Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007
É assumir o risco




Fotos de cabelinho à paulo bento
Ver também riscoaomeioexatamentameioepamesmomeio.


Aqui há dias, enquanto aproveitava um telefonema para exercitar a minha veia Lusitana - queixava-me portanto - ouvi uma coisa curiosa. Como resposta ao meu lamento pela falta de tempo para cortar o cabelo obtive: 'desde que não andes com um cabelinho à Paulo Bento'.

Como emigrante a minha interacção com a figura de Paulo Bento é diária mas distante. Mal me lembro de quando jogava à bola, não estava em Portugal quando entrou para treinador e nunca vi nenhum jogo do Sporting desde então. Fico-me pela imprensa desportiva online que consumo aqui e ali, sempre intermitente e de frases curtas. Aí, à distância e filtrado, Paulo Bento não parece diferir de outros: os soundbytes da ordem ao sabor dos resultados. E ninguém fez referência ao cabelinho, nunca.

Mas quando me disseram 'cabelinho à Paulo Bento', soou bem, natural, Luso mesmo. Mas como é que eu me esqueci que o 'olha práquele cabelinho' - seguido de arroto - faz todo o sentido? O inho que serve de escala para tudo. O escárnio constante, exacto e cortante, ideal para passar o tempo entre a jola e a cuspidela conjunta de cascas de tremoços. Pensando bem, o escárnio em inho é Portugal-redux. Desde que não vá aterrar no sapato do Senhor Doutor, serve para passar a tarde e mantém a discussão no acessório que o essencial é triste demais.

Adenda: Ou complicado demais. O pessoal que coma tremoços tailandeses e beba cerveja pelo copo de plástico comprado no LIDL e está bom de ver que isso é progresso não-referendável. Envolve mistérios que não podemos compreender. E como é sabido não é possível referendar todas as maravilhas do Senhor. Portanto, não precisamos de ouvir, não precisamos de explicar, não precisamos de argumentar. O bloco central está cá é para decidir e o resto é demagogia e gentes de morais dúbios. Só falta avisar com fumata bianca.

É o que temos feito nas últimas décadas. É o que vamos continuar a fazer. Certo? ... E de repente Paulo Bento começa a parecer um tópico mais feliz de conversa. O ciclo eterno continua, num país perto de si.

publicado por Vasco Carvalho às 01:47
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Comentários:
De josé manuel faria a 1 de Novembro de 2007 às 19:48
"Os Belenenses enquanto projecto de nação". Gostei deste marcador.


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