Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008
The disposable heroes of hypocrisy

Para não variar, é de Jon Stewart que vem a melhor resposta ao “caso” Sarah Palin e à histeria mediática causada pelos seus defensores, alguns dos quais descobriram, pela primeira vez na vida, termos como machismo ou sexismo. Absolutamente imperdível.



publicado por Pedro Sales às 14:35
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
Prevenção e dissuasão, diziam eles

Na sequência do júbilo público com o “sucesso” da operação de resgato do BES de Campolide, o que não faltaram foi vozes a dizer que o tiro de um sniper "foi mais importante para a prevenção do crime violento do que muitas leis”, ou a defender o "efeito dissuasor" que o mesmo ia representar no "mundo do crime violento". A julgar pelas imagens que têm aberto os noticiários da última semana, das duas uma: ou o pessoal do mundo do crime violento não tem televisão em casa e ainda não percebeu o alcance da mensagem, ou os nostálgicos do faroeste nunca perderam muito a pensar no assunto, caso contrário teriam reparado no escasso impacto que a severidade das penas ou a violência policial produz na prevenção da criminalidade, como se pode facilmente reparar pelo exemplo dos EUA



publicado por Pedro Sales às 21:27
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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
Um partido afónico

Na sexta-feira o PSD pediu a demissão do ministro da Administração Interna, justificando o pedido com o aumento da criminalidade e com a ausência de esclarecimentos do governo. No sábado, num artigo de opinião sobre o "alarmante aumento da criminalidade" e o  "inaceitável silêncio" do primeiro-ministro sobre o assunto, em nenhum momento Manuela Ferreira Leite solicita a demissão de Rui Pereira. Está visto, o "novo" PSD fala pouco. Para o país...e uns com os outros.



publicado por Pedro Sales às 18:24
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
Como eu sou mau a matemática...

...e não percebo grande coisa de estatística, alguém me faz o favor de calcular as probabilidades de duas balas, que são disparadas para os pneus, fazerem ricochete num qualquer objecto e acabarem por se alojar no corpo do mesmo ocupante do carro?

 



publicado por Pedro Sales às 19:11
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Quinta-feira, 31 de Julho de 2008
Uma mão cheia de nada

A forma como a declaração de Cavaco Silva foi anunciada tem tudo para ser um desastre comunicacional, criando expectativas tão altas que o mais certo é voltarem-se contra o Presidente. Depois de um assessor de Cavaco Silva ter garantido ao Público “que só uma razão verdadeiramente importante levaria o Presidente a interromper as suas férias e, sobretudo, a usar a televisão para falar ao país”, é disso mesmo que se está à espera. De uma novidade. E importante. Menos do que isso e será um fracasso. A especulação desenfreada que hoje corre na imprensa e blogosfera é o melhor sinal disso mesmo. Cada um foi antecipando na declaração do PR suas próprias expectativas. Uma receita para o desastre, portanto.


Ora, o mais certo é não haver novidade nenhuma, e tudo se resumir a mais um discurso sobre a confiança nos portugueses e na sua capacidade inata para vencer a crise. Com qualificação, esforço e exigência, ultrapassaremos juntos a difícil conjuntura internacional. Esperança, portanto. Só que Cavaco não é Obama. Onde o último consegue incendiar uma multidão sem dizer nada de concreto, Cavaco nem os seus assessores consegue convencer.

 

Não há problema. Começará logo depois o trabalho dos especialistas em cavaquês, tentando construir todo um discurso sobre o discurso de Cavaco.  Esta é a parte mais engraçada da comunicação política presidencial. Cria uma expectativa desmedida antes e depois. O conteúdo em si mesmo é o menos relevante. Quase acessório. Existe para justificar o barulho e a crença num Cavaco Silva previdente e providencial. Se amanhã as massagens voltarem às praias do Algarve não faltará quem garanta que foi Cavaco Silva. O que é preciso é fé.



publicado por Pedro Sales às 18:23
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2008
Ataque à ATTAC

