Segunda-feira, 21 de Julho de 2008
O fracasso do assistencialismo

Apesar de terem recebido milhões e milhões de euros em subsídios nos últimos anos, do contribuinte ter apoiado financeiramente o seu estilo de vida pomposo enquanto foram pedinchando tudo ao Estado, de serem alvo das isenções mais variadas e de políticas de promoção sabe-se-lá do quê, há comunidades que continuam a aproveitar-se dos nossos complexos de culpa para viver impunemente à margem da lei. Estou-me nas tintas para o que venham a dizer a seguir os defensores do políticamente correcto, mas o que esta notícia prova é que há grupos que têm vivido à nossa custa e que, mesmo assim, continuam sem aceitar cumprir as mais elementares regras da vida em sociedade, a começar pelo respeito pelas lei. Num país refém dos complexos de culpa da direita bem pensante, perita em inventar os mais mirabolantes contextos sociológicos para defender estas vítimas da globalização e dos falhanços do Estado, casos como estes continuarão sempre a existir quando se forem embora as câmaras da televisão.

 

Estou a falar da continuada exploração da mão de obra infantil pelos empresários dos têxteis, como é claro.



publicado por Pedro Sales às 17:55
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Comentários:
De Chico da Tasca a 21 de Julho de 2008 às 23:49
Ao ler o título e aí uns 3/4 deste post, pensei que finalmente teríamos um blogue da esquerda dita "progressista" a falar dos comuniades cigana e africana que apesar de viveram há anos em casas de borla, pagas pelo contribuinte, e com rendimento de inserção, também pagos pelo contribuinte, não se coibem de cometer toda a espécie de atropelos à lei, em total impunidade (!), que vão do tráfico de armas e droga ao assalto à mão armada, passando por actos de racismo e xebofobia (!!!).

O que se está a passar na Quinta da Fonte é uma vergonha sob todos os pontos de vista, e representa um verdadeiro fracasso do assistencialismo. É também uma vergonha para o Estado de Direito, e para a dualidade de critérios com que trata casos semelhentes.

É também um hino à Hipocrisia com que a esquerda dita "progressista" trata estas questões, realçando umas e omitindo outras.

Pergunto : com que direito pretos, brancos, amarelos, ou de outra côr qualquer, andam a receber casas com rendas ao preço da uva mijona, que aliás a maioria não paga, acumulando subsidios, e se dão ao luxo de virem para a rua disparar armas ilegais, sem que ninguém lhes faça nada em relação às casas que ocupam e aos subsidios que recebem ?

Pergunto : quantos tipos de racismo e de xenofobia existem para os tipos da esquerda dita "progressista" ? Que tipo de racismo e de xenofobia é que merece a indignação dessa gente ?

Quantos ciganos e negros da Quinta da Fonte que possuem armas ilegais, modificadas ou não, é que irão ter o mesmo destino do dirigente do PNR que foi preso por ter exibido uma arma na TV ?

Pergunto : porque é que ninguém deste país, a começar pela esquerda dita "progressista" tem a coragem de dizer aos ciganos em idade de trabalhar, que se querem uma casa a podem arrendar ou comprar via crédito bancário, como todos os outros portugueses ?

Hoje houve uma auto designada Marcha pela Paz na Quinta da Fonte, com a presença de duas insignes figuras do 25 e Abril : Maria Barroso e Helena Roseta.

Pergunto : será que os marchantes desfilaram com cravos nos canos das armas ilegais ?


De Paulo Mouta a 22 de Julho de 2008 às 01:32
Pessoalmente creio que as duas ingignações são dignas de atenção, a do Pedro Sales contra a exploração do trabalho infantil ainda que disfarçada inteligentemente no texto de uma crítica aos que condenam a impunidade dos criminosos independentemente da raça (diga-se). E a indignação do Chico da Tasca que é igualmente justa. No entanto tenho de fazer uma ressalva. É que a protecção das camadas parasitárias da população sob o alibi de se tratar de questões meramente sociais não é património da esquerda progressista mas sim de uma esquerda folclórica que emntente de a democracia é uns viverem e trabalharem para que a possa ser efectiva a liberdade dos outros que não querem trabalhar e que vivem numa total dependência parasitária do estado.

