Sábado, 19 de Janeiro de 2008
As regras da casa
Ontem, na Assembleia da República, Vítor Constâncio declarou que uma das suas principais preocupações é garantir a estabilidade do sistema financeiro, criando as condições para rácios de solvabilidade acima dos 8%. A frase resume o entendimento que o Governador do Banco de Portugal faz do seu cargo. Mais do que o regulador e fiscalizador do sistema financeiro, vê-se como uma espécie de bastonário dos banqueiros. Dois exemplos. O arredondamento das contas, sempre a favor dos bancos, que só terminou após intervenção legislativa, ou a contabilização dos dias do ano com critérios diferentes consoante se trate de juros a favor do banco ou do cliente. Esta originalidade nacional persiste, mesmo havendo um decreto governamental para lhe pôr cobro há vários meses, porque o Banco de Portugal continua a fechar os olhos a esta prática lesiva dos direitos dos clientes. Não se percebe portanto a estranheza com a forma como Constâncio, sabendo há vários anos do que algo de estranho se passava no BCP, nada fez para o evitar. A complacência com a arbitrariedade da banca faz parte das regras da casa. Garantir a solvabilidade, acima de tudo, como o próprio reconhece. Desta vez deu mais nas vistas, mas não vale a pena armar-se em virgem ofendida. Constâncio tem sido o rosto da condescendência perante um sistema financeiro que entende que todos os métodos são legítimos para sacar uns cêntimos, que se convertem em milhões, aos seus clientes. Até mudar os dias do ano a seu favor.

publicado por Pedro Sales às 14:05
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Comentários:
De Fernanda Valente a 21 de Janeiro de 2008 às 13:38
Os governadores ou gestores das entidades reguladoras, deveriam ser recrutados na "sociedade civil" e não ter qualquer elo de ligação com os partidos políticos; depois acontecem situações como esta. Mas, infelizmente a tendência é para fechar cada vez mais o círculo e não o contrário.


De Paulo Mouta a 20 de Janeiro de 2008 às 02:13
É fácil compreender que o único sector onde temos empresas que estão muito longe da crise é precisamente o sector da banca.

Mais uma prova que neste país tudo o que é não produtivo é para ser apoiado e encoberto em todos os seus esquemas para fazerem cada vez mais dinheiro.

Os bancos fazem-se pagar de tudo muito acima do custo real. Cobram despesas indevidas aos clientes. Ganham fortunas com os créditos, quer com os que são cumpridos quer com os que não conseguem ser cumpridos e têm de entrar em contencioso. Ganham na diferença brutal entre o juro ao crédito e o juro da poupança. Ganham com a mão de obra cada vez menos qualificada porque contratam indescriminadamente e pontapeiam os bancários com mais e melhor experiência. Os bancos são empresas parasitárias cujo controlo e regulamentação deveriam estar nas mãos deste senhor Constâncio. Já vimos que, por ele, estamos como sempre, bem arranjados nas mãos de uma economia que não se quer denunciar nos esquemas para se autoalimentar e crescer exponencialmente.

Contudo uma questão que até hoje ainda não vi sequer colocada. A CGD não é um dos principais acionistas do BCP? A CGD não é do estado? Não deveria ser a primeira entidade a notar e denunciar internamente ou às entidades reguladoras (mesmo que discretamente para não gerar ondas) todas estas situações?

É certo que o país não lucra com um BCP debelitado e potencial alvo de uma intervenção de capital exterior. Mas também não lucra com a passividade de uma entidade como o BdP perante situações de flagrante inconformidade...


De aviador a 20 de Janeiro de 2008 às 00:25
Contâncio e todos os que passaram pela adm. do Banco de Portugal e que andam por aí pelo sistema bancário.

São todos o mesmo e andam à procura do mesmo.

O que eles querem sei eu...e o RAP!


De abrasivo a 19 de Janeiro de 2008 às 22:52
Encontrado aqui, este post surpreende-me.
É que o BdP faz parte do sistema.
O BdP apenas existe como garante do sistema e sua máscara de honorabilidade.


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