Sábado, 17 de Novembro de 2007
Apeadeiro do Oriente
fotografia de nfcastro
Não subscrevo grande parte das considerações estéticas que o Duarte Calvão faz sobre a Gare do Oriente, mas este seu post toca de forma certeira num ponto essencial. A arquitectura não tem só uma componente estética. Apesar de ser uma arte, tem obrigações de funcionalidade a que não se deve dispensar. Tem que ter uma escala humana. E, nesse capítulo, a Gare do Oriente é um desastre. Sem nenhuma protecção contra o vento, confusa e sem um espaço abrigado onde as pessoas possam esperar pelo comboio não é a estação central de que Lisboa precisa. É um apeadeiro que custou 175 milhões de euros, o que deve ser um recorde mundial. Agora querem que o TGV passe por lá. Para um serviço caro, e que custará milhares de milhões de euros, não se compreende como é que vão acomodar os passageiros numa estação com o nível de comodidade do apeadeiro do Cacém. Uma coisa é certa, quem se lembrou desta mirabolante solução nunca teve que apanhar um comboio na Gare do Oriente no inverno. Devia ser esse o seu castigo. No próximo mês, todos os dias, às oito da manhã. Parece-me que mudava logo de ideias.

publicado por Pedro Sales às 19:22
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2007
A melhor proposta do PSD para reduzir o défice
«Se Portugal não atender às reivindicações madeirenses, em sede de revisão da Constituição (...) a minha atitude é declararmos unilateralmente a independência na Assembleia Legislativa da Madeira»

Se esta barafunda continua, o melhor é Portugal libertar-se da província rebelde que é a Madeira que parece que só lhe cria problemas. Seria bom para todos se ficássemos unidos mas se não puder ser… fiquem lá com o dinheiro todo mas dêem-nos o poder legislativo.

Gabriel Drumond, deputado ("com estatuto dentro do meu partido") do PSD/MADEIRA

publicado por Pedro Sales às 02:18
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
Para haver condicionamento da ciência tem que haver ciência
O João Miranda, retomando uma posição do André Azevedo Alves, responde ao meu post sobre o "caso" Watson, dizendo que o cancelamento de palestras "é mais um sinal da politização da academia e do desrespeito pelas regras tradicionais de debate". Nos comentários do post diz mesmo que é a "integridade do processo cientifico" que está em causa.

Exacto. Só que essa integridade foi posta em causa pelo próprio Watson ao defender, com o argumento de autoridade da ciência, conclusões que não correspondiam a nenhum esforço ou estudo científico. Aliás, na própria entrevista, o autor diz acreditar que, daqui a 10 anos, será possível provar aquilo que os empregadores de trabalhadores pretos já hoje sabem: que os africanos são menos inteligentes. Onde é que cabe, aqui, a "integridade do processo científico"? É conversa de café, na melhor das hipóteses.

Por mim pode, e deve, estudar-se tudo livremente. E também acho que a ciência não deve ser politizada. Mas não é isso que está em causa nesta questão. Watson acha que existem condicionantes genéticas que explicam que os pretos, árabes ou os judeus são menos inteligentes? Força, estude isso e apresente os resultados desse estudo. Mas não foi isso que fez. Preferiu dar voz aos preconceitos mais generalizados, emprestando-lhes a força da autoridade científica de quem sabe do assunto porque até foi ele que descobriu a estrutura do ADN. É uma impostura, como hoje lhe chama Vitor Malheiros no "Público". É normal que, nessas condições, os organizadores das palestras não se queiram ver associados a Watson. Só isso. O resto é a campanha do costume dos defensores do "politicamente incorrecto". Vale a pena ler o último parágrafo do artigo já citado de Vitor Malheiros (antigo editor da extinta secção de ciência do Público).

