Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
A gasolina está a aumentar porque o mercado quer proteger o ambiente...

Entre 2000 e 2005, o capital especulativo nos mercados de energia passou de 3000 milhões de dólares para 90000 milhões de dólares. Entre 2003 e 2008, o número de contratos de futuro no mercado de Nova Iorque cresceu 364% e a procura mundial de petróleo, no mesmo período, só cresceu 8,2%.  


António Costa e Silva, Presidente executivo das Partex, no Expresso da Meia Noite

 

Cavaco Silva argumentava, na última campanha presidencial, que duas pessoas com a mesma informação chegariam sempre à mesma conclusão. Está visto que o Presidente da República não conhece o João Miranda. No seu último artigo no DN, defende que "o aumento dos preços do petróleo é um sinal de que o petróleo é um bem escasso que acabará por se esgotar". Nunca foi segredo que o petróleo é um bem finito, razão pela qual o argumento de João Miranda só teria sentido se conseguisse associar o aumento especulativo à existência de estudos que indicassem a deterioração das reservas mundiais de crude. Pelo contrário. Se há um ciclo constante nos últimos anos é a descoberta de poços de condições históricas no Brasil e Venezuela, país que, com a agora famosa linha de Orinoco, tem a capacidade para se tornar num produtor ao nível da Arábia Saudita. Mas, que importa isso, quando se pode defender mais uma vez a crença na infalibilidade do mercado e refutar a necessidade de regulação dos mercados?



publicado por Pedro Sales às 10:17
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Comentários:
De Luís Lavoura a 19 de Maio de 2008 às 14:04
As descobertas no Brasil são irrelevantes para as condições atuais do mecado. Na melhor das hipóteses só começarão a produzir petróleo daqui a meia-dúzia de anos. Há escassez de petróleo AGORA, e o petróleo descoberto no Brasil em nada altera esse facto.

O Orenoco tem de facto muitos hidro-carbonetos, mas não se trata de petróleo e sim de lamas betuminosas, similares às existentes na província canadiana do Alberta. Trata-se de um produto que é, tecnicamente, de dificílima exploração, e provavelmente nunca produzirá um grande fluxo de hidro-carbonetos. Ou seja, a quantidade existente é muita, mas demora muito a extraí-la.

O facto concreto é o seguinte: ninguém anda a acumular reservas de petróleo, pelo que, o aumento do preço verificado só se pode dever a uma escassez objetiva de petróleo, aqui e agora. Especulação é quando alguém acumula grandes quantidades de um produto, retirando-o do mercado com o fim de criar uma escassez artificial e com isso conseguir uma subida do preço. Não é isso que está a acontecer com o petróleo: a escassez é objetiva.

Luís Lavoura


De doomer a 19 de Maio de 2008 às 14:28
«só teria sentido se conseguisse associar o aumento especulativo à existência de estudos que indicassem a deterioração das reservas mundiais de crude.»

Mas o Pedro Sales alguma vez olhou para um gráfico histórico das descobertas petrolíferas?
Parece-me que não, aqui fica um para meditar:
http://gailtheactuary.files.wordpress.com/2007/03/oil-discoveries.jpeg

E eu a pensar que dado o pico de descobertas ter sido há 45 anos e hoje descobrirmos apena 1 barril por cada 4 que consumimos podia indicar um problema...

Sabe que o que interesa para os países importadores não é o total produzido, mas as exportações liquidas, já olhou para algum gráfico das exportações liquídas globais?
Parece-me que não, portanto aqui fica :

http://netoilexports.blogspot.com/2008/04/net-oil-exports-april-2008-update.html

Consegue associar a estagnação das exportações liquidas desde 2005 aos preços actuais?

«Se há um ciclo constante nos últimos anos é a descoberta de poços de condições históricas no Brasil e Venezuela, país que, com a agora famosa linha de Orinoco, tem a capacidade para se tornar num produtor ao nível da Arábia Saudita.»

