Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008
Perguntar não ofende

A esta hora já todos sabemos que a SIC, Expresso, Visão, Público e Renascença foram impedidos pelo Governo de José Eduardo dos Santos de entrar em Angola, onde pretendiam fazer a cobertura das eleições. Sendo certo que esta atitude é esclarecedora sobre a natureza da “democracia” angolana, o que eu gostava mesmo de saber é que órgãos de comunicação social portugueses é que foram bafejados com os tão desejados vistos.



publicado por Pedro Sales às 14:31
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2008
A Europa está em crise

Mas não tem nada a ver com o “não” irlandês. A Europa está em crise quando aprova directivas para aumentar o horário de trabalho até às 65 horas por semana ou para deter os imigrantes ilegais por um período máximo de 18 meses.



publicado por Pedro Sales às 19:16
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008
A birra

A Assembleia da República aprovou ontem dois votos de pesar pelas vítimas do ciclone na Birmânia. O primeiro, do PS, foi aprovado por unanimidade. O segundo, do Bloco de Esquerda, foi aprovado com os votos favoráveis de todas as bancadas e a abstenção do PS. Não há memoria de uma abstenção num voto de pesar pelas vítimas de uma catástrofe natural, ainda por cima quando o conteúdo dos votos é idêntico e essencialmente descritivo. Não existe nenhuma razão, que não a prepotência e a birra do líder parlamentar do PS, para o comportamento dos deputados socialistas. Como diz o primeiro-ministro, “há muito boas razões para censurar o Governo”. O sectarismo da bancada parlamentar que o suporta é uma delas.



publicado por Pedro Sales às 14:10
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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008
Próxima estação Guantanamo

O Grupo de Operações Especiais (GOE) da PSP vai receber formação dos BOPE, a força policial do Rio de Janeiro que se tornou mundialmente famosa pela brutalidade dos métodos evidenciados no filme “Tropa de Elite”. O recurso à tortura e a licença para disparar a matar - que utilizam com uma benevolente permissividade nas suas incurssões nas favelas -, já faz parte da imagem de marca desta força policial que usa uma caveira como símbolo e que se tornou uma cliente habitual dos relatórios da Amnistia Internacional.

É este o bonito cartão de visita da força policial que vai formar o principal corpo de elite da PSP. Não só não se percebem as razões técnicas que levam um corpo antiterrorista, como os GOE, a recorrer ao treino de uma força especializada no combate urbano ao narcotráfico, como é completamente inaceitável a legitimação e branqueamento que a PSP está a fazer dos métodos de um corpo policial que se comporta como um esquadrão da morte. Quem sabe ainda vemos o ministro Rui Pereira a autorizar os GOE a dar um salto a Guantanamo. Sempre podiam aprofundar a matéria dada.


publicado por Pedro Sales às 22:44
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Terça-feira, 15 de Abril de 2008
Última hora: Jardim garante apoio a Cavaco em 2011
fotografia:SMN


publicado por Pedro Sales às 10:38
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
talkin' bombs at sunset

O último encontro oficial da era Bush-Putin, em Soschi na Rússia. (via Casa Branca, aqui)

Os cavalos de guerra cansados (são as palavras de Bush), acordaram, cordialmente, em discordar sobre o posicionamento de sistemas de defesa anti-míssil e o avanço a leste da NATO (aqui para NPR, aqui para ChinaView). Depois foram dançar.

O que é preocupante nisto tudo é que não consigo deixar de pensar numa estátua gigante de Alberto João Jardim,a dominar o  horizonte da imagem, perfil recortado pelos raios de sol (DN via 31 da Armada).

E é uma pena já não poder falar disso lá no tasco.

publicado por Vasco Carvalho às 06:26
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008
Prioridades
Durão Barroso trocou o compromisso que tinha assumido com os cidadãos portugueses no dia que lhe ofereceram um lugar na União Europeia.

