Sexta-feira, 2 de Maio de 2008
Alguém falou em cartel?

“Desde o final de Janeiro de 2008 até ontem, o preço da gasolina de 95 octanas, em Portugal subiu 13,2 por cento e o do gasóleo 6 por cento, enquanto o do petróleo tipo Brent, que serve de referência para a Europa, subiu 16  por cento”. De acordo com esta informação, publicada ontem na secção de economia do Público, o jornal fez uma chamada de capa desvalorizando o recente aumento da gasolina e dizendo que os “combustíveis sobem menos do que o petróleo”.

Sucede que, como o jornal deveria saber, se não é possível fazer uma transposição directa entre o preço de qualquer matéria prima e o  do seu produto final, muito menos é possível essa leitura num mercado em que a carga fiscal representa mais de 60% do seu preço final. Depois, há ainda que contar com o preço da transformação do produto, transporte e distribuição, custos de operação e taxa de lucro da petrolífera e revendedor. Curiosamente, nem o facto de, no mesmo perídodo temporal, o dólar se ter desvalorizado 7% face ao euro é referido pelo jornal, ignorando assim a vantagem que é comprar em dólares para depois vender em euros...

Em todo o caso, não é preciso ser-se um brilhante economista para perceber que o aumento de 16% do crude não pode ser responsabilizado por um aumento da gasolina superior a 3 a 5 %. Mas esta aumentou 13%, uma média bem superior à dos restantes países europeus. O aumento do crude tem servido de pretexto para o aumento sem precedentes da gasolina e para as empresas petrolíferas registarem lucros recorde, mas é uma desculpa que tem as pernas curtas. Curiosamente, ninguém parece encontrar os responsáveis pela liberalização deste mercado e que nos garantiam, há apenas quatro anos, que a concorrência ia tornar a gasolina mais barata. Aonde é que andam escondidos, agora que a concertação de preços em prejuízo dos consumidores se começa a tornar cada vez mais evidente?


publicado por Pedro Sales às 15:58
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Comentários:
De Pedro Fontela a 2 de Maio de 2008 às 17:01
É daquelas coisas que todos estamos cansados de saber (isso e o sector das telecomunicações, etc, etc) e nunca ninguém fez nada sobre o assunto - haja dinheiro para pagar a tanto político reformado como director não executivo.


De Fernando a 2 de Maio de 2008 às 19:45
Ora aqui está mais um bom motivo para não ler e muito menos comprar jornais.
Há uns anos atrás existia um jornal cujo slogan publicitário era "A verdade a que temos direito.". Repare-se na subtileza(?) da frase que circunscreve a verdade a um determinado tipo. Mas a verdade não é só uma? É. E o que não é verdade é mentira. Ponto final.
A imprensa portuguesa, hoje, segue o slogan do dito jornal. Toda. Imprensa para idiotas sem neurónios. Desculpem o pleonasmo. E todo o país alinha pelo mesmo. Coitados.



De alberto gomes a 3 de Maio de 2008 às 22:24
Como se constatará em qualquer bom romance policial (ou mesmo mau), para se descobrir os culpados, procura-se quem lucrou com o crime.
Também neste caso o método é aplicável.
Um dos culpados é por demais óbvio, e já foi referido no post, as empresas petroliferas, que ao fim e ao cabo fazem aquilo que é suposto as empresas fazerem, rentabilizarem ao máximo o seu negócio.
Seguindo o raciocinio mesmo também não sendo um brilhante (nem fosco) economista, farei aqui umas continhas simples, vejamos:
Se o combustivel custar 1€ por litro, e o imposto que recai sobre o mesmo, for como é referido, 60% o estado vai receber por cada litro 0,60€. Se o combustivel custar 1,13€ (aumento de 13% apenas desde Janeiro 2008) com o mesma taxa de imposto o estado vai arrecadar 0,678€, ou seja mais 7,8 cêntimos.
Podemos assim constatar quem é que recebe a herança da vitima, ao mesmo tempo que nos põe a acelarar para a redução do défice, sacando dos bolsos de todos nós muitas "octanas" em impostos.
Elementar, meu caro Pedro


De Pedro Sales a 4 de Maio de 2008 às 15:47
Sim. É óbvio que as contas do Estado são das principais beneficiárias com o aumento do preço da gasolina, ficando com qualquer coisa como 64% do aumento do preço. Isso talvez explique tanta inacção na fiscalização das práticas comerciais do sector...


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