Terça-feira, 8 de Abril de 2008
Reflexo condicionado
O Henrique Raposo tem publicado uma série de posts sobre os “perigos do etanol”, denunciando as suas consequências ambientais, económicas e sociais. “Os ambientalistas ficaram encantados com o etanol. Era a salvação do planeta. Gasolina limpa que ia salvar os ursos polares. Mas, como sempre, os ambientalistas esqueceram as pessoas, esses seres chatos que complicam a fórmula para a salvação do Planeta”.

Como é óbvio, a “descomplicação” defendida pelo Henrique Raposo tem um problema. É que, ao contrário do que pretende fazer crer, o crescente recurso ao etanol não decorre de nenhuma motivação ambiental, mas geopolítica. Três quartos das reservas de petróleo ficam na zona mais instável do planeta, razão pela qual os EUA e União Europeia querem reduzir a dependência energética dos combustíveis fósseis. O Brasil, o outro grande defensor dos agrocombustíveis, pretende fazer negócio numa área em que detém uma considerável matéria prima e domina o know-how.

De resto, e esse é o principal problema da tese, os principais ecologistas e os seus movimentos, como a Greenpeace, sempre criticaram a utilização de produtos agrícolas para encher o tanque de combustível dos carros. É verdade que os ambientalistas querem “salvar as foquinhas e os ursinhos”, para utilizar a acintosa ironia do Henrique Raposo, mas não deixa de ser apressado retirar daí a ilação de que se estão "a lixar" para os indianos. Os reflexos condicionados têm destas coisas. Mesmo quando se tem razão, tentamos sempre ver moinhos de vento nos sítios do costume.

PS: Sobre este mesmo tema, no Zero de Conduta: Verde menos verde não há.
 
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publicado por Pedro Sales às 22:05
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Comentários:
De Zèd a 9 de Abril de 2008 às 07:45
Sem esquecer que os agrocombustíveis também produzem dióxido de carbono (CO2). Também não ajuda nada a resolver o problema do aquecimento global.


De Zeca Portuga a 9 de Abril de 2008 às 13:43
Esqueceram-se de referir que a Europa é excedentária em determinadas produções que podem ser canalizadas para a produção de combustíveis, mas é deficitária em reservas de combustíveis fósseis.

De resto, não é apenas o etanol (álcool). As oleaginosas desempenham um papel igualmente importante.
Não entendo como se pode ligar a produção de “biocombustivel” com a fome nos PVD.
Na verdade é o contrário: as multinacionais estão a destruir produções tradicionais, para impor a cultura daqueles que o “Norte” impõe, gerando, esses sim um problema de fome generalizada.

Se quisermos levar tudo a peito, negamos tudo:
Vejamos outro exemplo:
As tão apregoadas “Lâmpadas Economizadoras” (ou fluorescentes compactas), depois de inutilizadas, contêm produtos extremamente perigosos para o ambiente (são umas 2000 vezes mais poluentes do que as de incandescência) – vamos, então impedir que o seu uso avance!????
Benza-vos Deus!


De Filipe Tourais a 9 de Abril de 2008 às 23:21
Leiam o post sobre a falta de humor da esquerda no Atlântico. Dá para rir.


De Miguel Madeira a 10 de Abril de 2008 às 00:45
Já agora, vejam quem estava entusiasmado com o etanol há uns tempos:

http://revista-atlantico.blogspot.com/2007/02/aquilo-que-vai-tramar-o-huguinho-de.html


De Tárique a 11 de Abril de 2008 às 10:40
O discurso de HR relativamente a ecologia é sempre o mesmo: a premissa é de que os ambientalistas são um papão, o "verdismo" causa miséria. Depois é pegar num assunto (ddt, aquecimento global, etanol, pobreza) e culpar os politicamente correctos pelo problema. Lembrei-me disto ... (http://nadirdostempos.blogspot.com/2007/12/re-re-3-bilies-de-pessoas-vs-verdismo.html)


De Tárique a 11 de Abril de 2008 às 10:40
O discurso de HR relativamente a ecologia é sempre o mesmo: a premissa é de que os ambientalistas são um papão, o "verdismo" causa miséria. Depois é pegar num assunto (ddt, aquecimento global, etanol, pobreza) e culpar os politicamente correctos pelo problema. Lembrei-me disto ... (http://nadirdostempos.blogspot.com/2007/12/re-re-3-bilies-de-pessoas-vs-verdismo.html)


De Tárique a 11 de Abril de 2008 às 10:40
O discurso de HR relativamente a ecologia é sempre o mesmo: a premissa é de que os ambientalistas são um papão, o "verdismo" causa miséria. Depois é pegar num assunto (ddt, aquecimento global, etanol, pobreza) e culpar os politicamente correctos pelo problema.
Lembrei-me disto ...

http://nadirdostempos.blogspot.com/2007/12/re-re-3-bilies-de-pessoas-vs-verdismo.html


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