Segunda-feira, 21 de Julho de 2008
A história mal contada dos Ho$pitais $A

No meio das referências ao descalabro da economia e às considerações de Vítor Constâncio sobre a política energética, tem passado despercebida uma das conclusões mais importantes do recente relatório do Banco de Portugal. Quatro anos passado, a empresarialização do modelo de gestão hospitalar continua sem apresentar nenhuma vantagem financeira. Em 2003, os hospitais públicos representavam 2,01% do PIB, agora são 2,00%. De resto, e para quem ainda tinha dúvidas, a transformação dos hospitais públicos em SA ou EPE nunca teve nada a ver com os ganhos de eficiência e produtividade reclamados pelos seus defensores, mas com uma forma expedita de evitar a contabilização das suas contas nos resultados do défice público. A desorçamentação, e a opacidade das suas contas, que assim escapam quase totalmente ao escrutínio da Assembleia da República, constituem o verdadeiro fascínio de um modelo que, impondo uma lógica contabilista sobre a gestão por critérios clínicos, nem assim consegue apresentar resultados quantitativos. Pelo contrário, como refere o relatório do TC relativo a 2006, o "endividamento mais significativo ocorreu no grupo dos hospitais EPE".



publicado por Pedro Sales às 17:14
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Terça-feira, 15 de Julho de 2008
O Estado da Nação

O Banco de Portugal baixou a sua previsão do crescimento económico deste ano para 1,2 por cento, uma diminuição de oito décimas em relação à previsão anunciada em Janeiro e que era de dois por cento, revendo em alta em alta a inflação para três por cento, contra os 2,4 por cento de Janeiro.



publicado por Pedro Sales às 18:51
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008
Crise? Eu não tenho nada a ver com isso.

foto de Tiago Petinga

Os biocombustíveis forçaram os preços dos alimentos a aumentar 75 por cento desde 2002, segundo um relatório confidencial do Banco Mundial, que os responsabiliza pela crise alimentar. O jornal britânico “The Guardian” publica hoje excertos do relatório.

 

A propósito desta notícia, vale a pena lembrar as recentes declarações do primeiro-ministro: “O senhor deputado definiu uma nova linha: contra os biocombustíveis. Eles serão a desgraça e a origem da fome no mundo. Está enganado, senhor deputado. É uma grande precipitação ligar estas duas coisas. José Sócrates, em resposta a Francisco Louçã, 11 de Abril de 2008.

 

O Governo, disse o primeiro-ministro na RTP, venceu a crise interna, mas não tem nada a ver com a crise internacional causada pelo aumento do preço dos juros, petróleo e bens alimentares. Estranho. Da última vez que reparei Portugal ainda fazia parte da União Europeia, só por acaso uma das maiores promotoras mundiais da utilização dos biocombustíveis, e o Governo Sócrates até antecipou a absurda meta europeia em 10 anos. A culpa é toda dos especuladores, está visto.



publicado por Pedro Sales às 16:13
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Sábado, 28 de Junho de 2008
Com o dinheiro dos outros também eu faço excelentes negócios

O Gabriel Silva chama a atenção para o pungente apelo de João Pereira Coutinho para que o governo subsidie, com um cêntimo por litro, a criação de um ‘cluster’ do biodiesel em Portugal. O desconsolo de Pereira Coutinho é elucidativo. É que o Governo já apoia a produção de biodiesel e não é com um cêntimo por litro, mas com a isenção fiscal de 28 cêntimos por cada litro. Para a produção de gasolina “verde” o negocio é ainda mais ruinoso. São 40 cêntimos por cada litro que voam dos bolsos dos contribuintes. Pelos vistos, não chega. Se, com o petróleo nos 141 dólares, o negócio não é lucrativo, parece-me que mais valia pararmos de subsidiar um modelo falido e que, pelo meio, tem ajudado a fazer disparar o preço dos bens alimentares. Como cidadãos poupávamos no supermercado, e, como contribuintes, no Orçamento de Estado.


