Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
Têm a certeza que querem medalhas? (III)

Rui Santos, na SIC Notícias, dizia que temos que comparar a nossas medalhas com países que têm a nossa dimensão. Como a Holanda, explica. As coisas são como são, e talvez valha a pena lembrar que a Holanda tem um banco, o Rabobank, que investe tanto no ciclismo como a totalidade das empresas nacionais em todo o desporto extra futebol. No seu site, podemos ler que o investimento na cultura e desporto reforça a sua imagem social, investindo no ciclismo, hipismo e hóquei em campo. Profissional e amador, lançando novos atletas. É toda uma diferença cultural que produz resultados. A competição ainda não acabou, e já ganharam três medalhas nestas modalidades, e vão bem lançados para ganhar o hóquei feminino e masculino. Este é um exemplo, mas podemos falar em dezenas deles. Se ninguém vai ver um jogo de andebol, e se as audiências das transmissões da liga são os familiares dos atletas, por que raio é que as empresas quererão gastar o seu dinheiro a promover o que ninguém quer ver?



publicado por Pedro Sales às 18:01
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Comentários:
De João André a 20 de Agosto de 2008 às 08:53
Já que falamos do país onde vivo e onde pratico desporto, deixo o meu comentário sobre o assunto.

Dou mais uma ideia: o Rabobank (por curiosidade, é o meu banco) não só tem uma equipa de ciclismo, como também é o patrocinador oficial das equipas de hóquei em campo. [outro aparte, uma das estrelas da equipa feminina é uma luso-descendente, Fátima Moreira de Melo, também estudante, modelo e ainda uma das caras oficiais do banco na publicidade].

E isso não justifica tudo. Neste país, qualquer cidadezeca de província tem o seu pavilhão gimnodesportivo cujos clubes (normalmente não há clubes ecléticos, cada desporto tem o seu clube) têm umas três ou quatro equipas masculinas de seniores a competir (de acordo com o nível). O clube de basquete onde jogo, em Maastricht, tem 4 equipas, por exemplo. E os jogos têm sempre pessoas a assistir. Não raras vezes se joga perante um pavilhão cheio a puxar pela sua equipa.

Esta cultura do desporto também influencia muito. E, quando algum atleta vai para a universidade, acaba por receber todas as condições necessárias para praticar o seu desporto. Mais um exemplo: no grupo onde fiz o meu doutoramento, tivemos um estudante (que ali fez o seu trabalho final de mestrado) que estava a tentar a qualificação para os JO em decatlo. O trabalho de mestrado dura cerca de 9 meses, habitualmente. Ele esteve connosco cerca de um ano porque só trabalhava em part-time, uma vez que necessitava de tempo para treinar. Depois de finalizar os estudos, foi contratado como técnico pelo grupo. Mais uma vez em part-time. Recebeu todas as condições necessárias para treinar e participar nas provas onde ia (frequentemente no estrangeiro). Não conseguiu ir aos JO essencialmente por causa de lesões, mas as condições estavam todas lá.

PS - na Holanda, a televisão estatal tem um site especificamente destinado aos jogos olímpicos com 10 canais disponíveis. Num deles passa o mesmo que na televisão, com a prova que estiver nesse momento a ser seguida. Nos outros 9, as imagens oficiais de outros desportos (independentemente de estarem holandeses em prova ou não) sem comentários. Foi assim que vi Vanessa Fernandes a ganhar a prata na segunda feira.

PPS - a Holanda tem um espaço próprio na China, chamado "Heineken Holland House" onde os adeptos holandeses se juntam para festejar (seja lá o que for) e onde surgem os atletas medalhados, de medalha ao peito, para receberem o aplauso da multidão. Têm sempre a companhia de algum membro importante da comitiva, normalmente, no mínimo, a presidente do comité olímpico holandês (Erica Terpstra, uma mulher que parece ser divertidíssima). No palco, nalguns dos dias, pelo menos enquanto outras funções não os obrigaram a partir, os atletas tinham a companhia do príncipe herdeiro e da sua esposa. Alguém imagina Vicente Moura abraçado a Vanessa Fernandes a dançar, com Sócrates, Laurentino Dias e esposas do outro lado? Também não me parecia.


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