Sexta-feira, 6 de Junho de 2008
Duzentos mil

Fotografia esquerda.net

José Sócrates não ficou impressionado com a manifestação que juntou 200 mil portugueses contra as alterações ao código laboral. Ignorar olimpicamente um sinal como este já não é uma demonstração de resolução e confiança no rumo do governo, é puro autismo politico e a demonstração que, por detrás das palavras de circunstância, ainda ninguém no Governo percebeu bem o “aviso” de Soares. Os velhos hábitos são difíceis de perder e o fato do político forte e decidido é o único que Sócrates conhece e no qual se sente à vontade. Infelizmente, como já toda a gente percebeu, as demonstrações de força e resolução sobram sempre para os do costume. Uma atitude que contrasta com a forma vacilante como trata a Igreja (capelanias militares), ou as grandes superfícies comerciais -  taxa dos sacos de plástico que morreu ainda antes de o ser. Poucas coisas fazem mais para encher estas gigantescas manifestações que esta bipolaridade política. Como Sócrates há de perceber em 2009.



publicado por Pedro Sales às 09:11
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Comentários:
De Luís Lavoura a 6 de Junho de 2008 às 12:56
A última frase do texto está correta: há-de perceber em 2009. Porque, de facto, numa democracia representativa, aquilo que conta são os deputados que são eleitos numa eleição. O direito desses deputados livremente legislarem, de acordo com a sua consciência, não pode ser coartado por manifestações de rua. É aos deputados que cabe legislar as leis do trabalho, e o direito de o fazerem, de acordo com o que consideram ser melhor para o país, não pode ser coartado por manifestações de rua.

Se as 200.000 pessoas não estão contentes com os deputados que têm, votem noutros diferentes em 2009. Votem em 2009 em deputados que lhes prometam voltar à legislação laboral de 1977.

Luís Lavoura


De Pedro Sales a 6 de Junho de 2008 às 14:49
Luís,

Também é suposto os deputados e o governo seguirem o programa que foi sufragado nas eleições. Sobre o código laboral era muito simples. O PS propunha-se a revê-lo seguindo as propostas apresentadas pelo seu Grupo Parlamentar quando estava na oposição. Chegados ao governo fazem exactamente o contrário. O problema não é ser a rua a governar, um fantasma que está bastante longe de se verificar, é o incumprimento da palavra e do compromisso político. A tua visão puramente institucional da democracia tem um problema. É previsivel que grande parte daquela mole humana tenha votado PS...Para que o PS mudasse a lei laboral, como tinha prometido e sem precisar de agitar o espantalho de 77.


De Paulo Mouta a 8 de Junho de 2008 às 04:01
É uma realidade que uma democracia representativa funciona dessa forma. Contudo, os votos de cada cidadão baseiam-se no pressuposto de que a governação irá seguir o caminho lógico do programa a ser sufragado. Quando isto não sucede o próprio conceito de democracia tal como o entendem não passa de uma monumental fraude. Neste momento estamos a viver uma gigantesca fraude política principalmente nesse aspecto das questões laborais. Não se esperaria do PS este caminho e esta visão antagónica com o PS em oposição. Se a democracia representativa apenas serve para rodar governos dos dois maiores partidos com as mesmas soluções então está ela própria condenada.

Mas atenção, acredito mesmo que o PS vai de novo ganhar as eleições, o que dará legitimidade política e moral à política actual e ao que mais estará para vir. Talvez com a consciência disso mesmo mas com a desconfiança em relação à maioria absoluta se esteja a fazer a cama a uma muleta bem disfarçada de oposição que servirá bem os propósitos da segunda governação do PS.


De Manuel Leão a 15 de Junho de 2008 às 19:28
Será que estou a ver, no seu comentário, uma mensagem subliminar a defender a inutilidade das manifestações? Ou quiçá, até, a sua ilegalização?


De Quintanilha a 11 de Junho de 2008 às 23:29
Expressivo esse número.
Nem dá para eleger o Presidente da Câmara de Sintra!


De Manuel Leão a 15 de Junho de 2008 às 19:34
Sintra está em processo eleitoral? Nem dei por isso!


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