Sexta-feira, 21 de Março de 2008
O grau zero do oportunismo
CDS-PP quer ouvir Governo sobre caso de violência na escola Carolina Michaelis. Já era de esperar que, mais dia menos dia, o PP viesse demonstrar até que ponto é possível descer no aproveitamento demagógico de situações como estas. Quererá o PP fazer-nos crer que o primeiro-ministro é o responsável pelos telemóveis que entram nas salas de aula (apesar de serem proibidos), a ministra tem que responder pelos sms que os petizes enviam uns aos outros e o Presidente da República tem que "dar a cara" de cada vez que um aluno agride um professor? Mas o melhor é mesmo a "justificação" para o requerimento. É que o PP apresentou um projecto de lei, que foi rejeitado pelo Parlamento, onde se defendia a criação de um Observatório Escolar. Ora aí está. Tivesse esse Observatório sido criado e nunca, mas nunca, a aluna do 9.ª C da Carolina Micahelis teria tido a coragem de fazer o que fez à professora... O oportunismo devia ter limites.
 
PS: Na desenfreada fúria com que pretende ouvir tudo e todos na Assembleia da República, o PP podia aproveitar e exigir audições sobre os casos dos sobreiros, casino, fotocópias ou submarinos, temas esses de claro interesse público mas que parecem arredios da agenda do PP. Vá-se lá saber porquê.

publicado por Pedro Sales às 19:36
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Comentários:
De Jorge C. a 21 de Março de 2008 às 21:17
O Pedro vai-me desculpar mas essa sua reacção à notícia é um pouco exagerada.
É normal que um partido da oposição queira saber qual a posição do governo nesta matéria, visto ser do interesse público.
É claro que há um aproveitamento pateta do CDS - como, de resto, nos tem vindo a brindar. Mas é um aproveitamento que faz sentido.
Concordo totalmente com o seu post scriptum, mas preferia saber o que acha o Pedro Sales, como cidadão, sobre a questão em si, e não o que acha sobre um comportamento legítimo (ainda que oportunista) de um partido da oposição.

Cumprimentos.


De Zeca-portuga a 21 de Março de 2008 às 22:16
"Quererá o PP fazer-nos crer que o primeiro-ministro é o responsável pelos telemóveis que entram nas salas de aula (apesar de serem proibidos), a ministra tem que responder pelos sms que os petizes enviam uns aos outros... "

Claro que SIM! Só quem não conhece minimamente o ambiente de terror que se vive em algumas escolas, pode fazer afirmações destas. Queira desculpar, mas está a entrar num mundo do qual, visisvelmente, nada conhece.

A responsabilidade do governo (logo do presidente do conselho e da ministra) reside no facto de criar uma proibição que só existe no papel: e se o aluno teimar, se desobedecer, se não aceitar a proibição, o que é que lhe acontece!?
Resposta: NADA!!!
Ora, é da responsabilidade do governo (e aí reside a sua culpa) legislar no sentido de punir os infractores. Outro tanto se passa em todas as escolas do pais com a lei do tabaco! Qual é escola secundária onde alunos não fumam? Qual ?

Vejamos um caso: Um aluno de uma escola de Valença praticou vários assaltos dentro da escola, agrediu um infinidade de colegas, maltratrou quase todos os funcionários e alguns professores, incendou uma casa de banho... etc. Foi-lhe aplicada uma pena de suspensão. acumulando esta pena com as faltas que já tinha, corria o risco de reprovar por faltas. Então a DREN decidiu obrigar a escola a fazer esquecer tudo, criando um regime de impunidade para o dito bandido. Em casos como este, o que é proibido e o que é permitido, confunde-se.

Carissimo sr. desafio-o a apresentar aqui uma forma de resolver uma situação em que o aluno se recusa a desligar o telemóvel, com a cobertura dos pais e a escola nada, absolutametne nada, pode fazer. Diga, se tiver coragem, o que faria.

E, se ninguém pode fazer nada, de quem é a culpa? Não é de quem, por omissão do dever de legislar, provoca estes permite estes actos?!

