Sexta-feira, 4 de Julho de 2008
Crise? Eu não tenho nada a ver com isso.

foto de Tiago Petinga

Os biocombustíveis forçaram os preços dos alimentos a aumentar 75 por cento desde 2002, segundo um relatório confidencial do Banco Mundial, que os responsabiliza pela crise alimentar. O jornal britânico “The Guardian” publica hoje excertos do relatório.

 

A propósito desta notícia, vale a pena lembrar as recentes declarações do primeiro-ministro: “O senhor deputado definiu uma nova linha: contra os biocombustíveis. Eles serão a desgraça e a origem da fome no mundo. Está enganado, senhor deputado. É uma grande precipitação ligar estas duas coisas. José Sócrates, em resposta a Francisco Louçã, 11 de Abril de 2008.

 

O Governo, disse o primeiro-ministro na RTP, venceu a crise interna, mas não tem nada a ver com a crise internacional causada pelo aumento do preço dos juros, petróleo e bens alimentares. Estranho. Da última vez que reparei Portugal ainda fazia parte da União Europeia, só por acaso uma das maiores promotoras mundiais da utilização dos biocombustíveis, e o Governo Sócrates até antecipou a absurda meta europeia em 10 anos. A culpa é toda dos especuladores, está visto.



publicado por Pedro Sales às 16:13
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Comentários:
De José Manuel Faria a 4 de Julho de 2008 às 17:23
Sócrates não engana todos. Contra Louça náo tem hipótese.


De Ana Costa a 4 de Julho de 2008 às 19:12
Na entrevista ao 1º ministro ficou por fazer uma pergunta importante que se impunha e que tem a ver com a UE.O que sabe o 1º ministro sobre o que pretende fazer as UE no seu conjunto para enfrentar as subidas imparáveis dos preços dos combustiveis e alimentos.E tambem qual é a razão para o BCE subir constantemente as taxas de juro o que penaliza a ecónomia,quando nos EUA a politica em relação ás taxas de juro e a oposta.O BCE não é um Deus que esteja acima da vontade dos politicos assim eles queiram


De Nuno a 4 de Julho de 2008 às 19:27
A culpa é toda do governo! A culpa do aumento do petróleo? É do governo. A culpa do aumento dos juros? É do governo. A culpa da crise do subprime? É do governo!
Já vi que de vez em qd lhe dá para estas demagogias, mas garanto-lhe que não chega aos pés do maior demagogo de todos, o Louçã!

Quanto aos bio combustiveis tb me parece ridiculo e pouco produtivo estar a cultivar para dar de comer aos automóveis em vez de dar de comer às pessoas!



De Pedro Sales a 4 de Julho de 2008 às 19:46
Nuno,

Não deixa de ser engraçado que, depois de me chamar demagógico, reconheça que estamos de acordo na crítica aos biocombustíveis. Foi esse o ponto em que disse que o governo português, e a UE, têm responsabilidades. Não falei do petróleo nem dos juros - se bem que, neste último caso, um dos responsávei pelo seu aumento é mesmo o BCE e o seu estúpido mandato para só se preocupar em manter a inflacção abaixo dos 2%, não se preocupando com o desemprego e crescimento económico. Ao contrário, veja-se lá, da reserva federal dos EUA que conjuga essas 3 preocupações.


De Mnuel Leão a 4 de Julho de 2008 às 20:11
A ignorância sempre foi muito atrevida! O problema é que dizer coisas, sem pensar, tem depois os seus custos. Pelo menos aqui, na blogosfera , onde as pessoas, independentemente das suas opções, estão habituadas a pensar e sabem analisar as questões. E, "last , but not the least ", têm um veículo para se poderem exprimir. Mas temos de nos ir preparando, pois a fúria sensória, um dia destes, vai aparecer aí, ao virar da esquina e a toda a velocidade, provavelmente a pretexto do ... terrorismo.


De renata a 5 de Julho de 2008 às 05:22
A repressão da burguesia colombiana e do seu estado protofascista é ilustrada nos mais de 2500 sindicalistas e militantes de esquerda assassinados nos últimos 20 anos. 1 em cada 8 sindicalistas assassinados no mundo são-no na Colômbia. 97% destes crimes ficaram impunes! De mãos dadas com o narco-tráfico, fomentando os grupos para-militares, reprimindo o movimento oeprário e popular, o governo do assassino Uribe é ponta-de-lança do imperialismo americano no continente e que tem vindo a fazer da Colômbia uma enorme base militar a pretexto do "narco-tráfico", mas na realidade para (através do exército colombiano) poder eventualmente, um dia, atacar a Venezuela ou Equador e sufocar os movimentos revolucionários.

Ignorando toda esta realidade de repressão, corrupção, exploração e miséria, O BEs foi "atrás da opinião pública", do PS, PSD e PP, juntando-se à "luta anti-terrorista" dos Estados Unidos - que declararam, há uns anos, as FARC como organização terrorista, sendo logo seguidos por todos os seus vassalos - incluindo-se, naturalmente a UE.

O BEs a 4/7 e no parlamento português, fez um "voto de congratulação com os esforços (...) da União Europeia, dos USA, e das próprias Forças Armadas colombianas(...)"!!! O Bes acompanhou "a União Europeia [e também os EUA] na denúncia das FARC como organização terrorista (...) apelando à libertação de todos aqueles que ainda se mantém presos por este grupo" [mas não dos presos políticos de Uribe]

Há apenas um mês ainda, o BEs convergiu na Trindade com a "ala esquerda da social-democracia". Ontem convergiu no parlamento com a "luta anti-terrorista" do imperialismo americano. Até onde irão as convergências do BEs?


De Ana Costa a 5 de Julho de 2008 às 11:36
Em relação ás FARC verifiquei que os chefes de estado dos países da América Latina incluindo até Fidel de Castro não aprovam os raptos de civis.Embora sabendo que o governo da Colombia quanto ao respeito pelas liberdades e direitos humanos tem muito que se lhe apontar existindo para além das forças militares grupos armados que espalham o terror,não posso defender a teoria de olho por olho e dente por dente.Portanto sou contra os raptos e detenções como aconteceu com as pessoas que foram ontem libertadas.Ter uma posição contra as FARC não implica que se apoie quem está no poder neste momento naquele País.


De João a 7 de Julho de 2008 às 17:51
Cuidado com o que damos por conclusões muito certas e... óbvias. Realmente anda muito difícil distinguir o trigo do joio tal é a quantidade de contra-informação e paixão que o assunto desperta.

"So while it is true that there is now much more corn being used for ethanol than ever before, there is also much more total corn than ever before, including much more for food and feed than ever before, and still plenty of land, and room for implementation of improved methods to grow yet more."

Não que defenda os biocombustíveis como alternativa de futuro, pelo contrário. Penso simplesmente que podem ser uma solução de transição (de muito curto prazo) que não se deve pôr de lado com base em coisas que não são verdade.

http://www.thenewatlantis.com/publications/in-defense-of-biofuels


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