Sábado, 5 de Janeiro de 2008
Faltam onze meses para o Governo decidir quem é que fica com o novo canal televisivo
Fazendo uma festa com essa extraordinária proeza, o Governo garante que o aumento das pensões permite a manutenção do poder de compra a 1,6 milhões de reformados que vivem com menos de 400 euros por mês. Mais papista que o Papa, o Jornal de Notícias diz que "0 poder de compra perdido durante 2007 será, assim, compensado para 2,4 milhões de reformados".

publicado por Pedro Sales às 14:16
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008
O tal canal

Portugal tem o mercado publicitário mais distorcido da Europa. Como em nenhum outro país, os anunciantes concentram o seu dinheiro na televisão (70% do volume de anúncios) e só não o fazem de uma forma mais intensa porque existem limitações legais que o impedem. A abertura do concurso para mais um canal de televisão em sinal aberto vai reforçar essa tendência, tornando ainda mais complicada a já debilitada situação financeira da maioria dos títulos da imprensa escrita. Uma comunicação social sem recursos e em permanente guerra para captar audiências e anunciantes não deveria interessar a ninguém, jornalistas incluídos. Conduz à degradação da informação. Ao fim do jornalismo de investigação. À diluição da autonomia dos seus profissionais. À diminuição da independência face ao poder politico e económico. À tabloidização de toda a imprensa, incluindo a de referência.

Abrir um canal televisivo em sinal aberto não é o mesmo que abrir uma padaria ou fábrica de curtumes. Tem profundas implicações no funcionamento do sistema democrático. A revolução não será televisionada, já diz a famosa canção dos anos 70, mas a verdade é que a democracia passa cada vez mais pela televisão. Para o bem e para o mal, a comunicação social é o principal mediador entre o sistema politico e a população. Não é por acaso que é nos liberais EUA que encontramos a legislação que mais entraves coloca à concentração da comunicação social. Por cá, contudo, o argumento liberal é que este licenciamento é um intrusão do Estado no normal funcionamento do mercado que deveria ter o direito de criar as estações em sinal aberto que entendesse. Dizem-no como se o licenciamento público das televisões generalistas fosse uma originalidade nacional e não ocorresse o mesmo em todos os outros países. Ao contrário do que argumentam, uma comunicação social sem meios de subsistência, e com profissionais cada vez mais precarizados, é que se torna refém de todo o tipo de interesses. A começar pelos mais fortes. Os do governo e os dos grandes grupos económicos.
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publicado por Pedro Sales às 16:32
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Sábado, 29 de Dezembro de 2007
E para o ano, se não der muito trabalho, vejam lá se acabam com o desemprego e colocam a economia a
"Se o Sol não tivesse nascido a 16 de Setembro de 2006, o concurso da Ota já se teria realizado e a localização do novo aeroporto de Lisboa seria irreversível". É desta forma que este semanário dá à estampa uma das mais delirantes notas editoriais de que há memória. "Só por isto teria valido a pena lançar este jornal", asseveram. O "só" é para enganar, claro, que não há espaço para a modéstia na capa deste semanário que nos faz o favor de adiantar os temas em que "marcou a agenda" de 2007."O Sol trouxe mais, muito mais, à imprensa portuguesa e ao país". É uma pena terem parado por aqui, porque aqui chegados já só estamos à espera de encontrar sinais indesmentíveis do contributo decisivo do semanário para a excelência do último filme dos irmãos Coen, nos avanços na pesquisa com células estaminais e para a assinatura do Tratado de Lisboa. A desmesurada imagem que José António Saraiva tem de si próprio é responsável por algumas dos mais hilariantes editoriais e crónicas de que há memória na imprensa nacional. Mas, que consiga transportar as suas idiossincrasias pessoais de uma forma tão marcada para a primeira página de um jornal com alguns excelentes profissionais, sem que ninguém tema cobrir-se de ridículo, começa a ser um caso de estudo que merece ser seguido com atenção.
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publicado por Pedro Sales às 17:30
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Sábado, 15 de Dezembro de 2007
Jornalismo de referência?