Mais: A recolha de audio e video não autorizados é crime. Alguém vai investigar o "artista " que filmou e divulgou o filme em questão!? Quem?


De Manuel Leão. a 22 de Março de 2008 às 19:27
A Srª da DREN não é a mesma do caso Charrua?

Está tudo dito. Quem se dedica à caça às bruxas não pode perder tempo com telemóveis. Ou, dito de outra maneira: A Escola serve para louvar o Sr. Primeiro Ministro; o ensino é só para "encher pneus"!


De pedro oliveira a 22 de Março de 2008 às 00:45
Camarada Pedro Sales,

A atitude dos reaccionários do CDS-PP é louvável.
A camarada professora tenta nacionalizar o telemóvel da pequena capitalista.
A pequena capitalista conseguiu impedir o período revolucionário em curso, não aos telemóveis privados, os telemóveis são do povo, da nação, não à propriedade privada.
É pena que tenham de ser os reaccionários a defender os valores de esquerda.
Não à propriedade privada!
Fascismo nunca mais!
25 de Abril, sempre!


De Nuno Góis a 22 de Março de 2008 às 02:35
Caro Pedro Sales só posso concordar com o seu post, apenas estranho que este partido de abutres ainda o surpreenda. Verdadeiros abutres no governo ou na oposição aproveitando-se de toda e qualquer oportunidade não olhando a meios para atingir os seus fins. Felizmente, ao que tudo indica, estes fins levam-nos cada vez mais para o seu fim.

Quanto ao comentário do Zeca-portuga é do mesmo tipo de demagogia. Se dá aulas só conhece a realidade da sua escola. É curto.
Faço teatro todos os dias em escolas secundárias por todo o Algarve e o ano passado dei aulas em Lisboa numa escola profissional.
Nunca este ano lectivo vi ou soube de um aluno que fosse que andasse a fumar pela escola (se bem que fumem fora dela tal como eu e alguns professores). Quanto aos telemóveis, poupe-nos, é uma questão de respeito e autoridade que o professor tem que passar para a turma, e olhe que já tive grupos muitíssimo problemáticos e nunca me pus à bulha com adolescentes por um telemóvel... Por um lado porque nunca se deu tal caso, por outro porque seria ridículo entrar no jogo do(a) adolescente aluno(a).
Não é pela força que conquistamos uma turma. Principalmente porque se a não tivermos perdemos (como aconteceu à professora do Porto) e se a tivermos não a podemos utilizar, pois não temos esse direito.


De Zeca Portuga a 24 de Março de 2008 às 00:08
Caro sr.
Não conheço a realidade de uma escola, conheço, infelizmente a realidade de várias escolas, por onde passei.
É que eu sou professor, não sou actor. O seu mundo é mais de ficção, o meu é de trabalho e realidade. Alias, também sou pai e tenho filhos em duas escolas, onde se fuma abertamente, onde se usa o telemóvel e o portátil ligado internet, e até, pasme-se só, a plystation portátil.
Há pais, ou melhor, progenitores - porque não são pais a sério, que se sentem ofendidos se alguém lhes confisca playstation como já aconteceu na escola do meu filho.
Niguém, absolutamente ninguém, necessita de telemóvel dentro dorecinto da escola - quem diz o contrário mente, é aldrabão ou tem o rabo preso.
Faça-se uma lei simples: Quem usar o telemóvel dentro do recinto escolar, sem autorização superior, seja apreendido o dito aparelho e reverta a facor do estado - basta isto!
Qual a razão entre o tempo que os nossos jovens estudantes passam em volta dos telelmóveis e em volta dos livros? será 1 para 5 a favor dos telemóveis ou mais!?
Será que isto também é aproveitmento politico


De Lino José a 22 de Março de 2008 às 13:07
Meu caro amigo Pedro Sales se o PP pretende ouvir a ministra creca deste vergonhoso assunto, faz muito bem, porque eu, enquanto português pagante do Sistema de Ensino, exijo saber que penalização vai sofrer a dita aluna.