O mais curioso nesta história é que a Junta de Freguesia da Ericeira, que não pediu apoio financeiro a ninguém para pôr a sua frota de carros a andar com óleos alimentares reciclados (este sim, um modelo ambientalmente correcto), tem um processo de penhora no valor de 7000 euros, porque o Ministério das Finanças reclama o ISP que a Junta poupou com a sua capacidade de iniciativa. Moral da história. Para se fazer negócio em Portugal nada como pedir subsídios ao Estado. Não interessa que o modelo de negocio seja uma desgraça. Isso é um pormenor irrelevante.



publicado por Pedro Sales às 16:33
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Terça-feira, 17 de Junho de 2008
Trabalhar para (sobre)viver

Nunca houve tanta gente a ter um segundo trabalho: Muito se fala dos portugueses que não conseguem encontrar um emprego - o Instituto Nacional de Estatística (INE) estima que sejam 427 mil. Mas outros há que têm, não um, mas dois (ou mais) trabalhos. Na maioria dos casos, não é por gosto, mas por necessidade, recorrendo a uma segunda actividade, exercida em tempo parcial, para compor o orçamento ao final do mês. No primeiro trimestre deste ano eram 339,3 mil, mais 7,5% do que no período homólogo do ano anterior, situando-se a um nível historicamente elevado.



publicado por Pedro Sales às 16:48
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008
Que fiz eu para merecer isto?


Ontem, no Parlamento, José Sócrates voltou a insistir na tónica reiterada nas últimas semanas. O governo, pelo que fez, não merecia estar a sofrer os reflexos da crise financeira internacional, aumento dos combustíveis e dos bens alimentares. Durante três anos o Governo conduziu uma politica pró-cíclica, assente na forte diminuição do investimento público, acreditando que mais tarde ou mais cedo a economia entraria nos eixos. Agora, que a recessão está à porta e torna irrelevantes os investimentos guardados para o ano eleitoral, José Sócrates sente-se injustiçado porque descobriu que o mercado é amoral. “É a vida”, como diria outro primeiro-ministro socialista.



publicado por Pedro Sales às 17:34
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008
A queda

Enquanto a oposição foi alertando o primeiro-ministro para o irrealismo das previsões económicas para 2008, José Sócrates foi respondendo que o seu governo tinha dotado a economia dos mecanismos necessários para resistir aos efeitos da crise internacional. Hoje, anunciando a revisão em trambolhão do crescimento de 2,2% para 1,5%, Teixeira dos Santos responsabilizou, veja-se lá, a crise internacional. Este resultado é a falência da política económica do governo. Porque os tais mecanismos que garantiam a vitalidade da economia eram conversa e porque, como se pode ver, a queda do crescimento económico não teve paralelo numa Zona Euro que até superou as expectativas de crescimento. 



publicado por Pedro Sales às 17:45
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Domingo, 11 de Maio de 2008
lies, damned lies

Inflação...

 

                                                                       ... e desemprego

 

"The corruption has tainted the very measures that most shape public perception of the economy—the monthly Consumer Price Index (CPI), which serves as the chief bellwether of inflation; the quarterly Gross Domestic Product (GDP), which tracks the U.S. economy's overall growth; and the monthly unemployment figure, which for the general public is perhaps the most vivid indicator of economic health or infirmity" (aqui para Why the economy is worse than we think, Kevin Phillips, Harper's)



publicado por Vasco Carvalho às 01:17
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
Normalíssimo

Confirmando uma tendência dos últimos dias, as acções da Mota Engil voltaram a ser as mais valorizadas do PSI 20. Uma subida em flecha que, vá-se lá saber porquê, coincide precisamente com as notícias da contratação de Jorge Coelho. “Nome de Jorge Coelho como CEO bem recebido pelo mercado”, resume hoje o Jornal de Negócios, num artigo em que 3 dos 4 analistas contactados preferiram manter o anonimato. Está na cara que é uma contratação normal, como diz o Partido Socialista.

publicado por Pedro Sales às 23:32
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Terça-feira, 25 de Março de 2008
É só fazer as contas
Bush afirma que morte de quatro mil soldados no Iraque "não foi em vão" Principalmente se olharmos para os
Lucros das 5 principais companhias petrolíferas desde 2003.
(JavaScript Error)


publicado por Pedro Sales às 17:17
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Quarta-feira, 19 de Março de 2008
Os "especialistas"


Para quem acredita nessas coisas, quis o acaso do destino que os cinco anos da invasão e ocupação do Iraque coincidissem com o início de uma gigantesca recessão económica nos EUA. Para todos os outros, talvez valha a pena lembrar que os dois acontecimentos estão longe de estar desligados. Em primeiro lugar pelos custos astronómicos da ocupação do Iraque (o Congresso dos EUA já fala em 1 ou 2 milhões de milhões de dólares), com as consequências monetárias que daí resultaram. Mas também, e de  forma nada indirecta, com o decisivo impacto da guerra na escalada do preço do petróleo.