José Sócrates trocou o compromisso eleitoral que tinha assumido com os cidadãos portugueses, pelo compromisso que acertou com os restantes líderes europeus para não referendar o Tratado de Lisboa.

publicado por Pedro Sales às 03:35
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008
E agora, ainda vão continuar a incomodar com essa mania do referendo?
Perante as dificuldades de crescimento da nossa economia, perante a angústia daqueles que não têm emprego e a subsistência de bolsas de pobreza, devemos concentrar-nos no que é essencial para o nosso futuro comum, e não trazer para o debate aquilo que divide a sociedade portuguesa.

Esta frase resume o pensamento democrático de Cavaco Silva. Depois de nos ter garantido que “duas pessoas com a mesma informação e com a mesma boa-fé chegam necessariamente às mesmas conclusões”, Cavaco Silva volta a provar a sua evidente aversão à ideia de que a democracia se fortalece com o confronto de opiniões distintas. Bem pode apelar ao reforço do diálogo e à diminuição da crispação social. É tudo instrumental. E com regras bem certinhas. As da resignação democrática.

publicado por Pedro Sales às 18:21
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007
A soberania que conta
Uma grande parte da oposição ao Tratado Europeu é soberanista. Mas não é de soberania que temos abdicado. É da soberania da democracia. O conjunto das decisões políticas que não são sujeitas ao contraditório democrático e ao escrutínio e ratificação popular não pára de crescer. Da economia à agricultura, das pescas à política comercial. O parlamento europeu, que é a única instância para a qual votamos, é uma antecâmara de coisa nenhuma. Nada do que ali se decide é importante, nada do que é decisivo passa por ali. Mas não se pense que é um exclusivo da euroburocracia. O próprio Tratado, cuja ratificação referendária era um consenso nacional há pouco mais de um ano, prepara-se para entrar em vigor com o voto de pouco mais de 200 portugueses. Estarmos mais perto do centro de decisão não quer dizer, necessariamente, que façamos parte dele. Lá, como cá, o que está em causa é a democracia. Que seja decidido em Lisboa, Bruxelas ou Estocolmo é-me indiferente.

publicado por Pedro Sales às 09:43
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Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007
Barrasshole dixit

"EU is empire".
Felizmente o centro já não impõe um diktat, só um traktat.

publicado por Vasco Carvalho às 16:27
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007
Olha para mim a mandar uma granda tanga a todos vós (II)
Esteve quase para não acontecer. O homem conteve-se quase até ao fim. Mas, já passava da 1 da manhã, quando Sérgio Sousa Pinto se virou para Pacheco Pereira e Miguel Portas acusando-os de, sendo contra a ratificação do Tratado de Lisboa, serem a favor do isolamento de Portugal e da saída da União Europeia. "É disso que se trata", rematou. Aqui chegados, estamos no nível zero da seriedade intelectual, assistindo, com uma clareza cristalina à chantagem argumentativa usada vezes sem conta por Bruxelas e as suas elites sobre todos os que se atrevem a ter outras ideias sobre o processo de construção europeia. De "impasse institucional" em "impasse institucional", só há um caminho, dizem-nos. Não admite desvios e tolera mal as interrupções. É inelutável, inquestionável. Depois do chumbo do Tratado Constitucional, lá temos o mesmo conteúdo, redigido de forma esdrúxula, para evitar nova consulta popular.

Como explica lapidarmente Martins da Cruz, para justificar a sua oposição a um referendo do qual foi dos primeiros defensores, o que a França e Holanda nos vieram provar é que isto dos referendos sabe-se como é que começa mas nunca se imagina como é que pode acabar. É esse o problema. A intelegentsia europeia só tolera um resultado. O "Sim" ,e nada menos do que isso. Quem questiona, como, por azar, aconteceu no Prós e Contras de ontem, é porque quer ver Portugal fora da União. É como diz o Zé Neves aqui em baixo. "Por ora basta dizer que isto é tudo uma granda tanga".

