Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
Cadastro juvenil
Em Inglaterra, o mesmo governo que perdeu os dados fiscais e bancários de 25 milhões de cidadãos, pretende agora criar uma
base de dados com os detalhes pessoais e o percurso escolar de todos os jovens com mais de 14 anos. O registo electrónico conterá informação sobre os resultados dos exames, avaliação e registo disciplinar, estando acessível aos professores, agências de emprego e empregadores, que podem ainda aceder ao CV de cada cidadão inglês. O registo é
permanente, acompanhando cada pessoa até ao resto da sua vida.
É uma proposta sinistra e que põe em causa a ideia de adolescência como um processo de aprendizagem e responsabilização individual pelos nossos erros. Doravante, e caso esta proposta faça escola, qualquer “parvoíce” feita na juventude ficará cadastrada até ao fim dos nossos dias, à espera de ser vasculhada e escrutinada por professores ou patrões. Porque é que um aluno que chumbou, ou teve uma ou duas faltas disciplinares quando tinha 14 anos, tem que ver esses dados nas mãos de quem o quer contratar 10 ou 12 anos depois? Não sendo relevantes, quantos duvidam que a maioria das empresas não deixará de olhar de soslaio para quem se apresenta à sua frente com tão “preocupantes” antecedentes.
Nos últimos anos, os avanços a caminho de uma sociedade securitária (base de dados Adn, videovigilância, acrescidos poderes judiciais e de escutas) partiram sempre da necessidade de combater o terrorismo com maior eficácia. Agora, são propostos em nome da eficiência económica. O Estado moderno exige cada vez mais informação e está mais disposto a fornecê-la a quem entender que serve os seus propósitos. A novidade é que, agora, qualquer desculpa serve.
E a seguir, Gattaca.
Isto é uma ideia medonha!
De Joca a 15 de Fevereiro de 2008 às 19:16
Venham-me cá falar dos ficheiros da Stasi, depois disto...
As histórias de ficção cientifíca que me entretinham e desafiavam a minha imaginação há uns tempos estão a virar realidade, mas esperava que as más não triunfassem, enganei-me, é assim a natureza humana quando tem o poder.
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