Pouco tempo depois da ATTAC de Lausana ter tornado público que estava a organizar um livro sobre as práticas comerciais da Nestlé, o gigante da industria alimentar pagou 65 milhões de euros à Securitas para que esta empresa infiltrasse uma ex-agente policial nesta ONG. Perante o destaque que a imprensa suíça tem dado ao Nestlegate, que sempre foi do conhecimento das autoridades policiais, o governo suíço já encomendou uma investigação independente. Uma coisa é certa. Quem paga 65 milhões de euros e viola a lei para espiar um livro sobre as suas práticas comerciais, deve ter mesmo muita coisa para esconder...



publicado por Pedro Sales às 12:45
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Terça-feira, 1 de Julho de 2008
O menino de ouro do Bloco Central

A apresentação da biografia de José Sócrates, o "menino de ouro do PS", foi o pretexto para Dias Loureiro e António Vitorino se lançarem num emocionante concurso para ver quem tecia mais e melhores encómios ao carácter "sensato, prudente e optimista" de um primeiro-ministro que "faz muito bem a Portugal", para apenas referir as palavras do histórico dirigente do PSD. Atendendo ao nome do livro, e ao perfil de Dias Loureiro, quer-me parecer que este se preocupou menos com o carácter do “menino” do que com o “ouro do PS”.



publicado por Pedro Sales às 22:18
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Sexta-feira, 2 de Maio de 2008
A exploração permanece a mesma, mas vai passar a pagar impostos...
"Os actuais falsos recibos verdes, quando muito, continuariam falsos depois das alterações. Com uma diferença. É que serão mais caros"... Pedro Nuno Santos, deputado do Partido Socialista.


publicado por Pedro Sales às 16:37
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Terça-feira, 15 de Abril de 2008
Um bom conselho

No último debate parlamentar, José Sócrates aconselhou “mais leituras” a Francisco Louçã quando este criticou o impacto dos agrocombustíveis no aumento do preço dos alimentos. Segundo o primeiro-ministro, como a maioria combustíveis “verdes” nacionais estão a ser produzidos a partir de oleaginosas cultivadas em Moçambique não têm qualquer influência no aumento dos preços dos alimentos. Este argumento é um disparate, e nem é preciso ler muito para o perceber.

Os preços dos bens alimentares não são fixados em Portugal. Importamos mais de 70% do que comemos. Cereais, arroz e outros produtos são comprados nos mercados internacionais de referência, onde os preços não param de aumentar. Mesmo não sendo óleos alimentares, as áreas cultivadas em Moçambique para encher os tanque de gasolina dos carros de Lisboa ou Porto não nasceram do nada. Ou levaram ao abandono de áreas dedicadas à produção agrícola, conduzindo à escassez de bens alimentares que é uma das razões da escalada dos preços, ou foram conquistados às florestas tropicais, sem as quais teremos mais Co2 no planeta. Em todo o caso, os compromissos assinados por Portugal na UE serão sempre uma tragédia. O primeiro-ministro devia seguir o seu próprio conselho e ler um bocadinho mais. A começar pelas declarações da porta-voz do Progama Alimentar das Nações Unidas que, citada ontem pelo Público, lembra que "muitos agricultores estão a arrancar as suas culturas e a substituí-las, por exemplo, por milho por causa da especulação do mercado de biocombustíveis."



publicado por Pedro Sales às 19:46
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Domingo, 13 de Abril de 2008
democracia em baixa resolução
Bye Bye Berlusconi ou mais um prego no caixão para a democracia no velho continente? Beppe Grillo acompanha as eleições italianas.

publicado por Vasco Carvalho às 04:05
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Terça-feira, 11 de Março de 2008
A queda de um Anjo

Ainda há poucos meses um modelo para os conservadores de um e do outro lado do Atlântico, estrela pop da “nova direita”, Sarkozy parece ter batido no fundo de tal forma que os autarcas do seu próprio partido lhe pediram para se afastar da campanha para as eleições locais. A crueza dos números da derrota de domingo não deixa espaço para enganos sobre a erosão da sua popularidade. O que espanta não é a mutação e desgaste da imagem. É a rapidez com que tudo se passou, só possível porque a subida e queda de Sarko foi construída e gerida à frente de todos nas capas da imprensa e noticiários televisivos. Quando a imagem é a substância do projecto político, mediado exclusivamente pelo tratamento jornalístico, a volatilidade da imagem é uma das suas consequências naturais.

