Terça-feira, 6 de Maio de 2008
Caricatura?
O Tiago Barbosa Ribeiro considera que o vídeo que aqui coloquei - no qual o secretário-geral da JS declara que os falsos recibos vão continuar, só que serão mais caros – é demagógico. Porquê? Porque são apenas 10 segundos de uma "longa intervenção", na qual o deputado do PS garante que as medidas propostas pelo governo vão apertar o combate a esse flagelo social. O argumento do Tiago é curioso, porque eu, que sigo atentamente o seu blogue, tenho-o visto a citar várias notícias com declarações de políticos. Ora, uma citação é uma selecção e esta implica sempre a descontextualização de uma intervenção. O que se pretende é que, quando se selecciona uma parte de um discurso, o momento escolhido acrescente informação relevante para quem a lê ou visiona. Ora, na longa parte da intervenção que não foi escolhida, o Pedro Nuno Santos repete os argumentos que têm sido ditos e reditos pelo primeiro-ministro e ministro do trabalho. Não vale a pena repetir o que as pessoas já conhecem e estão estão em condições de avaliar por si. 

Fiquemo-nos, então, pela novidade. Um deputado do PS garante, lapsus linguae ou não, que os falsos recibos verdes vão continuar, mas desta vez mais caros. Ora, e aqui é que entramos no ponto mais sério, parece-me que esta frase de Pedro Nuno Santos nos dá uma excelente indicação daquilo que, quase de certeza, virá a acontecer. Ou será que alguém acredita que é o pagamento de uma taxa de 5% que vai desincentivar o recurso aos falsos recibos verdes e que, para fugir à nova taxa, as empresas vão a correr pagar os 23% de taxa social? Mas o Tiago diz ainda que eu omiti a parte do discurso em que o Pedro Nuno Santos garante que, com as novas medidas, o Governo vai reforçar os mecanismos de combate aos falsos recibos verdes. Nesse ponto dou-lhe toda a razão. Devia tê-lo referido. Não para fugir à demagogia, mas antes para dar conta da demagogia do PS. É que esse argumento, vindo de um deputado que suporta o governo, só pode ser uma brincadeira.

Trabalham para o Estado milhares de pessoas a recibo verde. Muitos dos quais  dos quais configurando situações efectivas de trabalho semelhantes às que foram regularizadas pelo governo de António Guterres, mas que o actual governo permite e instiga. Tenho em minha posse (e posso colocar on-line se o Tiago achar que também é demagógico) a cópia de 8 (oito) contratos sucessivos de uma formadora das Novas Oportunidades. Há mais de dois anos que faz o mesmo serviço para o ministério da Educação, mas já sabe que, a cada 3 ou 6 meses, lá tem que assinar novo contrato de prestação de serviços, sempre a recibos verdes. Não tem direito a subsidio de férias ou de doença e paga do seu bolso toda a segurança social. Não é um caso isolado, são milhares e milhares. Será que é para evitar a taxa de 5% que o Governo lhe vai garantir um vínculo contratual? Ou será que os mecanismos de fiscalização anunciados pelo ministro Vieira, e repetidos pelo Pedro Nuno Santos, vão incidir sobre os ministérios do governo PS? O Tiago tem razão. Devia ter feito referência ao grande combate do PS aos falsos recibos verdes. Tem sido exemplar.
Fica aqui, então, a "longa intervenção" de Pedro Nuno Santos.
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publicado por Pedro Sales às 13:04
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Comentários:
De Tiago Salgado a 6 de Maio de 2008 às 15:05
Boa Pedro! É assim mesmo! Só quem não conhece a realidade, ou pior, quem não a quer revelar (ou a quer omitir) é que reage dessa forma.

Eu também sou um desses infelizes, que saltam de contrato em contrato, sem segurança nenhuma... e não há nada que me faça acreditar que isso vai mudar a curto ou médio prazo...


De Filipe Tourais a 6 de Maio de 2008 às 23:37
5% vezes 12 meses dá 60% de um salário. O subsídio de férias e o subsídio de Natal são dois salários. Se a estes dois salários somarmos a taxa social única vemos a dimensão da brincadeira que são estes 5% e que os recibos verdes continuam a compensar. E bastante.


De Pedro Fontela a 7 de Maio de 2008 às 13:39
Pedro Sales,

Se você fala com paus mandados do PS o que quer que aconteça? Se o aparelho diz que o branco é preto então passa a ser preto.

A partir do momento que se sabe os interesses mais que concretos de certas pessoas não vejo qual a utilidade de um debate que não pode avançar.


De favores a 9 de Maio de 2008 às 01:08
Acho que este exemplo não foi grandemente conseguido , pois esta coisa das novas oportunidades foi concebida , não para dar novas oportunidades , mas sim para dar emprego ( e emprego que não se produz nada de jeito) a uns tantos licenciados , na area da formação. É lógico , nestes casos , em que se criaram empregos por decreto , ainda por cima com falsos pretextos , que a sua situação seja precária. E são pagos por todos nós , é um favor que lhes fazemos. Eram perfeitamente dispensáveis , constituem apenas mais um encargo para o contribuinte.


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