Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008
Ainda o código deontológico dos ladrões

A Helena Matos, em resposta e este meu post, acusa-me de má fé. Parece que, estando eu entretido “com a vontade de fazer gracinha com o código deontológico dos assaltantes”, não percebi que “roubar é crime”. Confesso que fico baralhado, porque julgava ter ficado perceptível que a gracinha partia exactamente do pressuposto que eu sabia que a Helena Matos - como eu ou qualquer outra pessoa - sabe que “roubar é crime”. Logo uma atitude irresponsável. Ora, entre perder tempo a apelar ao sentido de responsabilidade de quem manifestamente não a tem ou às forças de segurança de um Estado de direito, eu prefiro concentrar-me na segunda hipótese. Porque espero que, em democracia, o escrutínio das acções de um organismo público surta efeito sobre os seus excessos. É por isso que não faz sentido colocar polícias e ladrões no mesmo plano.

 

Concentrar-mo-nos na evidente irresponsabilidade de levar uma criança para o local de um delito afasta-nos do essencial: sendo certo que roubar é crime, não deve condenar ninguém à morte. Quer se trate de uma criança de 13 anos ou do ladrão, maior de idade e vacinado. Por isso, e atendendo ao elevado número de tiros que em vez dos pneus encontram um corpo humano, é que a Inspecção Geral da Administração Interna emitiu um anota para que as forças policiais só usem as armas de fogo durante uma perseguição policial para se defender ou defender a vida de terceiros.

 

Quanto à acusação de má fé. É certo que a Helena Matos não disse que «é legitimo utilizar uma arma de fogo para parar um assalto que não coloca ninguém em risco». Mas não é menos certo que foi a Helena Matos quem, no preciso momento em que começaram a surgir declarações nos blogues e na imprensa a questionar a actuação da GNR, sentiu a necessidade de lembrar a responsabilidade dos ladrões no sucedido. É tudo uma questão de prioridades. Fazendo minhas as suas palavras: “Quando de todo em todo é impossível ignorar o crime, passa-se para a outra fase ou seja faz-se o que fez” a Helena Matos. Mesmo sabendo que apelar ao sentido de responsabilidade de delinquentes é uma discussão condenada ao insucesso.



publicado por Pedro Sales às 16:25
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Comentários:
De Pedro Sales a 16 de Agosto de 2008 às 00:38
Chico da Tasca,

Posso ser teimoso, mas, acredite, nesse campeonato você é quase imbatível. claro que os ladrões têm que ser detidos e que a lei não pode estar do seu lado. E, sabe que mais, não está. Desde o primeiro post que o digo. É para isso que existem tribunais. Mas roubar não é motivo para que alguém seja morto. Será que não percebem isso? Nos últimos dois anos é a quarta perseguição policial que acaba, depois de tiros para os pneus, com a morte dos carros. É por isso que existem sistemas de comunicação nos carros das polícias. Para chamar reforços, para montar uma barragem policial. O que quiserem. Menos disparar sem que do outro lado isso esteja a acontecer.

Dos 7 tiros, pelo menos cinco não acertaram nos pneus. A SIC mostrou a imagem de três balas num muro. Imagine que, em vez de se alojarem no muro, tinham apanhado uma pessoa que estava a passar ou na loja da esquina. DIsparar tem destas coisas.É como as massagens no Algarve. Sabe-se como é que sai do cano, mas nunca se sabe onde é que vão parar. UMa bala pode andar mais de 1 km antes de se imobilizar. É por isso que a IGAI recomendou que as policiais ordenou para as polícias pararem de disparar nas perseguições policiais.



De jose a 16 de Agosto de 2008 às 21:00
É só para dizer a estas pessoas que defendem esta gente, que um dia não seja vitimas das suas caçadeiras de canos serrados. De qualquer maneira não vale a pena andar atrás deles e prendê-los---os juízes soltam-nos logo! Se isto continuar assim, qualquer dia temos o exercito na rua como em Itália!................................................


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