publicado por Pedro Sales às 10:45
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Sábado, 8 de Dezembro de 2007
Do que é que julgavam que estava a falar?
Durante o fim-de-semana, a zona da antiga Expo 98 acolhe um dos espectáculos mais mediáticos e aguardados do mundo, esperando-se a presença de milhares de pessoas. Novos e velhos juntam-se, à vez, para representarem o papel que lhes está previamente destinado. Fala-se bastante dos seus direitos, mas não é de democracia que se está a tratar junto da Gare do Oriente. Como toda a gente percebe aquilo mais parece o circo, sendo certa a festa e fanfarra de todas as cores. As câmaras de televisão marcam presença. O Noddy e as crianças invadiram o Pavilhão Atlântico. Sejam bem vindos. Por estes dias são mesmo a única reserva de sanidade mental que se passeia junto à zona Oriental de Lisboa.

publicado por Pedro Sales às 15:26
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
Não é bem-vindo, mas ainda bem que vem
Robert Mugabe vem a Portugal e Gordon Brown não vai estar presente. Ainda bem. A birra inglesa era inaceitável. Goste-se ou não do regime de Mugabe, a cimeira Europa-Africa é um encontro que ocorre entre duas organizações internacionais. Se a União Europeia convidou a União Africana é porque reconhece a sua legitimidade, não lhe competindo decidir quem é que esta pode ou não fazer representar em seu nome. A pretensão britânica é uma óbvia, e ainda por cima selectiva, ingerência nos assuntos internos de um outro país e instituição internacional.

Por muito que não se goste do regime de Mugabe, e existirão boas razões para isso, não é assim tão distinto de tantos outros que estão no poder no continente africano e que vêm a Lisboa sem que isso levante qualquer tipo de celeuma. As razões de Gordon Brown não têm nada a ver com os direitos humanos. Se assim fosse, teria dito que não se reuniria com a miríade de ditadores que vão estar em Lisboa, o que não fez. Se assim fosse não se encontraria, como aconteceu há menos de um mês, com um representante da teocracia saudita que, ainda esta semana, mostrou o que valem os direitos humanos no reino com a condenação a 200 chibatadas de uma mulher, porque teve “relações impuras” com os sete homens que a violaram. O problema de Brown não são os direitos humanos. Mugabe é o pretexto para fugir aos crescentes problemas do seu governo, desviando as atenção para a causa popular e simpática entre muros da defesa dos grandes proprietários britânicos em risco com as expropriações levadas a cabo por Mugabe.

Luís Amado também está longe de ficar bem no retrato. Não se convida um líder de um país para estar presente numa reunião internacional para depois dizer que “era preferível que não estivesse”. Ainda por cima a fazer passar o recado pela imprensa. Não chega a ser troca tintas. É mesmo a proverbial falta de coluna vertebral da nossa “política externa”. Amado, e o governo português, talvez não tenha percebido a figura ridícula que está a fazer em toda esta história. Pelas “razões do costume”, como uma vez explicou o próprio ministro a propósito da visita a Portugal do Dalai Lama.

publicado por Pedro Sales às 10:14
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007
"Tudo pela nação, nada contra a nação"

"O que aqui estão a fazer é um embuste, a lançar suspeições não fundamentadas e caluniosas que prejudicam a imagem internacional do país", ministro das Finanças, Teixeira Santos, dirigindo-se à oposição sobre as Estradas de Portugal e perdendo a sua habitual compostura.


publicado por Pedro Sales às 13:21
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E este, senhor ministro, também calunia a imagem do país no estrangeiro?
Campos e Cunha, a primeira escolha de José Sócrates para a pasta das finanças, escreve hoje um artigo de opinião onde afirma que a argumentação do governo sobre as Estradas de Portugal "não pega" e que o seu financiamento "junto da banca em subsitução do Estado, implica, necessariamente, um custo significamente maior".

publicado por Pedro Sales às 13:20
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
Na Rússia, como na JSD, não há liberdade nem verdade
JSD cancela iniciativa `Sem Liberdade, não há Verdade. A JSD cancelou a iniciativa agendada para sexta-feira que previa a colocação de uma faixa em frente ao Convento de Mafra, onde decorrerá a Cimeira UE/Rússia, denunciando a violação da liberdade de imprensa na Rússia. "Para que se não diga que algo correu mal devido à iniciativa que nos propusemos, optámos por suspender a acção `Sem Liberdade, não há Verdade`", informou a JSD.
(via Blasfémias)

publicado por Pedro Sales às 20:26
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Euro Trash
Quem não aceitar o Tratado de Lisboa leva com Polónio 210.