Os media cansam-se e cansam como nenhum outro meio, deixando patente o nervosismo de uma exploração frenética da imagem. Pensando que a exposição desenfreada da sua vida privada seria uma poderosa alavanca de uma aura de dinamismo e sucesso politico que pretendia reforçar, Sarkozy viu os franceses colarem-lhe uma imagem de imaturidade e instabilidade emocional pouco consentânea com a visão que têm do cargo. Claro que não ajuda que o mesmo presidente que pede sacrifícios e exige austeridade, nomeadamente através de um reforma da segurança social baseada na de José Sócrates, se passeie luxuosamente pelas ruínas de Petra. Sarkozy, iludido pela popularidade pop dos primeiros tempos, pensou que conseguia controlar a forma como as notícias seriam percepcionadas. Trágico engano. Aquilo que os media constroem, por eles é destruído. Depois de aberta a porta da intimidade privada, ninguém se fica por uma pequena história. Quer saber tudo. Sarkozy é apenas mais uma “vítima” da sua própria armadilha. Podia ter perguntado ao Carrilho.


publicado por Pedro Sales às 18:35
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008
Se o polícia viu a casa ser assaltada, fechou os olhos, e continuou a ganhar 20 mil euros por mês, d

“Quando uma casa é assaltada não vale a pena corremos atrás do polícia, acho que devemos é correr atrás do ladrão”. Teixeira dos Santos, tentando safar Vitor Constâncio da negligência (termo simpático) com que tratou o caso BCP em 2004, mas também tentando safar o ex-presidente da CMVM, o próprio Teixeira dos Santos, da negligência (termo simpático) com que tratou o caso BCP em 2004.

publicado por Pedro Sales às 02:50
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Sábado, 5 de Janeiro de 2008
Cobardia é sair de uma guerra em que não se acredita
Agora que se tornou claro que foi o governo francês, liderado pelo novo ídolo das nossas direitas, que obrigou ao cancelamento do Dakar por causa de um comunicado de uma organização da Al Qaeda, estranho não encontrar nenhuma crítica à cobardia do namorado de Carla Bruni nos blogues que não pararam de zurzir na falta de coragem e no capitulacionismo de Zapatero perante os terroristas quando este retirou as tropas espanholas do Iraque. A coragem dos nossos guerreiros de sofá tem os seus dias. E as suas causas.

publicado por Pedro Sales às 10:20
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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007
Remorsos? Sentimento de culpa? Estava na cara que não era advogada
Giuditta Russo era uma jovem e promissora advogada italiana. Em pouco mais de 10 anos, não perdeu um único dos mais de 250 processos que defendeu. Tudo lhe corria de feição, até ao dia em que percebeu que não conseguiria obter a indemnização que o seu cliente pretendia. Decidiu pagar-lhe os 70 mil euros do seu bolso. Foi o seu penúltimo processo. Não aguentou a pressão e a mentira em que tinha vivido e confessou que nunca tinha concluído a licenciatura de Direito. Na verdade, nunca tinha sequer entrado na faculdade. Durante anos tinha fingido que frequentava Direito e estudado na época de exames. Agora tem o julgamento mais importante da sua vida. Do outro lado da barra de tribunal. Sinal dos tempos. A sua autobiografia é um sucesso de vendas e vai ser transposta para o cinema.