Se Watson guardasse alguma lucidez, teria explicado na sua entrevista que sobre a inteligência comparada ele não sabia mais do que um distribuidor de pizzas. Mas, abusivamente, permitiu que ela fosse lida como a resposta de um prémio Nobel de Medicina e Fisiologia a uma questão relativa aos atributos fisiológicos dos seres humanos e investida de dessas autoridade. Tratou-se de uma impostura.

publicado por Pedro Sales às 18:10
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
Não havia necessidade
Poucas propostas são mais significativas sobre o continuado disparate que vai ser a liderança de Luís Filipe Menezes do que as suas propostas para a elaboração de uma nova constituição e a extinção do Tribunal Constitucional. Posto isto, não se compreende que o Tribunal Constitucional tenha decidido responder à intervenção de Menezes. Por muita razão que o presidente do TC tenha nos reparos que faz ao líder do PSD, deveria perceber que, dado o cargo que ocupa, era a última pessoa que podia responder às propostas de um partido político. Ao entrar desta forma no debate partidário, a única coisa que conseguiu foi dar uma “borla” a Menezes e permitir que o mesmo continue a proclamar o carácter politico e partidário do actual Tribunal Constitucional. Desta vez com alguma razão.

publicado por Pedro Sales às 17:18
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2007
Onde é que esta gente tem a cabeça?
O Zig Zag é o programa infantil da RTP2. Como, para além de ter algumas boas séries de animação e desenhos animados, o canal público supostamente não tem publicidade, é o único programa televisivo que o meu filho vê de quando em quando. Há poucos minutos, imediatamente antes de começar a programação do fim de tarde, a RTP entendeu que não tinha melhor anúncio promocional para emitir que o do ultimo episódio da sexta série do 24. Não sei quem é que escolhe o horários das autopromoções, mas será que é assim tão difícil perceber que o Jack Bauer a disparar sobre tudo o que mexe será sempre uma das últimas imagens a passar antes de um programa destinado a crianças que, na sua maioria, ainda nem estão escola? Do que serve não ter anúncios, se, depois, falta o mínimo bom senso? Bem, onde é que está o mail do provedor da RTP?

publicado por Pedro Sales às 19:50
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007
Neopositivismo
Ontem, a Igreja Católica desdobrou-se em declarações, pormenorizadas, sobre o rigor metodológico e científico colocado na análise e validação de um milagre.

Hoje, meia blogosfera acordou chocada porque o prémio Nobel da Paz foi atribuído a Al Gore, questionando o rigor científico do seu documentário.

publicado por Pedro Sales às 17:46
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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007
O planeta é redondo, ou como é dura a vida de uma apresentadora televisiva que só quer alimentar o s


publicado por Pedro Sales às 00:29
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007
Descubra as diferenças
"We´re not occupying Iraq, we were invited!", diz a porta-voz da Casa Branca numa patética operação da administração Bush para reescrever a história. Vídeo encontrado no Bitoque do costume.



publicado por Pedro Sales às 13:19
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Sábado, 1 de Setembro de 2007
"everywhere like such as and..."
Vídeo original. "A future with maps. And such. South Africa".


publicado por Pedro Sales às 04:46
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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007
Nonsense legislativo
O Decreto-lei 160/2005, de 21 de Setembro, regula o cultivo de variedades geneticamente modificadas, visando assegurar a sua coexistência com culturas convencionais e com o modo de produção biológico. O artigo 12, do mesmo decreto, regulamenta o “estabelecimento de zonas livres de cultivo de variedades geneticamente modificadas”, remetendo a sua regulamentação para legislação própria.

Um ano depois, através da Portaria 904/06, de 4 de Setembro, o Governo ”Estabelece as condições e o procedimento para o estabelecimento de zonas livres de cultivo de variedades geneticamente modificadas”, conferindo “aos municípios a iniciativa de requererem o estabelecimento de zonas livres, mediante a observação de determinadas condições e no respeito pela vontade dos agricultores de uma dada zona”. Tem sentido. Descentraliza a decisão, entregando a competência aos municípios, se for essa a vontade expressa de, pelo menos, dois terços dos agricultores. Mas, e há quase sempre um “mas” nestes obscuros documentos, a mesma portaria especifica que, “caso algum agricultor da área proposta para zona livre declare por escrito a vontade de não participar na mesma, a assembleia municipal fica impedida de prosseguir com o pedido de estabelecimento”.

