Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007
Uma forma original de capitalismo
Nos primeiros quatro meses de serviço, as composições do Metro Sul do Tejo transportaram, em média, três passageiros por carruagem. São 15 mil euros de prejuízo diário, avança o Diário de Notícias na sua edição de quarta-feira. Uma verba que terá que ser paga pelo Estado à concessionária privada, que já reclama uma indemnização de 68 milhões de euros pelo incumprimento dos prazos. É certo que o traçado ainda está incompleto, e ainda não chegou a Almada, mas, como dizem todos os especialistas ouvidos pela imprensa, os preços praticados são demasiado altos para demover os cidadãos de usarem o transporte privado. O Metro Sul do Tejo tem tudo para ser um desastre financeiro.

Como já tinha feito com a Ponte Vasco da Gama, e foi arrasado pelo Tribunal de Contas, o Estado volta a concessionar a prestação de um serviço com base numa expectativa negócio. Se as previsões se confirmarem os privados lucram com o dinheiro dos bilhetes; se os passageiros não aparecerem, os privados lucram com as indemnizações compensatórias pagas pelo Estado. No caso da ponte Vasco da Gama, os cofres públicos deverão pagar à Lusoponte indemnizações que deverão ser suficientes para fazer três pontes.

É uma forma original de capitalismo, sem risco e com o lucro sempre garantido. Os liberais, que peregrinam semestralmente até ao Convento do Beato para dizer mal do peso do Estado na economia, não o largam de cada vez que querem ganhar dinheiro. Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

publicado por Pedro Sales às 11:10
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Comentários:
De Joshua a 22 de Setembro de 2007 às 23:00
Tudo muito bem, mas é com erros de casting como este que depois quem serve para tapar buracos ao défice e ao orçamento são os profissionais do ensino ou da saúde, que são toureados pelo Estado, como se fossem desnecessários.


De busilis a 22 de Setembro de 2007 às 15:44
Mas a questao è mesmo essa,com a qualidade das nossas empresas(no caso de construçao)sò um demente é a favor de parcerias.Pelo pouco que sei o facto de poder haver este tipo de parcerias foi decidido por governantes.Para responder à tua pergunta,o conjunto dementes(corruptos)e as nossas empresas sò pode dar catastrofe.Quando falam nessas parcerias nao estao a falar dos marcianos fazerem uma cidade em Jupiter falam(mais uma vez)de governantes portugueses e firmas portuguesas(sec.XX e XXI)planeta Terra.E os resultados estao à vista.Sò falta virem com o "a culpa è de todos",sim ,se tivremos em conta que votamos nestes pategos,NAO SOFRO DESSE MAL .


De José Luiz Sarmento a 22 de Setembro de 2007 às 13:56
O Lino José só é anti-socialista no que respeita os lucros. No que respeita os riscos e os custos é mais socialista que o Hugo Chávez...


De Pedro Sales a 22 de Setembro de 2007 às 12:28
AO contrário do que dizem alguns comentários, esta entrada não tem nada a ver com o direito das empresas privadas a a terem lucro. Ninguém põe isso em causa, o que se questiona é porque razão esses lucros estão garantidos à partida pelo Estado.

O Lino José pergunta como é que a empresa paga os seus salários, o que é uma pergunta pertinente, mas que se coloca a todas as empresas do país, 99,99% das quais não tem nenhuma garantia estatal de que se o negócio der para o torto o Estado garante-lhe os lucros. Será que se eu, ou o Lino José, abrir uma mercearia ou pequeno negócio, e tiver prejuízo, o Estado me compensa até apresentar os lucros que eu esperava obter?

A segunda questão é porque razão estas parcerias público-privadas resultam sempre em catástrofes financeiras para o Estado, sucessivamente criticadas pelo Tribunal de Contas. Apesar de só haver uma ponte vasco da Gama sobre o Tejo, a verdade é que vamos pagar 3 no período da concessão à Lusoponte. O negócio é tão brilhante que, segundo o Governo, vai servir de base para o financiamento do TGV. Espero que o A, Silva esteja certo.

Por último, a questão do traçado e as câmaras municipais. Não tenho conhecimentos nenhuns sobre as soluções técnicas encontradas. Acredito que não sejam as melhores e os sucessivos adiamentos das obras (ou a pressa na abertura de um linha sem nenhum sentido) têm mais a ver com os executivos municipais do que com o Governo. Mas não foi esse o objecto do post, mas sim as parcerias público privadas, e a forma como as mesmas são negociadas, acabando quase sempre por lesar os contribuintes.