publicado por Pedro Sales às 17:02
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007
Debate à Esquerda 2: Que Perguntas?
A diferença entre as esquerdas não está só nas respostas diferentes que apresentam. Com efeito, as divergências começam desde logo a nível das perguntas se fazem ou que se deixam de fazer. Por isso aliás o debate à esquerda é duplamente controverso e por isso parece ser tão “trabalhoso” para todos os que nele entram. É que enquanto uns perguntam como o salário pode ganhar terreno à mais-valia, outros perguntam como o tempo sem trabalho pode ganhar terreno ao tempo de trabalho; enquanto uns perguntam como organizar um sistema universal, outros perguntam como recomunizar o público; enquanto uns perguntam como pode o Estado ganhar terreno ao Mercado, outros perguntam como ganhar terreno ao Mercado e ao Estado.
Mas há mais. É que para além das diferentes repostas que damos e das diferentes perguntas que fazemos, temos também modos diferentes de relacionar pergunta e resposta... se virmos bem, no debate à esquerda uma das principais divergências diz respeito ao modo de se articular pergunta e resposta. Enquanto a uns só interessa fazer as perguntas para às quais têm resposta, a outros só interessa fazer perguntas para as quais ainda não têm resposta. Enquanto para uns fazer perguntas é fazer perguntas para que se tem resposta e resulta um simples delírio fazer-se perguntas para que não se tem resposta, para outros fazer perguntas para que se tem resposta é dar respostas e não fazer perguntas. Isto não significa que estes últimos – nos quais me incluo, como já terá dado para perceber – se dêem por satisfeitos com o facto de fazerem perguntas para as quais não têm respostas. Significa, isso sim, que apostam na ideia de fazer as perguntas cujas respostas querem encontrar mesmo que não tenham a garantia de o conseguir.
Tratar-se-á aqui de uma simples questão de querença? Na verdade trata-se de uma querença que é indissociável da convicção de que é possível encontrar tais respostas. Quais são as condições que definem esta possibilidade? A primeira condição é entendermos que qualquer idealismo declarado tem consistência material – é imagem e é pedra – e que essa consistência material se pronuncia a montante e a jusante da própria declaração idealista. A título de exemplo, diríamos que quando Marx e Engels declararam que o espectro do comunismo pairava sobre a Europa, havia então um contexto material a facilitar a germinação de um tal “delírio” (Engels escreveria mais tarde, abusando da sorte, que o grau de industrialização de um país se poderia medir pelo número de exemplares vendidos do Manifesto Comunista); e diríamos também que, depois de uma tal declaração, passaram a existir novos contextos materiais.
A segunda condição é a certeza de que “realismo político” não é algo indiferente ao lugar de onde o calculamos, se “a partir de cima” ou se “a partir de baixo”. A este propósito, é sempre sugestivo o episódio proposto pelo historiador José Mattoso. Algures entre finais do século XIX e inícios do século XX, um rei português passeia com o seu iate, encontra uns pescadores numa pequena embarcação que deambula ao longo da costa atlântica e, quando lhes pergunta se são portugueses, recebe como resposta qualquer coisa como isto: “não senhor, nós somos da Póvoa do Varzim”.
A terceira condição de construção de respostas políticas que inexistem e que são imprevistas no momento em que fazemos uma pergunta, e esta é a condição mais importante na medida em que supera os próprios termos em que definimos a primeira e a segunda condição, é o princípio de seguirmos um modo comunista – do comum – de produção política de perguntas e de respostas.
Mas isto fica para um próximo post, que por ora já se faz tarde.

publicado por José Neves às 03:03
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Domingo, 25 de Novembro de 2007
O Anarcómetro ou o Delegado Zero

Alguns comentários, nomeadamente os do Nuno Castro, perguntam-me em que é que "isto" se distingue do anarquismo. Não vou responder directamente. Não tenho nenhum Dicionário das Doutrinas à mão e temo que se fôssemos os dois consultar o dito, ainda assim, teríamos que primeiro nos entender sobre que anarquismo falamos. Entretanto, e para encurtar caminho, adianto desde já que não me faz confusão que "isto" se tome por anarquismo.

Convenhamos, ainda assim, que já aqui dei um exemplo concreto do que entendo ser um grão na engrenagem que consagra a figura de "liderança" na vida política: a primeira fase do BE, quando o partido se afirmou como uma força que falava a mais do que uma voz. Trata-se de um exemplo não muito significativo e seguramente com contradições – mas também não estamos à espera que se possa tomar partido sem elas – mas trata-se de um exemplo que se quis desviar da celebração da figura do dirigente político. A mesma renitência podia ser encontrada no partido ao lado: refiro-me à recusa da direcção do PCP, sobretudo nos anos 80, em resumir a sua vida política ao rosto do seu líder, recusa que terá sido recentemente abandonada a julgar por todo o marketing que o partido desenvolveu em torno de Jerónimo de Sousa.

