Terça-feira, 1 de Julho de 2008
Para isso já têm os Verdes

Jerónimo de Sousa, que falava no final de uma reunião de dois dias do Comité Central, voltou a defender “uma convergência” à esquerda, que junte “todos os que estão empenhados num projecto claro de ruptura com a política de direita” em vigor. Contudo, neste espaço de “forças políticas e sociais” de esquerda Jerónimo não inclui a “ala esquerda” do PS e o BE porque, argumenta, as mudanças não se fazem “com paliativos” ou com “bons sentimentos”.

Mais do que o sectarismo, o que impressiona  nestas declarações é a confirmação de que, por detrás do apelo a uma convergência de esquerda, o PCP está a falar de si próprio e das suas organizações satélite. A direcção do PCP encara o seu partido como uma ilha auto-suficiente. Diálogos e convergências só com quem pensar o mesmo que "o Partido". Tudo o resto são "paliativos". Mesmo não tendo nenhuma estratégia, ou sequer ambição, para dialogar com os sectores críticos do partido socialista, o PCP  não se coíbe de passar a vida a louvar  a importância de uma "convergência" à esquerda. Convergência com os seus clones, como se percebe.


Etiquetas: ,

publicado por Pedro Sales às 13:18
link do post | comentar |

Comentários:
De Nuno a 1 de Julho de 2008 às 20:18
Gostaria que me dissesses onde encontras tais declarações na boca do secretário geral do PCP.

Declaração de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, sobre a reunião do Comité Central

http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=32171&Itemid=195

Comunicado do Comité Central do Partido Comunista Português
http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=32172&Itemid=594

Parece-me que as tuas declarações é que são de fachada


De Pedro Sales a 1 de Julho de 2008 às 21:17
Caro Nuno,

Não preciso de lhe dizer onde arranjei as declarações. Tem um link que aponta para uma notícia da Lusa, mas, se quiser ver, pode encontrar a mesma argumentação no DN e no JN (este sem link)

http://dn.sapo.pt/2008/07/01/nacional/pcp_quer_convergencia_sem_alegristas.html


De Nuno a 1 de Julho de 2008 às 23:42
Caro Pedro

A questão não é o que aparece no publico, ou no dn ou no jn. A questão é que tu fazes uma critica ao pcp, até com uma sugestiva etiqueta com o mome de fachada, sem teres lido as declarações do seu secretario geral.

De certeza que não tenho que te dizer que nem tudo o que aparece nos jornais é verdade.

A questão fundamental aqui é saber afinal quem são os sectários.


De Pedro Sales a 2 de Julho de 2008 às 00:08
Nuno,

As declarações citadas pelos jornalistas não estão na resolução que está no site do PCP, e que já tinha lido, pela simples razão que elas são a resposta a uma pergunta posterior. As conferências não se ficam pela leitura de um comunicado.

Quetão diferente, e que levantas, é saber se elas foram convenientemente transcritas pela imprensa. Não sei, não estive na conferência, como é compreensível. Mas será que o PCP as desmentiu? Que eu tenha conhecimento não. Assim sendo...


De Rui a 1 de Julho de 2008 às 22:36
E mesmo assim o PCP cresce..
E esta hein??
Será que todos os que votam no PCP são tomados por pouco espertos, por coitadinhos ignorantes??
Aos seus detratores tudo isto faz muita confusão..
Afinal se dizem que o idela comunista se desmoronou, é inviável, é uma palhaçada, porque lhe dão importância??
Nas próximas eleições o PCP mais uma vez irá subir nas sondagens e provocar azia em muita gente bem falante, que pensa que sabe tudo..
É o único que é coerente com o seu ideal, credível com obra feita no dia-a-dia, que vem das próprias pessoas de quem trabalha e de quem sofre com o deteriorar das condições de vida.
Não é maquiilhado e manipulado por agências de comunicação, lobbies de obscuros interesses ou grande empresas privadas.


De vladimir a 1 de Julho de 2008 às 23:55
Olhe que nao, olhe que (talvez) nao, Dr. Sales. Se reparar o "nao inclui" foi a jornalista do publico que o escreveu. Na TSF (sem audio de Jeronimo, com jornalista) ouve-se uma coisa ligeiramente diferente:

http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=963264

O PCP quer convergencia mas so' com quem "queira ruptura" (o mesmo do DN) e faca mais do que "declaracoes de voto". O DN e o resto da comunicacao social perde-se depois em "referencias/criticas implicitas" e outros subterfugios para dizer o que nao foi dito.

