Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
Governar pelo (mau) exemplo

A CP vai encerrar os 3 infantários que disponibiliza para os filhos dos seus funcionários. Diz a empresa que pretende, com esta medida, promover a “justiça social”, uma vez que as famílias das 97 crianças nestas creches são injustamente beneficiadas face aos 720 funcionários que não têm os filhos nos infantários da CP. Assim, em vez de construir mais creches, corta-se com os “privilégios” pela raiz. (a carta enviada pela CP pode ser consultada aqui).

Talvez valha a pena recordar que a CP é uma empresa pública, tutelada por um Governo que passa a vida a anunciar medidas para promover o aumento da taxa de natalidade, entre elas a construção de infantários. Foi esse, aliás, o tema escolhido por José Sócrates na sua mais recente deslocação ao Parlamento, onde anunciou 100 milhões de euros para a construção de novas creches. No Orçamento de Estado, uma das medidas mais promovidas pelo PS foi um plano de incentivos fiscais para as empresas privadas que construam infantários para os filhos dos seus funcionários. Mas isso é a propaganda. Depois, quando as câmaras das televisões se desligam, as empresas tuteladas pelo executivo enviam cartas para os seus funcionários a dizer que vão fechar as creches onde andam os seus filhos, chamando-lhes ainda a atenção para a “desigualdade” social que esses infantários representavam.
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publicado por Pedro Sales às 14:28
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Comentários:
De Zé da Póvoa a 27 de Fevereiro de 2008 às 16:36
Convém também dizer que a CP é uma das empresas públicas que mais prejuízos acumula, o que nos entra directamente no bolso, através dos impostos que pagamos! Não me parece que se justifique manter uma desigualdade favorável a 72 quando a empresa tem é que reduzir encargos dràsticamente. Aceito, contudo, que os "cortes" deveriam começar pela Administração e Cargos superiores. P.e: viaturas distribuidas, prémios especiais, ajudas de custo, etc.!


De João Pereira a 28 de Fevereiro de 2008 às 11:06
Nessa lógica, feche-se o parlamento pois dão altos prejuízos e é uma desigualdade social reformarem-se em tão pouco tempo. E por aí fora..... Triste país este onde tudo o que poderia ajudar a classe média (a que mais trabalha e paga impostos) está a ser destruído!


De Anónimo a 27 de Fevereiro de 2008 às 19:24
Também faltou dizer (no post ) que, ao invés de creches para 12% das crianças, passa a existir um subsídio para 100% (desde que, obviamente, se comprove que têm uma Ama ou frequentam um Infantário)... Não sendo a situação ideal, é um pouco diferente da que pretendeu transmitir.


De andre_blog@yahoo.com.br a 27 de Fevereiro de 2008 às 19:50
Faltou ainda falar de 3 coisas:

1- tal como na saúde, o governo começa por encerrar os serviços sem que as alternativas tenham passado de promessas.

2- as promessas de subsídios que aqui se acenam apontam para outra realidade: o governo continua a apostar no out sourcing e a engordar os negócios privados à conta do dinheiro dos contribuintes.

3- faltou ainda falar das medidas que o governo (não) tomou para moralizar os gastos dos administradores e a gestão ruinosas feita por muitos deles ao longo dos anos.


De rui caetano a 27 de Fevereiro de 2008 às 21:19
Isto está muito mal, mas se vissem como a coisa anda na Madeira, veriam o quanto está mesmo mau...


De José Manuel Faria a 27 de Fevereiro de 2008 às 22:23
Socialismo !


De Pedro a 28 de Fevereiro de 2008 às 00:17
Quais 100 milhões para novas creches? Mas a mentira pegou??? É que Sócrates ainda não explicou a ninguém, nem às autarquias, NEM AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO como é que tal investimento vai ser feito, nem a que prazo, nem qual a parte do dito investimento caberá às autarquias. Quanto à meta heroicamente anunciada de cobrir 100% da população com creches e pré-escolar até 2009, ela estava já prevista a nível comunitário DESDE OS ANOS NOVENTA! É só propaganda! O Bloco de Esquerda que pergunte ao Governo pelas creches e jardins de infância anunciados! É que se ninguém der por isso, na segunda legislatura vão anunciar a mesma medida mais umas seis vezes!


De Ana a 28 de Fevereiro de 2008 às 14:00
No âmbito do desvario "desta espécie de país", Recebi esta informação duma colega, que não a conseguiu validar. Alguém sabe se é verdade ou mentira?

"Recebi uma informação que diz que a nossa Milu passou agora de Professora Auxiliar a Professora Associada sem que a vaga tivesse ido a concurso nem ela tivesse feito qq trabalho/tese. Bastou-lhe o serviço "político" prestado.

Tens alguma informação sobre isto ou forma de confirmar?

A ***** é professora universitária e para passar a Associada teve que fazer o dito trabalho e a vaga estava a concurso nacional, mas ela diz que no ensino universitário se fazem as maiores trafulhices (até se inventam "catedráticos convidados", por a vaga de catedrático ter sido ocupada por quem merecia)."


De José a 29 de Fevereiro de 2008 às 11:15
O primeiro ministro veio prometer a criação de mais creches. Era bom se tivesse alguma intensão de cumprir!

Ora vejamos, uma das creches modelo deste pais, foi criada à mais de 50 anos com o objectivo não só de dar ao pais a segurança de terem os filhos perto, mas também com o objectivo de 'pender' cérebros tão necessários à instituição, criada pelo espírito visionário de um homem que apesar da época, viu mais longe e com mais sensibilidade social do que os governantes actuais e que foi um dos fundadores do LNEC, Eng. Manuel Rocha.

Esta creche muitas vezes apresentada pelos meios de comunicação social como creche modelo e utilizada na produção de peças jornalísticas sobre o tema da educação pré-escolar, vai fechar a 30 de Junho por imposição governamental, do mesmo governo que diz abrir novas creches e apoiar as creches nas empresas. Nem como medida economicista se justifica pois esta feitas as contas na sua totalidade sai mais barata ao Estado do que o seu fecho, a única justificação é a criação de dificuldades aos funcionários que leve à insatisfação e consequente propostas de saída da administração que para reformas antecipadas, muito mais baratas, quer com proposta de saídas para a mobilidade (que é um buraco negro de onde nenhum funcionários sairá). Só que esta estratégia numa instituição como o LNEC como é evidente é suicidaria, será que o governo está mesmo interessado na manutenção do LNEC com pessoal competente e satisfeito com o seu trabalho?

Isto não invalida que a gestão deste equipamento (creche) não necessitasse de uma reformulação que poderia levar à economia de alguns recursos que por ventura podiam estar a ser mal geridos, seria essa a medida correcta.


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