De jpt a 19 de Julho de 2008 às 17:24
Caro Pedro Sales e outros:

A Maria Filomena Mónica diz normalmente só disparates e num tom tão irritante que normalmente apetece contestar imediatamente (ou mudar de canal), mas isso não me impede de reconhecer que o ensino no geral, e o secundário em particular, é hoje genericamente facilitista . Eu entendo que o ensino tem uma função social de integração na sociedade e até de ascensão social (e etc , etc , etc ), mas terá necessariamente que ter também a função de preparar pessoas qualificadas para que sejam profissionais competentes. E é dessas elites que Portugal precisa.

Não tenho nenhuma nostalgia pelo ensino do fascismo (aquelas cantilenas sobre os rios de portugal eram patéticas) e reconheço as enormes conquistas do ensino pos-25 de abril . Nada tenho contra o ensino público, pelo contrário, e acho que é este clima de exagerado facilismo que está a fazer perigar o ensino público. Alguém que queira o seu filho bem preparado para o ensino superior tenderá a escolher uma escola privada, mesmo que não seja "politicamente" contra o ensino público.

Eu agradeço aos comentadores a enormíssima bondade de darem trela aos "esquizofrénicos" cujo código genético desgraçadamente não inclui o Bom Selvagem, como eu ou o Nuno Crato (não, não me estou a comparar), a quem nunca ouvi criticar o ensino público e a quem, ao contrario de MFN , nunca ouvi dizer disparates.

Sou de esquerda ("inequivocamente" de esquerda), mas isso não me impede de reconhecer que alguma esquerda tem fobias cegas a temas e palavras como "elite" (o que pode não querer dizer exactamente "elite social") ou autoridade (que confunde normalmente com autoritarismo), por exemplo. Fiz o ensino num liceu público, já depois do 25 de abril , e até considero que fiquei bem preparado.

Dito isto, peço: podemos fachavor parar de nos insultar, ouvir-nos uns aos outros e tentar fazer qualquer coisinha para melhorar a coisa?

O problema que estamos a discutir é este: como pode o ensino ser suficientemente inclusivo, de maneira a manter no sistema alunos que socialmente estão pouco preparados para o estudo, porque provêm de famílias pouco cultas ou pouco exigentes, onde não há um dicionário ou um atlas em casa, e ainda assim conseguir ser suficientemente exigente de maneira a preparar bem os alunos para a faculdade? Se aumentarmos o grau de exigência aumenta o abandono escolar (que já é enorme), ao diminuí-lo estamos a mandar para a faculdade pessoas que ou não a acabam ou provavelmente serão péssimos profissionais. E desculpem-me mas sou prof universitário e sei do que estou a falar.

Não é fácil resolver o problema. Penso que a única solução (e agora agarrem-se porque vão haver chilique histéricos em barda) é criar sistemas paralelos: um exigente que conduza à universidade, e outro mais técnico que conduza a escolas técnicas. Naturalmente teria que haver um modo de selecção (outra coisa que arrepia alguma esquerda). Poderia ser, por exemplo, no 9º ano, e deveria incluir as notas nos exames do 9º ano. Teria que haver um sistema de passagem de um sistema para o outro, para os alunos que, a meio de um dos sistemas, quisessem mudar e revelasse capacidade para tal. Este sistema não é nada de novo, já existe em muito países como a alemanha .


De TT a 19 de Julho de 2008 às 20:20
1. Sistemas paralelos a partir do 9º ano: concordo inteiramente. Os alunos que desejassem prosseguir os estudos para o secundário profissionalizante fariam um exame mais fácil.
2. Aumentar a exigência nos vários níveis de ensino, com exames finais de ciclo às principais disciplinas e, ao mesmo tempo, generalizar as "passagens administrativas": termina a mentira que é subir artificialmente as notas dos alunos que se querem passar e mantém-se o estímulo de exigência e de verdade sobre todos os alunos.


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