Sábado, 21 de Junho de 2008
Um importúnio chamado realidade

O espaço de opinião nos jornais rege-se por regras bem distintas das reservadas para a informação. Mas, mesmo sendo uma interpretação subjectiva da realidade, convém não ter com esta uma relação tão distante como a hipótese do petróleo chegar aos 40 dólares na próxima semana. A crónica de hoje de Pulido Valente vai por este caminho, tendo o prolífico colunista descoberto que o “o Bloco e, em parte, o PC resolveu aproveitar o Europeu para uma campanha contra o futebol”. “O Bloco até descobriu uma conjura imensa entre a “comunicação social” e as forças do capitalismo para anestesiar os portugueses com as proezas de Ronaldo? Prova do crime? O tempo que a televisão perdeu com o campeonato.“

 

Um único problema. Não dei por nenhum dirigente do Bloco, ou do PCP, ter dito qualquer coisa de que se assemelhe vagamente à tese levantada por Pulido Valente, quanto mais uma campanha organizada. Aliás, talvez valha a pena reparar que VPV não só não apresenta uma única citação como não nomeia quem andou a difundir tal “campanha”. É compreensível. Para quê deixar que a realidade atrapalhe uma boa crónica? Curiosamente, que eu tenha reparado, o único político que se insistiu na tese da anestesia do Euro, “alimentado a milhões de euros pelo Governo na televisão "pública" que devia ser "diferente, foi Pacheco Pereira. Pulido Valente anda desatento. Faz umas boas décadas que Pacheco Pereira deixou o “marxismo vulgar”. 


PS: Uma dúvida. Para além dos conceitos marxistas, como a alienação, a única vez que VPV usa as aspas neste delirante artigo é quando se refere à comunicação social. Como não está a citar ninguém, será que isso quer dizer que Pulido Valente encara a comunicação social como uma entidade metafórica?

 

PS1: Vale a pena ler o que diz Vítor Dias sobre este assunto.
 



publicado por Pedro Sales às 20:30
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Comentários:
De suburbana a 21 de Junho de 2008 às 21:49
Mas alguém ainda dá crédito ao desvairado Vasco Pulido Valente? O homem é autista! Esse frustrado político que nem para deputado do PSD serviu?
Pelo amor da santa!


De Zé Bonito a 21 de Junho de 2008 às 23:27
Temos que compreender. Tal como os diários desportivos à falta de assunto têm que inventar umas coisas, também o VPV já não tem "pulmão" para tanta crónica e tão pouca realidade. Pelo menos, aquela de que ele gosta de falar.


De carlosbarbosaoli a 22 de Junho de 2008 às 00:18
Gosto de ler o VPV, mas penso que nada em fase de delírio. Já ontem a crónica do Publico era delirante.
Será do calor?


De mau mau maria a 22 de Junho de 2008 às 02:19
Aconteceu algum desastre nacional com a eliminação da selecção portuguesa do Euro2008? Obviamente que não. Apenas quem vive alienado com o fenómeno futebolístico ou aqueles que olham para o futebol sem o entenderem convenientemente podem sentir hoje um enorme desgosto e não perceber o que realmente se passou com a derrota frente a uma selecção que já foi várias vezes campeã da Europa e do Mundo. Os portugueses deixaram-se arrastar por uma onda de entusiasmo muito alimentada sobretudo, porque lhe dá muito jeito, pela generalidade da comunicação social e pela maioria dos jornalistas que nestas alturas trocam a “camisola” da profissão pela do adepto. A partida da selecção para o Euro, mostrada até à náusea e com recurso a grandes meios técnicos pela totalidade das estações de televisão generalistas, foi exemplar, já para não referir a exaustão do tratamento informativo (?) de que foi alvo o acompanhamento da selecção nos dias seguintes. Pensar assim “não é buscar ao caixote ideológico a alienação, o nacionalismo e outro palavrório da praxe” apanágio das gentes de esquerda como acusa Vasco Pulido Valente numa das suas crónicas no jornal “O Publico”. Pacheco Pereira, que de esquerda apenas tem um braço e uma perna, também fez uma leitura semelhante do acontecimento.Incutiu-se à força na população que éramos os maiores, parecendo até que não iríamos em primeiro lugar, ter que disputar com outras três selecções integradas num mesmo grupo uma passagem aos quartos de final, depois uma meia-final antes de chegar à final desejada e por ultimo ganhá-la para depois então festejar condignamente. Ninguém teve o bom senso de explicar racionalmente a toda esta gente as coisas mais simples que caracterizam o futebol. Não é um caso de vida ou de morte nem tão importante como o “pintam”, são onze contra onze, vence quem mete mais bolas na baliza do adversário, quase todos quando chegam a esta fase são tão bons ou melhores que nós e todos têm o mesmo desejo que é ganhar. A sorte também faz parte do jogo e nem sempre vence o mais forte ou mais habilidoso. Para se ser campeão é preciso ganhar jogo a jogo antes de lá chegar. Os adversários devem ser respeitados e não é por se fazer mais barulho do que os outros que se vence no futebol. Os portugueses lançaram os foguetes quando ainda não havia nada para festejar. Assim custa-lhes mais.



De Manuel Leão a 22 de Junho de 2008 às 13:11
Há pessoas que deveriam permanecer na infância durante toda a vida. Para terem o alibi da traquinice. Ou, então, deveriam escrever logo de manhã, enquanto ainda estão ... com a memória fresca!


De João Pinto e Castro a 23 de Junho de 2008 às 16:47
Apoiado. Mas a alienação não é um conceito marxista, longe disso.


De Mr. Steed a 30 de Junho de 2008 às 12:01
porcaria dos blogues pá....sempre a descobrir os enganos dos gajos que escrevem nos jornais pá....deviam era regulamentar essa corja toda pá....calá-los de vez.......pá........


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