Ve tambem o que o Vitor Dias diz sobre o assunto no seu blogue e o que o Comite Central pos ca fora. Se encontrares uma referencia critica ao Bloco avisa.

A nao ser, e' claro, que as queiras ver mesmo que nao la estejam.


De Pedro Sales a 2 de Julho de 2008 às 00:12
Caro Vladimir,

Como já aqui disse, não estive na conferência de imprensa, mas é estranho que o DN diga o mesmo que a Lusa. Que eu saiba o PCP não desmentiu as notícias (pelo menos não vejo nada no site, nem no site sobre as conclusões do CC)...


De vladimir a 2 de Julho de 2008 às 02:35
Eu nao acharia tao estranha a convergencia entre Lusa e DN. Sao os dois do mesmo grupo empresarial, Controlinveste do Oliveirinha.

Quanto ao Vitor Dias aqui esta o link

http://tempodascerejas.blogspot.com/2008/07/o-pblico-e-reunio-do-cc-do-pcp.html


De Manuel Leão a 4 de Julho de 2008 às 21:37
Não é sério argumentar com o não desmentido, pela simples razão de que não é possível desmentir tudo! E isto serve para todos. Já vi esse argumento ser usado pelo BE . E quem correr a desmentir tudo, cai na armadilha de banalizar o desmentido. Há truques para tudo! Quando se quer denegrir é sempre possível. E você sabe-o bem! Além de que o desmentido nunca lava tudo!


De Olaio a 2 de Julho de 2008 às 00:35
Mas afinal quem é sectário?
Como é possivel pegar num texto montado por um jornalista, com a opinião deste, sobre declarações de Jerónimo de Sousa e dai tirar ilações que só estão nos espiritos (esses sim) sectários de Pedro Sales e do jornalista que fez a montagem.
Ainda por cima tem a lata de se desculpar, dizendo que não esteve lá.
Realmente...


De António Sousa a 2 de Julho de 2008 às 01:08
Olá Pedro

Li com atenção o teu texto, que me fez procurar todas as declarações do Jerónimo de Sousa sobre o assunto das convergências. Do mesmo modo, tenho acompanhado as acções do BE e dos sectores de esquerda do PS.
Em bom rigor acredito que ninguém que verdadeiramente uma convergência. O PCP está apostado numa estratégia de afirmação própria, aliás, tal como o BE. A "esquerda do PS" tem um dilema; gostaria de ter um governo de esquerda, mas não se dispõe e ser uma esquerda sem governo. Estão muito afeiçoados ao poder.
Eu, pessoalmente, desejava que o PCP e o BE se afirmassem claramente como uma solução para uma alternativa de que o país carece, que tivessem a ousadia de vir a terreiro com propostas concretas, a partir das quais estariam dispostos a viabilizar um governo com uma política de esquerda, que se afirmassem como parte da solução e que no extremo obrigasse o PS a dizer que não queria.
Mas tudo isso eu vejo com grande impossibilidade.
Não só por responsabilidade do PCP, que a terá, mas também do BE, que ainda não resolveu o seu problema com o poder, como se tem percebido pela inconcebível situação que se vive com o Vereador Sá Fernandes, nem com o alegristas e afins, que no toca a reunir lá estarão à mesa de Sócrates.
Mas é pena, muita pena.
Por isso tudo, e de forma muito franca, digo-te que acho que foste excessivo na tua crítica à falta de ousadia do PCP.

Bruno Simão


De vladimir a 2 de Julho de 2008 às 02:43
assino por baixo


De renata a 2 de Julho de 2008 às 06:02
Não se faça de sonso! Então ainda há um mês fizeram um comício das "esquerdas" a meias com o Alegre e não quiseram convidar o pcp a estar presente e agora vem para aqui fingir que o BEs quer a unidade com o PCP? Que tal deixar de mentir?