O que se passou foi simplesmnte vergonhoso, e é certamente a ponta de um iceberg. Ouvir uma fedelha sem qualquer tipo de ducação, a tratar por tu uma mulher de 60 anos que está a trabalhar, desobedecer-lhe ostensivamente, a empurrá-la e a intimidá-la, é algo que eu não aceito.

Eu não aceito estar a pagar um Sistema de Ensino em que uns fedelhos sem qualquer tipo de formação moral e cívica, se portem como jagunços, aterrorizem professores e colegas e nada lhes acontece.

Esta aluna deveria pura e simplesmente de ser expulsa. Não tem civismo nem educação para estar numa escola. Eu não posso aceitar que um filho meu, pertencente à turma desta energúmena, possa ser prejudicado pelo comportamento de um animal destes.

Eu exijo saber o que é que vai acontecer a esta besta !

Não me interessa que tenha 15 anos. Com 15 anos já tem a obrigação de se saber comportar e de respeitar os mais velhos.

Portanto, o sr. Pedro Sales é que está a ser demagogo e oportunista e está, mais uma vez por causa da porcaria da ideologia, a tentar passar um pano por cima de comportamentos inaceitáveis.

O PP faz muito bem em pedir explicações à ministra seobre este assunto em particular e em perguntar-lhe o que é que vai acontecer a esta aluna !


De Pedro Sales a 22 de Março de 2008 às 19:56
caro Lino José

É óbvio que a aluna deve ser penalizada, esse assunto nem se discute e ninguém aqui defendeu o contrário. É para isso que existem mecanismos disciplares nas escolas. O que se questiona é a intervenção da ministra. O Lino José entende que a ministra tem que dizer que sanção é que a aluna vai sofrer, uma competência que me parece própria do conselho de turma da escola. Os ministros têm que ser responsabilizados pelo Estatuto disciplar existente, no caso deste se revelar ineficaz. Foi essa a reacção do PSD, compreensível e aceitável. O PP, com o qual o Lino José concorda, preferiu chamar a ministra por causa de um caso particular que é a escola que tem que resolver. A primeira é uma resposta política, a segunda é um aproveitamento oportunista.


De Carlos Gonçalves a 24 de Março de 2008 às 02:19
Exmo. Sr. Pedro Sales,

“. É para isso que existem mecanismos disciplinares nas escolas. O que se questiona é a intervenção da ministra.”

Creio que teve oportunidade de saber – de post anteriores e do conhecimento mais elementar do sistema de ensino sobre o qual se pronuncia – que NÃO EXISTEM MECANISMOS DISCIPLINARES nas escolas! O senhor ainda não percebeu? Desculpe-me a insistência, mas tem filhos em idade escolar? Fala com eles?

É exactamente porque não existem mecanismos disciplinares nas escolas (estou a referir-me a estruturas funcionais e não a tretas que, de facto, não funcionam) que faz todo o sentido interpelar a responsável pela política educativa. E embora seja justo dizer que não se chegou onde estamos de um dia para o outro – e, portanto, apenas em razão das políticas desta ministra – a verdade é que ela não tem feito rigorosamente nada para remediar este estado de coisas e tudo parece fazer para o agravar ainda mais.

Por esta razão simples, o Senhor Lino José, eu, e todos os outros contribuintes tem todo o direito de querer saber o que acontece àquelas criaturas. E é a Sr.ª Ministra que tem de responder.

Porque em relação ao que a escola pode fazer, estamos falados (ou ainda não percebeu? – desculpe insistir na pergunta, não quer ser indelicado, mas estou sinceramente impressionado com a sua fé nos “mecanismos disciplinares” concebidos pelas políticas educativas a que temos direito)

Carlos Gonçalves


De José Manuel Faria a 23 de Março de 2008 às 18:55
De acordo com o Nuno Góis . A docente entrou no "jogo" da aluna.