publicado por Vasco Carvalho às 17:21
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007
Porreiro, pá (já não temos que aturar os polacos e metemos o referendo na gaveta)


publicado por Pedro Sales às 20:17
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Domingo, 7 de Outubro de 2007
Quando era legível os cidadãos chumbaram, como os cidadãos chumbaram fazemos um ilegível
Menos de um dia depois de ser divulgado o texto do Tratado Europeu, somam-se as vozes a criticar o recurso ao referendo. Como o Diário de Notícias diz que o Tratado tem um texto quase ilegível para leigos", Vital Moreira apressa-se a criticar "quem queira submetê-lo a referendo...". Na mesma edição do Diário de Notícias, o reaparecido Martins da Cruz explica melhor as condições pelas quais se deve reger o mecanismo referendário. "Em 2003, quando se iniciaram as negociações do tratado Constitucional, fui um dos primeiros políticos portugueses a defender o referendo. As circunstâncias alteraram-se com os resultados negativos nos referendos na França e na Holanda. O que nós temos agora é a necessidade de levar por diante a reforma da Europa. Entendo hoje que seria aconselhável não haver referendo”. Consulta popular, está visto, só quando for possível garantir à partida que o resultado bate certo com os desejos de Bruxelas e dos governos europeus.

publicado por Pedro Sales às 20:01
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2007
Rabos de palha
Fotografia: (metrografismos)

Há pouco mais de uma semana, Marcelo Rebelo de Sousa disse que os dois candidatos à liderança do PSD deviam falar dos seus “rabos de palha”. Não foi preciso esperar muito, eles por si. Se a campanha já tinha demonstrado um vazio ideológico e programático que ficou bem espelhado no triste e inócuo debate televisivo, as notícias dos últimos dias são elucidativas sobre o estado a que chegou o PSD.

Quando são os próprios dirigentes que falam em “arrebanhamento de votos”, as regras eleitorais são alteradas para permitir que os militantes açorianos (que se pensa irem escolher Marques Mendes) possam votar sem terem as quotas em dia, ou se assiste a uma corrida às caixas multibanco, a altas horas da noite, para pagar centenas de quotas, dá para perceber quão ilusória é a ideia de que um dia a boa moeda tomará conta deste partido. A deriva populista de Menezes ou a ausência de estratégia de Mendes são o PSD que existe. Vazio, e sem nada para oferecer que o distancie programaticamente de um partido socialista que invadiu a sua área política. É essa a razão da crise do PSD. Marques Mendes e Luís Filipe Menezes são os protagonistas secundários.

Há demasiados anos que o PSD oferece este espectáculo. Santana Lopes, no país, ou Carmona Rodrigues, em Lisboa, são memórias bem frescas para alguém acreditar que a boa moeda aparecerá num qualquer dia de nevoeiro. O PSD há muito que está tomado pela má moeda. É ela que paga as quotas às duas da manhã e é ela que decide quem será o novo líder. A lógica é exemplarmente descrita hoje, no Diário de Notícias, por esse vulto do santanismo, Rui Gomes da Silva, que vota Menezes porque este é o "único capaz de ganhar eleições". É a única coisa que move esta gente. Voltar ao poder, ganhando eleições. Não espanta, pois, que nenhum dos candidatos tenha apresentado um programa eleitoral e se tenha importunado em apresentar alguma proposta para o país. Isso são minudências que não tiram o sono a esta gente. A essa hora estão nas caixas multibanco a lutar pela sua perpetuação no aparelho do partido.

publicado por Pedro Sales às 17:21
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007
A contaminação
Os referendos sobre questões europeias, pela sua complexidade, acabam invariavelmente por ser contaminados e importunados por discussões sobre questões nacionais, declarou ontem Luís Filipe Menezes, para justificar a sua oposição a um referendo sobre o Tratado Europeu. É uma posição insustentável, que inacreditavelmente tem os seus seguidores, e guiada apenas pela necessidade de se demarcar, em tudo o que mexe, das propostas e compromissos de Marques Mendes.