De Pedro Sales a 2 de Julho de 2008 às 09:33
Onde é que eu escrevi que entendo que o Bloco deve fazer uma "Unidade com o PCP"?. A única coisa que disse foi que, falar em convergências de esquerda, e ignorar os sectores critícos do PS é ter as vistas curtas. Parece-me evidente.


De renata a 2 de Julho de 2008 às 06:07
E até parece que o BEs faz muiiiiiitas "convergências".... As "Convergências" que o BEs tem feito é com o PS - como na câmara municipal de lisboa ou no último congresso da FENPROF


De João a 2 de Julho de 2008 às 10:44
Que a direcção do PCP é sectária, é desnecessário provar, mas que o post do Pedro Sales mostra que o sectarismo não tem só um nome, também é verdade cristalina...
E enquanto isso a direita (PS/PSD/PP) vai-se entretendo a desgovernar o país em favor dos mais poderosos.
Quem aqui posta e comenta pela esquerda, julga mesmo que os trabalhadores entendem esses jogos florais com que se entretêm, sempre a ver quem está um milésimo à frente nas sondagens, em lugar de constatarem que juntos têm mais de 20%, e que isso é uma força eleitoral extraordinária, se pensarmos que os sectores à esquerda do PS "valem" mais de 10%?
Claro que os votos e as políticas não resultam de somas automáticas, mas nem sequer fazer um esforço de diálogo para, exemplo gritante, combater o Código Laboral, é uma tragédia para o povo português. O PS e a restante direita agradecem.


De filipe a 2 de Julho de 2008 às 12:45
A minha resposta a este post em, www.oquotidianodamiseria.blogspot.com


De Reanta a 2 de Julho de 2008 às 13:12
Portanto, a unidade da esquerda que você quer é BE + Alegre... Fica a social-demcoracia de esquerda toda reunida, não é? Mas se já exclui o PCP de que é que se está a queixar? Do Jerónimo não vos ir mendigar um holofote de atenção? Enxerguem-se!


De Reanta a 2 de Julho de 2008 às 13:13
Portanto, a unidade da esquerda que você quer é BE + Alegre... Fica a social-demcoracia de esquerda toda reunida, não é? Mas se já exclui o PCP de que é que se está a queixar? Do Jerónimo não vos ir mendigar um holofote de atenção? Enxerguem-se!


De António Vilarigues a 2 de Julho de 2008 às 14:27
Caro Pedro Sales
1. O que está escrito no Comunicado do CC é que o PCP defende «(...) uma verdadeira alternativa assente na ruptura com a política de direita.». E o Pedro?
2. O que está escrito no documento do CC do PCP é que entende que «(...)A iniciativa que juntou BE e Manuel Alegre é (...) uma iniciativa sectária que, falsamente apresentada como «da esquerda», se baseia numa concepção de exclusão do PCP, visando ao mesmo tempo acusá-lo, hipocritamente de isolacionismo. Esta acção, desprovida de um propósito claro de ruptura com a política de direita (...)». E qual a sua análise? PORQUE NÃO FOI O PCP CONVIDADO?
3. Lamento que tenha a suprema leviandade de assentar uma análise política no «diz que disse»
(ver aqui http://tempodascerejas.blogspot.com/2008/07/o-pblico-e-reunio-do-cc-do-pcp.html )
4. O seu argumentário faz-me lembrar uma história real. Há mais de uma vintena de anos Santiago Carrilho, então secretário-geral do PCE, afirmou em entrevista ao “Expresso” que os comunistas espanhóis tinham escondido nas suas casas clandestinas dirigentes do PCP. Fernando Blanqui Teixeira escreveu em nome do Secretariado do CC do PCP que tal até poderia ter sido verdade. Mas a realidade tinha sido outra, precisamente a inversa: comunistas portugueses tinham escondido nas suas casas clandestinas dirigentes do PCE. Ao que o «Expresso» contrapôs: entre a versão do PCE e a do PCP escolhemos a do PCE…
5. Assim está o Pedro: entre os documentos do PCP e a Lusa escolhe a Lusa e o “DN”. Francamente passa-lhe pela cabeça que o secretário-geral do PCP diria uma coisa e o CC outra?
6. Pergunto: onde está escrito (http://www.pcp.pt/) que o PCP não quer coligações ou entendimentos?