às vezes gostava de não ter de verificar a notícia duas vezes com a imprensa estrangeira. de vez em quando não me importava de confiar no que vem escrito. uma vez por outra gostava de ter a oportunidade de ler factos sem pensar em motivos ulteriores. para poder tirar as minhas próprias conclusões; manhosas, é certo, mas minhas. não era preciso ser sempre, só assim de vez em quando.

Jornalismo de referência? Dommage, não temos.

publicado por Vasco Carvalho às 07:43
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Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007
E quem não salta não é português
Depois de incontáveis horas de directos televisivos, ficámos a saber o nome e os anos de serviço da guarda-freio da Carris que conduziu o eléctrico que transportou os chefes de Estado. Também nos informaram que, como é costume, Sarkozy contornou ao protocolo e que a ministra dos estrangeiros austríaca é mais alta do que Sócrates, “que até não é um homem pequeno”. Horas e horas de cobertura noticiosa sobre um tratado e conhecermos tudo à excepção do tratado. Não é de agora. Nunca houve cobertura jornalística sobre os assuntos europeus no nosso país. O que existe é a leitura acrítica das posições defendidas pelo Governo em exercício de funções, assumidas como comentário e análise jornalística. É uma visão ideia completamente disfuncional sobre os interesses do país.

O Miguel Vale de Almeida fez um curioso exercício e comparou a cobertura que a imprensa portuguesa e internacional fez da Cimeira Europa/África. O estrondoso sucesso entre portas é substituído pelas críticas à ausência de resultados práticos e ao insucesso das parcerias económicas. A União Europeia, e os temas internacionais, são analisados pela imprensa nacional com o mesmo distanciamento e espírito objectivo com que são feitos os comentários televisivos dos jogos da selecção nacional de futebol. Não deixa de ser irónico que seja precisamente num processo de integração à escala europeia que mais se faça sentir o sentimento patrioteiro comunicacional.

Compreende-se, por isso, a agressividade com que parte dos comentadores começam a reagir ao que, há bem pouco tempo, era um consenso nacional que juntava todos os partidos: a existência de um referendo para ratificar o Tratado. Como diz hoje Paulo Baldaia, num editorial no Jornal de Notícias (sem link), não pode haver referendo porque pode dar-se o caso do povo ir às "urnas cuspir na mão que lhe deu de comer" e colocar "todos os outros 26 países a marcar passo". A conclusão é lapidar. Votar "não" é colocar Portugal fora da União e fora da Europa. O volte face está consumado. Já não existe referendo ao Tratado. Existe um referendo à Europa. É a chantagem máxima, para a política mínima.
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publicado por Pedro Sales às 20:36
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A normalidade segue dentro de momentos
Hoje é dia de festa. O Tratado tem o nome da capital do país. Os transportes em Lisboa são gratuitos e os museus têm as portas abertas sem cobrar bilhete. Os jornalistas, esses, meteram o dia de folga. Numa espantosa operação, os assessores de imprensa do governo tomaram conta da emissão das rádios e televisões.
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publicado por Pedro Sales às 14:30
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007
Intel inside
Já se sabe que as prendas de Natal mais desejadas são as que aparecem na televisão. Já se tornaram banais os autocolantes na caixa dos brinquedos a anunciar que é o boneco "anunciado na TV". Novidade, novidade é ver um gigante da informática, como a HP, a anunciar no seu site o computador do "saco do Expresso". Processador, programas instalados, anti-vírus? Nada disso. Se vem no saco do Expresso é porque é bom e é rápido. O marketing move-se mesmo de formas misteriosas.
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publicado por Pedro Sales às 14:35
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007
Tendências
O juramento de castidade é “o novo ritual das virgens americanas”. Quem o diz é a Sábado, na sua edição de quinta-feira, que dedica duas páginas aos “bailes da pureza”, a “última moda entre os cristão conservadores norte-americanos”. São mil e quinhentos bailes num país com mais de 300 milhões de habitantes. Manifestamente pouco para apresentar uma “tendência”. Depois, logo por azar, na véspera desta reportagem ficámos a saber que, pela primeira vez em 16 anos, a gravidez na adolescência cresceu nos EUA. Como subiram, também, os números das doenças sexualmente transmissíveis. São as consequências directas do fanatismo conservador de Bush e do desmantelamento das campanhas de prevenção, substituídas por idiotas e ineficazes campanhas de promoção da abstinência sexual.