De acordo com a lógica das melhores cenas dos Monty Python , o Governo decreta a existência de zonas livres de transgénicos, conferindo às Assembleias Municipais o poder para as criar, mas, no mesmo documento, decreta que basta a vontade de um agricultor para todo esse esforço legislativo ser inócuo e improcedente. Das duas uma. Ou não existem zonas livres de transgénicos, ou, havendo, e sendo a sua competência dos municípios, não tem sentido nenhum contornar, através de um esquema, o seu cumprimento. Mais a mais, quando são os próprios organismos estatais, como o ICN, que impedem a criação de zonas livres, num claro sinal de que nem o Governo leva a sério a legislação que faz publicar em Diário da República.

Este caso tornou-se mediático, mas não é exemplar único. São dezenas de portarias, decretos e projectos e propostas de lei que são sabotadas na sua regulamentação, autênticos buracos negros que desafiam qualquer lógica. Para elaborar estas obras-primas da burocracia, o governo envolve vários assessores, chefes de gabinete, solicita pareceres jurídicos e envolve os ministros e secretários de Estado, que os assinam. Da próxima vez que o Governo falar da falta de produtividade do país, talvez fosse bom alguém perguntar a José Sócrates quanto é que o erário público gasta em embustes legislativos como este que não servem rigorosamente para mais nada que do que para o Governo mostrar que trabalha.

publicado por Pedro Sales às 15:21
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007
Contas de Merceeiro
Possíveis agendas PSD para esta semana:

a) "Ilegalidades objectivas": violação da lei de financiamento dos partidos pelo PSD, no valor de 230 mil euros, indirectamente viciando o acto eleitoral autárquico de 2001. (ver também o post do Sales)

b) "Queixa crime", por parte de Fátima Oliveira contra o PSD no valor de 3996 euros e acusação de "manipular e censurar um acto eleitoral no partido"

c) "Destruição de menos de 1 hectare de milho", por parte de grupos de cidadãos que foram identificados pela GNR no local (e que portanto não deixarão de ser considerados culpados perante a lei, em tribunal); valor de 3900 euros. (ver post do Filipe)

Usar o megafone para c) e assobiar para o lado em a) e b) é só mais uma razão a juntar às muitas que fazem com que o PSD seja um partido em crise, pouco credível e pouco relevante para a discussão política em Portugal. E é pena, um partido Social Democrata a funcionar decentemente fazia falta em Portugal por estes dias. Se fica a este nível, mal por mal prefiro a rapaziada d´O Insurgente, que sempre tem mais entertainment value (as in Jerry Springer value).



publicado por Vasco Carvalho às 15:17
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Domingo, 19 de Agosto de 2007
Será possível descer mais baixo, ou já bateram no fundo?
Helena Lopes da Costa viu, em poucos dias, dois dos seus três filhos serem ameaçados de morte enquanto passa férias no Algarve. O filho mais novo da deputada do PSD, António Maria, terá mesmo sido perseguido num aldeamento na Balaia, enquanto a mãe estava a jantar em Quarteira na Festa do Pontal, na passada terça-feira à noite.

"Custa-me a acreditar em motivações políticas, até porque sou militante há muitos anos e nunca vivi uma situação destas, mas há, de facto, coincidências muito estranhas", disse a deputada, apoiante de Luís Filipe Menezes na luta pela liderança do PSD.

Uma dessas coincidências, de acordo com a deputada, refere-se ao facto de ambos os filhos ameaçados serem militantes do PSD e de os seus números de telemóvel constarem da base de dados do partido.
Em declarações à RTP, a deputada adiantou que a sua filha foi a única que não recebeu ameaças de morte no telefone e, ao contrário dos seus irmãos, o seu número de telefone não consta na base de dados do partido.

