territorial? Em Portugal constrói-se onde se quer e apetece. Em leito de cheia, alterando a linha de água e impermeabilizando todos os solos. Se dá para injectar betão é porque se pode construir. Depois logo se vê. Uma irresponsabilidade que está longe de ser exclusiva das autarquias, mais a mais quando é este mesmo Governo que se preparar para construir a plataforma logística bem no meio do leito de cheias do Tejo. O ministro acha que não há um problema de Ordenamento? Claro que não. E este mês tem 31 dias.

PS: Algo me diz que, na primeira vez em que apareceu como protagonista, Nunes Correia traçou o seu destino político. Das câmaras afectadas pelas cheias, a única que não lhe respondeu directamente foi a de Lisboa. António Costa, que é o número dois do PS,  tem outros canais para fazer sentir o seu descontentamento. Quando é que é a próxima remodelação?

publicado por Pedro Sales às 23:00
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Domingo, 16 de Dezembro de 2007
Porreiro pá, redux
Por estes dias, do Parque das Nações a Bali, parece ser suficiente juntar chefes de Estado, ministros e respectivas comitivas para que todos os encontros sejam um “sucesso muito significativo”. Foi assim que um deslumbrado ministro do ambiente resumiu uma cimeira sobre as alterações climáticas que trocou imposições concretas de redução de emissões de CO2 por uma nota de rodapé. Não foram os EUA que se juntaram ao consenso. Foi o consenso que cedeu aos EUA, numa cimeira que atirou os principais problemas para baixo do tapete e adiou as principais discussões por mais dois anos.

publicado por Pedro Sales às 17:17
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007
A taxa que não saiu do saco (II)
Para alem das críticas aos zigue-zagues do governo, levantou-se um sem número de vozes contra uma hipotética taxa ecológica sobre os sacos de plástico. A maioria dos reparos centrou-se na oposição ao que consideram a dupla tributação de um novo imposto. Como resume Mário Ramires, subdirector do Sol, é uma nova taxa para prejudicar ainda mais “milhões de endividados consumidores”. Esta linha de argumentação prova até que ponto, num país com uma carga fiscal a léguas da europeia e inferior mesmo à da OCDE, fez caminho o discurso liberal sobre a “tirania fiscal”.

E, afinal, estava-se apenas a falar de alargar ao resto do país o que o Pingo Doce já tem vindo a fazer. Nesta cadeia de distribuição, os sacos biodegradáveis convencionais custam 2 cêntimos e os reutilizáveis ficam por 20 cêntimos. São sacos de alta qualidade e resistência que, quando danificados, são trocados sem encargos para o consumidor. Imaginemos que alguém tem necessidade de comprar 5 sacos destes. Estamos a falar de um euro. Para o resto da vida. Só por despautério se pode dizer que se está a criar um novo expediente para ir ao bolso de “milhões de endividados consumidores”. Só existe taxa se os hábitos de uso e abuso de um bem que está longe de ser essencial permanecerem inalterados. Sucede que, como nos indicam as experiências internacionais e o exemplo do Pingo Doce, o efeito destas medidas tem sido imediato diminuindo o consumo de plástico entre os 50 e 90 por cento.

Como já aqui se disse, os sacos não são gratuitos. Têm custos ambientais que se fazem sentir muito para além do seu preço de custo nominal. Uma taxa destas tem como função fazer com que os consumidores - de um bem para o qual existem alternativasl - internalizem esses custos. Bem sei que os produtores já pagam uma taxa sobre os sacos à Sociedade Ponto Verde. Só que, não sendo percepcionada como tal pelo utilizador final, os seus efeitos na diminuição do consumo são negligenciáveis. em todo o caso, compreende-se que o subdirector do Sol não goste da ideia de taxar os sacos de plástico. Afinal, trabalha com o arquitecto que teve a ideia, única e peregrina em toda a Europa, de esconder as notícias dentro de um saco de plástico.

