Domingo, 17 de Fevereiro de 2008
O Tratado de Lisboa morreu aqui

O que aconteceu hoje no Kosovo, onde uma Europa dividida e sem voz própria foi incapaz se assumir como protagonista num conflito que tem lugar às suas portas, é a prova definitiva de que o famoso "impasse" da União não é institucional. Com Tratado ou sem ele, o problema será sempre o mesmo. Em todos as questões determinantes sobre o seu futuro, a Europa não tem voz a não ser quando alinha pela dos EUA. A União só serve para abrir os cordões à bolsa, mesmo quando são os EUA (e a Alemanha, neste caso) que se põem a inventar perigosas engenharias políticas na região mais instável do continente europeu. Já era assim antes do Tratado e será assim depois do Tratado. O resto é show off.

Etiquetas: ,

publicado por Pedro Sales às 23:10
link do post | comentar |

Comentários:
De jc a 18 de Fevereiro de 2008 às 00:49
muito bem dito


De Paulo Mouta a 18 de Fevereiro de 2008 às 02:01
É o ponto final na História de um dos mais interessantes países que este mundo já conheceu, a Jugoslávia.


De priápico a 18 de Fevereiro de 2008 às 18:24
bolas, e por que a UE tem de protagonizar algo? esta é uma questão que só diz respeito aos kosovares. se optaram pela independência, que assim seja.


De Pedro Sales a 18 de Fevereiro de 2008 às 23:08
Caro priápico,

Só diz respeito aos Kosovares é como quem diz, que é a União Europeia que suporta financeiramente a "independência". O Kosovo é inviável economicamente, como os próprios países que apoiaram a sua independência reconhecem. Mas, se só diz respeito aos kosovares, deduzo que o País Basco só diz respeito aos Bascos, idem aspas para os irlandeses do Norte, corsos, e demais enclaves das antigas repúblicas soviéticas. Quer apostas que nenhum destes vai ser independente?



De priápico a 19 de Fevereiro de 2008 às 04:17
em outras palavras, caro Pedro Sales: queres dizer então que os países pobres deverão ser tutelados (ou anexados) pelos mais ricos e poderoso. é isto?


De paulo.mouta@nemesis.pt a 19 de Fevereiro de 2008 às 06:01
É evidente que todos nós gostaríamos de ser independentes com os pais a pagarem-nos as contas. É óbvio que todos os povos têm direito à independência se essa for a sua vontade. E tal como o Pedro diz isso é válido para outros povos como, por exemplo, os Bascos. A diferença fundamental é que o País Basco é muito rico e o Kosovo é muito pobre com uma taxa de desemprego de 50%. Por serem pobres não deixam de ter direito à sua independência mas é uma que vamos pagar com os nossos impostos apenas porque a História resolveu condenar a Sérvia por uma data de males que vieram àquela parte do mundo. E a Rússia ameaça querer ser de novo a potência que tanta falta faz para equilibrar as forças neste mundo.


De Pedro Sales a 19 de Fevereiro de 2008 às 10:55
Caro priápico,

Tutelados é o que vai acontecer aos kosovares, com forças militares europeias no país e financiados pela UE. Chama a isso independência. Mas a questão não é monetária, é política. Esta independência tem apenas uma razão, a secessão étnica de um país. É a vitória e legitimação da limpeza étnica que, nos últimos anos, expulsou 200 mil não albaneses do Kosovo. O Sul da Califórnia tem mais mexicanos que americanos. Acha que alguém vai permitir um referendo para tornar esta região num Estado independente? A questão é a disparidade de tratamento. Nenhuma das outras nações europeias, com razões históricas bem mais profundas, vai ver a sua independencia reconhecida.

Só há um razão para que os maiores países da UE e os EUA tenham reconhecido a independência kosovar. Criar um estado tampão à influência russa. E, para isso, mexeram no ninho de vespas que são os balcãs. Esperemos que resulte, a bem da Europa.



De priápico a 19 de Fevereiro de 2008 às 18:41
Pedro, além de óbvio vês apenas um lado da moeda. Seu discurso é um campo fértil de paralogismos. No Kosovo os albaneses mulçumanos (maioria) matam sérvios cristãos ortodoxos; na Sérvia, os cristãos ortodoxos (maioria) matam os albaneses mulçumanos. Se é assim, por que não separá-los e tentar acabar de vez com esta insanidade e intolerância?

Numa coisa foste certeiro. O interesse econômico e geopolítico. Ou seja, criar na região um espaço de trânsito para os oleodutos e gasodutos que evitem o território russo no seu caminho para Ocidente. Se é assim também, que os kosovares decidam por si com quem querem se aliar, mesmo porque a Nato é uma aliança entre europeus e EUA

Pra finalizar, não vejo mal algum em que países mais ricos financiem os mais pobres. Este foi o principio básico que norteou os paises-membros da UE. E é justamente por isso que a UE é o que é.


Comentar post

Zero TV
ZERO DE CONDUTA
Filipe Calvão

José Neves

Pedro Sales

Vasco Carvalho


zeroconduta [a] gmail.com
Indecisão 2008
Subscreva
Zero links
arquivos

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Feeds