É este o problema destas reportagens ligeiras que enchem edições inteiras de revistas como a Sábado. Apresentam-nos casos e tendências sem nenhuma articulação com a realidade. Tomam os salões de baile da alta burguesia como o retrato do mundo. A fechar a notícia, duas linhas referem um estudo das universidades de Columbia e Yale:”88% das jovens que juraram manter a castidade até ao casamento não o cumpriram”. A Sábado apresenta o juramento de castidade como uma “tendência”. Not so fast. A tendência é mesmo as jovens quebrarem o juramento. E a de algumas reportagens não terem nada a ver com o sensacionalismo do título.

publicado por Pedro Sales às 17:38
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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007
Parem as máquinas...

...temos que entrar em directo para avisar que o Presidente da República, e Ramos Horta, vão jantar um flan de espargos, uma perdiz à convento de alcatra, um "papão" de ovos e fruta. Mais importante, Ramos Horta vai estar sentado entre Manuel Alegre e Maria Cavaco Silva. Ainda bem que o Santana não estava em estúdio.
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publicado por Pedro Sales às 13:59
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
"O debate"
Santana Lopes andou mais de uma semana a anunciar que se estava a preparar para a reedição dos seus debates com José Sócrates. Ontem, na TSF, falava da abertura de um “novo ciclo político” comparável ao de Cavaco Silva. A imprensa foi na onda. Os jornais da manhã anunciavam a coisa em tons épicos. A Sic Notícias fez um separador para a ocasião. O espectáculo estava montado, as galerias cheias, a Assembleia silenciosa. Só se esqueceram que não basta ter um actor para ter filme. É preciso que ele conheça o papel. Santana foi igual a Santana. Um flop. Tinha cinco minutos para questionar o primeiro-ministro. Perdeu-se a falar do seu tema preferido. Ele próprio. Nos escassos segundos que deixou para falar do Orçamento ninguém percebeu do que é que estava a falar. Ainda inventou uma qualquer figura regimental para tentar um remake. Outra vez o mesmo filme. Penoso e vazio.

Existe um mito que a imprensa acredita e que anda a “vender-nos” há anos. Santana Lopes é um bom orador e um adversário temível em debates. Nada mais errado. Santana Lopes só conhece um dossier. Dá para encher as páginas de jornais com mil e uma efabulações, mas não dá para mais nada. Depois, a imagem de estroina instável persegue-o. Para compensar a ligeireza da imagem, e assumir a pose de Estado, veste um fato que não é o seu. É um peixe fora de água. São os dias em que traz os óculos para falar de improviso. Nem sempre basta andar por aí, é preciso saber o que se faz. Só faltou Sócrates virar-se para Santana e dizer-lhe: “foi porreiro, pá”.

publicado por Pedro Sales às 19:13
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
Diários de Bagdade: Blackwater

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Ahmed Abdullah continua a emitir de Bagdade:
"what is this, what is happening, is everyone killing us now? The Americans, the terrorists, the militias, the death squads and now even the people who call themselves security companies."
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publicado por Vasco Carvalho às 06:35
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2007
Onde é que esta gente tem a cabeça?
O Zig Zag é o programa infantil da RTP2. Como, para além de ter algumas boas séries de animação e desenhos animados, o canal público supostamente não tem publicidade, é o único programa televisivo que o meu filho vê de quando em quando. Há poucos minutos, imediatamente antes de começar a programação do fim de tarde, a RTP entendeu que não tinha melhor anúncio promocional para emitir que o do ultimo episódio da sexta série do 24. Não sei quem é que escolhe o horários das autopromoções, mas será que é assim tão difícil perceber que o Jack Bauer a disparar sobre tudo o que mexe será sempre uma das últimas imagens a passar antes de um programa destinado a crianças que, na sua maioria, ainda nem estão escola? Do que serve não ter anúncios, se, depois, falta o mínimo bom senso? Bem, onde é que está o mail do provedor da RTP?

