Segunda-feira, 16 de Julho de 2007
Algumas notas sobre as eleições
António Costa: Ganhou, mas o seu resultado fica bastante aquém do que o próprio esperaria. Não chegou aos 30%, um resultado pouco superior ao desastre de Carrilho há dois anos, e cinco a seis pontos percentuais abaixo do que lhe davam todas as sondagens. As dúvidas, crescentes, sobre o papel de Júdice e Salgado no seu plano para a zona ribeirinha parecem ter feito mossa muito maior do que a Portela. Ficou-se pelos seis vereadores, necessitando da coligação com duas forças de esquerda para governar em maioria. A outra hipótese é Carmona, mas os custos políticos, para si e para o governo, da aliança com o ex-presidente da câmara e Fontão devem aconselhá-lo a preferir governar em minoria, procurando alianças pontuais com este ou aquele para fazer passar as suas propostas. Não era disso que estava à espera.

Carmona Rodrigues: Já aqui tinha dito que Carmona foi o vencedor de uma campanha onde, estranhamente, nunca se discutiu as razões políticas e financeiras que levaram à realização de eleições intercalares. Pareceram umas eleições como as outras e esse foi o seu grande trunfo. Ontem voltou a ganhar: ficou à frente do PSD. Ganhou bastante com a abertura do túnel, começando aí a reconversão, em tempo recorde, da sua imagem. Elege três vereadores mas não lhe devem servir de muito. Dificilmente Costa se poderá coligar consigo e com Fontão. Essa pode ser a sua derrota.

Fernando Negrão: Não há muito a dizer. O PSD teve 15% em Lisboa depois de ter insistido numa campanha puramente negativa. Depois de Santana, é a segunda vez que este partido envereda por esta via. Os resultados estão à vista. Marques Mendes tirou a única conclusão que poderia tirar.

Helena Roseta: Apesar do seu nome não aparecer no boletim e de, olhando para o seu programa e prestações televisivas, não se perceber muito bem qual a razão de ser da sua candidatura, foi uma das vencedoras da noite. O seu enorme prestígio deu-lhe uma votação significativa. Parece ter ido buscar mais votos a António Costa do que as sondagens indicavam. Elegeu dois vereadores que podem ser decisivos.

Ruben de Carvalho: era previsível que fosse uma das surpresas da noite. Com um eleitorado tradicionalmente fiel, idoso e envelhecido, tinha tudo a ganhar com umas eleições marcadas por uma elevada abstenção veraneante. Perdeu 1,5 pontos e esteve à beira de não eleger o segundo vereador. Elegeu-o, contudo, e pode vir a desempenhar um papel fulcral no futuro destes dois anos. O que não evitou a cara de poucos amigos na sede da sua campanha.

Sá Fernandes: Juntamente com Roseta, e ao contrário de Rúben, era quem tinha mais a recear da abstenção. Com um eleitorado flutuante e jovem tinha tudo a perder com a calendarização das eleições. A forma como decorreu a campanha levou a que, por momentos, parecesse que era Sá Fernandes quem estava a ser julgado por este incómodo absoluto que foram umas eleições que todos os lisboetas pareciam defender. Mesmo assim perdeu poucos votos em relação há dois anos, mantendo o vereador por uma margem folgada. Tivesse o seu papel na questão do túnel sido melhor explicado, como realçou Sousa Tavares na TVI, e poderia ter tido um resultado ainda mais positivo.

Telmo Correia: Patético, mas merecido. Onde se mete perde. Apareceu a dizer que tinha feito uma boa campanha e a assumir todas as responsabilidades para ver se ninguém reparava em Paulo Portas. O PP nunca esteve interessado em fazer uma campanha para a Câmara, preferindo centrar as baterias no governo. Uma táctica arriscada, que permite uma leitura sobre a incapacidade da oposição de direita e de Paulo Portas em encontrar um discurso alternativo ao PS. Paulo Portas diz que vai reflectir sobre as difíceis condições da oposição a Sócrates. Isto, vindo do homem que assumia a liderança do PP, há menos de 3 meses, porque ninguém sabia fazer oposição aos socialistas. Os eleitores premiaram as pulhices que o seu grupo fez a Ribeiro e Castro e Nogueira Pinto, dois rotundos vencedores da noite de ontem.

Não pode sair da liderança do partido porque já secou tudo à sua volta. Só restam os Telmos e os Nuno Melos. Quis voltar em grande, mas é, cada vez mais, um dead man walking que está à frente dos populares. Voltou a tentar enganar os portugueses com a história da “reflexão” antes de um Conselho nacional onde tem 98% dos lugares. Os eleitores já mostraram que não vão em cantigas. Resta saber os jornalistas. Os mesmo que continuam a dedicar páginas sem fim às tricas de actores políticos que têm a mesma representação politica na capital que Garcia Pereira ou o MPT. Se alguém tinha dúvidas sobre o desfasamento da agenda jornalística com o país, ponha os olhos no PP e nas horas de directo televisivo para apresentar uma lista que teve 3% dos votos.

publicado por Pedro Sales às 10:00
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Comentários:
De Anónimo a 18 de Julho de 2007 às 18:23
Este Zero de Conduta não tem conduta nenhuma a não ser um bloquismo ferrenho a dar palestras e a se fingir imparcial.


De Anónimo a 18 de Julho de 2007 às 10:39
E se reduzirmos mais o universo ainda dá uma amostra menos explicativa.