Esta é demais, está a comparar os petróleos pesados da venezuela, dificeis de produzir e processar com a arábia saudita, onde só um campo petrolífero, Ghawar, tem uma produção de light sweet crude de alta qualidade superior à produção da venezuela toda junta.
A ultima descoberta do brasil, Tupi, caso não saiba é a 3 Km de profundidade no mar e 4 Km debaixo do fundo marinho, são só 7 Km, pensar que se pode ter taxas de extração significativas em campos com esta dificuldade é pura ilusão. Ver o caso do "Jack 2" no golfo do méxico.

Na verdade o que interessa mais, são as taxas de extração e não o tamanho das reservas, as taxas de extração dos petróleos pesados ou em condições dificeis nunca poderá rivalizar com os baixos custos e altas taxas de extração do petróleo convencional.
E se pensarmos que são estas reservas dificeis de produzir que vão ter que substituir e suster o declínio do petróleo convencional, só podemos pensar que 125$/b é barato e que o Pedro Sales não percebe nada disto.





De Luís Lavoura a 19 de Maio de 2008 às 15:31
O doomer explicou claramente a questão.

O que interessa para os preços não é a quantidade total de petróleo existente no mundo, mas sim a taxa à qual se consegue extrair esse petróleo. Se essa taxa fôr inferior à taxa à qual os consumidores pretendem consumir petróleo, então haverá escassez e os preços aumentarão.

Ou seja, se os consumidores querem gastar 100 litros de petróleo por dia mas os produtores só conseguem produzir 90 litros por dia, então haverá escassez e o preço aumentará até que alguns dos consumidores desistam de consumir e as necessidades de consumo desçam para os 90 litros por dia que se consegue produzir.

Para este raciocínio é irrelevante que debaixo da terra estejam um milhão ou dez milhões de litros de petróleo: aquilo que interessa é que só se consegue produzir 90 litros por dia.

No caso da bacia do Orenoco, na Venezuela, há de facto imensos hidrocarbonetos, mas a sua extração é dificílima porque esses hidrocarbonetos estão na forma de um alcatrão espesso misturado com areia. É preciso extrair a areia em peso, lavá-la por forma a retirar dela o alcatrão, liiquefazer esse alcatrão, e voltar a pôr a areia limpa noutro sítio. Tudo isso é um processo moroso (e muito caro), que só permite extrair hidrocarbonetos a uma taxa muito baixa.

Não se compara com os campos árabes, nos quais o petróleo se encontra no estado líquido e (originalmente) sob pressão, bastando abrir um furo no solo para que ele jorre.

Os campos árabes (Ghawar, Abqaiq, etc) encontram-se a uma profundidade de 2 km. Há também campos submarinos (Safaniya, etc), mas também eles pouco profundos (o Golfo Pérsico é um mar muito pouco profundo).

No caso brasileiro temos o Oceano Atlântico (tempestuoso, etc - nda que se compare com o Golfo Pérsico) com profundidades de 3 e mais km; extrair o petróleo daí é muito custoso, perigoso, e lento.

Luís Lavoura


De rr a 19 de Maio de 2008 às 16:57
Ninguém gosta de estudar coisas que lhe cheiram mal, como é o caso do funcionamento dos mercados, ou questões técnicas como a extração de petróleo. Assim, lêm apenas o suficiente para tirarem as suas conclusões rápidas mas nunca aprofundam o conhecimento.


De Pedro Sales a 19 de Maio de 2008 às 17:56
Luís e Doomer,

Isso pode muito bem ser verdade, só que não existe, actualmente, um problema de escassez de petróleo. Basta ver esta notícia da CNN (http://edition.cnn.com/2008/POLITICS/05/16/bush.saudi.arabia/index.html) na qual a Arábia Saudita recusou um pedido de Bush para aumentar a sua produção. A Arábia Saudita tem capacidade para produdir mais 2 milhões de barril por dia e não o faz porque a OPEP está a agir concertadamente. Mais, a actual produção diária (87 milhões de barris) está em linha com o consumo (86), pelo que é difícil perceber onde é que o aumento do petróleo se fica a dever a um eventual problema de oferta:

http://news.xinhuanet.com/english/2008-03/15/content_7792925.htm

2. Analisar o preço do petróleo sem levar em consideração que, com a crise do subprime, os capitais especulativos fugiram para novos mercados, como os bens alimentares e o petróleo, é que me parece estranho e nada consentâneo com o que se lê na imprensa económica internacional. Basta ler o que diz a mesma notícia da CNN cujo link está neste comentário:

"But Saudi Arabia -- and many economists -- say the high prices are a result of market speculation, the weak dollar, and demand from the developing world rather than a shortage of supply."






