Segunda-feira, 3 de Março de 2008
Reservado o direito de admissão

Para todos aqueles que defendem o cheque-ensino, e a divulgação em bruto dos rankings dos exames, talvez valha a pena passar os olhos pela notícia que ontem tinha honras de capa no Guardian. Na Inglaterra, as "escolas religiosas escolhem os alunos mais ricos", preferindo os filhos de famílias de classe média e deixando de parte os alunos com necessidades educativas especiais. E porquê? Para melhorar a sua posição no ranking. Como é evidente, conjugar os resultados dos rankings com escolas privadas financiadas pelo Estado, resulta na selecção social dos alunos e num ensino mais orientado para os resultados estatísticos do que para a qualidade das aprendizagens. 

publicado por Pedro Sales às 16:57
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Comentários:
De Gabriel Silva a 3 de Março de 2008 às 21:55
curioso, pelos vistos em Inglaterra obtem o mesmo resultado que em Portugal com propriedade e gestão pública da escola, falta de escolha do estabelecimento e ausencia de responsabilização:
http://nucleodematosinhos.blogspot.com/2008/01/estudos-sobre-seleco-de-alunos-nas.html



De Filipe Tourais a 3 de Março de 2008 às 23:36
E com o sistema de avaliação que esta ministra quer implmentar, os professores desse tipo de escolas tornam-se melhores que os que ensinam crianças de outras escolas menos elitistas. Maravilha.


De Chumbo a 4 de Março de 2008 às 12:34
Não concordo com a conclusão. Se a selecção melhora o ranking é porque conseguem seleccionar os melhores alunos. O facto de serem os mais ricos é pura coincidência, ou talvez não se acreditarmos que os estratos sociais superiores se dedicam mais à educação dos filhos.
Goste-se ou não, a estatística reflecte sempre os níveis de competências e conhecimentos.
A sua conclusão equivale a dizer que se consegue aumentar os níveis de competências e conhecimentos com a degradação da qualidade do ensino.
Se assim fosse, então seriam boas notícias para Portugal porque estaríamos perto da perfeição em competências e conhecimentos.


De Manuel Leão. a 6 de Março de 2008 às 00:24
«O facto de serem os mais ricos é pura coincidência,(...)».

Desculpe. O Sr Chumbo é mesmo deste "mundo" ou está de passagem para outra galáxia?
Ou "chumbo" era a sua alcunha na Escola?


De Chumbo a 6 de Março de 2008 às 02:06
Não, nunca chumbei. "Chumbo" insere-se no contexto do blogue Mosquete.
Quanto à coincidência, a frase não acabou aí. O segredo está no que vem depois e que invalida a coincidência.
E não, não nasci ontem. Estamos fartos de saber que há duas formas de entrar para escolas privadas que fazem selecção à entrada: comprando a entrada ou sendo escolhido por mérito.
Mas isto acontece apenas lá fora, claro, porque as escolas portuguesas ainda não dão importância suficiente ao ranking e se puderem "vender" as vagas todas não seleccionam ninguém por mérito. Quando derem importância suficiente ao ranking, verá que num instante começam a seleccionar por mérito, pobres ou ricos.
Note que o contexto da sua publicação e do meu comentário são escolas inglesas. O ensino privado em Portugal está muito "verde" (leia-se: "mal gerido, sem lógica, cego") para podermos fazer quaisquer comentários.

Aqui, na minha galáxia, as pessoas costumam ler as frases até ao fim, enquadrá-las no contexto, tentar compreender, detectar ironias, sarcasmos, etc. E quando não percebemos, pedimos que nos expliquem,

Pedro Andrade


De Manuel Leão a 7 de Março de 2008 às 13:46
Sr. Chumbo ou nem tanto:

Quem parece que não leu tudo foi V. Exª. A tónica do "post" era «deixando de parte os alunos com necessidades educativas especiais». Tratava de escolas ligadas a instituições religiosas. Ter-lhe-à escapado isso ou deve ter considerado pouco significativo. Fixou apenas o serem "inglesas". Acontece. Mas faz toda a diferença. Percebeu que faz toda a diferença ou quer que lhe explique?