publicado por Pedro Sales às 19:50
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007
Figurantes
Há 38 minutos que Rui Pereira e Paulo Portas estão a debater a (in)segurança no Prós e Contras. Ao seu lado, Bacelar Gouveia e Garcia Leandro parecem ser os únicos que ainda não se aperceberam que apenas foram convidados porque o cenário do programa precisa de 4 pessoas.

publicado por Pedro Sales às 23:08
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007
Serviço público
O Guardian tem vindo a republicar algumas das mais importantes entrevistas feitas pelo jornal durante o século XX, como as que fizeram a Nixon, Hitler, Francis Bacon, ou Marlon Brando por Truman Capote. Sobre esse extraordinário momento jornalístico, aliás, vale a pena ler o artigo de Andrew O´Hagan: Interviewing is not a democratic art. It is neither a display of equal merits nor a test of good character: it is, as Capote says, an art, as well as a one-sided record of a human interaction, one in which the author may appear only as it suits the story and vanish without guilt.
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publicado por Pedro Sales às 10:27
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007
Tão doido que até dou por mim a concordar com Santana Lopes

A Sic Notícias esteve toda a tarde a anunciar a presença de Santana Lopes para comentar a crise no PSD. Poucos minutos depois do início da entrevista, interromperam a emissão para filmar a chegada de José Mourinho a Lisboa. O treinador mais famoso do mundo não falou com ninguém e desapareceu em segundos. De volta ao estúdio, depois de umas inanidades de um repórter que não tinha nada para dizer, Santana Lopes diz que não continua e que se vai embora. “Bem sei que Mourinho é mais importante que qualquer um de nós e que esta coisa da crise dos partidos e do sistema político não interessa a ninguém, mas não me parece correcto o que acabou de acontecer. Interromperam a emissão para nos informarem que Mourinho chegou num avião privado. Acho que este país está doido.” Agradeceu o convite e foi-se embora.

publicado por Pedro Sales às 23:15
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Geração à rasca
O clube dos jornalistas entregou ontem os prémios Gazeta, a mais prestigiada distinção do jornalismo nacional. O prémio Revelação foi entregue ao jornalista João Pacheco. Vale a pena ler o discurso de agradecimento feito por este jovem jornalista, e precário, na presença de Cavaco Silva e do ministro Augusto Santos Silva.

«Não sei se é costume dedicar-se este prémio a alguém. mas vou dedicá-lo. A todos os jornalistas precários.
Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato.
Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença, nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos.
Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada – no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais – o que está em causa é a democracia. E, no caso específico do jornalismo, está em risco a liberdade de imprensa.»

Vale a pena ler o resto da intervenção no blogue Precários Inflexíveis.

publicado por Pedro Sales às 14:50
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007
notícias das internetes

Como eu gosto destas coisas: a MediaDefender, uma empresa contratada por estúdios de cinema americanos para vigiar e punir a distribuição de conteúdos em circuitos P2P, foi caçada por piratas internáuticos (notícia na Wired). Esta empresa dedicava-se a lançar produtos fantasma nas redes P2P, tendo sido alvo de ataques por planear lançar um sítio falso (miivi.com, já não em linha), dedicado a apanhar quem fosse tentado a descarregar conteúdos ilegais. Aos "MediaDefender defenders", por furar o esquema de segurança dos polícias da net, protegendo-nos de quem não olha a meios para travar a pirataria ilegal, clap clap.

Por Portugal, para "media defender" basta-nos a ASAE. É tudo muito simples: se há tráfico ilegal de conteúdos, feche-se os canais por onde são distribuídos. Aqui há 2 meses, a polícia dos bons costumes internáuticos decidiu encerrar alguns dos mais populares sítios de partilha de ficheiros em Portugal (BTuga, ZeTuga e ZeMula). Os que ficaram para trás por desatenção (a mula da cooperativa, por exemplo) decidiu fechar as portas não fosse, sei lá, ter os seus computadores confiscados ou que arcar com a defesa em tribunal.