De Luís Lavoura a 19 de Maio de 2008 às 18:18
Pedro, não acredite nessa história de que a Arábia Saudita pode produzir mais 2 milhões de barris por dia. Isso são coisas que por aí se dizem porque os economistas, pessoal de direita e conservador, gosta de acreditar nessa história da carochinha.

Mesmo que se acredite nessa asneira, o facto permanece: como a Arábia Saudita não produz os tais 2 milhões a mais, o mercado está com escassez. Isso é corroborado pelo facto de, qualquer perturbação política na Nigéria ou qualquer tempestade no México, imediatamente o preço sobe. Ora, isso só pode acontecer em situação de escassez.

É muito engraçado essa de a Arábia Saudita dizer que os peços aumentam, não devido a escassez de oferta, mas sim devido à procura por parte de países em desenvolvimento. Eu diria que uma coisa é equivalente à outra: procura a mais é equivalente a oferta a menos. Ambas fazem o preço subir.

Eu penso que o Pedro Sales não percebe bem o que é especulação. Especulação é criar uma falta artificial de um produto através da retirada do mercado de quantidades significativas desse produto. Nesse sentido, poder-se-ia dizer que a Arábia Saudita está a especular ao evitar extrair os tais 2 milhões de barris suplementares - se efetivamente o estivesse a fazer, coisa que eu não acredito. No entanto, nem toda a escassez é resultado de especulação. Quando há escassez o preço sobe por simples ação da Lei da Oferta e da Procura. Isto não é especulação nenhuma, é um resultado do mercado. A subida do preço tem por função obrigar as pessoas a consumirem menos, por forma a ajustar a procura à oferta.

Por exemplo, quando o tempo na Primavera está mau o feijão verde sobe de preço. Isto não se deve a os agricultores serem uns especuladores. Os agricultores não estão a especular com o feijão verde, não estão a guardá-lo em casa para criar uma falta artificial dele. Os agricultores continuam a produzir o feijão verde que podem, mas o preço sobe por forma a que menos pessoas comam feijão verde e ele chegue para as que têm dinheiro para o comprar. É ridículo pretender que o preço do feijão verde sobe devido à especulação, quando existe uma explicação muito mais simples para a subida.

Luís Lavoura


De Pedro Sales a 19 de Maio de 2008 às 18:30
Luís,

Vamos lá a ver se nos entendemos. Não sou eu que falo de especulação. É a maioria dos economistas de todo o mundo. Não foi por acaso que comecei o post com os números do capital especulativo que circula todos os dias nos mercados energéticos. Quanto à Arábia Saudita, parece-me que a concertação dos preços da OPEC também justifica a tese da especulação.


De Miguel Madeira a 20 de Maio de 2008 às 13:31
Bem, pelo menos um economista (o Paul Krugman) acha que a subida do preço do petróleo não é especulativa:

http://www.nytimes.com/2008/05/12/opinion/12krugman.html?ex=1368244800&en=c899176fff63fce4&ei=5124&partner=permalink&exprod=permalink

http://krugman.blogs.nytimes.com/2008/05/13/more-on-oil-and-speculation/


De José M. Sousa a 20 de Maio de 2008 às 14:21
Excerto de entrevista de Fatih Birol (AIE)