De Ana Pereira a 24 de Março de 2008 às 12:36
Tanto quanto eu sei a Sra.Professora até ao momento não quis falar á comunicação social,e pelo que li não está nada satisfeita com a mediatização desta situação.É certo que o video foi colocado na Internet,mas depois disso foi passado vezes sem conta nas televisões,na RTP até se esqueceram de tapar a cara da Sra.Professora e da aluna.Comentários e comentadores nos jornais,televisões,internet em blogs vários.As pessoas tem direito á imagem e á privacidade.O video foi posto na internet por um miudo,mas parece que há muitos adultos interessados em se aproveitarem da situação,quer na comunicação social,quer na politica.É caso para dizer tenham respeito pela Sra.Professora,não façam aquilo que criticam aos alunos,ela se quiser e quando quiser falará á comunicação social,ninguem tem o direito de expor as pessoas e fazer julgamentos na praça pública,para além do que se viu no video não sabemos mais nada do que se passou dentro daquela sala durante aquela aula.


De Marco Alberto Alves a 25 de Março de 2008 às 19:09


Lino José, desculpe mas não tem razão.


Quem tem o dever de se explicar é quem detém a autoridade na Escola, a começar pela senhora professora que "roubou" o tele-móvel à sua aluna.


Não pense que não me apeteceu já também "malhar" nos meus alunos. Mas não poderia nunca rebaixar-me a esse ponto, sobretudo por RESPEITO para com todos aqueles que se portam bem.

A indisciplina é grave, merece soluções "um pouco" mais eficazes do que as que vêm sendo tentadas desde que se democratizou a Escola, mas a responsabilidade não pode ser descarregada apenas sobre os detentores do poder político.


Você, Lino José, ao votar, sabe alguma coisa sobre o que os vários Partidos lhe propõem em termos de política educativa?


E tem a mínima noção do que os Partidos que já foram Governo em Portugal desde 76 fizeram no tocante à Educação (digamos, desde esse marco histórico que foi Sottomayor Cardia)?


Por exemplo, sabe que o Ministério da Educação esteve nas mãos do P. S. D. em pelo menos DEZANOVE dos últimos trinta anos?


Pois é...


De Zeca Portuga a 25 de Março de 2008 às 21:21
Como é!?
A professora ROUBOU o telemóvel à aluna!!!!
Você é dos "gatos fedorentos"!? Só pode!


De Marco Alberto Alves a 25 de Março de 2008 às 19:15


E qual a responsabilidade dos Professores e seus sindicatos em toda a situação presente?


E a dos Pais e Encarregados de Educação?


E a dos jornalistas, comentadores e "fazedores" de opinião (alheia)?


Querem lá ver que o Teixeira dos Santos também é o responsável pela crise escandalosa do BCP?

Ou que o Alberto Costa é cúmplice do assassino do Real Forte (ou, visto por outro prisma, responsável máximo pela redução notória dos homicídios em Portugal de 400 e tal em 1995 para cento e tal em 2007?)?


Culpar os Ministros e os Governos será sempre a melhor maneira de assobiar para o lado e alijarmos as nossas próprias responsabilidades POLÍTICAS (não é, senhoras e senhores ABSTENCIONISTAS?)...


De Zeca Portuga a 25 de Março de 2008 às 21:10
Sabe qual é a responsabilidade dos professores e sindicatos?
É que quando saem para a rua, encontram uma cambada de analfabetos que não entede a sua luta.
Sabe por que existem tantos analfabetos?
Porque a tal escola democratica é tão democrática que não tem a função de ensinar, de formar, de instruir, serve apenas para entreter os "meninos" enquanto aos papás trabalham, passeiam, fazem compras... etc.
A responsabilidade dos pais?
Colocam aí os filhos e acabou. Inclusive, quando há algum problema na escola, basta ouvir o que o menino disse, ew está o assunto resolvido.

Este país está a autodestruir-se...