De Chumbo a 7 de Março de 2008 às 14:27
Estava perfeitamente consciente do contexto todo e mantenho o comentário.
Para mim, é óbvio que os alunos que têm necessidades educativas especiais não se inserem no grupos dos melhores e acho perfeitamente natural, e recomendável, que as escolas privadas os rejeitem, excepto se essas escolas receberem subsídios específicos, caso em que estarão obrigadas a aceitá-los. Em todo o caso, nunca deverão integrá-los em turmas onde não há outros com necessidades especiais, por razões óbvias tanto para bem do próprio aluno com necessidades especiais como dos restantes.
Continuo a achar que a sua conclusão está errada.


De Manuel Leão. a 7 de Março de 2008 às 23:38
Sr. Chumbo:

"Escolas religiosas", Sr. Chumbo, "Escolas religiosas".

Escolas privadas são escolas da chamada "iniciativa privada", em que o lucro é um dos objectivos.
Outra coisa são escolas religiosas, que surgiram para ensinar crianças de famílias carenciadas, mormente as que necessitam de ensino especial. Em regra não se destinam à obtenção de lucro. São uma das facetas da intervenção das Igrejas no tecido social. São coisas distintas, que apenas têm em comum o facto de não serem públicas, isto é, do Estado.
Mas desisto, porque V. Exª não quer mesmo perceber. Diz privadas e eu digo religiosas. Parece uma conversa de surdos.
O melhor, mesmo, é V. Exª ficar pela "privada". Eu fico de fora.



De Chumbo a 7 de Março de 2008 às 23:46
Só me faltava ouvir isso. De que galáxia veio?
As "escolas religiosas" de que fala pertencem ao maior franchise do mundo, suportado pelo banco mais rico do mundo e cujo objectivo primeiro é a acumulação de riqueza. Ao lado das estruturas das várias igrejas (católica, protestante, reino de deus - a menos perigosa porque é a menos subtil - etc.), até a Coca-Cola parece uma organização humanitária.
Não volto ao seu blogue. Quando sair da puberdade, avise e voltaremos a trocar pontos de vista.


De afronauta a 4 de Março de 2008 às 21:00
Em Portugal vai-se pelo mesmo caminho, mas para os alunos com necessidades educativas especiais há uma alternativa que não existe em Inglaterra: vão para a política!


De maria a 4 de Março de 2008 às 22:58
Também não concordo com a conclusão. E educação é demasiado importante para que se pretenda nivelar por baixo. Não é bom que alunos com maiores capacidades se arrastem aborrecidos nas aulas por terem de ouvir duas ou três vezes uma explicação que perceberam à primeira. Não é justo sequer. Assim como não é haver professores que não conseguem acompanhar os melhores , que os há.
Os sistemas suíço e holandês seriam o exemplo a seguir. E não tem nada de discriminatório , os alunos são diferentes e há que reconhecer a diferença , e dar o melhor possível a cada um.
Educação mediana para todos não parece ser um bom objectivo.


De Miguel Madeira a 4 de Março de 2008 às 23:34
O "chumbo" está a cair no sofisma da composição (o que é bom para as partes é bom para o todo) - é verdade que se uma escola seleccionar os potenciais bons alunos, os resultados dessa escola vão melhorar.

Mas se todas as escolas tentarem seleccionarm os potenciais bons alunos, os resultados do sistema educativo no seu conjunto não vão melhorar por causa disso.


De Chumbo a 6 de Março de 2008 às 02:22
Garanto-lhe que vão, por duas razões:
- Os melhores chegarão mais longe se não andarem acorrentados aos piores.
- Os encarregados de educação dos piores começam a perceber que se não trabalham a sério, não há lugar para os seus filhos.

Não acredito em burros; acredito apenas em preguiçosos.
E repugna-me qualquer discussão que pretenda estabelecer relações entre níveis de riqueza e desempenho escolar.

Pedro Andrade


De Miguel Madeira a 6 de Março de 2008 às 17:03
"- Os melhores chegarão mais longe se não andarem acorrentados aos piores."

Penso que o principal problema dos melhores alunos não são colegas pouco inteligentes, são professores pouco inteligentes (http://ventosueste.blogspot.com/2006/06/o-professor-sabe-o-aluno-no.html), e esse mantêm-se


"- Os encarregados de educação dos piores começam a perceber que se não trabalham a sério, não há lugar para os seus filhos."