O problema não está só em atirar a "net portuguesa" para a irrelevância (ou alguém julga que quem quer descarregar conteúdos ilegais o vai deixar de fazer?). É mesmo a estupidez de se achar que toda a rede P2P é maléfica por natureza. Pois, pasme-se, a plataforma de televisão do futuro será, surpresa!, distribuída por redes P2P (como o Joost, dos criadores do skype). E por isto as notícias de que a Netcabo anda a cortar no tráfego P2P (via), eufemisticamente chamado "traffic shaping", são tão assustadoras.

Não se arranjam por aí uns Portuguese man-of-war capazes de dar umas picadelas na netcabo? Tempos houve em que os navegadores portugueses...

Aqui no ZdC já se escreveu sobre isto:
A indústria mais estúpida do mundo
Há bits e biiiiiiiiiiits

Sobre este assunto:
Save the internet
Google sobre Net neutrality
P2P na wikipedia

Apoia e divulga:
O BTugal tem uma campanha de angariação de fundos em curso para ajudar a pagar a defesa em tribunal (315 euros até agora, é pouco...).
Freetuga pela liberdade da internet em Portugal.

publicado por Filipe Calvão às 08:49
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007
A novela da noite precisa sempre de culpados
A forma como está a ser construída, na praça pública, a nova imagem de Kate Mccann é perturbadora. Não faço a mínima ideia se a senhora é inocente ou culpada, mas incomoda-me detectar os mesmos esquemas para acicatar o julgamento popular que já conhecemos de outras paragens. Prova que não aprendemos nada com o que se passou com o processo Casa Pia e com a sua derivação envelope 9. Sistema judicial e alguma imprensa continuam a funcionar como se nada se tivesse passado.

Há poucos dias a PJ apreendeu o diário de Kate Mccann, considerando-o um elemento de prova essencial para estabelecer o seu perfil psicológico. Ontem, um jornal e uma revista publicaram abundantes detalhes sobre o mesmo caderno pessoal. Parece que a mãe escreveu que a filha se comportava como uma "histérica" e que a sua "hiperactividade" lhe consomia as forças. Na capa, bem destacado, mãe "insulta" a filha. Hoje, no mesmo jornal, ficamos a “saber” que a “PJ investiga cúmplice dos Mccann”. O julgamento já foi feito, são culpados e têm cúmplices.

De cada vez que a opinião pública começa a questionar o trabalho da PJ ou do MP já se sabe que, nos dias seguintes, aparece na imprensa alguma “notícia” que crie a comoção necessária para explicar a mudança de rumo na investigação policial. Em Lisboa, no Porto ou em Faro as fugas de informação são uma constante tão regular como a sua permanente impunidade. Não é preciso testes de ADN para saber de onde partiu esta fuga e que a mesma teve que partir de alguém ligado à equipa de investigação. As fugas de informação são a instrumentalização da justiça, pervertem a presunção de inocência, são um chamariz para o julgamento popular. Em vez de andar a distribuir computadores, Alberto Costa (que, ao que consta, ainda é o ministro da Justiça) devia era estar a fazer qualquer coisa para garantir que as “fugas de informação” não são toleradas.

Verdade se diga que há sempre algum jornal ou revista disponível para ser instrumentalizado e nos justificar esta perversão com o interesse público e jornalístico. Curiosamente, a mesma que, no processo Casa Pia, se viu envolvida na divulgação das escutas ilegais...

publicado por Pedro Sales às 10:54
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007
quando Bush se esconde numa gruta 2
Como furar um esquema de segurança de 180 milhões de dólares?


(A notícia da semana passada aqui. Estes tipos são bons, fazem-me lembrar um tipo de humor menos acomodado do que os Gato Fedorento e mais refinado que os Felizes da Fé dos anos 90)

publicado por Filipe Calvão às 20:14
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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007
Quando bush se esconde numa gruta
"Comediantes furam esquema policial da APEC." (público)

Pelo menos estes australianos não serão deportados. Já em 2003, Will Saunders, um cidadão britânico que trabalhava como astrónomo para o governo australiano, correu o risco de ser expulso do país (BBC 2003) por pintar "No War" na casa da ópera (clap clap para a façanha, vídeo aqui). Ontem foi a equipa de Chaser a ser detida depois de entrar como Bin Laden na "zona verde" de Sydney. Ao terceiro checkpoint foram parados e detidos para inquérito. É o preço a pagar por inverter as regras do jogo na caça a Bin Laden.






