Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008
A comunicação para esconder o vazio
Parece imperar a ideia, em certos quadrantes, de que a solução para todas as questões políticas com que se defrontam os governos e partidos se resolvem com inovadoras estratégias de comunicação. Luís Filipe Menezes levou essa ideia até onde nunca ninguém tinha chegado e contratou uma agência para centralizar toda a comunicação e imagem do partido. Sintomaticamente, no preciso momento em que surgem as primeiras criticas à vacuidade da sua liderança, avança com a mesma empresa para tomar conta da comunicação do grupo parlamentar. O propósito é claro. Controlar a casa, calando as vozes incómodas do grupo parlamentar, o que rapidamente foi percebido e recusado pelos visados.

Porque reduz a autonomia política da direcção e o controle democrático dos filiados de um partido sobre os processos de decisão politica, todo o contrato do PSD com a Cunha e Vaz é bastante questionável. Mas a sua extensão aos deputados, principalmente pelo que se entrevê nos seus pressupostos, entra num ponto sensível que não convém menorizar. “É provável que achem esta tentativa de pôr ordem no caos uma limitação da liberdade de expressão dos representantes eleitos da Nação”, diz o João Villalobos, num post em que elogia a decisão de Menezes. Claro que sim, João. Bem ou mal, os portugueses elegeram deputados, não votaram na Cunha e Vaz associados. Quando põem uma cruz no boletim de voto não a podem castigar - e esse não é um pormenor. É inimputável e muito pouco escrutinável. Caso não avance com esta medida, diz o João Villalobos, “ficamos a perceber que [os deputados] continuam a preferir brincar às oposições”. Desculpa lá, João, mas não é isso que o Menezes, com a prestimosa ajuda de Cunha e Vaz, anda a fazer há uns meses valentes?

publicado por Pedro Sales às 19:17
link do post | comentar |

Comentários:
De Cosmopolita a 24 de Janeiro de 2008 às 16:45
E ainda falam eles do PCP!


De Paulo Mouta a 24 de Janeiro de 2008 às 02:28
Não convém confundir as coisas. Para além de que Santana Lopes já fez saber que não vai sofrer qualquer tipo de influencia no discurso por causa destes senhores e remeteu mesmo a sua acção para pesquisa documental .

Claro que tudo isto é uma patetice mas parece que já nos esquecemos dos promeiros contactos públicos do actual primeiro-ministro ainda antes de ser eleito secretário geral do PS, e depois continuadamente até aos presentes dias. Já ninguém se lembra do uso do tele-ponto, por exemplo. E é óbvio que toda a preparação para intervenções e debates públicos partem de empresas do género desta, senão mesmo a té da mesma empresa. Não me admiraria nada.

Mas continuo na mesma questão de sempre. O que se pretende com estas críticas a Menezes é atacar um perdedor à partida ou ajudar mais um pouco a que Sócrates ganhe mais uma maioria absoluta?


Comentar post

Zero TV
ZERO DE CONDUTA
Filipe Calvão

José Neves

Pedro Sales

Vasco Carvalho


zeroconduta [a] gmail.com
Indecisão 2008
Subscreva
Zero links
arquivos

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Feeds