Os princípios da protecção social têm de ser direccionados para aqueles que, por condições de saúde ou outras de grande relevancia não podem trabalhar ou que já trabalharam e merecem a justa compensação pelo tempo em que o fizeram sem terem de recorrer a depósitos para velhos e semserem abandonados pela sociedade em geral e pela família em particular.

Uma esquerda que defende o parasitarismo social é uma esquerda suicída. Premiar a preguiça e a impunidade é dar meia vitória a todas as formas de pensamento conservador ou liberal.


De Umbelina a 22 de Julho de 2008 às 05:56
Por acaso pensei mesmo que estavas a falar da ciganada mas estranhei . E a intenção da "rasteira" era mostrar como somos preconceituosos ?


De Pedro Sales a 22 de Julho de 2008 às 11:37
Não, Umbelina, não tenciono demonstrar o preconceito de ninguém.

o objectivo do post era mostrar como a direita que não cala a sua indignação, nos blogues e jornais, por descobrir que os pobres também cometem crimes e, a partir daí, não hesita em pôr em causa todos os programas sociais. São um falhanço, dizem, que estão a ser suportados pelos nossos impostos. Curiosamente, nunca dizem o mesmo quando descobrimos que milhares de empresários fogem ao fisco ou espatifam milhões em offshores criados para a "limpeza" do dinheiro que devia ser destinado aos cofres do Estado.

Houve crime na Quinta da Fonte? Claro. Há pessoas que não pagam as rendas e contas da água e luz? Têm que pagar. Mas a solução não é acabar com políticas de apoio social. É criar mecanismos exigentes que fiscalizem a sua aplicação. E, mesmo assim, existirá sempre fraude.

Curiosamente, a mesma direita que critica os bairros sociais, vistos como um desperdício de dinheiro com pobres que não têm remédio, criticam ainda mais duramente a solução que garante a sua disseminação pela cidade, com 25% de casas a rendas controladas. A Quinta da Fonte é um pretexto para muito boa gente defender o que sempre defendeu. Não querem o rendimento mínimo, que tentaram acabar quando estiveram no governo, e nem um tusto para medidas de apoio social aos mais pobres. O paleio pode ser mais ou menos sofisticado, mas é muito disso que se esconde por detrás de alguma indignação selectiva que por aí anda.



De Chico da Tasca a 22 de Julho de 2008 às 12:08
Você também deveria falar dos MILHÕES que o Estado deve às empresas, e não fala. Deveria de falar da MISERÁVEL JUSTIÇA que temos que protege os caloteiros e pune as empresas. Deveria também de falar da BUROCRACIA MASTODÔNTICA do Estado, a começar nas Câmaras, que transforma qualquer tentativa de investimento neste país num verdadeiro suplicio de tempo e de dinheiro.

E depois, pobres somos todos. Estamos todos endividados e ganhamos todos mal. Mas de nós exige-se que cumpramos à risca todas regras e todas as obrigações.

A mim repugna-me o facto de durante dias assistir a manifestações violentas de racismo, xenofobia, e criminalidade pura e dura (não estou sequer a falar de vigarices, como não pagar a renda da casa) e a Esquerda dita progressista cala-se, omite, em profundo contraste com situações idênticas, mas muitissimo menos graves, só que vindas do lado politicamente incorrecto.

Quanto aos pobres, alguém tem de me provar que os ciganos são pobres. Eu não sei. O que sei é que lhes é dada uma casa, que aliás eles entendem como uma obrigação da sociedade perante eles, e subsidios, a troco de nenhuma obrigação.

Aliás, a fragilidade do Estado em fiscalizar o que quer que seja, só mostra à evidência que apesar de ter 700 mil funcionários, e gastar a maior parte dos nossos recursos, para nada, os tais "serviços públicos" com que a esquerda enche a boca, são quase zero !

E torno a dizer : ciganos e seja quem fôr em idade de trabalhar, e gozando de saúde, só receberiam casas e subsidios a troco de trabalho, e do cumprimento de todas as obrigações, e da OBRIGATORIEDADE de terem os
filhos na escola os anos estipulados por lei.

E qualquer, na Quinta da Fonte ou em outro bairro social qualquer, que fosse apanhado com armas ilegais em casa, seria-lhe retirada a casa e o subsidio !