De Anónimo a 26 de Março de 2008 às 00:04
Caro Zeca Portuga, Acredite que os analfabetos que não "entede " a sua luta, também têm dificuldades em entenderem a sua ortografia, o que para alguém que alega ser professor é preocupante. Eventualmente já terá penalizado a nota de alunos seus, por motivos semelhantes.
Bem haja.
Já agora, uma das responsabilidades dos pais dos "meninos" que são entretidos, no sistema escolar a que o sr. pertence, e que como disse muito bem, trabalham, é pagar impostos para que, após umas esforçadas 25 horas semanais, o sr. possa receber o merecido salário.
cumprimentos.
PS. Se o sistema de avaliação vingar, tente corrigir a ortografia, não vá o diabo (ou a Maria de Lourdes) tecê-las.


De Zeca Portuga a 25 de Março de 2008 às 21:03
Lino José , tem toda a razão. Mas, como vê, há quem tente esconder a realidade desculpando-se com questões laterias (politiquices!).
É exigivel a todos os partidos da oposição que, ante situações como esta, exijam do governo toas as explicações. Os que assim não fazem, não são partidos, são associações de tachistas preocupados com o "poliicamnete correcto", a fim de manter o tacho.
O ideal era, se isto fosse uma democracia, os deputados poderem sanciuonar os ministros que incompetentes, sem capaciates e sem mérito para o cargo que desempenham - eu só os percebo porque, seguindo a versão do governo, num organismo público só 25% (no máximo) é que são muito bons, o mesmo se aplica ao govermo!


De Alberto Gomes a 26 de Março de 2008 às 00:08
Peço desculpa, por não me ter identificado no comentário anterior(aquele da ortografia), foi um lapso.


De Zeca Portuga a 26 de Março de 2008 às 22:48
Sr. Alberto Gomes:
1 - Eu não sou professor. Já fui professor do Ensino Secundário e do Ensino Superior (em Portugal e no estrangeiro);
2 - Tenho familiares próximos no ensino (básico, secundário e superior);
3 - Infelizmente sou português. Logo, pago a educação (ou a falta dela) destes fedelhos indecentes, bem como da cáfila que lhes dá cobertura;
4 - Relativamente à ortografia, contra a qual protesta, digo-lhe o seguinte:
Não sou propriamente um jovem, mas aceito que aqui é tolerável um certa "rebeldia na escrita. Pois, a função da escrita é a codificação da mensagem instantânea, da comunicação breve, da resposta rápida, e não a aturada perfeição. Todas as coisas têm o seu lugar próprio: na linguagem falada, digo coisas que não escrevo; na conversa coloquial diária uso expressões que aqui não reproduziria. De igual forma, escrevo aqui com tal à-vontade e despreocupação que nada me interessa corregir gralhas. De resto, se formos ao grau de pormenor que pretende, veja que a perfeição também não é o forte da sua construção sintáctica. Não o critico por isso, note-se!
Aqui discutem-se ideias... e, nessas, não posso, nem de longe, concordar com o que diz.