Por agora fiquem com o último episódio de Chaser's war on everything a ir para o ar, sobre as 'medidas de segurança' impostas aos australianos durante a APEC. Com alguma sorte, teremos novo programa em breve com imagens de novo recorde de bundas anti-Bush. E quem organiza? O "aussie" Will Saunders.


publicado por Filipe Calvão às 21:11
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007
O Murdoch de Penafiel
PS: A ver também o trabalho de André Levy no Jangada de Pedra (saravá Samir!).

publicado por Vasco Carvalho às 08:07
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
You're never gonna get any truth from us

Network, Sidney Lumet, 1977

publicado por Vasco Carvalho às 16:46
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007
Então, ilibamos? Ilibamos. Mas...condicionou? Condicionou.
"No entanto, um dos quatro conselheiros que assinam a deliberação, Luís Gonçalves da Silva, discordou, defendendo que “existem elementos probatórios no processo que revelam a prática por parte do primeiro-ministro (tanto através da sua própria intervenção, como do seu Gabinete) de actos condicionadores do exercício da actividade jornalística, relativamente ao jornal PÚBLICO e Rádio Renascença”."

A ler atentamente: o longo relatório da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, e em especial a declaração de voto de Luís Gonçalves da Silva no final do documento.

A ver também: a entrevista de Mário Crespo ao DN. "Protocensórios" é a palavra encontrada pelo jornalista para descrever a actual relação do Governo Português com os media.


publicado por Vasco Carvalho às 21:25
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Sábado, 18 de Agosto de 2007
técnicas de combate à grande conspiração de esquerda

O inevitável Daily Show e a preocupante "left-leaning,unfair, biased-media as part of a vast left-wing conspiracy".

publicado por Vasco Carvalho às 10:23
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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007
Fake news that delivers the truth
No mesmo dia em que o Daniel Oliveira chamou a atenção para as baixas audiências terem levado a Fox News a cancelar o programa satírico que concebeu para ridicularizar todos aqueles que criticam a administração Bush, o Público tinha um artigo em que conta como o Daily Show se tornou num espaço incontornável para todos os candidatos presidenciais nos EUA.

Mas não é justo catalogar o Daily Show, ou o Colbert Report, apenas como programas satíricos e de comédia. Claro, são protagonizado por comediantes e têm como objectivo terem piada. Mas são engraçados, na justa medida têm uma preocupação com a verdade, desmontando os mecanismos comunicacionais de políticos e dos media tradicionais. "Fake news that delivers the truth", promete Jon Stewart, sem enganar ninguém. De facto, há mais pesquisa em cada edição do Daily Show do que num mês das televisões portuguesas. Não por acaso, as audiências desses dois programas satíricos são as que estão melhor informadas sobre a actualidade política. Quando os programas a brincar informam mais do que a imprensa, deveria ser a altura de soar o alarme.

Aqui fica o exemplo de outro programa satírico, The Chaser, que demonstra o nível de insanidade mental que tomou conta das notícias televisivas do outro lado do Atlântico.



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publicado por Pedro Sales às 09:20
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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2007
(des)informação é poder

Três dias antes dos maiores atentados no Iraque, e num cenário em que a violência sectária alastra, a Fox News transmitiu esta reportagem dizendo que o recente aumento de tropas no Iraque, especialmente em Bagdad, está a resultar. Para provar os "pequenos sinais de progresso" que se vivem na capital iraquiana, a jornalista faz a reportagem num dos mercados, protegida por um batalhão de soldados e helicópteros maior do que a segurança privada do Millennium BCP, entrevistando vendedores que só lhe falam na violência e detruição que se vive nas ruas. Agora, só falta o Bush arrranjar 20 soldados para proteger cada iraquiano e a coisa deve resolver-se.
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publicado por Pedro Sales às 18:28
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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007
Blair: o eterno facelift

Tony Blair "the man who made Britannia cool", abre a Men's Vogue de Setembro. Depois da tour mundial de despedida, Tony Blair aparece fresco, em mangas de camisa e atlético. Aliás,tão fresco que se suspeita de uso de airbrushing, onde se retoca digitalmente a fotografia para que Blair pareça mais en vogue . A práctica de airbrushing é comum nos media, mesmo depois de muitas horas de maquilhagem. Aumenta-se um seio, elimina-se um duplo queixo, desaparece uma borbulha. É um instrumento fácil e barato, uma espécie de arma de recurso ao serviço de indústrias que se dedicam, afincadamente, a produzir uma versão paralela da realidade.

