Domingo, 30 de Setembro de 2007
Santana 2.0
Desde que António Guterres ganhou as eleições em 1995, o PSD esteve três anos no poder, e, mesmo aí, apenas em coligação com o PP. Se atendermos a que as próximas eleições legislativas só terão lugar em 2009, são 11 anos fora de São Bento. Muito tempo para um partido cuja referência ideológica é o poder e a sua base programática o seu exercício. Sem a sua expectativa, ou mesmo ilusão, o partido dilui-se em pequenos grupos e perde as suas referências políticas.

A degradação política e ética do partido, bem patente nos sucessivos episódios das “directas”, vem daí. O partido tem pressa em chegar ao poder, os métodos pouco importam. As “bases”, essa imanação “pura” da politica, impoluta e sem interesses obscuros, ratificou o seu novo salvador. Não aguentam mais continuar a assistir às nomeações dos deputados municipais e vereadores socialistas para centros de saúde ou direcções gerais ou regionais da administração pública. Já deram muito ao partido e querem o retorno. Menezes, o homem que “ganha eleições”, foi o seu escolhido, como antes tinha sido Santana pelas mesmíssimas razões. Foi este povo que encheu a sede de candidatura de Menezes na sexta-feira à noite, com evidente consternação nos jornalistas que não encontravam ninguém “conhecido” para entrevistar nos directos que se seguiram à vitória de Menezes.

Não falta quem aponte a vitória de Menezes à omissão dos barões, senadores, notáveis ou às elites do PSD, terminologia distinta para designar todos os “conhecidos” que não estiveram no Sheraton. Sabendo que José Sócrates deverá ganhar em 2009, resguardaram-se e não deram a cara nas “directas”. É verdade, mas convém ter os pés assentes no chão. A sobrevalorização da influência dos “barões” na vida interna do PSD é uma das maiores construções sociais e mediáticas dos últimos tempos. Wishful thinking de quem ainda divide o PSD entre a boa e a má moeda. Sem a ilusão da vitória nas eleições, nenhum notável arrasta as bases do partido com base no seu belo nome, valendo tanto como qualquer outro. Um voto. E votos há muitos, seja no multibanco da esquina ou nas promessas que se fazem para as próximas listas eleitorais.
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publicado por Pedro Sales às 15:35
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Comentários:
De Paulo Mouta a 2 de Outubro de 2007 às 00:15
Temos de entender que a derrota de Marques Mendes é uma vitória para o PSD enquanto partido político que não quer mergulhar numa morte lenta. Mendes nunca demonstrou ser mais credível que Menezes porque pura e simplesmente não o é. Não passa de um bom número dois de qualquer líder, seja ele quem for, tenha ele que tipo de pensamento tiver. Os intitulados barões deste partido tiveram aquilo que merecem comtudo, e para mal do país, o PSD tende a ganhar força quando esta era perfeitamente dispensável. O PSD e o PS são dois partidos cristalizados alimentados de quadros para manter o sistema bipartidário. Não interessam ao país e muito menos à democracia.


De Anónimo a 30 de Setembro de 2007 às 23:53
Menezes é o Guiliani português.


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