Actualmente, calcula-se que entre 70 a 80 por cento da legislação nacional seja a transposição, directa ou indirecta, de directivas comunitárias. A política monetária é europeia. A política agrícola está subordinada, em larga medida, a quotas e objectivos traçados em Bruxelas. Não sei como é que Menezes entende que se pode discutir a Europa sem discutir Portugal, e discutir os problemas nacionais sem discutir a Europa. O resultado é uma discussão puramente semântica e vazia de conteúdo. Reconheça-se, em todo o caso, que nesse campo Luís Filipe Menezes é um mestre. Tem sido essa a equação que lhe tem permitido manter-se há décadas no palco da politica nacional.

publicado por Pedro Sales às 09:38
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
SHOUT! É hoje

Trezentos milhões de dólares foi quanto Mugabe doou à Igreja Católica no Zimbabué aqui há uns dias (notícia aqui). O que mais me choca não é a Igreja ter aceite o dinheiro; o que me choca mesmo é o facto desse dinheiro, 300 milhões zw$, não valer mais que $1000 usd em transação de rua. Parece anedótico mas não é: um rolo de papel higiénico leva menos papel do que aquele que é necessário para o comprar, em notas pequenas. Aqui fez-se uma conta simples: um maço de cigarros nas ruas de Harare foi visto à venda por Z$997 000. Até há um ano atrás, essa conta teria mais 3 zeros, ou seja 997 milhões. Aos preços de 1985, o autor dessas contas teria comprado a sua casa 39 mil vezes pelo preço de um maço de cigarros hoje. Colapso é dizer pouco sobre o que se passa hoje no Zimbabué, e a questão é saber quando vai acontecer, o que quer que aconteça.

Entretanto, podem sempre passar ali pelos lados do Braço da Prata, a caminho da expo. Soube do grito pela democracia e liberdade no Zimbabué pela Marta Lança. E é hoje às 21h30 na Ler Devagar*.

«Shout! Pela Democracia e Liberdade de Imprensa no Zimbabué».

Esta iniciativa decorre simultaneamente em variadas cidades do Mundo e consiste na leitura colectiva de poemas de autores zimbabueanos em espaços públicos, nas rádios locais ou nacionais, e é promovida pela Fundação Peter Weiss for Art and Politics no âmbito do Festival Internacional de Literatura de Berlim (de 4 a 16 de Setembro nesta cidade).

Lisboa junta-se ao apelo lançado pela Peter Weiss e propõe a leitura de poemas de autores zimbabueanos e ainda de outros autores (Mia Couto e João Cabral de Melo Neto são alguns) que enformem o alerta que se pretende deixar ao Mundo: a realidade no Zimbabué é desesperante, os media são controlados e a informação manipulada, o povo tem fome e as perseguições políticas assumem cenários dantescos.

Nomes como Luanda Cozetti (cantora), Chullage (rapper), Nástio Mosquito (performer), Tiago Gomes (editor), Belen (actriz argentina), Meirinho (actor) e Danae (cantora) confirmaram a sua participação no evento. Começa às 21h30.

*A livraria Ler Devagar/Eterno Retorno em Braço de Prata (antiga fábrica de armamento) fica junto à rotunda 25 Abril, a caminho do Parque das Nações. Na direcção Santa Apolónia-Expo encontra esta rotunda após os cilos da fábrica, faça meia rotunda para trás e entre na rua estreita à direita. Percorra o muro e entre no portão à direita. Estacionamento privativo e gratuito.
Manifesto pode ser lido aqui.
Sokwanele - Zvakwana (enough is enough) é um grupo de acção cívica interessante. E vale a pena acompanhar o blog, escrito do Zimbabué.

