Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007
Um país de gadgets
A banda larga é um sucesso, garante-nos o primeiro-ministro, no intervalo das suas deambulações pelo país a distribuir computadores. Somos o 3.º país com a melhor cobertura móvel na Europa. Será? Os números da Anacom indicam que, no final do último trimestre, existiam 2,75 milhões de acessos à banda larga, 1,57 milhões através da rede fixa e 1,18 milhões pelas tecnologias móveis. Sucede que, destes últimos, apenas 478 mil são utilizadores activos. Os outros 700 mil, pertencem a telemóveis/pda com acesso 3G que os utilizadores não usam para aceder à net. Não usam mas podiam usar, logo aparecem nas estatísticas. É um caso de sucesso, é inegável, mais não seja sobre a arte de martelar os números oficiais para darmos um ar moderno. Mas é também um triste retrato do país. Temos a tecnologia e a infra-estrutura. Falta (tudo)o resto.
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publicado por Pedro Sales às 16:04
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007
Ele lá deve saber
Vera Jardim declarou ontem, aos microfones da Rádio Renascença, que tem dúvidas sobre o modelo de gestão previsto pelo Governo para as Estradas de Portugal: "Manuel Alegre falou da privatização encapotada de um bem público. As dúvidas têm razão de ser porque é um modelo completamente novo." Palavras importantes, não só porque Vera Jardim faz parte da Comissão Política do PS, mas porque, como se pode ler no relatório do Tribunal de Contas sobre as Estradas de Portugal E.P.E, o Governo encomendou a elaboração das "minutas de propostas de diplomas legislativos" ao escritório de Vera Jardim - a Jardim, Sampaio, Caldas & Associados - as quais resultaram nos diplomas e base da concessão já publicados em Diário da República.
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publicado por Pedro Sales às 17:08
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Sábado, 1 de Dezembro de 2007
Se é o governo que o diz...

PS admite que fez "maldades" aos trabalhadores da função pública.
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publicado por Pedro Sales às 16:44
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
O Pavlov escreveu umas coisas sobre o assunto
O Governo Civil de Braga solicitou a reabertura do processo contra os sindicalistas que, alegadamente, insultaram o primeiro-ministro numa manifestação. José Sócrates já tinha garantido publicamente que o governo não tinha intercedido na decisão de processar os sindicalistas e que não tinha nenhuma intenção de o fazer. Pode ser. Mas ontem, o Governo Civil, descontente com o arquivamento decidido pelo Ministério Público, pediu a reabertura de um processo que não tem pés nem cabeça. Se não responde perante o primeiro-ministro, de quem é o representante no distrito, o governador responde perante quem? Mais do que o autoritarismo do Governo, casos como este são exemplares sobre os critérios que têm presidido à nomeação de sucessivos governadores civis, directores gerais, regionais e de serviço. Fidelidade, cartão partidário e um criteriosa "confusão" entre os interesses do Estado, governo e partido. Depois, quando as coisas correm mal e chegam à imprensa, há sempre a desculpa do excesso de zelo. Como se não tivesse sido esse um dos principais critérios para a nomeação.

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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Uma vez é erro, dez é vigarice
O Governo deve voltar a falhar este ano a meta de inflação, completando pelo menos 10 anos de erros nas suas previsões, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística e com as contas realizadas pela agência Lusa.

Desde 1998, o erro médio da previsão da taxa de inflação que consta do orçamento do Estado face à inflação efectivamente verificada foi de 0,62 pontos percentuais, sendo que em todos esses anos, com excepção para 2006, a taxa prevista ficou sempre abaixo da verificada.Curiosamente estes "erros" têm sempre lugar na semana em que se negoceiam os aumentos salariais para o ano seguinte, vá-se lá saber porquê.