Segundo a edição de ontem do Correio da Manhã, Fátima Oliveira, de 43 anos, pagou, “por amizade”, as quotas de 245 militantes do PSD, num valor total de 3996 euros. Tempos depois descobriu que os pagamentos, embora feitos individualmente, foram considerados ‘pagamento em massa’ pelo Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) do partido, por serem provenientes da mesma conta bancária. Logo, foram recusados. Desde então esta directora financeira está em guerra aberta com a Secretaria-Geral do partido para reaver o seu dinheiro. E já apresentou uma queixa-crime.

“Não sou militante do PSD nem de nada, o que me motivou foram relações de amizade que mantenho há alguns anos com militantes da secção A de Benfica”, garante.


Para quem não se lembra, fez ontem uma semana que Luís Filipe Menezes se mostrou indignado com o nível da campanha do PSD, avisando Marques Mendes que não são apenas candidatos a líder do PSD, "mas estão também a ombrear com José Sócrates para vencê-lo como primeiro-ministro". Pois. É já a seguir... é que é já a seguir.

Ainda faltam cinco semanas para as eleições directas no PSD.

publicado por Pedro Sales às 22:31
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Sexta-feira, 27 de Julho de 2007
"Ainda no outro dia encontrei o Bin Laden a vender uns discos na Feira do Relógio"
"A pirataria está a financiar o terrorismo", Eduardo Simões, Director Geral da Associação Fonográfica Portuguesa, nas Alegações Finais do Diário de Notícias, justificando o encerramento, pela PJ e ASAE, de vários sites de partilha de ficheiros na internet.

publicado por Pedro Sales às 22:23
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Terça-feira, 17 de Julho de 2007
O potencial destrutivo do LSD nos neurotransmissores também não deve ser subestimado
André Azevedo Alves, no Insurgente, anda muito preocupado com o ambiente. Com o ambiente não, com O potencial destrutivo do eco-fanatismo. Vale a pena ler, para melhor percebermos a dor que vai na alma dos nossos liberais enquanto o monstro verde ameaça tomar a Europa de assalto:

A Aritmética da Devastação Ambiental. Por George Reisman.

A aceitação pública de um movimento tão terrivelmente destrutivo quanto o ambientalismo lembra a pressa em abraçar Hitler e o Partido Nazista na Alemanha de 1932 e 1933, quando sua vitória nas urnas parecia ser inevitável, e eis que eles chegaram realmente ao poder. Porém, as opiniões de pessoas sérias, que mantêm as opiniões diretamente baseadas em seu próprio julgamento independente, não mudam meramente porque as opiniões de outros mudaram.

O Nazismo foi uma catástrofe. O ambientalismo tem o potencial para ser uma catástrofe até maior - uma catástrofe muito maior do que o Nazismo: uma que resultará na morte de bilhões de pessoas, em lugar de milhões. Isto porque é diametralmente o oposto ao liberalismo econômico. Em contraste com o liberalismo e sua doutrina da harmonia dos interesses pessoais corretamente compreendidos de todos os homens, o ambientalismo alega o mais profundo conflito de interesses entre as pessoas.


O Ricardo Araújo Pereira que se cuide. O blogue que deu a conhecer Patrícia Lança ao mundo está imparável e não vai parar enquanto não disputar, taco a taco, a liderança do humor nacional com os Gato Fedorento. Enquanto não se dedicam exclusivamente ao humor, os liberais insurgentes andam muito preocupados com o facto de haver "pouca gente a dizer coisas de direita”. É o que dá ler coisas destas. Olham para a televisão, no dia das eleições, vêm a Helena Matos, Pacheco Pereira, Miguel Relvas, Luís Delgado, Marcelo Rebelo de Sousa e Lobo Xavier no ecrã e gritam, "socorro que a esquerda está a tomar conta da imprensa".

publicado por Pedro Sales às 13:11
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Domingo, 15 de Julho de 2007
Ideias planas
Uma economista do Banco de Portugal apresentou ontem um estudo onde defende a adopção, em Portugal, de um imposto único com uma taxa plana. "Um sistema fiscal sem impostos sobre os salários e lucros das empresas. A ideia é concentrar a receita tributária num imposto - o IVA - considerado menos vulnerável à fraude e fuga fiscal”. O jornalista, visivelmente emocionado com a fúria liberal da senhora, diz que “as ideias de Isabel Correia são para levar a sério”.