Para quem anda esquecido, um fenómeno curiosamente recorrente por estes dias, talvez valha a pena recordar que os opositores da intervenção militar foram os primeiros a alertar para a subida do preço do petróleo causada pela instabilidade geopolítica na região onde se encontram quase 2/3 das suas reservas. Quando Fernando Rosas escreveu um artigo avançando a possibilidade do crude chegar aos 80 dólares por barril foi um fartote. Durante semanas, os grandes “especialistas” económicos da blogosfera liberal juntaram-se em peso para ridicularizar o Fernando Rosas, o Bloco e os opositores da guerra.

Lembrei-me desse momento ao ler uma notícia - destacada hoje pelo João Miranda para elogiar pela enésima vez o carácter premonitório e omnisciente do mercado -, onde se pode ler que, “desde o final de 2003, o número de contratos futuros de petróleo subiu 364 por cento enquanto o consumo real subiu oito por cento”. O João Miranda não refere, como é normal, mas foi no final de 2003 que se tornou perfeitamente claro que não existia nenhuma solução fácil para o Iraque e que, nem com a colossal fortuna que os EUA estão a enterrar no deserto, se podia garantir a estabilidade da região. O resto é história... e o petróleo que já vai nos 110 dólares.


publicado por Pedro Sales às 23:37
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Terça-feira, 18 de Março de 2008
A mão invisível está com cãibras II

Jon Stewart sobre a crise financeira. As declarações de Bush sobre a sua presidência são imperdíveis.

publicado por Pedro Sales às 20:57
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Domingo, 16 de Março de 2008
Crónica de uma morte anunciada(3)

O economista enquanto cartoonista: Paul Krugman  e "a cartoon model of the crisis". O relato oficial da crise aqui, no seu blogue.

publicado por Vasco Carvalho às 18:00
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Crónica de uma morte anunciada(2)

a crise via the subprime primer


publicado por Vasco Carvalho às 08:30
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Sábado, 15 de Março de 2008
Crónica de uma morte anunciada (1)

Só para estragar o Sábado, e só para os mais distraídos: é oficial, estamos num "financial meltdown".

Martin Feldstein: "The situation is very bad, the situation is getting worse, and the risks are that it could get very bad"

Paul Krugman: "I used to think that the major issues facing the next president would be how to get out of Iraq and what to do about health care. At this point, however, I suspect that the biggest problem for the next administration will be figuring out which parts of the financial system to bail out, how to pay the cleanup bills and how to explain what it’s doing to an angry public."

Nouriel Roubini: "this is another case where profits are privatized and losses are socialized"

Martin Wolff: "a rising auction of scary scenarios"

publicado por Vasco Carvalho às 20:33
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Terça-feira, 11 de Março de 2008
faster, baby, faster

(mais detalhe, aqui)


publicado por Vasco Carvalho às 04:24
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
Lógica da batata

Realizou-se na semana passada o VI Congresso Nacional do Milho, ficando acordado no encontro a produção de mais 200 mil toneladas deste cereal para garantir a quota nacional de 10% de agrocombustíveis até 2010. Segundo o presidente da associação promotora do encontro, Luís Vasconcelos e Sousa, a crescente utilização do milho e sorgo na produção de agrocombustíveis “nunca irá pôr em causa a produção destes cereais para fins alimentares”. Tudo bem, não fosse o problema que se coloca não ser a escassez de cereais mas o seu preço. O pão aumentou 30% este ano, e é provável que ainda aumente mais 15%. O leite vai pelos 15%, enquanto a maioria dos bens alimentares se fica pelos 5 a 10%.

