Comentários:
De Rui Carlos Gonçalves a 25 de Abril de 2008 às 01:12
Criticar os outros é fácil, resolvermos os problemas é que já é mais difícil.
Preocupa-me mais a licença para disparar e torturar que é dada aos criminosos. É capaz de ser responsável por mais mortes do que a licença da polícia.


De A.Vivaldi a 25 de Abril de 2008 às 15:21
Pedro Sales,
Concordo com a maioria dos seus posts e sou visitante assíduo do seu blogue.
Acho que os estados devem ser os primeiros a respeitar a lei, mas sinceramente não vejo forma de combater os criminosos das favelas brasileiras de outra forma senão através de unidades como o BOPE.
Relativamente a Portugal, acho que se devia evitar, através de medidas sociais, mais patrulhamento e justiça eficaz, a criação de guetos e de grupos que fomentem a criação destas unidades de policia especial.
O país anda adormecido e entorpecido... a primeira linha de defesa contra a violência, bem como a exclusão social, somos nós, os cidadãos! Em primeiro lugar deveríamos ser exigentes relativamente aqueles que nos (des)governam e depois cada um de nós deveria funcionar como multiplicador da cidadania e da segurança. Não se trata de fazer de cada um de nós um 'vigilante da moral e bons costumes' mas sim sermos mais activos e interventivos!
Um abraço!


De JLS a 26 de Abril de 2008 às 04:37
Não compreende as «razões técnicas que levam um corpo antiterrorista, como os GOE, a recorrer ao treino de uma força especializada no combate urbano ao narcotráfico»? Não compreende porque é que uma força dessa natureza quererá aperfeiçoar as suas competências técnias num ambiente de urbano? Eu pelo menos não estou a imaginar ataques terroristas ao celeiro do Tio Joaquim. Mas às tantas sou eu...

Compreendo e concordo com a legitimação que a sua presença comporta. Mas reconheço pleno interesse técnico em estar lá. As razões são mais do que óbvias. Se politicamente isso é conveniente? Bem... chamam-lhe força policial, mas como se vê... não é bem... O recurso à tortura é uma história. A licença para disparar e matar é outra completamente diferente e convém não confundir. Aqueles indíviduos não estão a vender jeans na feira. Nem estão meramente a traficar droga. Apoderam-se de um território, chega a haver uma quase-violação da soberania nacional. Muito mais do que economias parelelas, as favelas são quase micro-estados geridos por esses individuos que andam armados como se de guerras se tratassem. Força policial? Secalhar, mesmo secalhar, não é bem "policial", mas muito mais do que isso. Por isso que questione a tortura, que questione os métodos, tudo bem. Também o questiono. Mas a partir do momento em que nem sequer ver o interesse técnico que um GOE terá numa experiência de combate urbano... a sério, isso é cegueira. Razões técnicas... sublinho novamente, para nem haver duvidas, não políticas.


De JLS a 26 de Abril de 2008 às 04:40
«Compreendo e concordo com a legitimação que a sua presença comporta.»

Quando escrevi isto, queria ter escrito [...concordo] com o seu ponto de vista quanto à questão da [legitimação...]


De Pedro Sales a 26 de Abril de 2008 às 17:36
Em resposta aos comentários anteriores, só tenho uma coisa a dizer: se a polícia se comporta da mesma forma que os criminosos, em nome de uma suposta eficácia no combate ao crime, o que é que a separa dos traficantes? Os seus fins? E estes justificam todos os meios?

É nos momentos mais dificeis que não se pode atalhar nos métodos. É isso que os EUA estão a fazer em Guantanamo e com a legitimação da tortura para combater o terrorismo. Começa-se por aí e depois nunca se sabe onde vai parar. O que não faltam são bons pretextos. A criminalidade, droga, terrorismo, etc, etc...