De Isuf a 27 de Julho de 2008 às 13:38
Pois eu iria mais longe.

Se são pobres, são pobres por quê? Será que a culpa é da sociedade? Será que eles não têm a grande parte da responsabilidade?
Ser de esquerda, não é ter que estar do lado dos "desgraçadinhos" só porque são "desgraçadinhos"! Não há nada pior do que querer ser politicamente correcto à força!

Isuf


De Isuf a 27 de Julho de 2008 às 13:41
Será que este estado de coisas nos leva a algum lado? Será que precisamos de aplacar consciências?
Acho que o debate deveria ser mais profundo do que por vezes nos tencionam fazer querer, tanto à direita como à esquerda!


De Isuf a 27 de Julho de 2008 às 13:29
Pois eu cai na mesma ratoeira!


De Nuno Fernandes a 22 de Julho de 2008 às 09:43
Caro Pedro Sales

Não deixando de ter razão naquilo que diz, e não tirando mérito ao modo inteligente como capta a atenção do leitor para um problema que, de outro modo, muitos iriam ignorar (por fazer parte de uma paisagem que não interessa e de onde escolhemos por tirar os olhos?) tenho também de concordar um pouco com o comentário #3: a "rasteira" subjacente ao post acaba por fazer um pouco de ricochete face ao quase-silêncio que este blog, assim como outros de similar orientação política, tem dedicado à questão da Quinta da Fonte. Compreendo que seja incómodo e não esperava que se entrasse em chinfrins como se vê noutros pontos da blogosfera, mas a verdade é que parece evidente haver um ´elefante na sala` e que ninguém quer dar por ele.

Cumprimentos


De Sérgio a 22 de Julho de 2008 às 10:59
Brilhante.


De filinto a 23 de Julho de 2008 às 17:39
Em cheio. O meu conhecimento das leis é vago, mas parece-me que as pessoas andam sempre demasiado preocupadas com as coisas erradas. Será que se apercebem do alcance, económico e social, do tema da notícia e do enquadramento que foi dado neste post? Gostava que sim, mas o ruído é aliciante.


De Umbelina a 24 de Julho de 2008 às 05:12
Pedro, desculpa, mas na minha opinião, tiveste mesmo intenção de manipular no sentido de criar uma "moral da história", apesar disso concordo com aquilo que afirmas.
Penso, também, que por exemplo a Esquerda que eu votei (BE) se comporta por vezes, como uma dama comprometida com pudor de dizer que os direitos vêm sempre acompanhados de deveres e que isso se aplica a todos e essa omissão faz com que a direita populista ganhe argumentos.


De Marco Alberto Alves a 24 de Julho de 2008 às 15:13


EM CHEIO!


"O melhor Artigo do Mês" já está entregue, pela subtileza e genialidade da associação mental que provoca.


A Quinta da Fonte é um problema sério, muito sério. Mas serve às mil maravilhas para esconder outros PROBLEMAS MUITÍSSIMO MAIS GRAVES, que nunca aparecem na comunicação (irónicamente dita "social"...) com o destaque que merecem!...


E este até é apenas um exemplozinho, comparado com as monumentais FALCATRUAS que os grandes figurões do poder - político, mediático, eclesiástico e, sobretudo, económico e FINANCEIRO - vêm praticando desde que se aperceberam de que vivemos num PAÍS SEM JUSTIÇA PARA OS PODEROSOS!


Este é que é o objectivo do Artigo, entende cara Umbelina?


E tu também atinges, ó chico da tasca?


De Umbelina a 26 de Julho de 2008 às 02:42
Sr Marco, eu entender entendi, o Sr é que parece que com tanta irritação não o conseguiu fazer, e mais não digo que a Tertúlia cor de rosa está a começar e ainda não chamei o Chico da Tasca para me fazer companhia.
É que se acha a Quinta da Fonte um problema sério, não sabe mesmo nada da vida da Elsa Raposo.


De Isuf a 27 de Julho de 2008 às 13:33
Clap, clap, clap, clap!

Há pessoas que julgam que são o farol que nos indica o caminho. Bom, pensar, até podem pensar, mas daí a imaginarem que nós temos a mesma opinião vai uma grande diferença! Isso seria ingenuidade!


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