Último exemplo. Este, porém, ainda actual. Se olharmos para o zapatismo, podemos ver que aí se afirma a recusa de uma heroicização da vida política. De forma algo dilemática, é certo, o delegado zero esconde o seu rosto; e isto, e ainda que todos saibamos a importância da aura romântica de Marcos na história do neo-zapatismo, tem pelo menos o condão de não elidir o problema da corrupção da democracia às mãos da representação.

publicado por José Neves às 21:45
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
2-2=25
A lotaria britânica estreou um novo bingo na última segunda-feira. O objectivo de "Cool cash" é que cada uma possa fazer uma linha com temperaturas inferiores às que aparecem em cada cartão. O problema é que há temperaturas positivas e negativas e, como se viu, uma parte significativa das pessoas não percebe que abaixo de zero quando mais alto for o número mais baixa é a temperatura. Três dias depois da estreia, e com a maioria das pessoas sem perceber se tinha ou não direito ao prémio, o jogo foi retirado das ruas.

Agora pensem que era em Portugal que tinha lugar um grotesco caso de inumeracia como o revelado pelos ingleses. Quantas notícias, editoriais e colunas de opinião não ocupariam a imprensa sobre o fracasso da escola pública e do ensino da matemática? Para além da definição de uma visão mítica sobre o conhecimento das gerações anteriores, a distopia sobre a escola pública também se contrói a partir da hipervalorização dos males que nos afligem e do esquecimento selectivo sobre as debilidades reveladas nos outros países. É uma pena, mas parece que desta vez o José Manuel Fernandes e a Filomena Mónica não podem recorrer ao seu tema preferido.

publicado por Pedro Sales às 19:08
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007
Quem chega primeiro?

O TopGear, um programa da BBC que insiste em provar que é possível fazer televisão inteligente sobre qualquer tema, juntou um Bugatti Veyron e um Eurofighter Typhoon para fazer uma pequena corrida. Vale a pena ver, e comparar a montagem, o ritmo e os apresentadores ingleses com os nacionais. O resultado foi...bem, eu apostei no carro.

publicado por Pedro Sales às 23:46
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
Gaveta 9
Infografia "24 horas" (carregue na imagem para a aumentar)

No intervalo das suas preocupações com os barulhos do telemóvel, talvez não ficasse mal ao senhor procurador-geral da República verificar o que se passa na casa que dirige. O "24 Horas", na sua edição de hoje, dá o mais fiel exemplo do que foi a "investigação" do caso Casa Pia. O responsável pela coisa, o procurador João Guerra, omitiu do processo 83 diagramas que provavam que não existia nenhum registo telefónico entre os vários arguidos e entre estes e as vítimas de pedofilia. A informação ocultada punha em causa "apenas" o principal argumento da acusação, a de que os arguidos faziam parte de uma rede que combinava telefonicamente os encontros sexuais.

Sem se referir ao caso concrecto, Germano Marques da Silva não podia ser mais claro sobre o que está em causa:"A acusação não pode esconder qualquer elemento produzido no decurso de um processo, seja ele contra ou a favor do arguido, sob pena de procedimento disciplinar e até criminal (por prevaricação). Todos os elementos, favoráveis ou não, devem constar dos autos".

As mais altas figuras do Estado, e os principais partidos da oposição ao PSD/PP, eram escutados telefonicamente. As conversas, descontextualizadas (quem não se lembra da história do embaixador da Rússia) vieram todas para a imprensa. As provas eram seleccionadas de acordo com princípios que não tinham nada a ver com os critérios de interesse judicial. O juíz só queria aparecer na televisão a fazer desportos radicais. Cada procurador e inspector que apareceu no Parlamento contou uma história diferente sobre o envelope 9. E o procurador ouve barulhos no telefone. Haja paciência.

publicado por Pedro Sales às 17:01
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007
O politicamente correcto tem as costas largas
Anda para aí uma grande indignação porque James Watson, um dos cientistas que descobriu a estrutura do ADN, viu ser cancelada uma conferência científica depois das suas polémicas afirmações sobre a base genética para a menor inteligência dos africanos. José Manuel Fernandes (sem link) e João Miranda encontram neste caso o exemplo do condicionamento da ciência pelo “politicamente correcto”, impedindo a continuação do debate. Já Desidério Murcho considera que estamos perante o germe do “pesadelo orwelliano”.