Desculpe, mas não são. Em primeiro lugar porque não há nada que indique que o IVA é menos vulnerável à fraude (como se pode ver aqui, aqui e aqui). Depois, e este é o ponto essencial, porque o IVA é o imposto socialmente mais injusto. Basear nele todas as receitas fiscais, significaria necessariamente um aumento brutal da sua taxa e das desigualdades sociais. Alguém imagina, num país que tem o salário mínimo nos 400 euros e os jovens licenciados a lutarem para ganhar mais de 500, as pessoas a aceitarem pagar 40% ou mais de IVA?

O Rui Tavares perguntava no outro dia, já sabendo a resposta, qual a razão que tem levado a que nenhum partido tente colocar na agenda política a diminuição da carga fiscal? Porque os portugueses, um dos povos mais pobres da Europa e que pagam menos impostos, sabem onde é que estas ideias levam. À privatização dos serviços públicos, que, na maioria dos casos, são a única hipótese que as pessoas têm de aceder aos cuidados de saúde, educação ou protecção social.

Diz a autora que estas propostas teriam “um efeito positivo sobre a eficiência económica e sobre a equidade”. Nada nos indica que assim seja, pelo contrário. A brutal diminuição fiscal que Bush protagonizou em 2003 (incidindo, como no caso da nossa economista, nos rendimentos dos mais ricos) não conduziu a um maior investimento e à criação de emprego. Em vez disso, destruiu as contas públicas com a criação de um gigantesco deficit e a um longo período de crescimento económico sem criação de emprego. A deslocalização industrial tem destas coisas que o dogma e a cartilha liberal não explicam. Ideias para levar a sério num estudo ou num blogue. Felizmente, o mundo lá fora é bem mais complexo e esta seriedade não se aguenta de pé um minuto.

publicado por Pedro Sales às 16:59
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Terça-feira, 10 de Julho de 2007
E as companhias de aviação privadas também

"A existência de um sistema nacional de saúde promove o terrorismo"
, diz a Fox News, na sequência dos atentados falhados em Inglaterra, perpetrados por médicos a residir nesse país. Quando se junta dois idiotas na Fox News (não lhes quero chamar jornalistas) costuma dar disparate, manipulação e distorção dos factos. Mas, mesmo para o habitual nível rasteiro desta estação de televisão, os cinco minutos que se seguem marcam um novo marco na definição do que uma agenda puramente ideológica consegue fazer ao jornalismo.

Bem sei que, lá como cá, o novo filme de Michael Moore está a deixar a direita nervosa. Mas não era preciso tanto esforço para demonstrar que o homem tem razão quando acusa a indústria farmacêutica, as seguradoras e seus aliados de recorrerem a todas as tácticas para lançar o medo e o pânico nos cidadãos a propósito da existência de um sistema universal de saúde nos EUA. Felizmente, existe a Fox para mostrar como é que a coisa funciona. Jornalismo de sarjeta é isto. Jogar com os medos mais primários das pessoas para conseguir uma vitória política.

Leitura recomendada. Artigo de opinião de Paul Krugman, no New York Times, sobre o assunto. 9 de Julho de 2007.

publicado por Pedro Sales às 08:40
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Se for como no meu prédio vai ser lindo. Somos seis inquilinos e ninguém se entende com o condomínio
Helena Roseta defendeu a extinção da Gebalis, empresa responsável pelos bairros municipais, defendendo a criação de cooperativas geridas pelos habitantes dos bairros.

publicado por Pedro Sales às 00:01
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Segunda-feira, 9 de Julho de 2007
Afinal, ainda há ideias parvas de que ninguém se lembrou
O candidato do MPT, que um dia Santana Lopes se lembrou de convidar para deputado, disse que tem uma boa proposta de que ainda ninguém se lembrou: a Câmara deve pedir à Brisa uma compensação por cada carro que entre na cidade.

publicado por Pedro Sales às 22:48
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Boa vizinhança

Uma mulher, de 70 anos, foi agredida, detida e encarcerada, no estado norte-americano de Utah, depois de uma discussão com um polícia que se preparava para a multar por causa do aspecto desleixado do seu jardim. O polícia, da Brigada para a Preservação da Vizinhança(!), alega que o relvado acastanhado e pouco regado da senhora violava os regulamentos municipais para a preservação do espaço público. O Utah é um estado semi-desértico a viver uma das piores secas da sua história.

