Quinta-feira, 17 de Julho de 2008
Saudades de uma escola de casta

Não deixa de ser engraçado reparar como Maria Filomena Mónica, e a esmagadora maioria dos comentadores que enchem a imprensa a defender a meritocracia da escola “de antigamente”, pertencem quase todos a uma geração que beneficiou de uma agressiva selectividade social que lhes garantiu uma entrada na faculdade sem competição e um emprego garantido, e exemplarmente remunerado, à saída da faculdade para a meia dúzia de doutores do país. O 25 de Abril encontrou um país com 130 mil licenciados e quase 2,5 milhões de analfabetos. Associar o mérito ao sistema escolar anterior a 1974 é apenas mais uma falácia para atacar a massificação proporcionada pelo ensino público e o fim de uma universidade elitista e de casta.


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publicado por Pedro Sales às 13:03
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Comentários:
De deus não dorme a 17 de Julho de 2008 às 17:53
clap clap


De Isuf a 17 de Julho de 2008 às 21:59
De facto é uma fálica, mas é igualmente um enorme equivoco tentar justificar a actual situação do ensino em Portugal fazendo o contraponto com o elitismo do 24 de Abril.


De Pedro Sales a 18 de Julho de 2008 às 15:21
Eu não defendo o actual estado do sistema educativo. Se reparar no post anterior, e nem lhe peço que tenha lido os restantes, reconheço a existência de erros. bastantes, até. Mas o principal problema é o atraso gigantesco que o país tem que encurtar numa matéria que, sendo cultural , demora gerações. No início do século XX, os países do norte da Europa já tinham praticamente erradicado o analfabetismo, algo que nós só conseguimos há meia dúzia de anos. A maioria dos alunos que se encontra actualmente na escola, quando chega ao 9.º ano tem um nível de escolaridade superior ao dos pais. Em casa não têm livros nem hábitos de leitura. Não existem métodos de estudo. Pedir que se resolva tudo de um dia para o outro é irresponsável. Têm sido cometidos erros? Claro. Mas não vale a pena mandar fora o bébé com a água do banho.


De Fernando Vasconcelos a 18 de Julho de 2008 às 01:37
Pois Isuf tem razão. Tanto antes do 25 de Abril como depois o nosso sistema educativo tinha pontos positivos e pontos negativos. Neste momento no sistema corrente penso que o principal problema reside efectivamente na falta de exigência. Na falta de recompensa do mérito. No facilitismo. Antes tínhamos uma escola apenas para alguns. Não me pergunte o que escolheria porque acho que essa escolha não é necessária. É possível ter uma escola exigente para todos. Agora obviamente isso exige esforço de todos, incluindo dos alunos que vivendo numa sociedade que lhes parece dizer que as coisas caem feitas do céu têm muita dificuldade em compreender o valor do esforço e da dedicação. É isto que falta nas nossas escolas, no sistema em si. Já que felizmente penso que em muitos professores essa dedicação e essa percepção existe. Isso foi uma coisa que tive a felicidade de descobrir na net nestes últimos meses. A voz real de tantos professores que honram a sua profissão.


De AlbertoGomes a 18 de Julho de 2008 às 16:10
Fernando de Vasconcelos,

Concordo com praticamente tudo o que diz. A parte que não concordo é quando fala na dedicação dos professores. Também já na net e não só, li e ouvi declarações de professores que falavam dos reais problemas do ensino, que além do mais para eles são também problemas laborais.
A discordância vem da minha experiência de pai de alunos, tenho uma filha que finalizou este ano o 3º ciclo e outra a frequentar o 1º ciclo, e sobretudo no 2º e 3º ciclos as faltas de professores os atrasos e a desorganização interna da escola, é quanto a mim exagerada.
Por fazer estas criticas já tenho sido acusado de injusto e “colado” como apoiante do governo, que até não sou, pensando que a maior parte dos defeitos da “nossa escola” se devem a erros políticos.
Outra das desculpas que dão é, os próprios pais não se interessarem pela escola, é verdade para uma grande maioria, eu sei a dificuldade que existe para, por exemplo numa escola com algumas centenas de alunos, arranjar cerca de uma dúzia de pais para formar uma associação, e mesmo desses depois só metade, ou menos, é que participa activamente. Acho que porém isso não desresponsabiliza os professores das suas funções, pois se outra justificação não houvesse, e eu penso que há, eles são pagos para cumprirem com as suas obrigações.
Não digo que todos os defeitos do nosso ensino são culpa de todos os professores, longe disso, muito longe disso.
O que digo é que alguns professores tem alguma culpa de alguns dos defeitos do nosso ensino.
Em todas as classes profissionais sempre haverá elementos mais competentes ou mais empenhados que outros, assim como haverão outros que pouco mais fazem que denegrir o bom nome da classe, para mim isto torna-se num maior problema, quando por algum corporativismo se desculpabilizam os segundos.


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