Terça-feira, 15 de Abril de 2008
Um bom conselho

No último debate parlamentar, José Sócrates aconselhou “mais leituras” a Francisco Louçã quando este criticou o impacto dos agrocombustíveis no aumento do preço dos alimentos. Segundo o primeiro-ministro, como a maioria combustíveis “verdes” nacionais estão a ser produzidos a partir de oleaginosas cultivadas em Moçambique não têm qualquer influência no aumento dos preços dos alimentos. Este argumento é um disparate, e nem é preciso ler muito para o perceber.

Os preços dos bens alimentares não são fixados em Portugal. Importamos mais de 70% do que comemos. Cereais, arroz e outros produtos são comprados nos mercados internacionais de referência, onde os preços não param de aumentar. Mesmo não sendo óleos alimentares, as áreas cultivadas em Moçambique para encher os tanque de gasolina dos carros de Lisboa ou Porto não nasceram do nada. Ou levaram ao abandono de áreas dedicadas à produção agrícola, conduzindo à escassez de bens alimentares que é uma das razões da escalada dos preços, ou foram conquistados às florestas tropicais, sem as quais teremos mais Co2 no planeta. Em todo o caso, os compromissos assinados por Portugal na UE serão sempre uma tragédia. O primeiro-ministro devia seguir o seu próprio conselho e ler um bocadinho mais. A começar pelas declarações da porta-voz do Progama Alimentar das Nações Unidas que, citada ontem pelo Público, lembra que "muitos agricultores estão a arrancar as suas culturas e a substituí-las, por exemplo, por milho por causa da especulação do mercado de biocombustíveis."



publicado por Pedro Sales às 19:46
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Comentários:
De Anónimo a 15 de Abril de 2008 às 22:47
Uma das coisa que me custa muito a aceitar é o desprezo pela agricultura e pescas em Portugal. Fiquei impressionada com os 70% , não fazia ideia que dependiamos tanto para nos alimentar do exterior. E depois vejo como os espanhois vem para cá agricultar , como os hollandeses têm também pojectos inovadores lá pro Alentejo , a tal de piscicultura em Mira , e não compreendo : será a cagança de todos acharem que têm de ser doutores para ser aceites?


De l.rodrigues a 16 de Abril de 2008 às 15:46
No outro dia um expoliado da reforma agrária queixava-se que os holandeses plantavam maçãs para exportar no alentejo. Dizia ele que a vantagem deles é terem um mercado.
Pelos vistos, esta fruta consegue chegar ao centro da europa a preços competitivos, mas não o conseguiria cá, vá-se lá saber porquê....


De José Luiz Sarmento a 15 de Abril de 2008 às 23:03
José Sócrates a recomendar mais leituras a Louçã, e ainda por cima em matéria económica, é uma coisa assim um bocado surreal. É bem verdade que a ignorância é atrevida!


De Isidro a 16 de Abril de 2008 às 00:39
De facto... é de ter vergonha senhor P Ministro. É feio lavar com uma mão e sujar com a outra.
Acerca deste blog... pois tenho q passar mais vezes.
Visitem também o meu e digam coisas.
Abraço


De José Manuel Faria a 16 de Abril de 2008 às 12:20
O sr. licenciado em engenharia tem muito que aprender com o Doutor Louça.


De Pedro Fernandes a 17 de Abril de 2008 às 04:48
Nota: pensar que as florestas tropicais sao os unicos reservatorios capazes de manter/sequestrar CO2 e um erro. Temos toda uma serie de ecossistemas capazes de o fazer tao bem como as ditas florestas, como por exemplo as pseudo-estepes (estepes cerealiferas na Peninsula Iberica), se bem que nao sejam ecossistemas tao "charmosos" ou apelativos. Mas sao vitais e ha que lutar pela sua preservacao. Nao quero com isto defender a continuada ma utilizacao das florestas tropicais, quero apenas chamar a atencao para aquilo que mais directamente podemos influenciar, aquilo que esta no nosso proprio pais.

(e falando em ambiente, hoje ouvi na radio que o governo se pronunciou sobre uma drenagem excessiva na Lagoa dos Salgados por parte de um campo de golf adjacente. Parece-me bem que o governo tenha tido esta opiniao perante esta situacao que danificou importante parte da epoca de nidificacao das aves numa das mais importantes zonas humidas do sul do pais. Resta saber quais as medidas a tomar agora para minorar a situacao negativa e impedir que torne a acontecer, a drenagem de uma zona humida com esta importancia para manter um campo de golf.)

Cumprimentos,
Pedro Fernandes


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