Schneider:
In the WEO 2007 it is mentioned that the rapid decline of oil production will be between 3.7 and 4.2 percent per year. Is that right?
Birol:
Exactly-
Schneider:
This decline is even steeper than the one predicted by the Energy Watch Group!
-----
Schneider:
One of the statements of the WEO 2007 is that the complete additional oil production has to come from the OPEC countries and especially the Middle East. Salem el-Badri, the general secretary of the OPEC has announced on a conference regarding energy security in London last February, that the OPEC wants to invest 200 billion dollar until 2012 to create new production capacities of 5 million barrel (mb) a day. This is a sharp contrast to the WEO 2007 where you state that to the year 2020 we need 24 mb per day in new production capacity to satisfy the rising demand for oil. So de facto Salem el-Badri says that the OPEC will not be able to meet the expectations. Doesn't that mean that we will run into serious problems?
Birol:
Indeed. this is the reason that this year for the first time we announce a "supply crunch" situation. There is a gap between the global demand for oil and the amount which is or can be brought to the market from that region. We think that the oil producers have to increase their production output significantly, but we are not sure that they will do it or even can do it
----
Birol:
Let's look at the numbers: up to 2015 there will be a gap between what we expect and what the oil producers are willing or able to do to increase their capacity. This gap shows the real and serious picture of the oil market. It could mean a supply crunch and escalating prices
---
Schneider:
The Energy Watch Group has pointed out in its studies that the oil reserves in the Middle East are likely estimated 50 % too high. When you ask the Middle East countries today to increase their production capacities, how good is your knowledge on their oil reserves and on the amount those countries could produce if they wanted to?


De PMS a 19 de Maio de 2008 às 18:40
"Mais, a actual produção diária (87 milhões de barris) está em linha com o consumo (86), pelo que é difícil perceber onde é que o aumento do petróleo se fica a dever a um eventual problema de oferta"

A procura (consumo) está em equilibrio com a oferta. Se o preço preço fosse hipoteticamente regulado a uma preço mais baixo, a procura iria aumentar, e superar a oferta.

Como concerteza compreenderá, a procura não é independente do preço. O seu argumento, ao contrário do desejado, apenas demonstra que o preço está adequado para o nível de oferta e procura.

"A Arábia Saudita tem capacidade para produdir mais 2 milhões de barril por dia e não o faz porque a OPEP está a agir concertadamente."
Pois, é verdade. A OPEP usa o mecanismo de limitar a oferta para garantir preços elevados. A escassez imediata é gerada artificialmente. Mas se a OPEP não o fizer, os preços serão 1/20 do que são actualmente (correspondendo a pouco mais do custo de produção), e o petróleo esgota-se em 10 anos. E nesse sentido, a escassez futura, quando antecipada, já é a escassez presente. Economia pura. Muita política, e mercado mais ou menos. Os mercados já são regulados...pela OPEP vs. pressão dos países ricos. Não é muito bom. Mas não sei muito bem o que podemos fazer quanto a isso...


De doomer a 19 de Maio de 2008 às 18:59
Se acreditar piamente nas palavras da Arábia Saudita...
A "capacidade produtiva" também é um termo interessante, eu também tenho, teoricamente, a capacidade de namorar com a Julia Roberts, no entanto...
Os Sauditas também têm dito que tencionam guardar reservas para o futuro, nas palavras do próprio King Abdul:

«I keep no secret from you that when there were some new finds, I told them, 'no, leave it in the ground, with grace from god, our children need it',»

http://uk.reuters.com/article/oilRpt/idUKL139687720080413

Eu não os censuro, nem queria estar na posição deles. Uma população em explosão demográfica, com uma idade média de 21 anos e 38% da população com menos de 14 anos, a viverem no deserto não é propriamente sustentável. Mesmo que tenham essa capacidade productiva, é do seu interesse extender ao máximo o período de produção das suas reservas, isso implica taxas de extração menores.

Mas o pior é que ninguém pode confiar nas declarações da OPEC, especialmente quanto às suas reservas, que em meados dos anos 80, na altura em que a atribuição das quotas de produção da OPEC era proporcional ao tamanho das reservas, elas duplicaram de um dia para o outro.
Eles podem simplesmente estar com a corda na garganta, a nova produção não chega para cobrir os declínios dos poços gigantes que foram explorados primeiro, mas ninguém pode ter a certeza, desde 1980 que não há análises independentes à situação do petroleo na Arabia Saudita, eles divulgam os dados que querem, quando querem.
Mas o ponto é que há grandes incertezas quanto há oferta futura vindas de todos os lados, questões geopoliticas, economicas,etc todas elas sublimadas pela natureza finita do petróleo e os limites geológicos e económicos da extração, dai o preço crescente, que esta semana curiosamente entrou em "contango" nos futuros até 2016:

http://www.theoildrum.com/node/3997


De Tiago Antao a 30 de Maio de 2008 às 17:09
Bem, com fontes tão fidedignas como a CNN e o rei Abdul (não só fontes fidedignas como também de esquerda - juntemos também os "economistas"), será impossivel refutar tão boa argumentação...