Levada à esquadra, a senhora queixa-se de que as forças policiais, antes de a libertarem, a maltrataram e negaram-lhe água para beber e lavar-se. Parece que a gastaram toda a regar as plantas do jardim...



publicado por Pedro Sales às 18:45
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2007
Back to the basics
Ainda a propósito do Estado sem impostos, defendido pelo João Miranda no Blasfémias, não deixa de ser deliciosamente irónico reparar que o blogue mais liberalmente capitalista de Portugal acaba a defender o modelo de Estado de Tuvalu, uma sociedade onde 70% dos habitantes ainda vivem numa economia recolectora pré-capitalista e os poucos trabalhos assalariados que existem são assegurados pelo Estado. É nisto que dão as ortodoxias. Com o tempo, degeneram de tal forma que já nem se percebe bem o que defendem.

publicado por Pedro Sales às 10:45
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Domingo, 1 de Julho de 2007
O estado a que chegou o João Miranda
Há pouco tempo a Universidade Nova de Lisboa publicou um estudo onde dizia que os portugueses estiveram a trabalhar até ao dia 15 de Maio para pagar os impostos. O Dia da Libertação dos Impostos. Um nome bombástico, mas pouco rigoroso. Afinal não eram só os impostos, era também a segurança social. Depois porque não estivemos a trabalhar para o Estado, mas para o pagamento dos serviços sociais, de segurança ou manutenção das infra-estruturas que este assegura.

O mais giro é que, numa pequena nota de rodapé, lá se dizia que Portugal até é o segundo país da Europa dos 15 onde a contribuição fiscal é menor. Os suecos ainda estão a trabalhar até amanhã e os dinamarqueses só se livraram do jugo opressor do Estado na passada quarta-feira. O que é preciso é criar a ideia de que estamos a alimentar o “monstro”. Que ele não exista, é indiferente.

O João Miranda resolveu levar a lógica até ao fim. Não lhe chega libertar-se dos impostos, quer acabar com o Estado. Acabar não, apenas defende a sua indigência. “Pode haver um Estado sem impostos?”, pergunta, para logo a seguir confirmar a tese: ”claro que pode”. Como? Privatiza-se tudo o que mexe e respira. O que não der para privatizar municipaliza-se. O que tem o pequeno inconveniente de só mudar o nome às coisas, municipalizando a cobrança de impostos. Não está fácil perceber como é que isto funciona, reconheça-se.

Mas o João Miranda tem um argumento de arromba. Já há estados que não cobram impostos: o Vaticano, Tuvalu e, veja-se lá, até parece que Timor se prepara para viver das receitas do petróleo. Há o pequeno problema, claro, de que exemplos como o do Vaticano são difíceis de exportar, o Tuvalu ser uma pequena e híper miserável ilha com 10000 habitantes, e serem poucos os estados que possam viver das receitas do petróleo. Portugal gasta mais com as forças de segurança do que o orçamento combinado destes estados.

Depois há uma coisa chata chamada realidade. Os países nórdicos da Europa têm os impostos mais elevados do mundo da Europa e níveis de competitividade altíssimos. Será que o João Miranda acredita que alguém preferiaria viver no Tuvalu (com o seu rendimento médio de pouco mais de 1000 dólares/ano) do que nos países escandinavos ou nos EUA? Acho que o próprio João Miranda já sabe a resposta.