De Alberto Gomes a 27 de Março de 2008 às 17:01
Caro Zeca Portuga,

Se no comentário anterior, eu disse que o sr. era professor, apenas o citei, se dúvida, confirme a resposta que deu em 24/03/08 ao comentário de Nuno Góis.
Eu não sou uma pessoa letrada, (daí os defeitos na sintaxe) muito do que sei aprendi com a experiência, e se dou algum relevo á ortografia, foi por isso me ter sido vincado á réguada por alguns professores, (era uma por erro).
No entanto a educação é para mim um valor superior á gramática, e essa foi-me transmitida pela minha família, e nenhum deles trabalhava no ensino. È essa mesma educação, que me esforço por transmitir ás minhas duas filhas.
O Sr. que parece ficar pouco á vontade com uma critica directa, não se coíbe de usar termos desagradáveis para designar as pessoas que discordam da sua opinião, (ex. analfabetos, ignorantes, cáfila, etc.) talvez também isso se deva á “certa rebeldia que aqui é tolerada”.
Quando debato qualquer assunto, prefiro manter uma atitude de respeito para com os meus interlocutores, estejam eles em frente a um ecrã, do outro lado duma linha telefónica, ou a olhar-me directamente nos olhos, e para isso não necessito de qualquer grau académico.
Falando do assunto que nos levou a trocar estas linhas.
Eu reconheço que existe um sério problema de autoridade nas nossas escolas, e sei também que os professores e outros funcionários das escolas sofrem, algumas vezes no próprio corpo, indesculpáveis mal tratos. Ainda assim, penso que a melhor maneira de gerir um conflito é evitá-lo, e no caso em questão, é para mim óbvio que a aluna provocou a professora, que dentro daquela sala de aula é, a adulta e a profissional, condições que a deviam fazer agir no sentido de não perder o controle da situação.
Repare, se entrarmos numa casa que nos cheira a gás, aproximamo-nos e ouvimos um silvo nas proximidades da botija, não devemos acender um cigarrinho para descontrair, é a experiência e a sensatez que devem guiar as nossas acções. A professora como profissional experimentada e que devia ter avaliado o caracter menos pacifico da aluna, deveria ter considerado a hipótese de uma reacção violenta, o que veio a acontecer, sem qualquer contributo para a estabilidade da turma.
Para completar, segundo parece, nem apresentou queixa do sucedido, senão depois do vídeo ter sido divulgado no “youtube”, o que a não ter acontecido, faria com que a situação tivesse passado impune. Ora quando quisermos manter a razão do nosso lado, uma boa maneira é não nos desviarmos das regras.
Quero ainda dizer também que, embora achando que a aluna deva ser castigada, discordo plenamente daqueles que só falta pedirem a cabeça dela numa bandeja, a mesma aluna deverá ser responsabilizada por aquilo que fez, e apenas pelo que fez, não por todos os erros que se têm cometido nas escolas por esse país fora. Para esses alguém tenha a coragem de apontar os culpados, com ou sem imagens na internet.


De Zeca Portuga a 27 de Março de 2008 às 22:58
Carissimo Sr. Alberto Gomes:
Também eu fui educado nessa escola, antes do 25 de abril (em minúsculas, porque mais não merece).
Tive tantas dificuldades, faltaram-me tantas coisas, foram tempos tão duros... Logo, tive que trabalhar, que me esforçar, que me empenhar. Ninguém me deu nada, trabalhei para ter. Foi com muito esforço que alcancei os lugares que ocupei, por mérito e não por "cunha".
E, acredito que o Sr. tenha uma experiencia igual.
Repare! O Sr. tem uma escrita apurada, e defende bem as suas ideias (posso não concordar com elas, mas são bem sustentadas. Eu tive alunos do 12º ano que não sabem escrever (não sabem desenhar as letras), escrevem o nome em minusculas (incluido no BI), não sabem pontuar uma frase, não têm uma ideia, quanto mais defendê-la.
Relativamente à forma como trato algumas pessoas, devo dizer-lhe que, infelizmente, em alguns casos, ainda fico pela metade daquilo que me merecem.
Não me sinto na obrigação de ser simpático pra quem me ofende, de ser prazenteiro para quem me despreza, de ver "excelencias" onde estão albrabões, de aplaudir as atitudes de alguns analfabetos, incompetentes e sem valores que tomaram o poder. Alias, hoje, para ser politico é necessário esquecer tudo aquilo que deveria nortear a conduta de Homem de bem.
Não vejo nestes srs. o minimo de formação, de conhecimentos e de valor para ocupar tais cargos.
Tem o Sr., na sua rua, muita gente mais capaz, mais válida para governar o país.
Nunca imaginei ter que dizer isto, e dize-lo do coração: Salazar foi um grande homem!
Sei que não concorda comigo... mas, não vou mentir para lhe agradar.

P.S.: Sou professor, mas estou a exercer, porque estou ao serviço de uma organização internacional. Portanto, não sou professor no activo.


De Zeca Portuga a 27 de Março de 2008 às 23:01
Correcção:
P.S.: Sou professor, mas NÃO estou a exercer, porque estou ao serviço de uma organização internacional. Portanto, não sou professor no activo.


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