Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008
Um "mal estar difuso"

Há 10 anos que os funcionários da função pública perdem poder de compra. O ano passado, o salário médio líquido dos trabalhadores por conta de outrem passou de 719 para 720 euros. As pensões dos mais pobres dos pobres, 1,6 milhões de portugueses que recebem menos do que o salário nacional, tiveram um “aumento” abaixo da inflação. Conhecedor destes números, Teixeira dos Santos foi ontem ao Parlamento recusar uma correcção salarial a meio do ano se, como é quase certo, a inflação ficar acima da calculada pelo Governo nas negociações dos aumentos salariais e de pensões. O que devia ser uma questão de boa fé, num país em que os governo se "enganam" sistematicamente na taxa de inflação, foi tornado pelo ministro das Finanças no risco risco de uma “espiral inflacionista penalizadora da generalidade dos portugueses”.

As declarações de Teixeira dos Santos resumem o actual momento do Governo. O discurso pode ser cada vez mais optimista, mas continua-se sem perceber para que foram os sacrifícios, e tantos anos a apertar o cinto em nome da estabilidade financeira, se, três dias depois do primeiro-ministro ir à SIC garantir que “temos as contas públicas em ordem”, se continua a defender a perda do poder de compra dos trabalhadores. A questão já nem é saber se seremos apanhados por todos os países de Leste, é quando? Depois admiram-se de estudos, como o da Sedes, alertarem para a existência de “um mal estar difuso”, que “alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional”. A sorte de Sócrates é o PSD que tem. O azar da democracia é que o aumento da abstenção e a crise de confiança na palavra dos políticos vai ser um dos legados fundamentais do governo de José Sócrates.

publicado por Pedro Sales às 10:57
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Comentários:
De nuno magalhães a 22 de Fevereiro de 2008 às 12:47
Você deve estar doido, óh , Sales! Então num país onde os comerciantes se queixam da crise que não lhes consome os produtos e depois mal o IVA desce para os ginásios se mantêm os mesmos preços e o Imposto Automóvel baixa mas os popós continuam a ser vendidos pelos mesmos preços o Governo ia lá fazer diferente. A malta queixa-se mas não se mexe... Gente nomal boicotava os comerciantes de automóveis e os ginásios, ou não?


De Lino José a 22 de Fevereiro de 2008 às 13:55
Eu só gostava era que o Sr. Pedro Sales explicasse, bem explicado, como reduziria o desemprego de forma substancial e aumentaria os salários de forma substancial.

É que, ver a esquerda com ares de indignação e de moralismos, quando todos sabemos que foi a Esquerda que, ao longo dos ultimos 30 anos, nos empurrou para esta situação, já começa a aborrecer.

A Esquerda, neste país destruiu práticamente tudo e não construiu nada. Criou um rol de privilégios para alguns (funcionários públics, por ex..) que fizeram aumentar a despesa para níveis que estamos agora a pagar.

A Esquerda deu cabo de tudo : do Ensino à Justiça. Destruiu industrias e empresas, por via de um malfadado, PREC. Criou um emaranhado de leis pesadas e ultra-garantistas que nos impedem de mexer.

Portanto, eu gostaria de saber como é que o Sr. Pedro Sales criaria emprego sólido carregado de direitos e com salários acima da média, num ano ou dois.

Isso é que eu tinha curiosidade em saber...


De Manuel Leão. a 23 de Fevereiro de 2008 às 23:47
Sr. Lino José:

Já conhecemos o fadinho!

Ainda o PREC?

A direita faz o mal e a caramunha.

O que pede ao Sr. Pedro Sales é demagógico. Penso que ele nunca se candidatou. Mas tem o direito de questionar. Tal e qual como você falar do PREC. Ou não?
Ninguém o impede de mexer. Mexa!