No fundo, os liberais que temos não aguentavam 3 segundos numa campanha eleitoral em que tivessem que confrontar os seus argumentos com a realidade. O seu ódio ao Estado e a tudo o que é público não precisa do confronto da evidência. Basta-lhes a cartilha. No fundo no fundo, são mais parecidos do que julgam com os ortodoxos estalinistas. O processo mental é o mesmo, só o fetiche é que é diferente.

publicado por Pedro Sales às 17:57
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Sábado, 30 de Junho de 2007
Um governo sem sentido de humor
Sejamos claros. Os únicos comentários "jocosos", neste lamentável episódio da exoneração da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, foram todos feitos pela mesma pessoa. O ministro Correia de Campos, na polémica entrevista que está na origem de mais um caso de perseguição política na administração pública.

Senão, o que dizer do bom senso do ministro quando este diz que, ao primeiro problema de saúde que tiver de noite, vai às urgências de um hospital: ”Nunca vou a um Serviço de Atendimento Permanente, nem nunca irei!” Porquê? “Porque não têm condições de qualidade. Têm um médico e um enfermeiro e conferem uma falsa sensação de segurança”.

Não é preciso ser muito esperto para perceber que, num país em que a cultura enraizada leva cada pessoa com uma dor de cabeça às urgências, as palavras do ministro são um disparate técnico, um desastre comunicacional e um rombo na confiança que os portugueses devem colocar na qualidade dos centros de saúde. A não ser, claro, que o objectivo da entrevista fosse mesmo esse. Criar as condições para a extinção destes serviços e, com isso, poupar mais uns milhões de euros à custa do acesso de milhares de portugueses aos cuidados de saúde.

Que o ministro considere “jocosas”, e atentatórias da sua dignidade, a reprodução das suas afirmações num centro de saúde diz bem do ponto a que chegámos. Como os desígnios de Deus, também as palavras dos senhores ministros socialistas são imperscrutáveis e a sua douta interpretação só compete aos iluminados. Os detentores de um cartãozinho rosa, claro.

Não nos deixemos enganar. Podem ter sido uns jotinhas que denunciaram o caso, pode até ter sido a ARS/Norte a mexer os cordelinhos para que a senhora fosse demitida, mas quem assinou o despacho a exonerar uma funcionária pública porque esta se recusou a comportar como uma comissária política foi Correia de Campos. O mesmo Correia de Campos que foi surpreendentemente lesto a nomear para o lugar vago um vereador socialista e a vir a público, em conferência de imprensa, garantir a normalidade de toda esta trapalhada.

Tudo, nesta história, começa e acaba em Correia de Campos. Desta vez não é uma qualquer obscura directora-geral, com fama de sectarismo politico, quem está no centro das atenções. É um ministro. Não nos venham, portanto, tentar vender a ideia de que o caso Charrua foi um caso isolado. Não, a nova Margarida Moreira senta-se todas as quintas-feiras no Conselho de Ministros.

publicado por Pedro Sales às 14:43
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Terça-feira, 26 de Junho de 2007
Fernando Trapalhão


Excertos da entrevista de Fernando Negrão ao Rádio Clube Português


Fernando Negrão está preocupado com a situação das empresas municipais e, garante-nos, tem um plano para acabar com o desperdício. Extingue o IPPAR, porque este foi incapaz de garantir habitação a preços reduzidos, e está preocupado com os problemas de abastecimento de água à capital causados pela ineficiência da EPUL.

Curiosamente, poucos segundos antes de nos brindar com a sua ostensiva ignorância, Negrão garantia que, com ele na Câmara, a competência será o único critério a presidir às nomeações. Eu, por mim, apenas estou à espera que os lisboetas sigam o mesmo critério e que não deixem este homem ocupar um cargo para o qual já deu suficientes sinais de não ter a mínima preparação.

