Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
O irreal país laranja

O PSD apresentou ontem, em pleno debate sobre a simplificação legislativa do divórcio, cinco projectos de lei para o que dizem ser a dignificação e protecção da família. Uma breve leitura da Lei de Bases ontem apresentada dá para constatar a confrangedora vacuidade da proposta, mero pretexto para o partido apresentar a sua versão beata e ahistórica da "família", numa nada escondida piscadela de olho ao discurso da Igreja Católica.

Só que este truque é velho de anos. Em todos os debates sobre a despenalização do aborto que tiveram lugar no Parlamento, o PSD retorquiu sempre desvalorizando a importância do tema e defendendo a necessidade de apostar na educação sexual - isto, apesar de terem votado contra todas as propostas legislativas (e foram muitas)nesse sentido... O conservadorismo social é cada vez mais uma das imagens de marca de um PSD crescentemente confinado e enfeudado nos sectores mais fechados da sociedade portuguesa. Aqui há uns anos dizia-se que o PSD era o partido mais português de Portugal, uma expressão que, não por acaso, caiu em desuso. O país que hoje dizem representar é uma espécie em vias de extinção.

Ocupados com as lutas internas e obcecados com a comunicação social, não repararam que a demografia, escolarização e a tímida modernização do tecido económico mudou o mapa do país. A simples comparação dos resultados dos dois referendos à despenalização do aborto -  e o voto esmagador registado pelo “Sim” entre os jovens e principais centros urbanos - devia fazê-los perceber que a demografia tornou o “país real” que dizem defender cada vez mais uma peça de arqueologia social. De resto, basta ver quem aparece hoje a dar a cara pela regeneração do partido: Aguiar Branco, o porta-voz do “Não” no maior programa de debate televisivo no último referendo. O problema do PSD não é só Menezes. É não ter nada para dizer a camadas cada vez mais amplas da sociedade. Logo por azar, as mais dinâmicas e reprodutoras de opinião. O PSD é cada vez mais o partido da “má moeda”.

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publicado por Pedro Sales às 20:41
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Comentários:
De Marco Alberto Alves a 18 de Abril de 2008 às 13:00




Muito bem dito!

O Cavaquistão era um País que existia ali entre Leiria e Viseu, no Século passado...


De Paulo Mouta a 19 de Abril de 2008 às 02:31
Sobre o divórcio penso que seria mais positivo, por coerência, o projecto do BE. Com este que passou corremos o risco de não ocnstarem alterações depois na especialidade que podem ser essenciais a que não se torne mais uma amálgama de equívocos jurídicos.


De Luís Lavoura a 21 de Abril de 2008 às 12:47
Mais do que atentar nos resultados comparativos dos referendos sobre o aborto, penso que faria bem ao PSD, e aos conservadores em geral, atentar nas estatísticas sobre casamentos civis e religiosos (com predominância dos primeiros), nas estatísticas sobre divórcios (que atualmente atingem metade dos casais) e, crescentemente, nas estatisticas sobre filhos fora do casamento.

Mais do que os resultados dos referendos, essas estatísticas mostram que a conceção de "família" dos conservadores está atualmente completamente desfasada da realidade.


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