Vejamos os casos do Castelo e da Lapa, no conjunto a CDU teve 243 votos e o BE 251, isto é no Castelo a CDU teve mais 13 votos e na Lapa o BE teve mais 21.

Lá se vai então a teoria pelo cano abaixo. Irá daqui a dois anos também o Zé? Por este andar...


De Anónimo a 18 de Julho de 2007 às 06:44
Arranjaram uma amostra de pouco mais de 10% das freguesias para concluirem a tese de que o eleitorado de um “é fiel, pobre e envelhecido - pouco atreito a férias de Verão” e o do outro é “jovem e flutuante”. Mas isso explica que ambos tenham perdido exactamente o mesmo, cerca de 40% do eleitorado? A mim não. Parece-me que a realidade do universo eleitoral da cidade de Lisboa é bem mais rica do que os seus estereotipos.


De zero de conduta a 18 de Julho de 2007 às 01:46
Anónimo,

parece-me que não é de Lisboa, senão teria percebido a distinção entre as zonas de classe média e as velhas e pobres da cidade. Com calma vamos lá

Zonas envelhecidas e pobres: Beato, Castelo e Madalena: PCP 662 votos, Bloco 315.

Zonas classe média ou média-alta: PCP 1196, Bloco 1473.

Percebeu, agora, a diferença?


De Anónimo a 18 de Julho de 2007 às 00:03
Pedro Sales
Seguindo o seu raciocínio e pegando nas seis freguesias que mencionou o resultado é este:
Beato – 590 da CDU; 268 do BE
Alvalade – 219 da CDU; 294 do BE
Castelo – 46 da CDU; 33 do BE
Lapa – 197 da CDU; 218 do BE
Madalena – 26 da CDU; 14 do BE
Lumiar – 780 da CDU; 961 do BE

Total nestas seis freguesias – CDU 1858; BE 1788.

Dá para alguém concluir que o eleitorado de um “é fiel, pobre e envelhecido - pouco atreito a férias de Verão” e do outro é “jovem e flutuante”? É possível, mas a mim não me diz rigorosamente nada.


De zero de conduta a 17 de Julho de 2007 às 23:36
Anónimo das 21h37,

Vamos lá a ver se nos entendemos. Está-me a tentar convencer que o eleitorado do PCP é jovem e flutuante? Nem são precisos números para responder a isso, todos os estudos o indicam e o bom sendo o indicam. Não vejo, aliás, onde é que está o preconceito em afirmá-lo. Ser pobre e velho é defeito? Ter um voto fiel até deveria ser sinal de contentamento, é sinal de que os eleitores se revêem no trabalho feito pelos autarcas comunistas.

Quanto ao estrato social, aí, reconheço é mais difícil, mas repare que o PCP tem 13,7% no Beato e 5,5 em Alvalade; 21,90% no Castelo e 5,3 na Lapa; 15% na Madalena e 6% no Lumiar. Se já reparou na composição etária e social dessas freguesias (que pode encontrar em http://www.stape.pt/eleiref/cml2007_nt.htm ) vai ver que até vi uns númerozitos antes de escrever o que escrevi.

Agradeço a gentileza de me avisar que vai patrulhar ideologicamente o que escrevo. Um trabalho que sempre dispensa a leitura dos números, claro. Basta a fé.

Pedro Sales


De Anónimo a 17 de Julho de 2007 às 23:07
Muita piada acho eu a estes difamadores rascas.


De Anónimo a 17 de Julho de 2007 às 21:59
Pedro Sales , os dois vereadores do PCP, têm agora bastante menos peso que na Camara anterior.

As alianças encapotadas do Ruben com o Carmona e com o PSD, vão ser agora, bem mais dificeis de reeditar com o Costa.

Ou o Costa põe os pescoço no baraço e se alia com o Carmona, e aí o Ruben teria hipoteses de continuar as suas manobras.

Ou governa em minoria com acordos pontuais...

Ou tenta a grande aliança com o BE , a Roseta, e o PCP, mas ai há um problema de fundo por nada deste mundo o PCP quer o Sá Fernandes no executivo da Camara, os telhados de vidro da Soeiro Pereira Gomes são demasiado óbvios, e o Sá Fernandes com a mania de não deixar passar nada, ainda vinha a descobrir que o Ruben andava a arranjar lugares nas empresas municipais para a rapaziada.


De Anónimo a 17 de Julho de 2007 às 21:37
Pedro Sales: está estão a confessar que antes de escrever nem fez umas contitas básicas? Bem me parecia. Aliás, como continua com a análise preconceituosa (“com o eleitorado fiel, pobre e envelhecido - pouco atreito a férias de Verão”), vou ter de estar mais atento à adequação das futuras análises com a realidade. É que à primeira qualquer cai, à segunda cai quem quer.


De zero de conduta a 17 de Julho de 2007 às 19:06
Ao anónimo que me antecede,

Não sei se reparou, mas o PCP só falou depois das 21 horas. Foram dos últimos a fazê-lo, só o tendo feito depois de ter a certeza que conseguiam colocar o segundo vereador. Depois, não houve nenhuma dualidade de critérios, apenas a constatação de que, face a umas eleições com uma elevada abstenção, e com o eleitorado fiel, pobre e envelhecido - pouco atreito a férias de Verão, portanto - à partida, O PCP seria das forças que teriam mais a ganhar com a data destas eleições. Não aconteceu, mas, como deve ter reparado, reconheci que os seus dois vereadores vão ser fulcrais nos próximos dois anos.

Pedro Sales


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