Quinta-feira, 10 de Abril de 2008
Os custos escondidos dos combustíveis "verdes"

O conselho científico da Agência Europeia para o Ambiente defendeu hoje que a União Europeia suspenda a meta dos dez por cento dos biocombustíveis utilizados nos transportes, até 2020, considerando que “o solo arável necessário para a União Europeia conseguir cumprir a meta dos dez por cento excede a área disponível” e  conduzirá à “destruição acelerada das florestas tropicais”. Uma boa notícia, sendo agora necessário avisar o governo português para parar de “torrar” dinheiro a financiar este logro ambiental que é um dos principais responsáveis pela hiperinflação dos produtos alimentares.

Faz agora duas semanas que, numa iniciativa que passou quase despercebida, o governo isentou sete empresas do pagamento de mais de 280 milhões de euros em ISP, para a produção de 1032 milhões de biodiesel entre 2008 e 2010. Se repararmos que o concurso para a produção de gasolina “verde” ainda não teve lugar - e que o governo subsidia este combustível em 400 euros por cada mil litros, contra os 280 do biodiesel -, talvez dê para perceber a dimensão dos custos envolvidos no financiamento desta insensatez.

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publicado por Pedro Sales às 20:36
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Comentários:
De Zeca Portuga a 11 de Abril de 2008 às 00:49
È lógico que o que aqui se diz é completamente falso.
A agricultura suportaria mais do que isso. Porém é necessário contar com o espaço agricola que está a ser cobiçado por outras acatividades.
Além disso, convém dizer que o aumento do ISP é a principal preocupação de uma europa - petroleo sobe=mais dinheiro nos cofres!

Como se pode explicar que, sendo todos os paises da eurpoa dependentes do petroleo externo, não procurem alternativas?


De Pedro Sales a 11 de Abril de 2008 às 10:22
Caro Zeca,

De acordo, é preciso encontrar alternativas. Fazê-lo à custa da hiperinflação do cabaz alimentar é que me parece a pior ideia, em termos sociais e ambientais.


De Nelson Peralta a 11 de Abril de 2008 às 00:50
Os EUA subsidiam a produção agrícola para biocombustíveis em 7 mil milhões de euros por ano... é o mercado livre a funcionar!


De Paulo Mouta a 12 de Abril de 2008 às 00:42
A uma escala "micro" até é capaz de fazer sentido esta aposta. Em Portugal a percentagem de terrenos férteis que foram sendo abandonados da prática agrícula , muitos deles inclusivamente subsidiados para a não produção, é tão elevada que acredito que teríamos não só uma capacidade de produção para consumo interno como mesmo para exportação se esses mesmo terrenos voltassem novamente a ser cultivados.

Outras soluções interessantes podem estar justamente na produção a partir da cana de açúcar . O açúcar não é exactamente um alimento ou mesmo que forçosamente hoje tenha de ser considerado como tal, não é de todo fundamental à nossa alimentação.

Penso que a energia eléctrica também constitui ainda um caminho possível desde que seja possível optimizar e conjugar as performances de autonomia e potência com a capacidade de produção eléctrica por meios não poluentes nomeadamente aproveitando as inesgotáveis fontes energéticas que a natureza coloca ao nosso dispor.

Fazer carregar o peso de uma alternativa forçada ao negócio mafioso do petróleo sobre algo que depende exclusivamente de bens alimentares pode ser muito perigoso. Até porque o mesmo mercado que está a inflacionar o preço do petróleo é o que força, por regra de aumento de procura e dificuldade de fornecimento, os preços dos produtos alimentares em questão a uma subida igualmente desenfreada.


De estetik a 9 de Junho de 2010 às 15:15
Muito bom site. Graças aos esforços do passado.


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