Depois de Santana, Carmona e Fontão, será que Marques Mendes não percebe que já deveria estar na altura do PSD parar de insultar os lisboetas e arranjar um candidato a sério, e não alguém que parece ter ouvido falar de Lisboa no guia turístico que comprou na free shop do aeroporto?



publicado por Pedro Sales às 09:34
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Sexta-feira, 22 de Junho de 2007
Simplex, simplex, despedidex
Alice Marques viu o primeiro-ministro na televisão a anunciar o simplex. Acreditou nele. Afinal, sempre eram 333 medidas que iam pôr o país à andar e pôr um ponto final na burocracia no Estado. O que ninguém explicou à Alice Marques é que, juntamente com a papelada, também se punha um ponto final na confidencialidade dos dados. Descobriu-o agora, pela pior via. Foi despedida e prejudicada na indemnização que deveria receber.

Acreditando nas promessas do nosso primeiro, resolveu solicitar, no portal do Governo, informação sobre a situação fiscal da empresa onde trabalhava, a Mendes Godinho, que estava a fechar as portas e a negociar as rescisões com os seus empregados.

Fazer uma queixa no portal do Governo, cuja privacidade deveria ser garantida pelo Estado, foi a única medida simplex. A partir daqui, a denúncia foi andando de direcção geral em direcção geral até chegar à Parpública. Como a Parpública participa do capital da Mendes Godinho, a sua chefe ficou a conhecer toda a história. Foi encostada à parede e obrigada a aceitar o montante que a empresa fixou. Perdeu 3500 euros. Agora, a Alice Marques, que vai pôr o Estado em tribunal, já conhece como funciona o simplex. Uma propaganda bonita para esconder a confusão do costume.

publicado por Pedro Sales às 16:57
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E a etimologia de disparate?
O João Távora não concorda com o casamento de pessoas do mesmo sexo. E não concorda porque considera que se trata de uma imposição jacobina que vai contra a ordem natural das coisas. Não faz parte da tradição de família e não faz parte da tradição linguística. "A palavra "casamento" que eu saiba refere-se a "casal". Casal, pela etimologia da palavra significa a união de um homem e uma mulher", diz.

O João Távora, reconheço, tem uma grande vantagem sobre mim que é saber "muito bem o que é uma família". Eu não sei, e não sei porque a família não é um conceito ahistórico e imutável no tempo. Basta pensarmos nas alterações provocadas na vida das famílias pela brutal diminuição da natalidade ou que só muito recentemente é que o afecto passou a determinar o casamento.

Não sei o que é a família tradicional, nem acredito na existência de um modelo de família. Só sei que a minha não tem nada a ver com aquelas que o Sol -numa rubrica sugestivamente intitulada "famílias numerosas" - nos tenta convencer, todas as semanas, da alegria imensa que é viver com uma chusma de filhos numa vivenda de 10 assoalhadas com vista para o rio Tejo, Douro ou Mondego.

Etimologicamente casal remete para um homem e uma mulher, nisso o João Távora tem razão. Mas, e daí? Que razão acrescida é que isso confere a quem se opõe ao casamento de duas pessoas do mesmo sexo? A etimologia estuda apenas a origem das palavras, não a lei eterna sobre o seu significado.

A língua existe para ser alterada e apropriada pelo uso que lhe damos. Os exemplos dessa alteração no português são quase tantos como os "jacobinos" que para aí andam a abastardar a língua e a família. A etimologia de "amante" refere "aquele que ama". Acreditará o João que é essa a utilização recorrente que lhe damos nos nossos dias? E "vilão", alguém o usa contemporaneamente para falar dos habitantes das vilas? E criado, há quanto tempo é que deixou de ser aquele que, não sendo o filho original de uma determinada mulher, por ela era criado como se fosse?

Podíamos estar horas nisto, mas acho que já deu para perceber que a etimologia das palavras pode ser um assunto muito interessante, mas é um conceito muito pouco operativo para tomar decisões sobre o regime jurídico do casamento ou qualquer assunto dos nossos dias.

É que, sendo consequente, e levando a sua linha argumentativa até ao fim, ainda encontraremos o João Távora a defender necessidade do casamento envolver um dote ou o carácter acessório do afecto. Sempre se colocava um ponto final às "confusões e demais relativismos" que os jacobinos teimam em promover.

publicado por Pedro Sales às 00:27
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