PS: Já existe uma petição sobre este tema, iniciada pela Rosa Pomar, pedindo "ao governo que não recue na sua intenção de introduzir uma taxa ecológica sobre os sacos de plástico".
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publicado por Pedro Sales às 16:30
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007
A taxa que não saiu do saco
Afinal o governo não quer cobrar nenhuma "taxa ecológica" nos milhões de sacos que são distribuídos nas grandes superfícies. Nem pensar, diz o secretário de Estado. Não passou tudo de um estudo num anteprojecto que o Governo encomendou mas não aceitou. Não por acaso, de acordo com o Público, a SONAE e as grandes distribuidoras apressaram-se logo a criticar esta hipótese. O Governo cedeu. Fez mal. Na transigência e em meter a “taxa ecológica” no saco. Todos os anos são distribuídas 2000 toneladas de sacos de plástico. São milhões e milhões, a maioria das vezes para levarem um ou dois produtos. São milhares de toneladas de CO2. Ao contrário do que o governo quer fazer crer já pagamos os sacos. Na degradação da qualidade do ar e na poluição que perdura no ar por décadas e décadas. Para nem falar das emissões ambientais

Diz o secretário de Estado que o preço dos sacos não poderá ser "tão grande que pareça desproporcionado em relação ao objectivo", devendo "sensibilizar o cidadão para outras alternativas". Pelo contrário. O preço deverá ser mesmo um facto de dissuasão. É o único eficaz. A importância de taxas como esta é a de induzirem alterações no padrão da utilização de produtos que são, por natureza, ambientalmente nocivos, passando do desperdício para a substituição. E isso só é possível se a diferença entre o preço dos sacos vulgares e os reutilizáveis for mínima. Tudo o resto é pura cosmética. É o que já está a ser feito na Irlanda e começa a ser seguido um pouco por toda a Europa. Em Inglaterra é diferente. Mais de 80 cidades preparam-se para banir, totalmente, os sacos.

Mas a forma como o governo matou, ainda antes de nascer, uma “taxa ecológica" sobre o desperdício ambiental diz bastante sobre a sua forma de acção. O mesmo governo que usa e abusa da sua autoridade sobre trabalhadores e sindicatos é o primeiro a recuar perante as pressões das grandes cadeias comerciais. Aqui já não interessa ser moderno e acompanhar os restantes países europeus. José Sócrates fez da autoridade e determinação a sua imagem de marca. Há quem o compare a Cavaco Silva. Pode ser. Mas, quando é a SONAE que protesta e se faz ouvir, é o “dialogo” e as cedências de Guterres que encontra do outro lado.
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publicado por Pedro Sales às 20:36
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007
Vamos pagar Quioto
“Vamos ultrapassar os tectos de emissões, mas vamos cumprir Quioto”, declarou ontem o ministro do Ambiente. Por outras palavras, vamos pagar para continuar a poluir ao ritmo actual. Segundo os últimos números, estamos 15,8% acima do valor de referência calculado para Portugal. São 9 milhões de toneladas que o país vai ter que pagar, investindo em energias limpas em países em vias de desenvolvimento ou comprando emissões no mercado de futuros do carbono. Na semana passada o preço deste último estava nos 24 euros/tonelada. Mesmo com a flutuação do preço - que até tenderá a subir -, são sempre mais de 200 milhões de euros por ano, a pagar essencialmente pelo Estado. Nunes Correia diz que vamos cumprir Quioto. Não, senhor ministro, os contribuintes vão pagar Quioto e a irresponsabilidade ambiental dos últimos governos. Que o diga com essa ligeireza, só indica que está quase no mesmo patamar de irresponsabilidade de Mário Lino ou Manuel Pinho. Dê-lhe Sócrates mais oportunidades e ainda lá chega.
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publicado por Pedro Sales às 23:29
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
Verde menos verde não há
O preço do arroz poderá subir 50% nos próximos dias. Com o aumento do preço dos combustíveis, a associação nacional dos industriais de arroz, realça o facto do seu preço ter subido 50% no último ano e responsabiliza a subida acentuada do preço do petróleo que tornou cereais, como o milho e o trigo, "interessantes" para a produção de biocombustíveis, uma alternativa energética aos produtos petrolíferos.