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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
Conversa de café
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais anunciou, há menos de uma semana, que existem grandes empresas da construção civil que fogem sistematicamente ao fisco. Hoje, no encerramento do debate sobre o Orçamento de Estado, acaba de dizer que há vários contribuintes que pagam pensões de alimentos superiores ao que declaram receber. Acredito que o cidadão Amaral Tomaz ache engraçado contar em público os mirabolantes expedientes utilizados na evasão fiscal. Só que Amaral Tomaz é o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e era suposto que, para além das graçolas, fizesse alguma coisa para pôr um ponto final nas situações que vai contando com um sorriso maroto. Isto se não for pedir muito, claro.
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007
Vamos pagar Quioto
“Vamos ultrapassar os tectos de emissões, mas vamos cumprir Quioto”, declarou ontem o ministro do Ambiente. Por outras palavras, vamos pagar para continuar a poluir ao ritmo actual. Segundo os últimos números, estamos 15,8% acima do valor de referência calculado para Portugal. São 9 milhões de toneladas que o país vai ter que pagar, investindo em energias limpas em países em vias de desenvolvimento ou comprando emissões no mercado de futuros do carbono. Na semana passada o preço deste último estava nos 24 euros/tonelada. Mesmo com a flutuação do preço - que até tenderá a subir -, são sempre mais de 200 milhões de euros por ano, a pagar essencialmente pelo Estado. Nunes Correia diz que vamos cumprir Quioto. Não, senhor ministro, os contribuintes vão pagar Quioto e a irresponsabilidade ambiental dos últimos governos. Que o diga com essa ligeireza, só indica que está quase no mesmo patamar de irresponsabilidade de Mário Lino ou Manuel Pinho. Dê-lhe Sócrates mais oportunidades e ainda lá chega.
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007
Há coxos mais rápidos que o primeiro-ministro

"O prazo não está ainda fixado". Foi assim que José Sócrates respondeu às críticas sobre a concessão das estradas de Portugal até ao último dia do século XXI. É até 2099, o que não quer dizer que tenha que terminar em 2099, garantiu o primeiro-ministro com a sobranceria do costume. O decreto foi ontem conhecido. Diz que "a concessão expira às 24 horas do dia 31 de Dezembro de 2099". Foi aprovado no Conselho de Ministros de 27 de Setembro. Seis semanas antes de José Sócrates garantir que ainda nada estava decidido, já o mesmo José Sócrates tinha assinado um decreto lei para atribuir a concessão até ao fim do século. Confrontado com as críticas do Bloco e PCP desdisse o óbvio. A decisão já estava tomada. Mário Lino já o disse para quem o quis ouvir. A concessão é para durar até aos trinetos de Sócrates tirarem a carta de ccondução. O assunto é incómodo e as pretensões do Governo para as Estradas de Portugal são cada vez menos claras, mas não vale a pena faltar à verdade de uma forma tão descarada. É que pode parecer que não só é costume como é mesmo este o feitio do primeiro-ministro.
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publicado por Pedro Sales às 02:09
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2007
Com a verdade me enganas
Suprema ironia. O mesmo governo que ganhou as eleições prometendo autoestradas sem portagens, admitiu ontem que pode vir a instituir portagens na rede de estradas de Portugal.

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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007
Anatomia de uma farsa
"Tudo faremos para que os funcionários públicos não percam poder de compra", disse o primeiro-ministro há menos de um mês. Há dois dias, o Governo fixou os aumentos para a função pública em 2008 nos 2,1 por cento. Hoje, a Comissão Europeia agravou a previsão da inflação portuguesa para 2,4 por cento em 2008.
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publicado por Pedro Sales às 22:10
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
Queremos mentiras novas
"Tudo faremos para que os funcionários públicos não percam poder de compra", disse José Sócrates há menos de um mês. Uma promessa, mais uma, que não é para levar a sério. Ontem, soubemos que os aumentos destes funcionários vão ficar nos 2,1%, um valor de referência também para o sector privado. O mesmo valor que o Governo prevê para a inflação em 2008. Como há anos e anos que sucessivos governo revêm a inflação em alta depois de decidir os aumentos salariais, o resultado deverá ser o mesmo dos últimos nove anos: a diminuição do poder de compra os portugueses. Os mesmos a quem José Sócrates deu os parabéns pelos sacrifícios para atingir os 3% de défice, ficaram agora a saber que até atingirmos os o,4% de défice "não podemos entrar em veleidades". Os sacrifícios são para continuar, pelo menos até 2010, asseverou o ministro das Finanças.

