Segunda-feira, 10 de Março de 2008
Um mal-estar difuso

O Francisco José Viegas chama a atenção para os comentadores que, a propósito da manifestação de professores, andam “de peito cheio a pedir «ponha-os na ordem, senhora ministra». O que é curioso é que nunca deu para reparar que esses mesmos comentadores alguma vez tenham escapado ao gigantesco consenso que, a cada nova dificuldade, se vira para a escola à procura da solução para todos os problemas com que o país se vai deparando.

Hoje não temos professores, ou melhor, aos professores é-lhes também pedido que sejam animadores socioculturais, orientadores vocacionais, assistentes sociais, ambientais, sexólogos, educadores para o consumo, cidadania, higiene alimentar ou regras de trânsito, nunca esquecendo as novas tecnologias e as dezenas de horas de burocracia. Este processo é paralelo à desvalorização social do trabalho dos docentes, do qual o exemplo máximo é mesmo o discurso da actual equipa da 5 de Outubro. Ainda no sábado, e dizendo que compreende algumas das razões da insatisfação dos professores, a ministra lá deixou escapar que uma delas era o acréscimo de trabalho com a entrada de novos alunos no sistema...

Depois de lhes pedirem para fazerem de ama seca da sociedade, e de mesmo assim se verem enxovalhados pelo ministério e opinião publicada, admiram-se que os professores se juntem em massa. Por muito oposição que exista ao modelo de avaliação - mais a mais com o despautério que presidiu à criação dos professores titulares -, ela não consegue explicar, por si só, esta mobilização sem precedentes. O que se passa é mais profundo. Os docentes estão fartos da papelada, da burocracia, das portarias e despachos contraditórios que se anulam uns aos outros, sem sequer se conhecer a avaliação dos seus resultados. Disso e de um Governo que os chama de “professorzecos”. Tudo junto é uma mistura explosiva que não augura nada de bom. Com ministra ou sem ela, o problema está aí para durar. E o governo não parece saber descalçar esta bota que é bem mais persistente do que a justificada oposição à ministra Maria de Lurdes Rodrigues.

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publicado por Pedro Sales às 01:10
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Comentários:
De Lino José a 10 de Março de 2008 às 09:33
Qual foi o membro do governo, e em que circunstância, que chamou "professorezecos" aos ditos cujos ?

Tenho acompanhado esta situação, e nunca ouvi nem a ministra nem nenhum membro da sua equipa faltar ao respeito aos professores. O contrário sim, aliás de uma forma que me causa espanto vinda de professores !

Essa coisa de que a Ministra ou o Ministèrio "enxovalha", "façta ao respeito" não passa de uma mentira que anda a ser repetida sistemáticamente de forma a justificar muitas actuações, essas sim desrepeitosas, por parte de sindacalistas e não sindicalistas, esses sim mal-educados. Exemplo : o que se passou na 6ª feira, em Chaves, com o ministro Santos Silva.

O que falta por aí são portugueses insastifeitos com aquilo que fazem, com as condições em que o fazem, com aquilo que ganham e têm de se levantar todos os dias e encarar a vida de frente, pondo para trás os estados de alma. É que eles sabem que não têm o estatuto de alguns, como os professores, que nada têm a arriscar porque têm tudo garantido : emprego, salário e boas condições de trabalho.

Os professores são funcionários, pagos pçor nós, não pelos ministros, não são directores, nem ministros. São pagos para ensinarem, para não darem faltas e não para definirem as politicas de educação deste país.

Essa coisa de uma Classe Corporativa se juntar, com o aopio dos demagogos do costume, e exigir a demissão de um/a ministro/a é completamente idamissivel.

Quem julga o Governo é o povo, no seu conjunto, na hora das eleições. Não é a Classe Corporativa A ou B !











De encostacima a 12 de Março de 2008 às 20:20
Em Chaves, como em quase todo o país, diz-se: "Quem não se sente, não é filho de boa gente!" E foi isso que se passou em Chaves: perante a manifestação de descontentamento, o senhor ministro, de forma nada educada (ele que até já foi um dos ME's de má memória (sempre a piorar desde Manuela Ferreira Leite, talvez com uma ligeira pausa com David Justino, que quis iniciar a reforma pela Lei de Bases a que Jorge Sampaio fez o que fez, lembram-se?), desafiou os presentes a ver quem se calava primeiro. Simplesmente lamentável.
O que está em causa é uma questão de reconhecimento da dignidade profissional de toda uma classe profissional. Temos sido muito pacientes. A questão da avaliação foi a gota que fez transbordar o copo da paciência.
Queremos respeito pelo nosso trabalho.
Quanto ao "professorzecos", isso foi tornado público, a deputada Ana Drago confirmou-o na Assembleia da República e, até hoje, ninguém desmentiu. Para mim, basta para que seja certo.
Quanto às consequências de tudo o que o ME tem vindo a fazer, apesar de algumas medidas positivas, pergunte-se pelas escolas: quantos professores conseguiram trabalhar normalmente com os seus alunos, este ano lectivo? Quem não sente que, assim, não se pode trabalhar proveitosamente com e para os alunos?
Hoje sofrem os professores. Amanhã serão os jovens. Sem condições para desenvolverem um trabalho digno, o produto desse trabalho não pode ser bom, mesmo que as estatísticas digam o contrário.
JCosta, Chaves


De Ruca Nunes a 10 de Março de 2008 às 14:45
Colegas, para discutir estes e outros assuntos relacionados com a educação e com os professores, visitem a Sala dos Professores em www.saladosprofessores.com!
Já somos mais de 11.000 professores registados e a participar activamente no fórum! Juntem-se a nós e registem-se! Quantos mais formos mais alto se ouvirá a nossa voz da razão!


De Manuel Leão. a 12 de Março de 2008 às 00:04
Aposto que vai aparecer, por lá, o inefável Sr. Lino José.
Desejo-vos muita paciência! Haveis de ganhar o Céu.


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