Portugal não é um caso isolado. A pressão inflacionista nos bens alimentares é mundial e tem o dedo nada escondido da corrida ao “petróleo verde” - cujos efeitos nefastos estão longe de se ficar pela carteira. Curiosamente, enquanto o ministro da Agricultura diz estar “preocupado” com aumento dos bens alimentares, o Governo garante generosos milhões de euros em benefícios fiscais para desviar terrenos agrícolas para produzir combustíveis que vão tornar a comida ainda mais cara. Pagamos duas vezes. Nos subsídios e no supermercado. O Governo parece encontrar alguma lógica nisto. Por mim, só encontro a da batata.

publicado por Pedro Sales às 18:15
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008
Um "mal estar difuso"

Há 10 anos que os funcionários da função pública perdem poder de compra. O ano passado, o salário médio líquido dos trabalhadores por conta de outrem passou de 719 para 720 euros. As pensões dos mais pobres dos pobres, 1,6 milhões de portugueses que recebem menos do que o salário nacional, tiveram um “aumento” abaixo da inflação. Conhecedor destes números, Teixeira dos Santos foi ontem ao Parlamento recusar uma correcção salarial a meio do ano se, como é quase certo, a inflação ficar acima da calculada pelo Governo nas negociações dos aumentos salariais e de pensões. O que devia ser uma questão de boa fé, num país em que os governo se "enganam" sistematicamente na taxa de inflação, foi tornado pelo ministro das Finanças no risco risco de uma “espiral inflacionista penalizadora da generalidade dos portugueses”.

As declarações de Teixeira dos Santos resumem o actual momento do Governo. O discurso pode ser cada vez mais optimista, mas continua-se sem perceber para que foram os sacrifícios, e tantos anos a apertar o cinto em nome da estabilidade financeira, se, três dias depois do primeiro-ministro ir à SIC garantir que “temos as contas públicas em ordem”, se continua a defender a perda do poder de compra dos trabalhadores. A questão já nem é saber se seremos apanhados por todos os países de Leste, é quando? Depois admiram-se de estudos, como o da Sedes, alertarem para a existência de “um mal estar difuso”, que “alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional”. A sorte de Sócrates é o PSD que tem. O azar da democracia é que o aumento da abstenção e a crise de confiança na palavra dos políticos vai ser um dos legados fundamentais do governo de José Sócrates.

publicado por Pedro Sales às 10:57
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008
Lusoponte, here we go again
A parceria público-privada constituída no âmbito do novo Hospital de Cascais foi aprovada sem serem considerados todos os encargos públicos do projecto nem as consequências na reorganização da capacidade hospitalar do Serviço Nacional de Saúde, segundo o Tribunal de Contas.

publicado por Pedro Sales às 19:17
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
Os amigos são para as ocasiões
O mesmo Governo que reintroduziu os benefícios fiscais para os PPR, reduziu o remuneração dos certificados de aforro pela segunda vez no espaço de 18 meses. Uma medida que prejudica 700 mil portugueses, essencialmente idosos e com pequenas poupanças, que compraram os certificados confiando na palavra do Governo e se vêm agora, de um dia para o outro, com um produto que perde 10% de rendimento a médio prazo. Será normal que uma parte significativa dos pequenos aforradores emigrem para os fundos da banca, que se vê agora com produtos similares e melhor remuneração do que as novas taxas dos certificados de aforro, mas onde vão deparar com um sem número de produtos financeiros com um risco muito mais elevado. Como estamos a falar de pessoas com um escasso conhecimento dos produtos financeiros existentes, e os funcionários das agências bancárias têm metas a apresentar, será muito provável que alguns dos reformados acabem por investir as suas poupanças num “fundo fantástico na Papua Nova Guiné”. Uma sondagem do Eurostat, hoje citada no Diário Económico, diz que “só 10% dos portugueses estão optimistas com a economia”. Bate certo. Devem ser os accionistas da banca.

publicado por Pedro Sales às 10:16
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008
Contente com quê?
No auge do autismo cavaquista, o então primeiro-ministro orgulhava-se de despachar os jornais em cinco minutos. Sócrates deve ir pelo mesmo caminho, pois só assim se pode compreender a sua afirmação de que "2008 será melhor que 2007, como 2007 já foi melhor do que 2006". 2007 foi um bom ano? Um dia antes das janeiras que cantaram para um animado primeiro-ministro, o Público indicava que a "situação financeira das famílias [está] tão má como no auge da crise ", um dia depois o Eurostat fez saber que Portugal foi um dos dois países europeus em que o desemprego subiu em 2007. 2008 será ainda melhor, garante José Sócrates, tentando esquecer-se de que o petróleo está nos 100 dólares, da crise financeira à escala mundial e que a economia americana se encontra em retração. A vida não melhora se nos esquecermos das dificuldades, o ano não corre melhor por não nos lembrarmos dos problemas.