publicado por Filipe Calvão às 10:23
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2007
A grande muralha da Europa
Comissário Europeu quer banir da net palavras consideradas perigosas como bomba, morte, terrorismo ou genocídio. Aqui ficam alguns vídeos que, comprovadamente, promovem o terrorismo e que devem ser rapidamente eliminados.




publicado por Pedro Sales às 16:15
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Terça-feira, 24 de Julho de 2007
A terrível opressão da família real espanhola
Vai uma grande indignação no Corta-Fitas com o sequestro, por ordem judicial, da edição de uma revista satírica espanhola porque esta decidiu fazer humor com a família real do país vizinho. Não é que o João Távora e o Luís Naves estejam muito preocupados com a lamentável diminuição da liberdade de expressão. Não, o que os une nesta indignação comum é que andam para aí uns “opinadores [que] não pensam na liberdade do príncipe” e que parecem defender a "infame" caricatura.

Sucede que a liberdade de expressão não foi feita para defender os comentários anódinos e inconsequentes, nem para garantir que, aqueles que pensam o mesmo que nós ou que a maioria da inteligentzia, tenham o direito de o fazer. Acredito que não gostem da brincadeira, mas também não é suposto que tenham que gostar de tudo o que é publicado e editado. A liberdade de expressão é isso mesmo. Garantir que, por muito idiota ou obsceno que seja, todos têm a liberdade de o dizer, escrever ou caricaturizar.

O João Távora, quem sabe a ver outra vez o lobby gay e jacobino por detrás desta sórdida orquestração contra a monarquia, diz que já está conformado com as “mais impunes e gratuitas provocações à minha fé e outras causas desalinhadas”. Todos nós nos indignamos com a terrível opressão vivida no nosso país pelos crentes católicos e condoemos com a liberdade ameaçada do príncipe Filipe. Ainda se fosse para gozar com o Maomé, esse infiel, que teve uns adoradores seus a conspurcarem o território da sagrada família durante uns séculos, ainda vá que não vá. Agora, com a monarquia espanhola, todo o respeitinho é pouco. O pior, nestes casos, é julgarmos que só há fundamentalistas do outro lado do mediterrâneo.

publicado por Pedro Sales às 00:54
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2007
A claustrofobia democrática não é um exclusivo socialista
Confederações patronais querem possibilidade de despedimentos por razões ideológicas.


publicado por Pedro Sales às 11:37
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2007
Martins da Cruz e a defesa dos interesses da Nação
Toni, li com agrado as tuas declarações ao Diário de Notícias atacando esse traidor que é o Saramago.

Mas acho que foste muito comedido. Eu compreendo que, como todos os Portugueses honrados, és um homem humilde que não gosta de falar das suas contribuições para a raça Lusa. O que é inspirador em alguém como tu, um verdadeiro visionário do papel de Portugal no mundo, é a coragem de actuar na defesa dos interesses da Nação. E por isso estou a compilar uma pequena cartilha dos teus actos em prol da Pátria Lusa. Aqui vai um esboço, capítulo por capítulo, para a memória de Portugal e do mundo:

I) Portugal no Mundo, segundo Martins da Cruz. Nas suas aulas de Mestrado em Relações Internacionais na Lusíada, o venerando Professor deixou a sua visão estratégica por escrito: "Um país como Portugal tem de se preocupar em reagir e não em agir". E também as suas razões para levar o país para a batalha: "Quanto ao Iraque, Portugal posicionou-se como se posicionou porque Saddam Hussein nunca disse que não tinha armas de destruição maciça". A sua actuação como Ministro de Negócios Estrangeiros foi patriota e isenta: fechando consulados e intrometendo-se nas eleições francesas, apoiando Jacques Chirac.

II) Portugueses Honrados no Mundo, segundo Martins da Cruz. Como sempre nos ensinou, há que premiar os Portugueses que contribuem para a honra do País no mundo. Assim fez o venerando embaixador em 2001, quando condecorou o empresário Luso-espanhol Albertino Figueiredo com a Ordem de Mérito da República Portuguesa. Foi uma pena que o homem estivesse envolvido no maior esquema pirâmidal de sempre em Espanha e que tenha sido preso.