A ameaça do défice legitima todas as restrições sociais. É como a história do bastão e da cenoura. Como o primeiro nunca apanha o vegetal, corre sempre atrás da sua ilusão. Não existe nenhuma evidência que garanta que a existência de um défice zero estimula a economia. A obsessão com o défice é apenas a ameaça que justifica todas as restrições sociais, bem como o corte nos serviços públicos ao mesmo tempo que se aumenta a carga fiscal. Primeiro era preciso deixar para trás o défice excessivo. Depois a meta passou a ser atingir os 3 %. Agora, é para chegarmos aos 0,4% em 2010. Depois, logo se inventa qualquer coisa para continuar a cortar nos salários e nos serviços públicos. Podiam ser mais originais. Queremos mentiras novas.



publicado por Pedro Sales às 10:49
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007
"Jamé" pus os olhos em cima desse relatório
O "Sol" refere que o Tribunal da Contas critica duramente, num relatório ainda não divulgado publicamente, a gestão das Estradas de Portugal e a introdução de uma nova taxa para financiar a empresa. Em resposta, o Ministério das Obras Públicas afirmou desconhecer este relatório do Tribunal de Contas, apesar do semanário incluir várias citações da resposta do Governo à auditoria efectuada pelo tribunal.
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publicado por Pedro Sales às 13:56
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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007
Proteja a sua filha de empresas como a nossa

Depois do estrondoso sucesso do premiado anúncio Evolution, a Dove volta a lançar uma campanha onde critica os estereótipos de beleza criados pela sociedade de consumo. Apesar de ter apenas um dia, "Onslaught" já é um sucesso mediático e no YouTube, descrevendo o cerco que as campanhas publicitárias fazem às crianças para venderem os seus padrões de beleza como modelos de vida. "Talk to your daughter before the beauty industry does", diz a mensagem final. Deviam estar a pensar na multinacional detentora da Dove, a Unilever.
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publicado por Pedro Sales às 23:02
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Uma "dádiva ao patronato"
Como se já não chegasse ao Governo ver Bagão Félix dizer que as propostas apadrinhadas pelo governo para a revisão do Código laboral são uma “dádiva ao patronato”, dois dos elementos da comissão do Livro Branco demitiram-se. Em declarações ao Diário Económico, Júlio Gomes, um dos dois professores catedráticos demissionários, diz que “o relatório é muito desequilibrado e que as propostas “de maneira alguma favorecem os interesses dos trabalhadores”.

Uma dessas propostas consagra a abolição dos limites para o tempo de trabalho diário, passando o horário laboral a ser fixado anualmente e não ao dia. Com medidas destas, bem pode o Governo dizer que está a combater a diminuição da natalidade que não passará de mais uma medida sem efeito. Dizem-nos que temos que ser compreensivos e que, numa economia global, temos que ajustar os ciclos de produção às necessidades das empresas. Uma compreensão que parece faltar às creches e ao ritmo biológico das crianças que, certamente por má vontade, parecem lidar mal com horários de 14 horas seguidas. É uma pena, e será certamente um defeito da natureza, mas parece que as crianças ainda não nascem ensinadas no maravilhoso jargão da economia liberal.

publicado por Pedro Sales às 15:01
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Terça-feira, 2 de Outubro de 2007
Há dois anos, quando o candidataram, devia ser um jovem que corria a maratona em 2h30
PCP substitui presidente da câmara da Marinha-Grande por vice-presidente. Em conferência de imprensa, o dirigente comunista Filipe Andrade apontou a necessidade de renovação e a idade de Barros Duarte (73 anos) como as causas para esta substituição a meio do mandato.