Sarcasmos à parte...

Sugiro que perca algum tempo com a questão do "peak oil". Tente perceber os argumentos mais a fundo (algumas das repostas que teve aqui foram um bom começo). Afinal até pode ser que esteja a falar sobre a questão mais importante da primeira metade do séc XXI (eu acredito que tal seja, no entanto não se fie na minha opinião, sugiro-lhe apenas que não se limite ao rei Abdul, CNN e "economistas" nesta questão) .

Mesmo que chegue ao fim e conclua que não há um problema de peak oil, não fará de certeza comentários tão superficiais e mal informados sobre um tema que é, qualquer que seja a opinião que se faça, fundamental...

Um introdução feita por peak oilers (só para avisar que é "biased")
http://www.theoildrum.com/node/4041

Oil megaprojects (list de grandes campos de petróleo em desenvolvimento)
http://en.wikipedia.org/wiki/Oil_Megaprojects (Note um pico local este ano e para o ano que vem... menos mau)

Ah... e relativamente às "proven reserves" da arábia saudita (algo que ainda ninguém comentou a fundo): Há uns anos atrás a OPEC passou a ter quotas em função de "proven reserves", resultado: de um ano para o outro as reservas dos países de OPEC aumentaram "magicamente" (ver o gráfico OPEC 11 oil reserves no primeiro link) quase para o dobro.


De doomer a 19 de Maio de 2008 às 21:46
«só teria sentido se conseguisse associar o aumento especulativo à existência de estudos que indicassem a deterioração das reservas mundiais de crude.»

O que não faltam são estudos que chegam a essas conclusões:

http://www.energywatchgroup.org/fileadmin/global/pdf/EWG_Oilreport_Summary_10-2007.pdf

PDF 14 pág.

Aqui há vários:

http://www.peakoil.net/publications/peer-reviewed-articles



De José M. Sousa a 19 de Maio de 2008 às 23:18
O presidente da Partex também afirma isto: http://www.ied-pt.org/pt/PDF%20-%20Confer%C3%AAncia%203/Costae%20Silva-portal.pdf
ou seja, apesar da especulação ter um papel no actual aumento dos preços, há razões de fundo que justificam o aumento sustentado e acentuado que se tem verificado. http://futureatrisk.blogspot.com/2008/05/ideia-segundo-qual-as-companhias.html

Quanto à Venezuela, tal como com o Canadá não há comparação possível com a Arábia Saudita. Trata-se de areias betuminosas cuja recuperação em petróleo é apenas parcial, ela própria consumidora de muito energia (no Canadá, sobretudo gás natural que também está a escassear) e tem impactos ambientais negativos.

A verdade é que há décadas que não se descobrem grandes jjazidas de petróleo comparáveis ás do Médio Oriente a tal ponto que hoje em dia por cada três consumidos descobre-se um. O poço TUPI no Brasil pode ser significativo para a GALP, mas à escala do consumo mundial é totalmente insignificante!

Professor Aleklett remains pessimistic about increased rates of discovery in the coming years. "If you look at the discovery trends over the past 40 years, we will find 150 billion barrels in the next 30 years. If you are consuming 30 billion barrels every year means that that stock will last five years," he said. retirado de aqui: http://www.odac-info.org/node/2250 (ODAC - Oil Depletion Analysis Center - site muito recomendável para estar ao corrente destes assuntos)


Além disso, a Agência Internacional de Energia no World Energy Outlook 2007 e em entrevistas recentes do seu economista-chefe vem alertando para o facto de que o petróleo dificilmente chegará para as necessidades às taxas de consumo actuais.

