Terça-feira, 10 de Junho de 2008
Isto deve querer dizer qualquer coisa

A dois dias do referendo ao Tratado de Lisboa, o “não” continua subir em todas as sondagens e pode mesmo ganhar a consulta popular na Irlanda. Como já tinha acontecido com a rejeição do Tratado Constitucional em França e na Holanda, o “não” cresce sempre à medida que o debate sobre o futuro da construção europeia vai crescendo de intensidade.

 

Não deve haver hoje matéria política, como o futuro da Europa, que evidencie uma maior ruptura entre as posições dos representantes políticos com a dos eleitores que os elegeram. Na Irlanda, apenas o Sinn Fein (um partido com 8%) apela ao voto “Não”. O mesmo tinha acontecido em França e na Holanda, onde a esmagadora maioria dos deputados defendia o “Sim” que acabou chumbado nas urnas. 

Notícias como esta, sobre um comboio exclusivo para os deputados europeus fazerem a ligação entre Bruxelas e Estrasburgo, também devem ajudar a explicar alguma coisa (via Origem das Espécies).


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publicado por Pedro Sales às 11:24
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Comentários:
De bloom a 10 de Junho de 2008 às 13:09
e antes do comboio, já existiam os chamados voos especiais do PE. Vá lá, shô Sales, um bocadinho mais de esforço e poderá chegar à final do campeonato da demagogia, talvez com aquele deputado irlandês que diz que o Tratado de Lisboa vai servir para meter criancinhas de 3 anos na cadeia.


De maria a 10 de Junho de 2008 às 20:09
As pessoas não são parvas e penso que já muitos repararam que a UE se transformou num centro de empregos politicos , por isso os politicos estão tão aferradinhos à ideia de UE. Que começou bem , claro , mas o seu sentido já foi adulterado pelos abutres do costume.


De Fernando Vasconcelos a 10 de Junho de 2008 às 21:05
Estudando um pouco de história facilmente se verifica que em períodos de crise é frequente ver no exterior o mal. Nestas circunstancias pensa-se que o melhor é fechar fronteiras (e casas) e defender "o que é nosso". A edificação europeia não é perfeita, longe disso.
Porém é o único contraponto possível aos Estados Unidos que aliás faz todos os possíveis juntamente com os seus aliados pseudo-europeus (sim Inglaterra e Irlanda estão nesse campo) para a desfazerem. Não me alegro assim absolutamente nada com a possibilidade de um não Irlandês pela simples razão que do ponto de vista geo-politico é um sim aos Estados Unidos da América.


De Pedro Morgado a 10 de Junho de 2008 às 22:40
Caro Pedro,
Deve dizer-se em abono da verdade que os argumentos do Não têm sido desta índole: «a União Europeia vai acabar po impor o aborto»; «com o tratado vai ser possível deter crianças»; «o tratado quer acabar com a nossa tradição». Suponho que este tipo de voto "Não" não seja do seu agrado, mas admito que esteja amudar de opiniões relativamente a algumas destas matérias...

Cumprimentos


De Pedro Sales a 10 de Junho de 2008 às 22:54
É verdade. Esse nível de argumentação é absolutamente rasteiro, mas não passa de um triste episódio lateral. O campo do "não" tem-se batido essencialmente pela oposição ao predomínio dos grandes países e à possível perda de autonomia fiscal do país. Na verdade, do lado do "Sim" a coisa também não é muito elegante, com a costumeira chantagem de que "se votam "não" ficamos fora da União Europeia e vem aí o desemprego em massa". Mas a questão de fundo mantém-se. Existe um notável desfasamento entre o ritmo da construção europeia e o envolvimento dos cidadãos. E não terá sido por acaso que este tratado, que é uma versão condensada do anterior, foi aprovado sem nunca ir a votos.


De JLS a 10 de Junho de 2008 às 23:12
«E não terá sido por acaso que este tratado, que é uma versão condensada do anterior, foi aprovado sem nunca ir a votos. »

Os anteriores tratados também não foram... E ainda há quem goste de lembrar que a Constituição portuguesa também nunca foi. De qualquer modo, com a expansão a 27... sem este tratado vai ser impossível proceder à mais do que necessária actualização das estruturas básicas da UE. Só por isso, o 'não' é mau.


De Pedro Sales a 10 de Junho de 2008 às 22:54
É verdade. Esse nível de argumentação é absolutamente rasteiro, mas não passa de um triste episódio lateral. O campo do "não" tem-se batido essencialmente pela oposição ao predomínio dos grandes países e à possível perda de autonomia fiscal do país. Na verdade, do lado do "Sim" a coisa também não é muito elegante, com a costumeira chantagem de que "se votam "não" ficamos fora da União Europeia e vem aí o desemprego em massa". Mas a questão de fundo mantém-se. Existe um notável desfasamento entre o ritmo da construção europeia e o envolvimento dos cidadãos. E não terá sido por acaso que este tratado, que é uma versão condensada do anterior, foi aprovado sem nunca ir a votos.


De Pedro Morgado a 10 de Junho de 2008 às 23:25
É precisamente por isso que sou desfavorável a estes referendos. Não são coisas que as pessoas conheçam o suficiente para se pronunciarem e, como tal, ficam demasiado reféns de argumentos populistas e demagógicos. E neste campo, o conservadorismo (e o "não") leva sempre vantagem.


De Pedro Morgado a 10 de Junho de 2008 às 23:27
No Público:

Do lado do SIM, o Tratado de Lisboa é apresentado como um documento bom para a Irlanda e para a Europa. Os defensores do NÃO, no entanto, têm usado outros argumentos e afirmado que o tratado irá impor a legalização do aborto ou permitir a detenção de crianças muito novas.


De Pedro Sales a 10 de Junho de 2008 às 23:34
O argumentário do principal grupo defensor do Não pode ser encontrado aqui e está bastante longe do que vem no Público:

http://www.libertas.org/content/view/293/139/

Como é normal, não tenho acompanhado ao pormenor a campanha na Irlanda, mas a notícia do Público não me parece particularmente rigorosa.



De ferro a 11 de Junho de 2008 às 11:34
e que tal um referendo sobre o aumento da jornada de trabalho. Acho isso bem mais grave.


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