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publicado por Pedro Sales às 17:12
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Domingo, 30 de Setembro de 2007
Afirma Pereira que é um delito de opinião
Um dos skinheads que vandalizou o cemitério judeu, num inqualificável acto anti-semita, consta no processo no qual são acusados mais de 30 skinheads nacionais, por crimes como a posse ilegal de armas, agressões, ameaças, insultos, sequestros, distribuição de propaganda nazi e discriminação racial. O mesmo processo pelo qual Mário Machado se encontra em prisão preventiva e que, segundo Pacheco Pereira, “aponta para razões puramente políticas, o que é inadmissível numa democracia”. De resto, acrescenta, Mário Machado apenas "é acusado de incitar ao ódio racial, algo que em países genuinamente liberais não é crime nem sequer delito de opinião".

Pacheco Pereira vive obcecado em provar a correlação entre a violência da extrema-direita e da extrema-esquerda, até porque, segundo o próprio, esta última é desvalorizada socialmente pelos meios de comunicação. Para que a tese funcione tem que desvalorizar os crimes dos skinheads, como faz com Mário Machado, e reagir em catadupa sobre a alegada complacência perante a destruição dos “verdeeufémios”. Não foi por acaso que passou metade do mês de Agosto a escrever post sobre post sobre a destruição de um hectare de milho em Silves. Para quem tinha dúvidas sobre a motivação de Pacheco Pereira, bastaria esta citação: o que está esclarecido mostra nonchalance face à violência da extrema-esquerda, correlativa da excitação com a extrema-direita (tenho a certeza que Sócrates já teria aparecido a "acalmar" o povo se o incidente viesse da outra extrema). Como se vê, não só Sócrates não falou, como a imprensa não dedicou um décimo do destaque que concedeu ao campo de milho de Silves. E Pacheco continua calado.

publicado por Pedro Sales às 15:49
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Sábado, 29 de Setembro de 2007
A nova guerra fria
(Calote gelada a esverdeado. A versão de alta definição desta imagem da
Agência Espacial Europeia pode ser encontrada aqui).


O aquecimento global está a derreter o Pólo Norte a uma velocidade superior às previsões dos modelos climáticos mais pessimistas. A calote gelada tem, actualmente, 3 milhões de quilómetros quadrados, tendo diminuído na última década a uma média anual de 100 mil quilómetros quadrados. Uma redução tão acentuada que permitiu - pela primeira vez desde que há registos - a abertura de uma nova rota de navegação marítima no topo do planeta.

Uma catástrofe ecológica eminente que deveria preocupar as principais nações, poderíamos pensar. Nem por isso. Em todas as tragédias há quem vislumbre oportunidades de negócio e as que, agora, estão à mão de semear no Pólo Norte são as mais apetecíveis: petróleo e gás natural. Em grandes quantidades. Enquanto a maioria dos líderes mundiais se juntavam em Nova Iorque para anunciar a sua preocupação com o aquecimento global, o mundo que verdadeiramente conta festeja as possibilidades entreabertas com a abertura de um novo corredor marítimo que permite revolucionar o comércio internacional. Basta ler o artigo da Time, transcrito esta semana pela Visão, para perceber como só agora começou a guerra fria pelo controlo político, e económico, desta região, envolvendo os Estados Unidos, Rússia, Canadá e Noruega.

Suprema ironia. As novas reservas de combustíveis fósseis estão agora acessíveis graças à destruição ecológica causada pela emissão poluente desses mesmos combustíveis. Na natureza, nada se perde, tudo se transforma. O problema é quando o ser humano se intromete na equação.

publicado por Pedro Sales às 16:46
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007
Falar para o boneco
Depois de uma acutilante, e certeira, intervenção do deputado Paulo Rangel sobre os perigos da instrumentalização política da base de dados com os perfis de ADN, o PSD votou favoravelmente a proposta do Governo. O tacticismo mais despudorado parece ter tomado deste partido. Ainda há poucos dias, Marques Guedes desdobrava-se em elogios ao veto presidencial sobre a proposta de responsabilidade civil extra-contratual do Estado, um diploma que contou com o voto favorável da sua bancada parlamentar. Doravante, quando um deputado do PSD se levantar para falar, ficamos sem saber se a coisa é para levar a sério ou se é só para aparecer um boneco nos jornais e nas televisões a fingir que estão a fazer oposição ao governo.
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publicado por Pedro Sales às 15:34
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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007
So that's why he's so tanned all the time !!
"Pablo Doors uses the black market for do to his crónica in the Sun."

