Comentários:
De Anónimo a 14 de Dezembro de 2007 às 19:44
Olá,

Não estou acostumada a participar nestas andanças das caixas dos blogues - enquanto leitora ocasional até acho que este poderia ser mais um espaço público de virtualidades, mas na realidade é muitas vezes palco de demasiadas fulanizações e arbitrariedades, excesso de agressividade (pelo menos para a sensibilidade que me informa) que tolda logo qualquer troca fecunda de ideias, enfim, pouca margem de reflexão e debate, desde logo pela velocidade da coisa (e a velocidade é muito pouco democrática) - mas acho esta discussão muito interessante, até pelo que ela revela das formas como vamos pensando a política e a acção.

Podemos concordar ou não com os termos e conclusões do debate, mas esta proposta de pontos prévios parece-me relevante. E encontro aqui sobretudo questões epistemológicas - e não metafísicas - a propósito dos lugares de onde se fala, de concepções e modalidades de acesso ao real, de como podemos validar diferentes perspectivas e formas de conhecimento que são a um tempo teóricas e práticas.

E as concepções que temos do que é a política e da politicidade humana serão sempre, espero, matéria de interrogação e debate. Parece-me, no entanto, difícil deixar fora deste tabuleiro a dimensão de "querença" e de vontade quando falamos de acção política. O sentido do que queremos e desejamos, consciente ou inconscientemente, é que pode divergir. E isto merece certamente reflexão e clarificação.

Ainda sobre a agressividade aqui nestes espaços, um exercício que podemos fazer quando escrevemos é imaginar que temos o interlocutor à nossa frente e estamos a ver a expressão (cúmplice, discordante ou irada), o sorriso (trocista, afável, divertido) o ar (de espanto, de indiferença, de dúvida), o olhar (atento, distraído, sonolento). Só podemos imaginar, claro, porque não temos interlocutor à nossa frente. Há coisas que acabam por ser ditas que nunca o seriam da mesma forma numa conversa presencial, porque aí conta muito a expressividade corporal, o tom de voz, os gestos que enquadram o sentido e a intenção do que se diz.

E assim sempre se reservava melhor o impulso necessário à construção de qualquer obra.

isabel


De Hugo Mendes a 14 de Dezembro de 2007 às 03:04
"Enquanto para uns fazer perguntas é fazer perguntas para que se tem resposta e resulta um simples delírio fazer-se perguntas para que não se tem resposta, para outros fazer perguntas para que se tem resposta é dar respostas e não fazer perguntas."

Há um plano intermédio que obliteras. Podes fazer perguntas para as quais não tens respostas imediatas, mas para as quais PRETENDES VIR a ter uma resposta, e trabalhas, intelectual e empiricamente, e de forma metódica, recorrendo a instrumentos de analise da realidade, com esse fim em vista. Esse é o obecjtivo final, mas não está à mão, aqui, agora, neste instante. Se quiseres uma analogia, é como o cientista que pensa num, num primeiro momento, num conceito mesmo que não tenha naquele momento um indicador nem um dispositivo experimental para testar, em última análise, a utilidade do conceito. Há todo um processo de tradução do plano mais teórico ao mais empírico que dissolve a forma de pensar dicotómica.
Sem indicador ou dispositivo experimental, o conceito é especulação. É optimo para a reflexão intelectual, mas de utilidade nula na compreensão e - sobretudo - na intervenção eficaz e monitorizável sobre a realidade.

Não se trata por isso de uma questão de 'querença', ou de 'fé', ou que queiras chamar, mas de consciência absoluta de que se não trabalharmos metodicamente para encontrar as respostas empíricas concretas, outros o farão. E, tendo traduzido os conceitos em experiências, e por fim em votos, ganharão as eleições para aplicar essas respostas. Isto é, parece-me, um bocadinho indiferente a certas formas 'metafísicas' (sem ofensa) de colocar os problemas (que vejo reproduzidas neste post) para as quais eu simplesmente não vejo a utilidade para prática política, nem agora, nem no futuro (e convém não mandar para as calendas gregas as putativas respostas: agir com inteligência é urgente).
Mas confesso que tenho curiosidade de saber o qual é o "princípio de seguirmos um modo comunista – do comum – de produção política de perguntas e de respostas".

Hugo


De Joshua a 13 de Dezembro de 2007 às 11:24
Zé Neves, esta cena té-té-té não está a funcionar. Há, nestas tuas postas, um grande bocejo tipo «importa-se de repetir, pf?!». E não é por falta de percebas. É mesmo seca.

Tens de render o Chávez no seu Pugrama de TV que o tipo está cansado!


De Hugo a 12 de Dezembro de 2007 às 23:30
Póvoa de Varzim


De Renato Carmo a 12 de Dezembro de 2007 às 21:30
Segue uma eventual reposta em aberto no Peão.

Um abraço


De Anónimo a 12 de Dezembro de 2007 às 16:56
não tens que repetir a posta para reforçar o teu ponto...


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