Numa curiosa escolha de palavras, Desidério Murcho pergunta se “um cientista não tem direito a ter crenças falsas”? Depende. Do método, do rigor e da honestidade. É que, contrariamente ao que defendem os três nomes citados, não é o condicionamento politicamente correcto da ciência que está em causa, mas a sua credibilidade. A questão não são tanto as “crenças” de Watson - onde em nada se distingue do mais idiota dos racistas -, mas o facto de elas serem proclamadas com o argumento de autoridade da investigação genética e do “único compromisso com a ciência pura”. A prova “científica” usada por Watson para desmentir a igualdade racial da inteligência é a suposta burrice dos empregados negros. Ora, como foi rapidamente negado pelos seus pares, não só há nenhum estudo que comprove as teses de Watson, como o próprio já veio pedir desculpa pelas suas palavras e dizer que “não há bases científicas” para as suas afirmações. Curiosa “ciência pura”, cujas conclusões se desfazem ao fim de uma semana de moderada polémica...

James Watson, continuando o seu historial de proclamações polémicas na véspera do lançamento dos seus livros, tentou vender a banha da cobra. Escolheu uma polémica garantida. Não existe nenhum "tabu", como insinua JMF, na conclusão científica de James Watson. O problema é que ela não é científica, mas vende a ciência para se legitimar e defender o mais profundo dos estigmas racistas.

É a esta luz que devem ser encaradas as conferências canceladas. É normal que a comunidade académica se queira preservar e não se queira ver envolvida numa polémica que nada tem a ver com a ciência. Ou será que José Manuel Fernandes convidaria Jayson Blair (o jornalista do New York Times que inventou dezenas de reportagens sem nunca sair da sua secretária) para conferenciar numa palestra sobre deontologia jornalística? E a patrulha do politicamente correcto, também convidaria Floyd Landis (o ciclista a quem foi retirada a camisola amarela, de vencedor da Volta a França de 2006, por estar dopado) como principal orador num encontro sobre a ética desportiva? É tudo uma questão de credibilidade. Do cientista e de quem não perde uma oportunidade para fazer campanha contra a suposta ameaça do "politicamente correcto".

publicado por Pedro Sales às 03:32
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Sábado, 13 de Outubro de 2007
No congresso de Menezes, o PSD continua à espera de Santana



publicado por Pedro Sales às 18:44
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007
Pode ser que a cegonha apareça com um molho de notas
A “Plataforma Não Obrigada” não apresentou as contas de campanha, uma ilegalidade que lhe dará direito a uma contra-ordenação da Comissão Nacional de Eleições entre os 5 mil e os 10 mil euros. Para quem não se recorda, a plataforma de Nogueira Pinto e Bagão Félix encheu as ruas do país com outdoors e as caixas de correio com propaganda, numa campanha milionária a apelar ao voto “não” no referendo ao aborto.

Já em Janeiro tinham recusado apresentar a origem das receitas e a discriminação das contas, dizendo que tudo seria divulgado “de forma transparente” e “no prazo legal”. Agora, depois de continuarem sem dar cavaco a ninguém sobre a origem do dinheiro e dos montantes envolvidos, dizem ao Público de hoje que não cumpriram a lei por “carolice” e que gastaram um “pouco mais” do que os 400 mil euros previstos. Um “pouco mais”, estilo 1 milhão de euros ou coisa assim, que os “carolas” tiveram uma agência de comunicação a coordenar a campanha, encomendaram dispendiosas e esquizofrénicas sondagens e alugaram o Coliseu dos Recreios. Dizem que continuam a angariar dinheiro e que, um dia, apresentarão as contas. Nunca engaram ninguém, diga-se, pois sempre disseram que faziam uma campanha "de valores". Anónimos, está visto.

PS: Sobre o mesmo assunto: Um estilo, por Daniel Oliveira, no Arrastão.

publicado por Pedro Sales às 13:14
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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007
Indignação selectiva
(construção da linha de alta tensão em Trajouce, Sintra)

Já passaram dois dias desde que o Supremo Tribunal Administrativo não aceitou o recurso da REN, obrigando esta empresa a desligar uma linha de muita alta tensão. A REN garante que "vai manter a funcionar a linha de muito alta tensão entre Fanhões e Trajouce, no concelho de Sintra, apesar da decisão do Supremo Tribunal Administrativo". O recurso para o Tribunal Constitucional é um expediente que, como dizem todos os especialistas ouvidos pela imprensa, não tem efeitos suspensivos sobre a decisão do tribunal. Não compete à REN julgar se o tribunal decidiu mal ou bem. Compete-lhe acatar a sua decisão e esperar que, no recurso, as suas posições prevaleçam. É assim com todos os cidadãos, não há nenhuma razão para que a REN se julgue acima das leis do Estado português.