...ou Paulo Portas traduzido para Inglês em freetranslation.com .

Inspirado pelos relatos que descobri aqui. Barrasshole está na corrida para a nova palavra do ano.

publicado por Vasco Carvalho às 07:31
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007
PSP: Polícia de Sova Pública
Aviso pré post: o post seguinte contém a dose mais que habitual de bas-fond, PSP, Violência Policial 1, 'disconnected youth',you-tube, blogolândia, tvi,claques de futebol, jornalista do Portugal Diário, posição previsível de esquerda, caixas de comentários a regurgitar, 2 dias nas notícias até ao próximo osso... Se preferir luta de classes mais soft e mais bem escrita diriga-se a outros lugares. Aqui fica o que isto é, mesmo depois de tudo isso,Violência Policial 1, feio, comum, previsível e mal contado... E não mencionei as conversas no Portugal de sofá. E de escritório. E de café. E sentiram aquele momento em que, por todo o país, o bom chefe de família decidiu anunciar, perante a TVI e a família: deviam era enforcá-los esses ... Foi ontem à noite, à hora das notícias.


(visto no Bitoque)

Meses depois da vergonha pública no 25 de Abril, exposta no Cravado no Carmo e dias depois do exibicionismo infantil no Hi5, onde agentes da PSP deixaram a sua foto-reportagem de uma operação policial completa com comentários como 'acabem com os mitras', os seus 'camaradas' voltam a aparecer na net, desta feita quatro agentes espancando ao pontapé um jovem negro.

Resposta da PSP: não se verificou nenhuma queixa de agressão. Pois, resta saber se quem foi espancado assim ainda tem língua para falar (literalmente). É que quem já perdeu amigos por 'força excessiva' da PSP -eufemismo típico de cobardes- reconhece que é este o 'standard procedure' contra os suspeitos que não são brancos; 'não está a falar comigo' como se houve no vídeo, seguido de pontapé, é a resposta à interpelação 'o que é que eu fiz para me bater?'. O meu amigo morreu porque tinha roubado um carro na margem sul. O resultado foi a suspensão de um agente durante dois meses. Avaliando pela reacção da PSP, os jovens no vídeo devem ter passado sem pagar no metro. Ou roubado um telemóvel. Ou nada mesmo. Tudo é crime hediondo e serve para sujar a bota polida em tardes de menos acção.

publicado por Vasco Carvalho às 17:58
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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007
Obviamente, sou contra
Vital Moreira respondeu, no Causa Nossa, às objecções que eu e o João Rodrigues levantámos ao seu artigo no Público defendendo os empréstimos bancários aos estudantes universitários. Rejeitando que se trate de um desinvestimento do Estado, Vital Moreira deixa uma “questão simples: para os destinatários, trata-se ou não de uma medida vantajosa e bem-vinda?"

De uma forma simples, então, convém dizer que é normal, e até é "uma medida vantajosa e bem-vinda", que o Estado estabeleça protocolos com instituições bancárias para oferecer taxas de juro e garantias mais favoráveis aos jovens estudantes. Coisa bem diferente é criar a ilusão que esta medida democratizará o acesso ao ensino superior, como o defende Vital Moreira e é garantido pelo primeiro-ministro: "A medida deve entrar em vigor já este ano lectivo e o objectivo é garantir que ninguém deixa de frequentar um curso superior por falta de condições económicas". Para isso existe a Acção Social Escolar, ou deveria existir, dado que a bolsa média anda nos 49 euros. Um dinheirão que mal dá para pagar metade das propinas (para quem não sabe, os bolseiros não estão isentos), quanto mais para custear as inúmeras despesas da frequência universitária.