De nuno magalha~es a 22 de Fevereiro de 2008 às 14:23
eu gostava de saber como é que certas pessoas afirmam que foi a esquerda que nos conduziu ao estado a que chegámos. A AD (PSD, CDS e PPM) esteve no poder de 79 a 83. O PSD por lá continuou com o PS de Mário Soares e as regras financeiras e económicas do FMI (de esquerda, estas?), entre 83 e 85, quando chegou Cavaco para nos governar 10 anos. Depois tivémos seis anos de maioria relativa de Guterres, um centrista. E desde então Barroso, Santana e este aí. Esquerda? In your dreams!


De Lino José a 22 de Fevereiro de 2008 às 15:28
Nuno Magalhães

Desde o 25 de abril que não há Direita em Portugal. Em termos ideológicos e sociológicos o poder desde então tem sido totalmente dominado pela Esquerda.

As leis são de esquerda, a governação é de esquerda, o legado dos anos pós-25 de abril ainda aí está quase intacto.

Do PSD ao PCP, de uma forma mais ou menos marcada todos eles têm governado à esquerda.

A prova disso é o laxismo, a falta de rigor, o oportunismo politico, a demagogia, a ortodoxia, o conservadorismo, a resistência à mudança, o apoio às corporações sindicais que efectivamente têm condicionado a governação do país. Tudo isso é a marca da esquerda !

Há pelo menos 2 gerações de portugueses que estão a pagar isso neste momento : os que têm entre 35 e 50 anos, não são Funcionários Públicos, não têm qualificações (porque ninguém lhas deu) e estão desempregados ou sob a ameaça de desemprego.

Esses são a carne para canhão das manifs. São usados e abusados por essa esquerda parasita.

Louvo o Sócrates por ter sido o unico com coragem para afrontar essa gente e este estado de coisas e tentar mudar algo.

Continuo à espera que o Sr. Pedro Sales nos esclareça como resolveria o problema do desemprego e dos baixos salários em 2/3 anos.


De Pedro Sales a 22 de Fevereiro de 2008 às 19:57
Caro Lino José,

Como fizeram os outros países . Em nenhum outro país europeu o salário mínimo e médio tem sido tão afectado como no nosso. Há 10 anos que divergimos da média europeia dos 15 e, neste momento, grande parte dos países de Leste já têm níveis salariais acima do nosso. Ao mesmo tempo, como pode ver hoje em muitos jornais, Portugal é o 2.º país com maior desigualdade salarial da Europa. O salário médio é menos de metade do verificado na Alemanha, mas os gestores ganham mais em termos absolutos. Ou será que acha que só temos maus trabalhadores e gestores geniais?


De Manuel Leão a 24 de Fevereiro de 2008 às 22:23
É obvio que um homem de Direita só pode elogiar Sócrates.
O que significa que há aqui cinismo. Neste caso, não imputável a si, mas a Sócrates!

Disse que "a governação é de esquerda".

Aqui há cinismo. Desta vez imputável a si.


De Patricia a 22 de Fevereiro de 2008 às 15:52
Esse mal estar difuso vindo da SEDES é capaz de se referir ao que se passa no interior do PSD


De Pedro a 22 de Fevereiro de 2008 às 17:17
A SEDES e os partidos, de repente, estão todos muito sensíveis e empáticos com o Povo. À primeira vista, dir-se-ia que os deputados e ministros passaram a andar de transportes públicos e a pôr os filhos nas escolas públicas e a frequentar os hospitais públicos e a reger-se pelas mesma REGRAS que o Povo... À segunda vista deparo-me com um País inviável onde a Justiça é letra morta enredado nas teias do tráfico de influências e da corrupção protagonizados pelo centrão .


De Fernando a 22 de Fevereiro de 2008 às 17:38
Toda a discussão que perpassa pelos comentários, que me desculpem, não é mais do que uma discussão de merda.

Desde quando é que em todos estes anos temos tido políticos que sabem o que quer que seja sobre ideologias? O grande problema está entre a icompetência de uns e a incompetência de outros. Os portugueses, esses, encarneiram indo atrás de discussões de palavreado nulo mas não inócuo. Os políticos vão singrando, porque o seu analfabetismo não os impede de satisfazer as suas ambições, aliás, uma das características fundamentais deste povo passa pela valorização da mediocridade.