III) Defendendo os Interesses Económicos de Portugal no Mundo, segundo Martins da Cruz. O corajoso Martins da Cruz esteve sempre ao lado dos interesses económicos Portugueses. Disso são exemplo a sua entrada para a direcção da empresa Afinsa - do seu amigo Albertino Figueiredo, o tal que foi preso- em 2005, ou a representação do Grupo Carlyle na aquisição de parte da GALP - trabalhando para esse grande herói, Frank Carlucci, enviado da CIA em Portugal e suspeito do assassínio de Patrice Lumumba.

IV) Educação e Família, um Exemplo para o Mundo, segundo Martins da Cruz. Verdadeiro homem de família, o vice-chefe do clã Martins da Cunha persuadiu os seus colegas de governo para que a filha entrasse em Medicina em regime ilegal -perdão, especial. Também conseguiu que o seu chefe de Governo aprovasse uma benesse para o seu negócio de família, a Universidade Lusíada.

Sinto-me tão orgulhoso de ti, Toni! Se isto fosse Espanha tu provavelmente ficavas-te como porteiro de um qualquer aparthotel em Benidorm para Alemães com cirrose. Aqui, cumpres o sonho Português. Viva Portugal! Viva o Toni!

publicado por Vasco Carvalho às 17:34
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Segunda-feira, 9 de Julho de 2007
Por uma Europa sem cidadãos
A entrevista de António Guterres ao “Diga lá Excelência”, publicada na edição de hoje do Público, é um dos melhores exemplos de como grande parte da elite política vê a construção europeia. Existe um caminho, que já foi traçado e acordado em Bruxelas, e todos os obstáculos que se colocam a esse caminho podem paralisar a Europa.

O pior é quando esses obstáculos são os cidadãos e a sua teimosa vontade não coincide com a dos eurocratas. Aí, só resta uma solução. A “Europa tem de encontrar outras formas de expressão da opinião pública” que não passem por um referendo que se “transforma inevitavelmente, no plano político, numa espécie de roleta russa”. Desde que o pessoal não vá a votos, tudo bem. Deixem lá a opinião pública “encontrar outras formas de expressão”, como enviar uns sms e fazer umas chamadas de valor acrescentado. É mais moderno, entretém o pessoal e não paralisa a Europa.

A argumentação teórica é mais sofisticada, mas António Guterres não está assim tão longe do ministro Jaime Silva que, ao primeiro cidadão que encontra a protestar contra os acordos europeus, vira-lhe as costas e diz-lhe para este pedir para Portugal sair da União. Bonito, bonito era uma Europa só com eurocratas e sem a roleta russa da democracia...

publicado por Pedro Sales às 09:57
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Terça-feira, 3 de Julho de 2007
Prelúdio a um 4th of July

3 de Julho nos EUA. Um pouco por todo o lado, a azáfama que precede o ritual da Independência toma conta da terra abençoada. O dia que se segue é complexo e há que estar preparado: são os direitos inalienáveis e os saldos do 4 de Julho pela manhã, é a liberdade e o barbecue pela tarde, é a constituição e o jogo de baseball pela noite. Tudo com muito fogo de artifício, muita Star-Spangled Banner e muitas preces pelos homens que defendem a democracia imperial lá longe, nesse além-mar povoado de bestas, barbudos e bombistas.

Bush entretanto segue o seu próprio ritual de família e perdoa o obscuro Scooter Libby, tal como o seu pai havia perdoado o secretário de defesa no escândalo Irão-contras: afinal de contas é só perjúrio e a prisão parece-lhe 'excessiva'. Sim, afinal o que é essa mentirinha no meio de tantas? E já agora, evita-se a chatice de dar motivos para falar a alguém que sabe demais. Elementary, my dear Watson. Ou no vernáculo do Presidente: 'it's just the one finger victory salute'.

A História não o preocupa: sabe que lhe será bondosa tal como foi com o novo pai da pátria, Reagan. E no entretanto, há mais que fazer. Há que virar as costeletas na brasa e urrar USA.



publicado por Vasco Carvalho às 05:20
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