A notícia passou quase despercebida, mas será apenas a primeira de muitas. A estratégia da União Europeia passa por garantir que, até 2020, 10% de todos os combustíveis serão “verdes”. Em Portugal, o governo quer garantir 10% nos transportes já em 2010. Para conseguir esse valor, tem já a funcionar um generoso pacote de incentivos fiscais às oleaginosas plantadas no nosso país para alimentar as 2 refinarias "verdes" que estão a ser construídas.

E, no entanto, os erros dos outros países estão à vista, provando que esta estratégia tem tanto de imprudente como de suicidária. No México, a produção intensiva de milho para abastecer o mercado dos EUA levou à subida em 400% deste cereal fundamental para a alimentação. A consequência foi desastrosa e levou à rápida revolta dos mais pobres, e mais afectados com a subida em flecha da tortilla, a sua tradicional base alimentar .

Para além da hiperinflação dos produtos alimentares, a tão publicitada energia "verde" tem pouco de energia e ainda menos de verde. O potencial energético dos agrocombustíveis (a terminologia mais correcta) é ínfimo, como já foi reconhecido pelo OCDE, e a sua produção obriga a regimes intensivos de monocultura, obrigando ao aumento do espaço físico dedicado à agricultura, diminuindo a biodiversidade e aumentando a utilização de fertilizantes muito pouco verdes. A União Europeia, no mês passado, acabou com os terrenos dedicados ao pousio para responder à crescente procura de cereais. A produção em massa do óleo de palma já causou a devastação de grandes extensões de florestas na Colômbia, Equador e Indonésia e Malásia. (relatório da Unesco).

Os combustíveis "verdes" têm tudo para ser uma tragédia ambiental, social e económica. O interesse da UE e dos EUA nesta fonte energética - de que são os principais defensores, juntamente com o Brasil - tem muito pouco a ver com a defesa do ambiente. Convém não esquecer que três quartos das reservas de petróleo ficam na zona mais instável do planeta. É preciso diminuir a dependência das maiores economias de uma fonte de energia que está situada sobre o barril de pólvora em que se tornou o Médio Oriente. Os agrocombustíveis podem ser produzidos em qualquer lugar que tenha espaço, muito espaço para a plantação de cerais. São uma bomba ao retardador. Os preços na mercearia e supermercado vão ser o primeiro rastilho. Ou isso ou vamos todos subsidiar, com os nossos impostos, o maior logro ambiental das últimas décadas.

Sobre este mesmo tema, vale a pena ler: How biofuels coul starve the poor, na Foreign Affairs. Worse than fossil fuel, George Monbiot, no Guardian.

publicado por Pedro Sales às 14:59
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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007
Parem as máquinas. O Nobel da Paz é um prémio político
O João Miranda não se cansa de criticar o prémio Nobel da Paz atribuído a Al Gore e ao IPCC. Não tem credibilidade científica e é politicamente motivado, diz. Ora, por muitas voltas que se dê, não há forma de negar que o Nobel da Paz é um prémio político. O João Miranda não concorda é com a política seguida este ano, o que, sendo perfeitamente legítimo, não tem o carácter conspirativo que nos quer vender.

Não está sozinho. Nos EUA, a direita republicana também não pára de lamentar a natureza política da distinção concedida a Al Gore. A Fox News e o New York Sun propuseram mesmo um nome alternativo, esse sim digno de vencer um prémio que entendem que deve ser apolítico. O general Petraeus, o responsável pelas tropas americanas no Iraque. Estão a ver a coisa, não é?