Apanhando a onda, o ministro das finanças diz que a economia está "robusta" e que o Governo "não vai pedir mais sacríficios aos portugueses". Pois. Ainda hoje, o Correio da Manhã dá conta de que o Governo dividiu o retroactivo de Dezembro das pensões pelos ano de 2008. Ou seja, numa pensão média de 400 euros, que tem um aumento de 9,6 euros mensais, o pensionista não está a receber este valor este mês, mas sim 68 cêntimos repartidos pelos 14 meses. 68 cêntimos. Sempre dá para beber mais um café por mês. Razão tem o ministro das finanças. Acabaram-se os sacrifícios. Agora é só a normalidade da governação. O que, no seu caso, não é grande razão para alívio.

publicado por Pedro Sales às 10:08
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Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007
Estupidez gananciosa
Não contente em processar todos os adolescentes que apanha na rede a trocar música, as grandes editoras musicais resolveram ensandecer de vez e declarar, num processo contra um cidadão norte-americano, que é ilegal transferir musicas de um CD – comprado legalmente – para o computador. Só mesmo a indústria mais estúpida do mundo para tentar regular a utilização individual de um produto comprado legalmente. O processo não tem muitas pernas para andar, mas não deixa de ser mais um sinal na evidente fobia persecutória de um indústria que teima em acreditar que a solução para um modelo de negócio esgotado se encontra na barra do tribunal. O problema é outro e bem simples. Ninguém quer ouvir a música que editam. É toda igual. Dezenas de girls e boys bands que duram um semestre e já ninguém quer saber. As bandas independentes, ou as que, como os Radiohead, escolhem modelos diversos de distribuição, estão bastante bem e não se queixam. E gastando bem menos em advogados.

publicado por Pedro Sales às 15:17
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007
Para Uma História Sanitária da Academia Portuguesa
Este post do Miguel Vale de Almeida lembrou-me um anúncio do departamento de gestão do ISCTE. Era um anúncio que se dirigia a todo aquele ou aquela que se aprestava para escolher a sua futura licenciatura. O mais importante no anúncio era uma legenda que comentava uma fotografia parecida com esta aqui em cima e que dizia: "Esta será a última cadeira da tua licenciatura em Gestão".
Perante isto, e já lá vão alguns anos, uns quantos entre nós refilámos contra a banha-da-cobra que presidia à propaganda em causa. Altas instâncias do ISCTE, no entanto, responderam que não se tratava de uma "falsa promessa", como nós acusávamos, mas que sim se tratava de um "estímulo". Acabei por aceitar o argumento e, na verdade, até acabei por fitacolar o anúncio-panfleto sobre a tampa da sanita cá de casa; se era um "estímulo" para tantos, então também poderia sê-lo para os visitantes cá de casa, ajudando-os a sentirem a nossa sanita como se fosse sua, o que é sempre complicado. Infelizmente a coisa resultou tão bem que houve algum malandro ou alguma malandra que se sentiu suficientemente à vontade para levar o panfleto-anúncio consigo. Se o virem por aí, é favor trazerem novamente. É que a malta por aqui gosta de fazer merda à grande e à francesa, como só os grandes líderes de gestão sabem fazer.

publicado por José Neves às 21:13
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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007
A guerra do Iraque explicada em 3 segundos
via Andrew Sullinvan

publicado por Pedro Sales às 19:23
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Domingo, 16 de Dezembro de 2007
Speechless

Pequeno filme de Woddy Allen, apoiando a greve dos argumentistas.

publicado por Pedro Sales às 23:17
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Porreiro pá, redux
Por estes dias, do Parque das Nações a Bali, parece ser suficiente juntar chefes de Estado, ministros e respectivas comitivas para que todos os encontros sejam um “sucesso muito significativo”. Foi assim que um deslumbrado ministro do ambiente resumiu uma cimeira sobre as alterações climáticas que trocou imposições concretas de redução de emissões de CO2 por uma nota de rodapé. Não foram os EUA que se juntaram ao consenso. Foi o consenso que cedeu aos EUA, numa cimeira que atirou os principais problemas para baixo do tapete e adiou as principais discussões por mais dois anos.

publicado por Pedro Sales às 17:17
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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007
O Governo adverte que fumar ajuda a consolidar as contas públicas


O preço do tabaco vai aumentar 30 cêntimos a partir do próximo ano. É o terceiro agravamento consecutivo da carga fiscal sobre o tabaco e resulta de uma das medidas extraordinárias do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para a consolidação das contas do Estado.

publicado por Pedro Sales às 23:52
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
mão suja, pena sabuja
Uma Europa com um líder que não foi eleito e uma constituição imposta sem votos usou a sua agenda democratizadora como cortina de fumo. Os soundbytes de Kadhafi e Mugabe -sempre à procura de um palco - fizeram o resto e proporcionaram a jornalistas, bloggers e activistas uma cobertura fácil da cimeira.

