Segunda-feira, 21 de Julho de 2008
José Manuel Fernandes, o intelectual do jornalismo Lux

A penúltima edição da Lux garantia, à largura de toda a capa, que “Paulo Sousa não quer saber dos filhos”, pois “só tem olhos para a filha de Cristina Moller”. A acompanhar o lixo do texto, a revista colocava uma foto da filha da apresentadora de televisão e outra com o ex-jogador abraçado a Cristinina Moller. Nem é preciso discutir as questões deontológicas levantadas pelo “jornalismo” absolutamente miserável desta revista, mas não deixa de ser espantoso constatar como, num registo mais sofisticado, e sem levantar o dedo acusatório a ninguém, José Manuel Fernandes estende o anátema a todas as famílias monoparentais. Sem papá e mamã, mesmo que passem a vida a discutir à frente do(s) rebento(s), são disfuncionais. O mesmo director do Público que passa a vida a assinar editoriais contra o carácter impositivo da esquerda, e a pretensa superioridade moral daqueles a quem classifica como “bonzos”, dedica-se agora a definir quais são as famílias saudáveis e as que resultam de uma qualquer disfunção. Esta visão ahistórica da família, que não anda muito longe da de Ferreira Leite, demonstra bem o conservadorismo radical de muitos dos ideólogos liberais cá do burgo.

 

PS: Se José Manuel Fernandes quisesse saber o que é que representa um carácter verdadeiramente disfuncional na vida das pessoas, independentemente das famílias serem ou não monoparentais, talvez não fosse má ideia passar dois minutos a pensar nas consequências das propostas de desregulação e aumento do horário de trabalho pelas quais sistematicamente faz campanha. Que o CDS, auto-intitulado defensor da família, seja o único partido que, entre nós, apareceu a defender a semana de trabalho de 65 horas, diz muito sobre as verdadeiras preocupações familiares da direita.



publicado por Pedro Sales às 12:44
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Comentários:
De jorge c. a 21 de Julho de 2008 às 14:31
Pedro Sales, o moralista!
As suas posições devem ser muito menos extremistas que as de JMF ou MFL, deixe estar!


De Pedro Sales a 21 de Julho de 2008 às 17:05
O José Manuel Fernandes postula quais são as formas correctas e saudáveis de relacionamento familiar, e o moralista sou eu? Olhe que é preciso topete!


De jorge c. a 21 de Julho de 2008 às 17:39
JMF dá uma de sabichão), você chama-lhe moralista. Se você faz a mesma coisa com ele (dar uma de sabichão) no seu post scriptum então estará a cometer o mesmo erro, não?
E já agora diga-me a sua posição. Certamente terá em conta toda a comunidade e não será nada "radical" (a expressão é sua), não é Pedro?

Ouça, eu não estou a dizer que concordo ou que deixo de concordar com JMF. A opinião dele é-me, acima de tudo, indiferente. A sua já não, e estamos em campos políticos bastante diferentes.


De Pedro Sales a 21 de Julho de 2008 às 17:49
Caro Jorge,

O problema não é ser "sabichão". Qualquer pessoas que escreva dá uma de sabiçhão. A questão é que JMF diz que um deteriminado modelo de relação familiar é disfuncional, um anátema um pouco apressado sobre milhares e milhares de pessoas. Mas, respondendo à sua questão: Famílias disfuncionais existem em todas as formas de relacionamento, classe social ou nível de escolarização. Não sou eu que as vou estratificar em categorias comportamentais.

Há uma diferença entre o meu post-scriptum e o discurso de JMF. Eu não associo nenhum juízo de valor a um determinado comportamento. Limito-me a dizer que as posições que JMF tem defendido sobre a desregulação e aumento do horário de trabalho são, em si mesmas, factores pertubadores da vida em família. Parece-me evidente que, quem trabalhar 65 horas por semana, pouco tempo terá para brincar com os filhos.



De jorge c. a 22 de Julho de 2008 às 10:55
Certíssimo. Fiz uma leitura demasiado extensiva daquilo que escreveu, é um facto.

Cumprimentos.


De Manuel Leão a 21 de Julho de 2008 às 15:51
Para JMF a desregulação dos horários de trabalho têm a ver só com a produtividade. Ele está-se pura e simplesmente marimbando para os efeitos que isso possa ter, até nas famílias clássicas. Porque, uma vez alcançado o objectivo, já nada mais interessa. Esse serventuário do mais agressivo liberalismo económico, está muito na moda. Percebe-se porquê. É no "Diga lá Excelência" é no "Expresso da Meia-Noite", No Público, já se vê, e etc, etc. É um homem tão aberrantemente cínico, que chega a ser sinistro. E logo ele que nada tem a ver com a esquerda. Mas é um indivíduo muito conceituado num país que alguns ainda teimam em designar por "Portugal de Abril".
Para este, até o "28 de Maio era perigosamente esquerdista"!


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