Sábado, 2 de Agosto de 2008
O trambolhão

Não querendo desanimar os comentadores que garantem a pertinência e importância da comunicação de Cavaco Silva, mas talvez fosse útil colocarem os olhos na queda abrupta da taxa de aprovação do Presidente da República. Desde Maio, Cavaco Silva já desceu 12,8 pontos na sondagem Expresso/SIC. Com uma taxa positiva de 38%, Cavaco está a léguas de Sampaio, que deixou Belém com 55%, e parece saído da Liga dos Últimos quando nos lembramos que Soares andou sempre pelos 70%.


Tudo isto antes de ter interrompido o torpor estival para dramatizar uma comunicação solene a 10 milhões de portugueses sobre um “importante problema” que 10 milhões de portugueses desconheciam e sobre o qual continuam sem perceber o nome, quanto mais o que se passa. O próprio Cavaco Silva, valha a verdade, só parece ter-se apercebido da magna questão quando resolveu falar ao país. Caso contrário, ou teria vetado o Estatuto ou enviado os pontos que sublinhou para serem apreciados pelo Tribunal Constitucional – o que não fez. Rui Ramos está certo que “o Presidente teve razão: e se V. saiu da praia mais cedo para não perder a demissão do Governo e agora está zangado, aprenda”.Pode ser. Mas o mais provável é que, vivendo nós numa democracia, seja Cavaco Silva a aprender a não incomodar o país por uma mão cheia de nada, ainda por cima quando o que incomoda as pessoas é precisamente terem a carteira cada vez mais recheada da mesma forma.



publicado por Pedro Sales às 19:05
link do post | comentar |

Comentários:
De Tiago Moreira Ramalho a 2 de Agosto de 2008 às 23:27
Que exagero Pedro, se calhar até pode ter sido despropositado mas é preciso tanto escandâlo? Os portugueses não sabem o que se passa, e depois? Agora os políticos só podem falar do que a população já tem conhecimento? Nao podem DAR conhecimento? Se calhar podia ter sido tudo resolvido sem recorrer à televisão, mas foi assim tão chato ter de ouvir o Presidente da República durante 7 minutos no jornal da noite?


De Pedro Sales a 3 de Agosto de 2008 às 12:26
Sete minutos? Foi o dia todo. O antes e o depois foram muito mais duradouros do que os sete minutos. A televisão e a dramatização que lhe esteve associada tem um resultado muito claro. Da próxima vez que falar não será escutado com a mesma atenção. E continuará a cair nas sondagens, porque as preocupações dos portugueses - que, de acordo com o INE, se encontram no ponto mais pessimista desde 1986 - não passam por um qualquer obscuro problema nos Açores que se podia resolver com uma audiência com os partidos. D


De Marco Alberto Alves a 4 de Agosto de 2008 às 18:34


Rui Ramos, Helena Matos, a "demissão do Governo", caramba: a Direita portuguesa não se ponha a pau, que ainda acaba toda num hospital psiquiátrico (ainda por cima público..)!


De Nuno Fernandes a 5 de Agosto de 2008 às 15:17
Desculpe, Sr Pedro Sales, mas qual Soares? Aquele que teve menos de 15% nas últimas eleições presidenciais? Acho que é esse. E ele vale esses menos de 15%? Claro que não - Soares vale mais do que 15%, obviamente.

No respeitante à actuação que acabou por se mostrar relevante para o sistema político, Sampaio não me deixa particularmente grandes saudades como presidente, já que falhou nos grandes momentos (não se pronunciou na descida ao pântano, a nomeação de Santana Lopes, etc). Por isso também não acho que valha os 55% - que, afinal, estão aqui como comparação menorizadora, ignorando que Sampaio chegou a atingir picos de impopularidade durante o segundo mandato similares aos que Cavaco actualmente apresenta.

Uma sondagem é uma sondagem e vale o que vale. No caso da presidência, quanto mais o incumbente se mexer pior para ele. Pressoalmente prefiro apenas que faça a coisa certa, dependente ou não da impopularidade que tenha ou não. A história julgará da bondade dos seus actos. Cavaco terá o seu ´julgamento´ em 2011 pelo que fizer até lá, e ainda há eleições legislativas pelo meio. Conhecendo o homem, ele também não se impressiona muito com sondagens - o que não é mau.

Quanto à actuação, acho exagerada uma comunicação formal para o efeito do estatuto dos Açores, e isso diminui o tal "poder da palavra" antes afirmado por Cavaco. A comunicação deve fazer parte de um jogo de corda qualquer entre Belém e o PS mas cujos passos de tango não vejo - nem tenho interesse em ver.

Mais do que estes episódios que rapidamente caem no esquecimento porvirão certamente tempos de decisões mais significativas na condução do país, e aí se verá se Cavaco toma as decisões mais adequadas para o efeito ou se mostra um novo Sampaio. Se é só para fazer corpo presente e desbobinar palavras finas, então que venha o bardo - já na Assembleia da República vimos, nos últimos anos, que para esse efeito é capaz de desempenhar o papel na perfeição.

Cmpts


De Nuno a 5 de Agosto de 2008 às 15:39
A mim o que me preocupa é este "inside trading" entre Belém e MFL, esta actuação concertada com acesso a informação privilegiada. Isto demonstra bem quem é a má moeda no PPD! Para além de ser uma vergonha para a instituição q representa.
Já nem falo desta vontade q o cavaco tem de querer governar. Cavaco não tem de tomar decisões na condução do país, não foi eleito para isso! Eu prefiro q o pai do monstro fique quieto que já fez a sua dose de danos entre 85 e 95 e absteve-se de efectuar as necessárias reformas! Miserável!
É claro que a gestão das expectativas foi desastrosa ou pior e da próxima ninguém lhe liga! E a menção feita pellos media vezes sem conta a "fontes anónimas da presidência" é completamente surreal! Então há fontes anónimas na PR? E os jornalistas publicam sem saber quem é a fonte? Desta cambada de jornaleiros já espero tudo e acredito em muito pouco!


Comentar post

Zero TV
ZERO DE CONDUTA
Filipe Calvão

José Neves

Pedro Sales

Vasco Carvalho


zeroconduta [a] gmail.com
Indecisão 2008
Subscreva
Zero links
arquivos

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Feeds