Neo-colonialismo versus dívidas do colonialismo, democratas versus ditadores, esqueletos no armário versus realpolitik. Histórias de fácil digestão que asseguraram, de uma maneira ou outra, a mensagem oficial de Lisboa: os direitos humanos no centro da nova parceria, abria o Público de ontem (p.2, sem link), assegurando que "Sócrates vence aposta da Presidência Portuguesa". Happy ending portanto apesar de todas as nuvens negras no horizonte do grande timoneiro. Ou não?

Tal como boa parte da imprensa mundial (basta googlar) e Ricardo Paes Mamede (aqui) e Pedro Sales (mesmo aqui) notam, em jogo nesta cimeira estavam os Acordos de Parceria Económica - leia-se, a liberalização de comércio e investimento entre os dois continentes - que vem substituir os acordos de Lomé e Cotonou. A sacrossanta governância foi apenas uma cortina de fumo que serviu para esconder o objectivo económico falhado.

E falhou devido à postura arrogante da Comissão Europeia. Falhou quando Peter Mandelson - outro grande democrata não eleito - ameaçou os países africanos com a subida unilateral de tarifas por parte da UE, falhou quando Barrasshole repetiu a mesma ameaça este fim de semana e já tinha falhado quando outro grande-democrata-comissário-não-eleito, Louis Michel teve de avisar:

"In the words of the EU's development commissioner, Louis Michel, Europeans must now clearly understand that Africa is no longer Europe's private hunting ground. " (aqui para BBC).

Da perspectiva de Bruxelas, a cimeira esteve sob o espectro da ameaça Chinesa na sua zona de caça, mas nenhum jornalista pareceu ter presente que seria importante entrevistar o observador Chinês na conferência. Ficaram-se pelo aplauso aos direitos humanos estarem no centro: não se sabe bem no centro do quê, mas no centro de qualquer das maneiras. E nem aí notaram a contradição de a Líbia ter assinado um acordo com a Secil - com o aceno mafioso de Kadhafi e do Governo Português- quando a tinta ainda não tinha secado nos dignos acordos de Lisboa.

Nada mudou no velho continente: a superioridade moral, a mão suja e a pena sabuja.



publicado por Vasco Carvalho às 22:39
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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007
Nove razões para uma greve

* Para 2008, a Comissão Europeia já anunciou que a inflação deverá ser de 2,4%.

publicado por Pedro Sales às 15:27
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Domingo, 25 de Novembro de 2007
Economia espiritual? É no Bombarral

Meditação pela paz Mundial, no Bombarral, "liderada pelo reputado economista e activista espiritual, Alfredo Sfeir-Younis", Oeste-TV. Ver também a entrevista da Oeste-TV ao economista espiritual, aqui.

Um evento new age no Bombarral? Estranho, mas possível. O maior "parque oriental" da Europa? OK, um bocado forçado, mas porque não? Um movimento mundial pela paz, com meditações semelhantes em Washington, D.C. liderado pelo mesmo Dr. Alfred Younis e pelo seu "Zam
buling Institute For Human Transformation", com escritório em Lisboa e base no Bombarral? Já é exagero, não?

Não, nem por isso. A coisa fica mais estranha a cada busca no Google. Ora atentem:


Alfred Sfeir-Younis (ou aqui), reputado economista chileno, filho de distintas famílias libanesas, quadro de topo no Banco Mundial de James Wolfensohn, de nome espiritual Cho Tab Khen Zambuling e alto padre Maia, encontrou o seu retiro no Bombarral.

Há uns anos, Don Alfredo, "o Embelezador", estava nas ruas de Seattle, a vigiar os movimentos de protesto e a tomar nota das reivindicações feitas pelos manifestantes para informar os seus colegas de direcção do Banco Mundial (aqui). Hoje está em Portugal, a avançar a causa da economia espiritual.

Meditemos no assunto porque isto não é normal. Nem no Bombarral.



publicado por Vasco Carvalho às 04:51
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