Podia perguntar até quando isto vai acontecer, mas não o faço, porque, se tudo assim continuar, tal nunca acontecerá. Quando é que os portugueses serão capazes de ver isto?


De A.Silva a 23 de Fevereiro de 2008 às 01:12
Tendo em atenção as pessoas que fazem parte da SEDES,empresários e gestores que já passaram por vários governos é de perguntar porque razão não se preocuparam com estes problemas quando desempenharam funções governativas.Há realmente uma crise económica e social sobre a qual devemos pensar todos e não só os politicos,para procurar dentro dos constrangimentos que se avizinham por via da crise económica e financeira internacional,aquilo que podemos fazer para minorar o impacto numa economia tão frágil como a nossa.


De Lino José a 24 de Fevereiro de 2008 às 00:01
Pedro Sales

o que diz é certo mas o que eu digo também.

O que diferencia os trabalhadores (os portugueses em geral) dos restantes são duas coisas : as suas baixas qualificações, e as reformas em várias áreas que lá foram feitas e cá não foram.

É evidente que o problema do desemprego e dos baixos salários não é culpa do Sócrates como se quer fazer crer. É um problema que tem as suas causas na péssima governação dos ultimos 30 anos.

Se uns largos milhares de pessoas com mais de 35 anos, muitas delas no desemprego, não têm saídas porque não têm qualificações neste mundo cada vez mais exigente eu pergunto o que é que este governo pode fazer quanto a isso, tanto mais que se encontra atado de pés e mãos por um défice orçamental que outros muito para trás criaram.

A verdade é esta : o país não se preparou ! E o paóis não se preparou porque toda e qualquer reforma que se tente fazer seja em que área fôr esbarra com dois muros : o das Corporações e o dos Partidos da Esquerda Ultra-Conservadora que apoiam cegamenmte os primeiros.

Ou seja, este país tem vivido manietado por uma série de dogmas que a Esquerda impôs, desde o 25 de Abril. Dogmas que roubaram o futuro a uns milhões de portugueses que mais do que viver, sobrevivem.

Se tem dúvidas compare o nosso processo desde 74 om o da Espanha, o da Irlanda, o da Finlândia e veja o estado a que chegámos, por comparação.

O Sócrates neste estado de coisas faz o que pode e, quanto a mim, tem feito muito.

E digo isto com todo o à-vontade de quem não votou nele !


De Ai Jesus! a 24 de Fevereiro de 2008 às 02:17
Lino José,


Você permita-me que lhe diga, anda à caça das bruxas. Agora a culpa é da esquerda, você já parece o ministro do ambiente a "sacudir a água do capote".

Se quiser culpar alguém penso que o melhor é procurar não pessoas mas estados de espírito: desonestidade, incompetência, mentira, ganância, leviandade, etc. Esse é que é o problema deste país.

Olhe, se se quisesse apresentar aqui demagogias como a sua, diria: A culpa disto tudo é do salazar, que nos deixou tantos anos na miséria que hoje não podemos ver uns trocos à frente do nariz que corremos logo a ver se conseguimos sacar mais alguns cobres; ou ainda; o salazar deixou-nos analfabetos durante tanto tempo, que hoje não sabemos escolher melhores pessoas para nos governarem - não temos melhores critérios de selecção; ou ainda; no tempo da ditadura as pessoas não podiam discutir ideias de forma livre - ao que parece 30 anos não chegam para aprender esse simples conceito de civilidade.
Meu caro, isso de esquerda e direita, posto nos moldes que você colocou é uma caça às bruxas. Há pessoas sérias nos dois lados, é certo. Também é certo que os há desonestos e incompetentes nos dois lados. É aí que devia entrar a democracia - nós deviam ser capazes de saber distingui-los, mas não.


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