Quanto à credibilidade científica do prémio, também não há grande novidade. Toda a gente tem dúvidas, mas há umas que, pela forma como são colocadas, mais parecem certezas. Também aqui o João Miranda não está sozinho. Veja-se este anúncio, que foi transmitido o ano passado nas televisões americanas, a criticar o silenciamento comunicacional dos estudos científicos que negam a origem humana do aquecimento global e o degelo das calotes polares. Até agora, a única nega que originou foi a dos autores dos estudos pretensamente escondidos. Mas, claro, aqui não deve haver motivação política nenhuma, nem mesmo quando se descobre que os promotores desta campanha são financiados pela Ford, Phillhip Morris, ou a petrolífera Texaco. O nome do anúncio é todo um programa.:“Carbon dioxide. They call it pollution. We call it life.’”

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publicado por Pedro Sales às 16:45
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007
Vá lá, só mais um esforço e passamos a ter água no quintal
(Costa de Caparica, Inverno 2006)
O Presidente da República, Cavaco Silva, alertou hoje para a necessidade de aproximar os portugueses ao mar e defendeu que se deve passar da retórica para a acção nesta matéria.

publicado por Pedro Sales às 10:51
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007
O Sócrates, estadista global, não se lembra do José, poluidor nacional
José Sócrates defendeu, na Conferência sobre as alterações climáticas promovida pela ONU, que “os países mais desenvolvidos têm que acordar metas em torno da redução de emissões". Intervindo como presidente em exercício da União Europeia, Sócrates referiu que a União está "preparada para reduzir as emissões de dióxido carbono (CO2) em 30 por cento até 2020".

Fica-lhe bem tanta ambição. O problema é que é difícil dissociar o José Sócrates presidente em exercício da União Europeia, do José Sócrates primeiro-ministro de Portugal, um dos poucos países europeus que se está a afastar dos objectivos do Protocolo de Quioto. Num relatório de Junho deste ano, a Agência Europeia de Ambiente chama a atenção para que, entre 1990 e 2005, Portugal aumentou as emissões de gases responsáveis pelo efeito de estufa em 42,8%. No mesmo período, a União Europeia dos 15 diminuiu a emissão de CO2 em 1,5% e a União dos 27 em 7,9%. Mas não se pense que o cenário tem propensão para melhorar. Em 2004-05, quando os outros países estavam a diminuir as emissões, Portugal subiu mais 1%. Até 2012, temos que dimínuir o excesso de emissões, relativamente a 1990, dos 42,8% para os 27%, caso contrário começaremos a pagar centenas de milhões de euros pelos direitos de emissão de CO2.

Faz efeito, e até dá uma certa pose de estadista em sintonia com o seu tempo, ir ao estrangeiro prometer que a Europa vai melhorar a eficiência energética e diminuir os níveis de poluição. Convinha era que não fôssemos precisamente nós a estragar a pintura. Durante os 15 anos em que os níveis de CO2 nacionais estiveram a disparar de forma alarmante, José Sócrates teve responsabilidades directas, na pasta do ambiente ou como primeiro-ministro, durante seis anos. Um registo 100% verde, como se vê.

publicado por Pedro Sales às 02:52
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Sábado, 22 de Setembro de 2007
Parque Natural das Pedreiras da Arrábida
As autarquias atravessadas pelo Parque Natural da Arrábida acusam o Governo de pressionar o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade para “isentar a SECIL da necessária avaliação de impacto Ambiental, para a ampliação das pedreiras que a empresa explora no Outão”. A notícia vem na edição de hoje do “SOL”, onde também se pode ler que o governo socialista revogou, em 2005, a legislação que impedia a ampliação das quotas de extracção no Parque Natural. Resultado: a SECIL pode estar prestes a conseguir aumentar as quotas, permitindo a “extracção do dobro da massa mineral (36 milhões de m3) e o prolongamento por mais 23 anos da actividade da SECIL na Serra da Arrábida, até 2044”.

Aqui chegados, vale a pena recordar que, em 1948, as pedreiras na Arrábida ocupavam 10 hectares, valor que subiu para os 40 hectares em 1958, 170 em 1978. Actualmente são 320 hectares, contribuindo para o cenário lunar de uma parte considerável das encostas da serra da Arrábida. Em 2001, o ministro do ambiente deu uma entrevista à RTP dizendo que “as pedreiras na Arrábida têm que ser fortemente limitadas”. O ministro dava pelo nome de José Sócrates.