Com a Vogue e os produtores americanos de posters que eliminaram os cigarros de fotografias dos Beatles, de passo em passo rumo até à Terra de Oz. Que Blair figure na história não é de estranhar: o seus mandatos foram uma interminável estrada de tijolos amarelos, chamada Cool Britannia. O spin continua numa fonte de desinformação perto de si.



publicado por Vasco Carvalho às 03:14
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Sexta-feira, 10 de Agosto de 2007
Quando a emoção toma o lugar da informação
O desaparecimento da jovem Madeleine McCann foi uma tragédia. Daí até ser um “caso”, como há 3 meses é referido na comunicação social, vai a distância da absurda mediatização, nacional e internacional, que mereceu. O “caso” tinha todos os condimentos necessários para a ser um sucesso mediático. É uma tragédia, corresponde ao pior pesadelo de cada pai, uma família obstinada à procura, por todos os meios, da sua criança, envolvia gente poderosa que, garantiam-nos, tinha um canal aberto com Gordon Brown e o Governo nacional. Pelo meio, falaram com o Papa. Uma autêntica novela da vida real, ainda por cima com a vantagem destes já serem ricos e verdadeiramente famosos. Com este pitéu, os jornalistas foram lestos a escolher um lado e deixaram-se envolver no jogo emocional da família McCann. Eram eles a sua fonte, e isso também pesou para que, depois de milhares de páginas de jornais e horas de noticiários televisivos, tenhamos tido tão pouca informação e investigação.

Depois, esta semana, tudo mudou. Porquê? Porque à família da pequena Madeleine, com a aparente mudança de rumo das investigações policiais, deixou de interessar a cobertura mediática e deixou de ser cooperante com a imprensa. Durante dias os nossos media perguntavam, em horário nobre, o que teria levado esta família, “sempre receptiva às preocupações da imprensa”, a mudar de atitude? A sua fonte traiu-os. Esta forma de ver a realidade a partir do pequeno umbigo do seu círculo mais próximo dá a cara a um dos piores defeitos, e perigos, do jornalismo. Olharem o caso como se fossem um peão central do seu desfecho significa que se perdeu, há muito, a objectividade e o distanciamento necessário.

Agora, anda tudo muito indignado com a forma como a imprensa britânica está a destratar a Policia Judiciária e a imprensa nacional. Mais uma campanha emocional. Mas, sejamos claros, o que os tablóides e televisões inglesas estão a fazer é exactamente o mesmo que os nossos jornalistas fizeram. Durante meses contaram com a nossa imprensa e polícia como canal preferencial para se mexerem num pais que desconheciam. Agora, que a complacência terminou, sentem-se traídos. Os mecanismos comunicacionais são globais. A única diferença é que a isso, os ingleses juntam a habitual soberba imperial e os preconceitos sobre os selvagens que vivem no sul da Europa. Tudo o resto é um caso de estudo sobre a forma como a imprensa vive das emoções para vender uma história e se deixa enveredar nelas para não cumprir o seu papel. Informar.

ps: sobre o acompanhamento mediático deste caso, embora numa perspectiva diferente, vale a pena ler o texto de Pacheco Pereira na Sábado: "O caso da pequena Maddie"
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publicado por Pedro Sales às 18:05
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007
Mad Money: It's rough out there


Jim Cramer, o analista financeiro da CNBC e autor de "Mad Money: Watch TV, Get Rich" num momento bearish: "We have armageddon". Fico à espera do dia em que Peres Metello se esqueça de tomar a dose bovina de Xanax.

publicado por Vasco Carvalho às 02:26
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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007
Momentos anti-climax em tempo real: usando o Record como janela
Real Madrid-Belenenses
Minuto a Minuto, Jogada a Jogada.