Há dois dias que a REN desafia os tribunais e as leis da república portuguesa, perante a complacência geral e sem suscitar um milionésimo da indignação colectiva que varreu a imprensa e a blogosfera, em Agosto, com a o desrespeito pela lei e a falência da autoridade do Estado. Mas, se atendermos ao peso e responsabilidade dos intervenientes, esta decisão é bem mais gravosa que a destruição de um pequeno campo de milho por um grupo de adolescentes tardios. Trata-se uma empresa cotada em bolsa, com participação do Estado, e o recurso ao tribunal foi apresentado pela REN em conjunto com o ministério da economia.

Tudo nesta dualidade de critérios parece relevar de um puro preconceito de classe e para a origem política na indignação colectiva de Agosto. Enquanto o verde eufémia era um bando de adolescentes com um ar de freak, o José Penedos é um “senhor de bem” que veste fatos caros e gasta mais no corte de cabelo do que a maioria dos portugueses paga em electricidade. Para além disso, os cabos de muita alta tensão, por um qualquer efeito do acaso, só passam por bairros de pessoas com poucos recursos. Alguém imagina a REN a colocar estes cabos na Quinta da Marinha ou ao lado das Torres do Restelo? Pois é, também me parecia que não.

O que nos vale é que a esta hora, o Mário Crespo está a desvelar-se em contactos para garantir a presença do presidente da REN no seu programa. Tendo tomado o gosto com o Gualter Baptista, estamos certos que não enjeitará a oportunidade de confrontar, no mesmo tom jocoso e acintoso, José Penedos com o desrespeito pelo Estado de direito e a responsabilidade da sua empresa na falência da autoridade do Estado, perguntando-lhe se se julga acima da lei, das autoridades judiciais e do Estado português.

publicado por Pedro Sales às 14:20
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007
É o que dá ganhar no casino, dá a volta à cabeça das pessoas
O arrebanhamento de votos no PSD continua. Segundo o Diário de Notícias, quatro militantes terão pago as quotas a mais de 3000 militantes. Na Figueira, por exemplo, alguém pagou mais de 200 quotas de militantes, no mesmo terminal de multibanco, por volta das duas da madrugada - tudo num intervalo de poucos minutos.”

publicado por Pedro Sales às 18:35
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A autonomia regional, versão PSD: nos Açores não se paga, na Madeira pagamos nós
Apenas 36 dos 8217 militantes do PSD nos Açores têm as quotas em dia. Segundo a direcção do PSD, faz parte das tradições do partido não pagar as quotas nos Açores, em nome da autonomia regional.

publicado por Pedro Sales às 18:34
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Domingo, 16 de Setembro de 2007
Deve ser um sítio jeitoso
Regularmente, engenheiros da Apple vão inspeccionar e acompanhar a produção dos vários modelos de iPod produzidos na cidade-fábrica da Foxconn, na China. Na empresa da maçã, são conhecidos como tendo sido "enviados para Mordor". (via Daringfireball).

publicado por Pedro Sales às 22:59
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007
A novela da noite precisa sempre de culpados
A forma como está a ser construída, na praça pública, a nova imagem de Kate Mccann é perturbadora. Não faço a mínima ideia se a senhora é inocente ou culpada, mas incomoda-me detectar os mesmos esquemas para acicatar o julgamento popular que já conhecemos de outras paragens. Prova que não aprendemos nada com o que se passou com o processo Casa Pia e com a sua derivação envelope 9. Sistema judicial e alguma imprensa continuam a funcionar como se nada se tivesse passado.

Há poucos dias a PJ apreendeu o diário de Kate Mccann, considerando-o um elemento de prova essencial para estabelecer o seu perfil psicológico. Ontem, um jornal e uma revista publicaram abundantes detalhes sobre o mesmo caderno pessoal. Parece que a mãe escreveu que a filha se comportava como uma "histérica" e que a sua "hiperactividade" lhe consomia as forças. Na capa, bem destacado, mãe "insulta" a filha. Hoje, no mesmo jornal, ficamos a “saber” que a “PJ investiga cúmplice dos Mccann”. O julgamento já foi feito, são culpados e têm cúmplices.