Quanto à análise ser precipitada, estanto apenas em funcionamento uma pequena parte da linha, pode ser verdade. Mas olhe que todos os especialistas dizem que, com estes preços, o MST não tem capacidade para concorrer com o transporte privado ou com os autocarros já existentes na margem sul. A ver vamos.


De busilis a 21 de Setembro de 2007 às 23:29
Pà ò Lino tu nao deves ter noçao das negociatas das firmas para ganharem concursos.Nao deves ter noçao do que as firmas de construçao inventam para exceder prazos e reclamarem mais arame.Normalmente os gajos das camaras que teem poder de desiçao acabam mais cedo ou mais tarde por ,ou eles ou um familiar,ir para essas mesmas empresas.Como jà vi que tudo isto te passa ao largo nem adianta falar do caso somague.Estranho criticares uma autarquia e nao criticares a empresa,os fins sao diferentes,eu sei mas as empresas nao estao isentas de cumprir a lei.E agora para teu choque ,A MAIORIA DAS EMPRESAS PORTUGUESAS NAO CUMPRE AS LEIS DO NOSSO PAÌS.


De A. Silva a 21 de Setembro de 2007 às 23:01
É ridicula esta discução acerca do Metro Sul do Tejo, actualmente só estão em funcionamento 4Km da rede, entre Corroios e a Cova da Piedade. Se o Metro só entrasse emk funcionamento quando já estivesse concluida mais de metade da rede,ou a sua totalidade não se dizia estes disparates.
Portanto tenham noção do que estão a falar.
Se querem discutir a razoabilidade da decisão de se pôr o Metro a funcionar com uma décima da rede executada, tudo bem, mas pôr em causa a validade do projecto por esta situação, é pura estupidez.

Já agora para os "socialistas" que acusam a Câmara Municipal de Almada de não ceder os terrenos, é só para lembrar que a Autarquia só disponibiliza os terrenos depois de aprovados os projectos e que não está às ordens do governo, mas defende os interesses dos cidadãos.


De Gabriel a 21 de Setembro de 2007 às 22:44
uma boa demonstração de como o estado não sabe gerir negócios. E de como não sabe criar serviços que correspondam ás necessidades de mercado.
E de como os rendimentos retirados ao cidadão são «redistribuidos» e por quem....


De Lino José a 21 de Setembro de 2007 às 21:14
Busilis, neste caso quem é que pediu o que quer que fosse ao Estado ? O Estado é que mostrou interesse no projecto e abriu-o à iniciativa privada. O Estado fez um estudo de viabilidade, e disse aos privados que o projecto iria dar lucro. Foi nessa base que eles embarcaram nele, como é lógico.

Como é que você pensa que os privados pagam os salários dos seus empregados ? É tendo prejuízo ?

Tanto quanto eu sei, o atraso de que sofre o Metro Sul do Tejo, e que impede que ele sirva as populações que deveria estar a servcir. deve-se à Câmara de Almada que não resrevou a tempo os terrenos necessários.

Você acha que é o concessionário que tem de arcar com o prejuizo daí decorrente ?

Se o Estado o contratar a si para fazer algo, você vai trabalhar de borla ?

A visão destes "socialistas" é uma coisa absolutamente extraórdinária...


De busilis a 21 de Setembro de 2007 às 19:30
Isto só vem provar que nao podemos contar com os privados para nada,pelo menos aquelas empresas detidas pelos lorpas dos nossos empresarios que fazem do capitalismo selvagem um modo de vida.Se como dita a lógica os interesses destes srs nao passam pelo bem estar dos restantes portugueses pelo menos tenham o decoro de se abster de pedir seja o que for ao estado.Mas aì jà nao defendem o capitalismo.Nao passam de parasitas neste triste paìs.Eu enganei umas velhinhas ,mas a culpa nao è minha,è do policia que devia estar alì naquela esquina. Sao voces mais os vossos apaniguados(leia-se governantes dos ultimos 30 anos)os responsaveis pelo estado do país.


De San a 21 de Setembro de 2007 às 18:54
Há sempre cães a morder a mão do dono. O bom povo cá está para pagar a conta, ainda por cima apresentada pelos seus mais encartados defensores.


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