Não é sério analisar esta medida desligada do contexto vivido no ensino superior, nomeadamente do seu financiamento. Não deveria ser preciso lembrar que, apesar de sermos o país mais pobre da UE15, temos as quintas propinas mais caras e o Estado investe menos de metade da média europeia em acção social. Os tais 49 euros por mês. É por aqui que passa a discussão da democratização, e não por esquemas de empréstimos que - conjugados com o aumento de propinas, como defende Vital Moreira - tão maus resultados estão a dar nos países que os adoptaram. Bem sei que o primeiro-ministro já garantiu que não aumentará as propinas nem desinvestirá na acção social. Mas, e quem vier a seguir? António Guterres, há 10 anos, indexou as propinas ao salário mínimo e garantiu que as mesmas seriam sempre para aumentar a qualidade das instituições, nunca para pagar despesas de funcionamento. Pois. Hoje, enquanto o salário mínimo se fica pelos 400 euros, as propinas já vão nos 900 e há muito que os reitores dizem que o seu dinheiro vai todo para pagar salários.

Nestas coisas das taxas e propinas, sabe-se como se começa mas nunca se sabe onde é que vai acabar. Ou sabe, termina sempre na desresponsabilização progressiva do Estado e na diluição das suas responsabilidades na democratização da frequência universitária, trocando-a por uma lógica cada vez mais mercantil em que passaremos a ter clientes financiados por um contrato celebrado com um operador bancário. Mesmo que, com esta medida, não gaste menos um cêntimo, o que é verdade, o Governo está a passar a mensagem de que o suporte financeiro para os alunos completarem os estudos é a banca. Por isso a minha resposta é também simples. Sou contra este regime de empréstimos.

PS:Vale a pena ler a resposta do João Rodrigues sobre o mesmo tema.
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publicado por Pedro Sales às 12:49
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
A vizinha do Cabral


Miss Teen America 2007, concorrente da Carolina do Sul. such as South Africa, the Iraq and the Asian countries, everywhere like such as and, so that we'll be able to build up our future... for our children. O espantoso não é que não faça sentido. É que esteja quase a fazer, que milhões sigam na TV, ano após ano, a versão articulada da mesma incoerência.

publicado por Vasco Carvalho às 04:47
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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007
Blair: o eterno facelift (II)






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publicado por Vasco Carvalho às 07:33
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Blair: o eterno facelift

Tony Blair "the man who made Britannia cool", abre a Men's Vogue de Setembro. Depois da tour mundial de despedida, Tony Blair aparece fresco, em mangas de camisa e atlético. Aliás,tão fresco que se suspeita de uso de airbrushing, onde se retoca digitalmente a fotografia para que Blair pareça mais en vogue . A práctica de airbrushing é comum nos media, mesmo depois de muitas horas de maquilhagem. Aumenta-se um seio, elimina-se um duplo queixo, desaparece uma borbulha. É um instrumento fácil e barato, uma espécie de arma de recurso ao serviço de indústrias que se dedicam, afincadamente, a produzir uma versão paralela da realidade.

Com a Vogue e os produtores americanos de posters que eliminaram os cigarros de fotografias dos Beatles, de passo em passo rumo até à Terra de Oz. Que Blair figure na história não é de estranhar: o seus mandatos foram uma interminável estrada de tijolos amarelos, chamada Cool Britannia. O spin continua numa fonte de desinformação perto de si.



publicado por Vasco Carvalho às 03:14
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2007
Fumou, mas não inalou
A Ministra da Educação, apesar de dar por provadas todas as acusações contra o professor Fernando Charrua, incluindo um insulto ao primeiro-ministro, resolveu arquivar o processo, considerando que o comentário do professor se enquadra no seu direito à opinião.
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publicado por Pedro Sales às 02:25
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Domingo, 22 de Julho de 2007
Nota a novo edil
Exmo. Sr. Dr.:

Venho por este meio solicitar inspecção camarária ao decadente imóvel sito ao Largo do Rato, n.º 2. Como se constata em fotografia anexa, as fundações estão a ruir e todo o edifício se afunda atrás da fachada direita.

Os melhores cumprimentos
e longa vida ao Presidente do Conselho.

Frente e Fachada Direita do N.º 2, Largo do Rato
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publicado por Vasco Carvalho às 17:53
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ZERO DE CONDUTA
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Pedro Sales

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