Aí temos um potencial efeito duplo - por um lado, isso aumenta o incentivo para os pais dos maus alunos pressioná-los para ser bons alunos; mas, por outro, em principio reduz ainda mais o desempenho dos maus alunos que só vão para más escolas.

É verdade que eu não posso dizer qual dos efeitos predominará, mas o "Chumbo" também não.


De Chumbo a 6 de Março de 2008 às 17:32
Não acredito que não haja bons professores e não podemos virar a discussão para o lado da inteligência - já está provado que essa abstracção não tem suporte real.
Tudo se resume à dedicação ao trabalho, tanto por parte de alunos como de professores.
A única coisa que é necessário fazer é criar incentivos para uns e "empurrar" à força os que não forem lá nem com incentivos.
Como algumas sociedades supostamente mais avançadas já o demonstraram, as coisas são muito mais simples do que parecem. O nosso mal em Portugal é termos sistemas que são vítimas de excessos de filosofia, sociologia, psicologia, pedagogia, etc. Como já alguém disse, "somos todos vítimas de teses de doutoramento cujos autores transformam em lei assim que chegam ao poleiro".

Pedro Andrade


De leonor a 4 de Março de 2008 às 23:42
bom, também tenho as minhas dúvidas sobre o cheque ensino...

e então se chegarmos aos alunos com necessidades educativas especiais o caso só ficará mais grave, como é bom de ver.


De Pedro Sales a 6 de Março de 2008 às 18:17
Maria e Chumbo,


Como o Miguel Madeira já respondeu, a selecção social dos alunos só tem uma influência estatística nos resultados. A escola sobe nos rankings porque não leva a exame os "piores". A consequência é que estes se eternizam anos e anos sem concluir os estudos ou, como parece ser o destino nacional, aumentar os números do abandono escolar. Excluir os alunos com maiores dificuldades não só não responde às suas dificuldades, como não responde a nenhuma dos seus colegas. É uma injustiça social e uma desgraça para a qualificação do país.

Gabriel,

É verdade que há escolas públicas que selecionam os alunos pela sua classe social, como indica o estudo de dois investigadores do ISCTE. Mas isso, como se depreende das próprias conclusões do estudo, tem mais a ver com a "necessidade" das escolas subirem no ranking de escolas do que com o seu carácter público.


De Chumbo a 8 de Março de 2008 às 00:27
Tem filhos?
Eu tenho um com 7 anos e uma com 3 anos.

Acho que nunca nos vamos entender neste assunto porque os nossos objectivos sociais são diferentes.
A sua preocupação principal parece ser a melhoria generalizada do sucesso escolar e dos padrões culturais, mesmo que isso só se consiga à custa da eliminação da excelência.
Também tenho a mesma preocupação, mas coloco-a em segundo plano relativamente à criação da excelência.
E penso assim porque se não houver indivíduos fora-de-série que liderem a sociedade nas mais variadas áreas, tudo o resto será irrelevante tendo em conta o futuro que aí vem. Vivemos actualmente a maior guerra da história da humanidade (quando contarem os mortos no final da globalização, a 2ª Guerra Mundial vai parecer brincadeira de crianças), que nos obriga a lutar pela sobrevivência como nunca antes foi necessário, pelo que temos de adaptar as nossas prioridades a esta nova realidade (infelizmente ainda ignorada por muita gente, mas já há 2 milhões de portugueses que não conseguem ter duas refeições por dia e dezenas de milhar de licenciados desempregados - se calhar porque lhes faltou o ensino de excelência que lhes poderia ter dado auto-confiança suficiente para empreenderem os seus próprios projectos).
Se vivessemos num paraíso com abundância de recursos e sem concorrência, eu não poderia concordar mais com a sua visão.
Lamento muito, mas agora já não há tempo para complacências e quanto mais depressa entrarmos no frenesim da concorrência desenfreada, mais hipóteses teremos de sobreviver. Sim, porque a luta já está no plano da sobrevivência e ainda temos de aguentar as inevitáveis duas décadas de perda de poder de compra que temos pela frente.

Pedro Andrade


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