Apesar de não ter qualquer simpatia pelas ideias do João Miranda, numa coisa ele parece ter razão: até o Bloco parece ser incoerente ao não querer admitir o problema, invocando que muito petróleo para gastar e assim não haver justificação para preços altos e, ao mesmo tempo, supostamente lamenta as Alterações Climáticas. Enfim!


De José M. Sousa a 19 de Maio de 2008 às 23:32
Pedro Sales
Não é verdade que não haja escassez de petróleo actualmente. Há escassez do chamado "light crude", petróleo de alta qualidade. Sugiro este texto:

http://www.aspo-usa.com/index.php?option=com_content&task=view&id=374&Itemid=91

Quantos aos economistas sobre petróleo, não se fie muito (pelo menos aqueles ligados aos mercados financeiros)

Sobre a cpacidade da Arábia Saudita, sugiro:

http://climateprogress.org/2008/05/16/note-to-mediabush-the-saudis-dont-control-the-price-of-oil/


De José M. Sousa a 19 de Maio de 2008 às 23:41
Ainda outra coisa

Uma das razões por que você vê tantos economistas/analistas financeiros a justificarem os preços por razões conjunturais tem que ver com uma coisa muito simples: a partir do momento em que reconhecerem que o pico de produção petrolífera já passou os mercados financeiros darão um grande trambolhão! Alíás isso viu-se há uns anos com as acções da Shell, e há semanas novamente, quando anunciaram uma redução acentuada das reservas sob seu controle. Mas neste caso (do Pico Petrolífero) seria todo o sistema que ficaria sob ameaça. Daí que de 2006 para 2007, são cada vez mais os alertas e sucedem-se as fugas em frente: biocombustíveis, areias betuminosas, expectativa de exploração no Arctico, etc.

http://futureatrisk.blogspot.com/search?q=national+petroleum+council


De Sokal a 20 de Maio de 2008 às 09:07
A ideia aqui veiculada de que os especuladores são agentes que armazenam petróleo para fazer subir o preço é muito redutora.
Os especuladores nos mercados de "futuros" não armazenam coisa nenhuma. Nem estão sequer interessados em comprar ou vender o activo subjacente aos contratos de futuros. Apenas tomam posições "long" (vendem contratos de futuros) ou "short" (compram contratos) isto é, fazem “apostas” relativamente à evolução dos preços no mercado do activo subjacente e no próprio mercado de futuros.


De Miguel Madeira a 20 de Maio de 2008 às 22:13
A mim parece-me que, para a especulação, mesmo no mercado de futuros, fazer subir o preço do petróleo vendido no momento presente, é preciso que, no mundo físico, alguém esteja a armazenar petróleo, pelas mesmas razões que dou aqui para os cereais:

http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2008/05/crise-alimentar-ii-especulao.html?showComment=1211287320000#c6162823212139840859

Admito que é mais provável que essa acumulação esteja a acontecer para o petróleo do que para os cereais, já que aí há uma forma adicional de o acumular e que nem aparece nas estatísticas de stocks: deixá-lo lá em baixo.


De Nan a 20 de Maio de 2008 às 11:00
O que tem piada neste post é que o Miranda andou anos a fio a defender que não havia escassez nehuma de petróleo, que isso era tudo manobra dos comunas para lixar a economia e que isso das energias alternativas era uma treta de hippies tarados, e que a solução energética mais eficiente e duradoura era mas era o petróleo... Que pena tenho de não ter guardado esses preciosos escritos... ;-)


De Pedro Braz Teixeira a 20 de Maio de 2008 às 15:07
Os “especuladores” fazem apostas, não estão a jogar um jogo seguro. Se, com os dados em presença, os “especuladores” prevêem uma subida do preço do petróleo, o que eles fazem é antecipar a realidade e não mudar essa realidade. São mais mensageiros que mensagem. Mas, se os “especuladores” errarem as suas previsões, vão perder milhões nas suas apostas falhadas. Por isso, mesmo estas apostas têm que ser um risco calculado.

Já viu especuladores especularem uma depreciação do franco suiço?


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