De Pedro Sales a 3 de Julho de 2008 às 07:51
Caro António Vilarigues,


1. Uma conferência de imprensa não se esgota na leitura do comunicado do CC, que é o documento para que onde o António Vilarigues e o Vítor Dias remetem. Depois seguem-se as perguntas e as respostas, parte essa que não se encontra no site. Não é "diz que disse", tem citação e foi referido, pelo menos, por três jornalistas distintos. (Lusa, DN e JN).

2. Se é assim tão claro, e sou eu que estou errado, peço-lhe o favor de me enviar o desmentido do gabinete de comunicação do PCP. Já pedi a alguns dos comentadores anteriores e nenhum me faz esse favor. Entretanto já se passaram três dias e continuo sem o encontrar em lado nenhum. Até lá, parece-me que refutar o que o PCP não refuta(porque será?) é que assume traços de assinalável "leviandade".


De António Vilarigues a 3 de Julho de 2008 às 10:57
Caro Pedro Sales,
O Sérgio Ribeiro, que é membro do CC, serve?
«Para os referidos “critérios jornalísticos” apenas interessa saber e informar se o PCP exclui o BE e Manuel Alegre da luta em que está comprometido – o que não foi questão debatida, e muito menos decisão tomada... mas que deve ser o que mais interessa o povo português...»
Pode ( e na minha modesta opinião deve) ler o resto no blog anónimo do séc. XXI
http://anonimosecxxi.blogspot.com/2008/07/pretexto-da-reunio-do-comit-central-do.html
e
http://anonimosecxxi.blogspot.com/2008/07/reunio-do-cc-do-pcp-no-seu-contexto.html


De Alexandre Martins a 3 de Julho de 2008 às 22:28
Quem te viu e quem te vê Pedro Sales! Nos tempos da Faculdade eras um radical de primeira e agora lambes o cu "às bases de esquerda do PS"


De Paulo Mouta a 4 de Julho de 2008 às 00:04
Já começa-mos a estar habituados a estes enviezamentos de interpretação de declarações de membros do PCP.

É muito triste ver a esquerda portuguesa entregue a este tipo de intrigas quando a verdadeira intenção da comunicação social e dos seus patrões é que as sondagens que revelam possibilidades de crescimento para PCP e BE não se concretizem.

É evidente que o PCP nunca fecharia as portas a um entendimento com nenhuma força de esquerda e os acontecimentos internacionais têm-se revelado favoráveis a entendimentos de várias esquerdas com a finalidade de combater o neo-liberalismo que se tornou como doutrina política e económica única.

A exclusão do PCP numa iniciativa que se proclamava como sendo das esquerdas é uma provocação clara mas também uma demarcação perante o eleitorado. É uma afirmação clara de que o BE está muito mais próximo dos socialistas que do Socialismo. No entanto, nunca o PCP (pelo menos que eu tenha lido) produziu qualquer texto em que tenha excluído claramente quaisquer forças de esquerda da intervenção política para o futuro. Talvez a interpretação algo "forçada" das palavras de Jerónimo de Sousa derivem justamente do facto do BE querer mais uma vez etiquetar o PCP como partido sectário podendo crescer às custas do eleitorado tradicionalmente comunista.

Como sempre tenho escrito sempre que tenho oportunidade é urgente uma convergência à esquerda. Um entendimento que não necessita que ter qualquer carácter formal mas que obriga a uma lealdade e a uma confiança mútuas. É muito mais o que une do que o que divide estes dois partidos. O BE não pode querer tirar partido de não estar comprometido com a História nem com os erros do passado e ao mesmo tempo estar nos proveitos que advieram no ocidente do medo do que estava do outro lado do muro. Proveitos esses, que agora vão sendo retirados porque do outro lado estão exactamente as mesmas forças a fazer exactamente o que aqui se faz. O BE não pode querer enganar os seus próprios eleitores. Tem de ser claro nas suas propostas e soluções e não viver refugiado numa ambiguidade ideológica.


Comentar post

Zero TV
ZERO DE CONDUTA
Filipe Calvão

José Neves

Pedro Sales

Vasco Carvalho


zeroconduta [a] gmail.com
Indecisão 2008
Subscreva
Zero links
arquivos

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Feeds