Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
A "seriedade democrática" da mentira
Vital Moreira, continuando a sua já longa sequência de entradas contra o referendo ao Tratado Reformador, utiliza um novo e derradeiro argumento. É uma questão de "seriedade democrática". E eu que, na minha ingenuidade, pensava que o primeiro princípio da tal seriedade democrática era o cumprimento do programa e das promessas eleitorais. Todos os partidos parlamentares defenderem no seu programa o referendo ao Tratado Constitucional. O mesmo acontecia no programa de Governo – que até o defendia para "reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia"

Por muitas diferenças que encontre entre os dois tratados, o que conta é que, até há poucos dias, não era essa a posição do primeiro-ministro. Na entrevista que concedeu à Sic nos últimos dias de Julho, José Sócrates disse que os dois tratados "são quase iguais". De resto, como já aqui lembrei, o primeiro-ministro continuava a defender o referendo há menos de seis meses...muito depois do Tratado Constitucional estar morto e enterrado. Agora, como já aconteceu com o PSD e PP, parece defender uma ratificação parlamentar e não ver nisso nenhum problema de "legitimação democrática".

A política nacional já pouco se distingue do futebol, mas Vital Moreira quer dar o último passo e legitimar intelectualmente a táctica de Pimenta Machado: "No futebol, o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira". O povo pode não perceber o Tratado, como entende Vital Moreira, mas percebe bem quando está a ser enganado. Haja seriedade democrática.

publicado por Pedro Sales às 09:29
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Comentários:
De Nuno a 24 de Outubro de 2007 às 17:15
Bem sei que o nuno das 14h35, acha que as promessas eleitorais não são para cumprir. Mas o que terá levado o PS a propôr o referendo, numa altura em que já tanta gente, como ele diz, queria o "referendo para referendar tudo menos o tratado"?


De alexandre lagoa a 24 de Outubro de 2007 às 16:22
Nuno: há razões práticas para ESTE tratado ser referendado. Em especial no que diz respeito à representação portuguesa e ao novo equilíbrio de forças dentro da UE, que nos é extremamente desfavorável. Se tiver interesse, pode ler o que tenho escrito no meu espaço sobre este assunto. E garanto-lhe que o oportunismo e o protagonismo não são os meus motivos, já que nem sequer tenho filiações partidárias de qualquer espécie...


De Nuno a 24 de Outubro de 2007 às 14:35
Andamos a enganar-nos ou quê? Desde qdo é q as promesas eleitorais são todas para cumprir? Concedo que em teoria deveriam ser, mas na prática nós, eleitores, com alguns anos ou mm décadas de prática sabemos bem o que a casa gasta! Lamenbto mas este não é um argumento válido para haver referendo, dê você as voltas que quiser ao texto!
O q muita gente quer ver referendada é a presença de Portugal na UE(com 20 anos de atraso), alguns comentadores querem é protagonismo, há quem defenda o não por motivos e interesses diametralmente opostos(Pacheco Pereira e Jerónimo Sousa por ex). Ainda ninguém me convenceu da necessidade de um referendo e cada vez que tentam menos tenho vontade de mudar de opinião! A maioria desses defensores querem o referendo para referendar tudo menos o tratado! E para esses tenho um adjectivo, Oportunistas. Como diz VM, haja seriedade!


De samuel a 24 de Outubro de 2007 às 13:12
Na leitura do "tratado" da seriedade democrática, parece que foi Vital Moreira e o governo quem "não passou da segunda página".


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