Min 2: As equipas encaixam mutuamente com calma, sem grandes esforços, em ritmo de pré-época, mas já com mais precisão táctica.

Min 13:
Sinal mais inicial do Belém, mas o detentor de La Liga a equilibrar as operações: a diferença de valores individuais, dentro e fora de campo, é, afinal, conhecida...

Intervenção do leitor Pedro Azevedo por volta do Min. 25:
com todo o repeito pelo sempre HISTÓRICO BELENENSES este dito Real Madrid só nos consegue mesmo é suspreender PELA NEGATIVA quando em termos de orçamento deve de "gastar" só nas botas (se é que as paga ÓBVIAMENTE!!!) o MESMO que o Belenenses têm para todas as despesas a época TODA!!!!!!

Min 30: Grande jogada de Mendonça na direita, sentando o campeão do Mundo Cannavaro e obrigando com remate cruzado Casillas a atrapalhar-se: melhor ocasião de golo do jogo!

Intervenção do leitor João Ribeiro por volta do final da primeira parte:
Vamos, azuis do Restelo. Portugal está convosco! Boa sorte.


Intervenção do leitor Diogo Pedro ao intervalo:
sao 11 contra 11 o real eh uma equipa a fazer, novos jogadores, o belenenses ja ta feita. sao 11 contra 11, os orçamentos n interessam pa nada deixem se de desculpas. mas quer me parecer q o real so n marcou ainda por azar.

Min 47:
O Real pressiona de início, mas a defesa azul aguenta-se bem ao balanço

Min 77: O gigante Real não consegue ultrapassar a resistência do David de Belém, que não enjeita atacar...


Min 90 - GOLO DO REAL POR RAÚL. Robinho remata fraco e cruzado da esquerda, Marco parece segurar mas a bola passa-lhe por baixo a vai para a baliza; Raúl só toca a confirmar um golo injusto para o excelente jogo dos azuis...

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21:57 - FIM DA PARTIDA.
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Intervenção do leitor Miguel Pereira no pós-jogo:
Da forma como o Belenenses se bateu, acho que não merecia este resultado. O guarda-redes foi muito mal batido, mas isso só acontece a quem joga. E que banho de humildade deu o Belenenses!!


Tudo comme il faut. Do futebolês aos mitos fundadores. Primeiro, as equipas encaixam mutuamente, mas há um "sinal mais do Belém" apesar da dimensão estratosférica do oponente. Imaginem o que "devem de gastar". Das bancadas ouve-se que nem as próprias botas pagam. Só falta o grito: "chulos". A metáfora fácil de David vs. Golias está sempre lá: ele senta o campeão do Mundo e obriga o outro a atrapalhar-se. Onde joga um Português, joga a nação: "Portugal está convosco". Alguém objecta: São 11 contra 11, "os orçamentos n interessam pa nada deixem se de desculpas ". Pobrezinho e asseadinho, mas honrado. Honrado sim, "aguenta-se bem ao balanço" e "não enjeita atacar", esse "David de Belém". E no final esse desfecho injusto: aos 90 minutos "Marco parece segurar mas a bola passa-lhe por baixo e vai para a baliza". É o fado, é o fado. Que honrado é este "banho de humildade". E fica a vitória moral e o culto de um David, na versão Portuguesa, sempre perdedor: "Só acontece a quem joga." Foi uma honra.

Adenda pós-pós jogo: "
Estamos muito moralizados por entrarmos na Europa com o pé direito", são as declarações pós-jogo do Presidente Cabral Ferreira à Renascença. Todo o frenezim da derrota passa agora para o Blog do Belenenses onde se pode ler que "perder no último minuto com um frango do tamanho do mundo só me pode deixar feliz". Hey, got to celebrate when you can: este mês é o aniversário de Rolando, "muito certinho hoje". Sempre é melhor que a época passada quando depois de "16 jogadores com gripe" rebentou a bomba: "Ivan com papeira!!!"


publicado por Vasco Carvalho às 21:51
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