De cada vez que a opinião pública começa a questionar o trabalho da PJ ou do MP já se sabe que, nos dias seguintes, aparece na imprensa alguma “notícia” que crie a comoção necessária para explicar a mudança de rumo na investigação policial. Em Lisboa, no Porto ou em Faro as fugas de informação são uma constante tão regular como a sua permanente impunidade. Não é preciso testes de ADN para saber de onde partiu esta fuga e que a mesma teve que partir de alguém ligado à equipa de investigação. As fugas de informação são a instrumentalização da justiça, pervertem a presunção de inocência, são um chamariz para o julgamento popular. Em vez de andar a distribuir computadores, Alberto Costa (que, ao que consta, ainda é o ministro da Justiça) devia era estar a fazer qualquer coisa para garantir que as “fugas de informação” não são toleradas.

Verdade se diga que há sempre algum jornal ou revista disponível para ser instrumentalizado e nos justificar esta perversão com o interesse público e jornalístico. Curiosamente, a mesma que, no processo Casa Pia, se viu envolvida na divulgação das escutas ilegais...

publicado por Pedro Sales às 10:54
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007
Uma campanha edificante
Na próxima terça-feira, Marques Mendes e Luís Filipe Menezes irão defrontar-se num debate organizado pela SIC Notícias. “Ao longo da semana vamos falar com os dois para definir o que será debatido, declarou o director do canal, Ricardo Costa, à revista Sábado. Assim de repente, e sem querer ser exaustivo, parece-me que o debate tem vários motivos de interesse sobre os quais importa esclarecer os portugueses.

O folhetim das quotas do partido; a deputada que se queixa das ameaças de morte feitas aos seus filhos por causa das directas; a amiga de uns militantes que pagou as quotas a mais de 400 pessoas; o alegado assédio sexual do porta-voz de Marques Mendes a uma empregada da Câmara Municipal de Tavira; o plágio no blogue “pessoal” de Menezes; a bancada parlamentar que, segundo o líder do partido, foi escolhida numa noite de nevoeiro; o avião do amigo de Menezes que tem negócios em Gaia e o Citroen alugado de Marques Mendes que, afinal, foi emprestado por outro empresário amigo. A campanha tem sido rica na definição ideológica e programática no maior partido da oposição. Tem tudo para ser um bom debate.

publicado por Pedro Sales às 14:46
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2007
Obcecado com a linha
Uma empregada do McDonald's, no Estado da Geórgia, EUA, passou a noite de sexta-feira na prisão e terá que responder em tribunal porque salgou demasiado um hambúrguer a um polícia. Apesar da jovem garantir que foi um acidente, o agente levou-a para a esquadra de onde só saiu no dia seguinte com uma fiança de 1000 dólares. Tudo isto porque, depois de comer o hambúrguer quase todo, o polícia diz que se sentiu tão mal que teve que vomitar. Não sei o que é mais idiota nesta história, se um polícia hipertenso que vai comer no McDonalds à espera de encontrar uma refeição desconhecendo o livro de reclamações, se a ligeira suspeita de que se o homem não tivesse uma farda ninguém passava uma noite na prisão. (via boinboing)

publicado por Pedro Sales às 12:44
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007
Será que dá assim tão pouco trabalho presidir a uma câmara?
Francisco Moita Flores, presidente da Câmara Municipal de Santarém, esteve hoje num debate organizado pela Sic sobre o "caso Maddie". Falava no estúdio de Lisboa. Nos últimos dias tem estado em tudo o que são noticiários televisivos, também a falar de Lisboa. No entretanto, desdobra-se em declarações para as rádios e para 2 ou 3 jornais por dia. É o especialista luso na novela Maddie. Espero que pague bem ao seu chefe de gabinete. Afinal, deve ser ele quem vai presidindo aos destinos da Câmara enquanto Moita Flores se entretém a falar de um caso judicial como se estivesse a falar do penaltie que ficou por marcar na jornada do último fim-de-semana.

A ler: A Canalha, por Daniel Oliveira, no Arrastão



publicado por Pedro Sales às 23:44
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