Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
Mais um "dano colateral"

A GNR parece ter percebido o clamor popular pelo “sucesso” de Campolide, abatendo uma criança de 12 anos que seguia num carro em que os alegados assaltantes de material de construção fugiam da GNR. Para todos aqueles que ainda ficam chocados com a brutal desproporcionalidade dos meios envolvidos – e já não estou certo que sejam muitos -, talvez valha a pena lembrar o que andou a escrever meio mundo depois do assalto à agência do BES.

 

Quando a perda da vida de um sequestrador nem chega a ser um “dano colateral”, saudada pelos mais variados comentadores como o elemento que “veio dar aos cidadãos uma réstea de esperança, um sentimento de conforto”, que faz mais pela “prevenção do crime violento do que muitas leis”, necessária para que nos possamos “sentir muito mais seguros”, é normal que as forças policiais percebam a mensagem.

 

No espaço de dois anos é a terceira perseguição policial que a GNR resolve, depois de disparar para os pneus do carro, com a morte dos ocupantes do carro em fuga. Desta vez foi uma criança, mas este modus operandi tem definitivamente que ser terminado. A força policial exige proporcionalidade. Que pode ter sido certeiramente utilizada em Campolide, mas que falhou rotundamente neste caso. Mais vale deixar fugir os assaltantes de um crime banal do que colocar em risco a vida dos delinquentes e, vale a pena lembrar, de todos os cidadãos que têm o azar de cruzar a estrada à hora errada. Um inquérito interno da GNR, como a própria força propõe, não é solução para este caso, exigindo-se um inquérito da Inspecção Geral da Administração Interna.



publicado por Pedro Sales às 12:49
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Comentários:
De MFerrer a 12 de Agosto de 2008 às 14:30
Hip. 1 : A GNR não viu a criança e disparou para parar a fuga. Errou a pontaria. Riscos da profissão de assaltante.
Hip. 2 : A GNR viu a criança a ser levada por um grupo de assaltantes e como a considerou vítima de rapto, disparou sobre o veículo. Errou a pontaria. Riscos da profissão repartidos entre a GNR e os assaltantes.
Hip. 3 : A GNR viu que a criança era parte do grupo de assaltantes e sem poder avaliar a sua idade, em andamento, resolveu disparar para parar o veículo dos assaltantes. Errou a pontaria? Riscos da profissão de formador profissional de menores nas lides do roubo do cobre por tudo o que é sítio. Falta de profissionalismo. !É o que é!
Tudo o mais são tretas de puristas armados em virgens vestais e juristas da sociedade "in vitro". Tanto quanto sei, tal não existe.
Se se começar a tratar os gatunos como marginais com poucos direitos, talvez a criminalidade baixe!
Os que se queixam da brutaklidade policial são os mesmos que se lamentam que os tribunais sejam moles e a justiça não funcione, ou que a criminalidade esteja em crescendo!
Haja paciência para estes diletantes.
Sugestão: Os carros dos assaltantes deviam ser obrigados a ter, além da matrícula falsa, a constituição da quadrilha, os grupos sanguíneos e o tel. dos advogados.
MFerrer


De Rui Carlos Gonçalves a 12 de Agosto de 2008 às 14:56
Ainda gostava de perceber porque raio é que a criança de 12 anos estava na viatura...

Já pensaram em responsabilizar o pai por a ter envolvido no roubo? Antes de se queixarem da polícia, queixem-se do(s) pai(s).


De Pedro Sales a 12 de Agosto de 2008 às 18:31
Aos dois comentadores anteriores,

1. Não é suposto interromper um assalto pondo em risco a vida dos assaltantes. Digo e repito. A força policial, por ser conferida e usada em nome de todos, deve ser proporcional ao risco apresentada. Neste caso um assalto de trazer por casa.

2. Responsabilizar os pais por levarem uma criança para o local de um delito? Claro. Os assaltantes devem ser presos. Não é suposto serem mortos, ainda por cima sem julgamento. É essa a diferença.

3. Não é suposto colocarmos a GNR e delinquentes no mesmo plano. Como cidadão tenho o direito de esperar umas forças policiais que cumpram as regras de um estado de direito. Como é normal, não posso esperar o mesmo de delinquentes. Por isso é que existem tribunais e prisões. Mas não a pena de morte. Mais uma vez, é essa a diferença.


De Rui Carlos Gonçalves a 12 de Agosto de 2008 às 21:24
"2. Responsabilizar os pais por levarem uma criança para o local de um delito? Claro. Os assaltantes devem ser presos. Não é suposto serem mortos, ainda por cima sem julgamento. É essa a diferença."

Se não tivessem fugido, se se tivessem entregue à polícia, já tinham direito ao julgamento. Ao optarem por fugir, sujeitaram-se.

A atitude da polícia foi exagerada? Talvez, mas as decisões têm de ser tomadas na hora...


De Dinis a 12 de Agosto de 2008 às 18:58
Concordo consigo. Vou linkar o post no meu humilde blogue, ok?!
Mas não posso deixar de dizer que há exagero (ou então questões pessoais) na tentativa de liquidar o Rogério do 5dias. A frase é infeliz mas seguramente não exprime bem o sentrimento do autor. Assim, desviamo-nos da discussão essencial.


De Casual Friday a 12 de Agosto de 2008 às 19:00
Tem razão, Pedro Sales. Houve claramente um excesso de meios nestas circunstâncias : disparo com arma de fogo numa perseguição automóvel é manifestamente desproporcionado. Naquele momento não estava em risco a vida de nenhum refém inocente, nem havia ameça directa e actual á vida de um agente da GNR. A GNR esteve mal na fooma de actuar, e deveria ser penalizada pelo excesso noo uso da força.


De Ana Costa a 12 de Agosto de 2008 às 19:05
A formação tanto operacional como psicológica não tem sido tratada convenientemente.Estas coisas não podem acontecer.Tem de haver alguma forma de obrigar um carro a parar que não ponha em risco a vida dos ocupantes.


De Rui Carlos Gonçalves a 12 de Agosto de 2008 às 21:26
Parece-me que foram os próprios ocupantes que resolveram pôr a sua vida em risco...


De Pedro Sales a 12 de Agosto de 2008 às 22:19
Eu quando tinha cinco ou seis anos roubei um toblerone no supermercado. A minha sorte era ser um puto e não ter percebido que tinha posto a minha vida em risco.

As coisas que uma pessoa vai aprendendo com a idade...



De Rui Carlos Gonçalves a 12 de Agosto de 2008 às 22:33
Se não fugisse, o risco não devia ser muito grande. Agora se desatasse a fugir num carro...


De MFerrer a 12 de Agosto de 2008 às 23:05
O Pedro Sales está a fazer concorrência desleal ao João Miranda que anda há 3 dias a atacar a polícia no caso BES/Campolide.
Aqui a diferença, é a tentativa de atropelamento do GNR e a fuga de carro. A GNR deve usar da força necessária para neutralizar uma fuga. Deve consumar a prisão de assaltantes apanhados em flagrante. É dever deles, sabia? Aliás a prisão em flagrante delito pode até ser consumada por qq cidadão! também não sabia? pois mande mudar as Leis e dê mais possibilidades de fuga a ordens de parar. Tudo se simplificaria: A uma ordem de parar e de se render, o visado tem a prerrogativa da escolha: Ou se entrega, contra contrapartidas de bom trato e de comodidades, ou vira as costas e manda o ordenante á pqp!
Assim estará tudo bem!
Santa paciência!
MFerrer


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