Para além das cada vez mais comuns acusações de governamentalização dos organismos públicos, , o “SOL” refere que a SECIL forneceu um milhão de euros ao ICNB para a plantação de pradarias marinhas. “Um projecto que foi muito conduzido pela Secretaria de Estado”, como aliás se viu na televisão, com as imagens do secretário de Estado a mergulhar na baía de Sesimbra. Pode não ter nada a ver, mas o financiamento directo de um instituto público por uma empresa privada que depende de um voto favorável desse mesmo organismo, deveria, pelo menos, levar o Governo a ter algum cuidado e cautela. Há dinheiro que queima.

publicado por Pedro Sales às 14:18
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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007
Dúvidas

Publicidade para o Renault Dauphine, anos 60, Brasil

Há só uma dúvida que me fica na cabeça. Quem estará a mentir: a publicidade brasileira dos anos 60, anunciando 16 quilómetros por litro ou a indústria automóvel actual, anunciando um admirável mundo novo no que diz respeito ao consumo de combustíveis? É que o Toyota Prius, referência global da solução eco-consciente para o novo milénio, faz uns estrondosos 17,5 km por litro.

Mesmo admitindo a falsidade de publicidade com 40 anos, o facto é que as estatísticas para os EUA mostram bem que de 1980 ao Prius não há um corte radical, mas uma lenta evolução: um automóvel novo nos EUA fazia em média 10 km/litro em 1980, 11 km/litro em 1990 e perto de 13 km/litro em 2000.

Ao mesmo tempo, e por estes dias, na Shell eco-marathon(sic) correm protótipos que chegam aos 3000 km por litro, ordens de magnitude de diferença. É certo que do protótipo à comercialização vai um grande passo, mas já podíamos começar a pôr os travões (metáfora rasteira, eu sei) ao imenso spin verde que envolve os actuais modelos comerciais 'amigos do ambiente'. Servirá para vender jornais da especialidade, preencher o vazio na televisão ou mesmo para massajar o ego do suposto consumidor consciente. Mas não venham com a conversa da 'nova mentalidade eco-responsável para um novo milénio'. É que com amigos como estes...

publicado por Vasco Carvalho às 06:13
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2007
Da mentira como uma das belas artes (redux)
O João Pedro Henriques, no Glória Fácil, chama a atenção para o novo mono que vai substituir o Hotel Estoril Sol, em Cascais, lembrando as promessas de Capucho quando este afiançava que ia pôr um ponto final nesse "atentado paisagístico" “Assim temos um mono substituído por outro e a prova provada que Capucho mentiu com quantos dentes tinha na boca”, conclui o João Pedro.

O fenómeno está longe de ser um caso isolado, afectando até personalidades com responsabilidades bem maiores do que as de Capucho. Quem é que não se lembra de ver o primeiro-ministro, numa espectacular manobra de propaganda, a carregar num botão que não estava ligado a lado nenhum, para implodir as torres de Tróia? Um marco no turismo, disse Sócrates, prometendo qualidade e respeito pelo ambiente.

Ainda não passaram dois anos e o resultado está à vista. As duas torres foram-se, mas apenas para serem substituídas por uma dúzia delas. Um pouco mais pequenas, é certo, mas a uma escassa dezena de metros da água. As primeiras ficam mesmo em cima do cais de embarque. Aí, onde antes existia uma praia, não se esforcem muito para a encontrar. Não vale a pena. Foram retiradas centenas e centenas de toneladas de areia para aí nascer uma frondosa marina. Depois, daqui a 50 anos, quando a maré ameaçar galgar o paredão e entrar pelos condomínios adentro, venham dizer que são as marés vivas e falar na erosão da orla costeira.
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publicado por Pedro Sales às 22:49
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