Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
Kinder disparate

O Parlamento Alemão anunciou que pretende proibir a comercialização dos ovos de chocolate Kinder Surpresa, argumentando que as crianças não conseguem distinguir os pequenos brinquedos dos bens alimentares. “É triste, mas isso quer dizer que temos que acabar com os ovos Kinder Surpresa”, assegura a responsável parlamentar. Triste, triste, é este disparate. Mais um em direcção à redoma protectora em que a sociedade insiste em colocar os mais pequenos. Na ânsia de proteger as crianças de tudo acabamos por torná-los incapazes de se defenderem de qualquer coisa.


Sintomaticamente, o parlamento alemão não apresenta nenhum caso ou estatística que corrobore as suas preocupações. É normal. A proibição tem menos a ver com os riscos para a saúde do que com a ilusão de que se pode criar um mundo sem risco para as crianças. Só que o risco faz parte da condição humana e é um facto essencial para a nossa aprendizagem e crescimento. Esperem até ver os adolescentes que resultam destes míudos que não conheceram o risco e que nunca saíram dum casulo.


Existe a probabilidade das crianças engolirem os brinquedos? Claro. Bastante marginal, mas existe. Como acontece com os Legos e a infinitude de brinquedos que se encontram no mercado. Por isso é que existem idades recomendadas para cada um deles - a começar pelos ovos surpresa que são para maiores de 3 anos. O resto compete aos pais. Perceber onde começa e acaba o perigo. Que eles estejam muito ocupados consigo próprios e que apoiem todo o tipo de medidas asseptizantes é só a maior tristeza desta disparatada história. Vamos ver quanto tempo demora até chegar até nós.



publicado por Pedro Sales às 11:36
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Comentários:
De Cátia a 12 de Agosto de 2008 às 12:45
Se os pais cumprirem as recomendações da marca, os riscos são pequenos.

Quando era ainda criança uma das guloseimas que mais consumia eram os ovos de chocolate Kinder Surpresa. Precisamente devido aos brinquedos, a tal «surpresa» de não saber o que estava no interior. Mas sabia que havia algo no interior que não era comestível, porque já tinha passado da idade em que as crianças metem (quase) tudo na boca.


De Cipriano a 12 de Agosto de 2008 às 13:06

Na Alemanha também existe uma ASAE. Uma grande parte da população tem-se mostrado contra a proibição. Como os chocolates Kinder são como uma instituição por aqui, creio que terão que dar o dito pelo não dito...


De Joana Lopes a 12 de Agosto de 2008 às 14:12
Só podem achar que as gerações estão a ficar mais estúpidas - as dos pais e as dos filhos!!! E, se insistem muito, acabam por conseguir que fiquem mesmo...



De João a 12 de Agosto de 2008 às 14:41
O que devia ser proibido são leis como estas porque assim as crianças não conseguem distinguir a actividade político-legislativa da estupide...


De Luis Pestana a 12 de Agosto de 2008 às 16:21
Bons tempos...


De Isuf a 12 de Agosto de 2008 às 20:08
a UE só para quando tiver tudo normalizado, a quantidade de ar que inspiramos de cada vez, a quantidade de açúcar que se pode adicionar à zurrapa para lhe chamar vinho ,etc, etc


De rita maria a 13 de Agosto de 2008 às 15:45
Uma das comissoes do parlamento propos que, no ambito de um grande conjunto de medidas a serem aplicadas a brinquedos, fosse proibido juntar brinquedos e comida num mesmo produto. Face às reacççoes, desistiu da proposta ainda muito antes de ela ir a votos.


De rita maria a 13 de Agosto de 2008 às 15:46
PS: Existem regras para a quantidade de açucar que se pode adicionar ao vinho. E a UE nao tem nada a ver com elas.


De sophia a 24 de Agosto de 2008 às 17:07
Como temo que me retirem a custódia da minha filha após este post , uso nick :-)

A minha filha tem agora 3,5 anos. Desde que começou a andar, nunca se escondeu fosse o que fosse dela (a não ser, obviamente e por bom senso, lexívias e semelhantes). As facas, as moedas, e os ovos kinder que já come desde essa idade, sempre fizeram parte das coisas a que ela poderia ter acesso, se quisesse. Claro que isto dá um pouco mais de trabalho do que comprar cinquenta mil fechaduras e protectores que existem no mercado. Desde pequena que cada vez que mexia na gaveta dos talheres era instruída que não poderia mexer porque faziam dói-doi. Em relação às peças pequenas do kinder , depois de ter experimentado colocar na boca moedas de todas as dimensões e estas serem sistematicamente retiradas com um simples não-não , nem nunca lhes ligou. Também até hoje sempre subiu para onde quis, sempre desceu quaisquer escadas que lhe apeteceu bem como sempre espreitou por qualquer miradouro, obviamente com o trabalho de lhe explicar em linguagem simples como o deveria fazer. Hoje, que já fala, a única coisa que lhe digo é - faz com atenção e um "se achas que és capaz, faz". Como resultado, tenho uma miúda confiante e prudente à sua maneira própria, sem interferências, que nunca se magoou, que não tem medo exacerbado pela hiper-protecção pois foram-lhe conferidas "armas" individuais para gerir o mesmo. Não toca em facas (nunca), sabe que os garfos têm de ser transportados com cuidado e a última coisa que lhe passa pela cabeça é ingerir pequenos objectos, pois nunca lhe foi coisa escondida, logo, o interesse vai para outro tipo de brincadeiras muito mais divertidas. Como nunca lhe foram impostos limites (mais uma vez, com excepções do bom-senso de atravessar a estrada sozinha , etc.), sente-se (acho) livre sem grande vontade de experimentar coisas por provocação pois já sabe que, se o fizer, pode fazer um grande dói-dói unica e exclusivamente a si mesma. Pelo menos é aquilo a que assisto todos os dias; o único medo que lhe foi transmitido foi o dos pópós na estrada. Contudo, sem aversão para os mesmos enquanto possível condutora e passageira.

Estendi-me no exemplo pessoal, mas queria acima de tudo exprimir a minha revolta sobre a hiperprotecção , que, para mim, é apenas um grande contorno feito pelos pais para não se ter trabalho. Fechando todas as portas e janelas, não tem de se ensinar ao filho como saber utilizá-las, não é? Não sei o futuro, mas creio que tendo atenção a estes detalhes enquanto pequeninos, permitindo-lhes a construção de uma auto-confiança e reconhecimento individual dos perigos, talvez possa ter o devido descanso no futuro; ou seja, criar alguém que sozinho se consiga safar sem grandes problemas, dar-lhe a liberdade de se magoar por sua conta e risco (ou seja, dei~xá-la correr e subir para onde queira, sob supervisão), bem como alguém habituado a gerir situações de dificuldade onde tem de analisar o risco-benefício.


De marcos a 15 de Janeiro de 2011 às 23:57
MUITO LEGAL


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