Depois, reparem, nem a eficácia é coisa por aí além. Apesar das centenas de mortes nestes 30 anos, o BOPE não só não erradicou o tráfico das favelas como ele continua a aumentar. Por cada traficante morto logo aparece outro. QUal é a solução? Matar todos os favelados? E os inocentes, às dezenas, que já morreram às mãos destes esquadrão da morte? Ainda ontem, uma intervenção do BOPE na Cidade de Deus matou 11 pessoas, incluindo uma idosa de 70 anos e feriu duas crianças no fogo cruzado:

http://oglobo.globo.com/rio/mat/2008/04/25/cerca_de_150_policiais_militares_fazem_operacao_contra_trafico_na_cidade_de_deus-427056840.asp

Quanto à questão técnica, faço minhas as palavras de um representante da associação Sindical dos Profissionais de Polícia, que perguntava ontem no Público: "Que tipo de formação nos podem dar? O BOPE não existe para fazer detenções. Existe para matar, abrindo fogo de morte sobre as pessoas", afirmou Paulo Rodrigues.


De Rui Carlos Gonçalves a 26 de Abril de 2008 às 20:18
E que aconteceria se não existisse essa força policial?
Qual é afinal a solução milagrosa para o problema? Dar total liberdade aos criminosos?


De JLS a 27 de Abril de 2008 às 18:19
Compreendo toda essa perspectiva. Mas na minha opinião aquilo não é uma polícia nem aquela é uma situação de polícia vs. crime. São colónias e mini-cidades pirata, sem lei, sem Estado. São uma questão praticamente militar. Até são capazes de vibrar tanto como os outros com as jogadas o Ronaldinho e do Káká. Mas aquilo não é o Brasil. São micro-estados com economias e ordens de poder completamente distintas, autónomas e sem qualquer controlo. Isto passa-se também em vários outros países da América, onde a droga e os traficantes assumem tal preponderância na vida do dia a dia, em que as economias parelelas são muito mais importantes que a "legal", em que ditam a vida, a ordem e a segurança. Isto é polícia vs criminosos? A diferença entre isto e a existiência de forças rebeldes dentro de um estado qual é? Aí fala de polícia ou de militares?


De Paulo Mouta a 27 de Abril de 2008 às 02:15
Não consigo compreender a razão do medo ou da repulsa à acção policial quando não se defendem medidas concretas contra as forças fascizantes do crime. Sim, porque a criminalidade é limitadora da liberdade individual e colectiva. O medo que o cidadão comum tem em viver normalmente por causa da criminalidade, isso sim é uma limitação grave dos direitos humanos. E por aí a instituição parasitária e sectária da Amnistia Internacional não oferece quaisquer respostas ou soluções.

A criminalidade violenta só pode ser eliminada por meios violentos. O problema aqui é que não temos uma verdadeira autoridade com moral a defender. Temos um estado que, ele próprio é usurpador e criminoso. Não é "pessoa de bem". Temos serviços fiscais e judiciais que vivem à custa do financiamento por apropriação indevida de bens privados e pela aplicação da (in)justiça fiscal cega. Perante isto, e perante a forma como os capitais públicos são desbaratados é difícil impor uma moral social.

Seja como for, para que haja liberdade individual e colectiva é necessário que estejamos o mais protegidos possível das múltiplas formas de criminalidade que se vão espalhando e crescendo por aí. Claro que é sempre de temer o abuso de autoridade mas hoje em dia os juízes já têm quase poder para tudo e nem por isso deixam de ser esses mesmos juízes aqueles que não querem nem conseguem castigar os criminosos libertando-os a seguir a qualquer crime muitas vezes sem medidas de coaçãocausando uma sensação clara de impunidade que é altamente perigosa para a própria democracia.


De Sócrates a 27 de Abril de 2008 às 23:08
Sem dúvida que o problema no Rio de Janeiro, tal como noutras cidades, é um problema com raiz social que só com mudanças sociais poderá ser resolvido.

Não sou adepto da doutrina dos EUA na luta contra o terrorismo, no entanto face à realidade das favelas do Rio de Janeiro, à corrupção e às justas amarras que a Justiça tem (sob o compreensível princípio de não deixar nenhum inocente ser punido), compreendo a existência e a eficácia do BOPE. Por vezes as coisas chegam a um ponto em que qualquer medida social levaria décadas a dar resultado, morrendo muita gente inocente nas mãos de criminosos. Se formos a ver a realidade brasileira é bastante complexa... prisões a abarrotar, favelas e mais favelas... nem com um presidente como Lula consegue ter o poder para mudar uma realidade como aquela de forma "correcta".


Por vezes dou comigo a pensar se não precisaríamos de algo mais "teso" por cá, mas para os crimes de corrupção...


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